Encerrando a semana de divulgação de Spencer antes da estreia do filme, Kristen Stewart e Pablo Larraín apresentaram o longa em uma exibição especial no Museum of Modern Art, o MoMA, em Nova York. Spencer abriu a série ‘The Contenders‘ em que o museu exibe filmes cotados para temporada de premiações. Confira fotos:

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Kristen Stewart e Pablo Larraín conversaram sobre Spencer com a revista Vanity Fair. A atriz fala sobre os paparazzi no set do filme, sobre um figurino que não chegou a usar e como se sentiu na estreia em Veneza. A revista também descreve algumas cenas, então leia com cuidado!

Em janeiro, Kristen Stewart estava com o cabelo e maquiagem da Princesa Diana quando paparazzi invadiram um castelo alemão onde ela e a equipe estavam filmando Spencer.

Stewart, atriz há 22 anos e estrela do cinema há 13, está acostumada com um círculo de fotógrafos seguindo cada passo seu – e sabia que interpretar um ícone amado só intensificaria o interesse.

“Você pega o elemento de que sou um atriz famosa, mistura com o símbolo monumental que é a Diana e é tipo: “Cara, eles vão ficar loucos”, Stewart me conta durante uma recente entrevista pelo Zoom. “E ficaram.”

Mas havia algo assustadoramente similar no momento – além de uma atriz caçada pela imprensa interpretando uma princesa caçada pela imprensa. Os fotógrafos estavam usando câmeras com lentes extensas para capturar fotos granuladas de Stewart como Diana através de uma janela do hotel Schloss Friedrichshof. Spencer – um psicodrama luxuoso visto pelos olhos de Diana durante um Natal em Sandringham – inclui uma cena em que fotógrafos tirando fotos com lentes extensas através de janelas se tornam um problema tão grande que as cortinas de Diana são costuradas pelos funcionários da rainha.

Em Spencer, dirigido por Pablo Larraín (Jackie) e escrito por Steven Knight, indicado ao Oscar por Coisas Belas e Sujas, as cortinas costuradas são interpretadas como terror – outra medida extrema que a família real e funcionários tomam para isolar Diana. Mas no set de Spencer, costurar as cortinas de repente não parecia uma ideia tão terrível.

Stewart vem de uma família de cineastas – sua mãe é uma supervisora de roteiros, seu pai é contrarregras e seu irmão monta equipamentos para câmeras – e para ela, sets de filmagens são íntimos e sagrados. “Não ligo que me sigam quando vou ao Starbucks e me observem comprar café. Tudo bem, tirem fotos. Fiz um filme, quero que assistam”, diz Stewart. “Mas na nossa arte, fazendo um filme e estando atrás de portas fechadas… não era sobre mim.”

Caracterizada como sua personagem naquele dia (e provavelmente despreparada para costurar qualquer coisa), a atriz mediu sua energia de acordo.

“Saí completamente do personagem e me senti totalmente protetora com a Diana naquele momento. Pensei: “Deem o fora!’”, diz Stewart. “Eu desenvolvi um relacionamento verdadeiramente protetor com essa pessoa que obviamente nunca conheci.” Stewart está acostumada a ser o assunto de escrutínio público. Mas durante sua pesquisa extensiva sobre Diana, ela ficou transtornada com o escrutínio privado que a princesa estava submetida pelos funcionários em sua própria casa.

“As pessoas analisavam os cabelos em seu travesseiro – olhavam a cor e pensavam: “Oh, ela estava sozinha na noite passada?” E então falavam desses detalhes com outros funcionários como se fosse da conta deles.”

“Também é uma coisa estranha de se falar porque estou sentada aqui consumindo todos esses detalhes e grata que eles existem”, diz Stewart. Essas memórias difíceis – algumas provavelmente vendidas para imprensa por funcionários – a ajudaram a explorar o estado emocional de Diana. “Na verdade, como uma espécie de ataque à sua personalidade, essas histórias só revelam a situação de merda em que ela estava vivendo. Em retrospecto, eu penso: “Legal, contem suas histórias sobre a Diana. Vocês só estão corroborando com sua bondade.”

Spencer é mais experimental e aventureiro do que outras biografias sobre a Princesa Diana e se apoia diretamente na performance de Stewart. Lançado seis anos depois que Stewart ganhou o César (a versão francesa do Oscar) por Acima das Nuvens, Spencer marca a primeira tentativa da atriz de competição por prêmios americanos. Ela interpreta uma pessoa real – imã para votantes da Academia – e se esforça para fazer a transformação mais ambiciosa de sua carreira, trocando suas maneiras californianas pelo sotaque e postura elegante de Diana. Mas não foi a fisicalidade do papel que foi difícil.

“Todos amam falar sobre como me preparei para esse papel e qual tipo de pesquisa ou truque de mágica eu fiz para conseguir acertar no sotaque”, diz Stewart, que trabalhou com William Conacher, o mesmo professor de dialeto que ajudou Emma Corrin a se tornar Diana para The Crown. “Mas honestamente, se você tem tempo o bastante para acertar um sotaque, é muito técnico. O que realmente importa é pesquisar e incorporar reações realmente emocionais em coisas que existem na vida real, se você está fazendo uma história sobre uma pessoa que realmente viveu.”

Spencer retrata Diana à beira de um colapso durante seu último Natal antes de separar-se de Charles – uma panela de pressão de 72 horas de tensão familiar e rituais antiquados preservados da era da Rainha Victoria. Desde o momento que os Windsors chegam em Sandringham – em ordem precisa, dependendo de seu posto – eles são jogados em uma situação que é parte Downtown Abbey, parte Black Mirror. Os hóspedes estão sempre vestindo roupas novas e formais para uma procissão interminável de refeições ricas – um pesadelo para Diana que lutava contra bulimia, problemas emocionais e automutilação nos anos 90. A Diana de Spencer, manipulada e vigiada pelos funcionários da rainha 24/7, oscila na beira da loucura e rebelião.

Para escrever o roteiro, Knight falou com antigos funcionários – “pessoas que serviram e observaram” – da propriedade de 20.000 acres da rainha. Apesar de Knight se recusar a discutir as especificidades dessas conversas, ele insiste que mesmo os elementos mais bizarros de seu roteiros estão impregnados com fatos. Por exemplo, em um detalhe incorporado no filme, ao chegarem em Sandringham para o Natal, a Rainha Elizabeth insiste que cada visitante seja pesado em balanças antigas – seus pesos anotados e comparados na saída. (A lógica, vinda da época vitoriana, era de que um convidado só teria se divertido se ganhasse pelo menos 1kg.)

Knight ficou horrorizado ao saber que Diana era submetida a tal tradição quando sua bulimia era conhecida (mas nunca discutida) dentro das paredes do palácio. “Imagine Diana em sua circunstância – e o fato de que tudo durante aquele fim de semana era baseado em comida, no que você vestia e sua aparência. É tudo sobre o que está no espelho, não o que existe de verdade.”

As visitas reais de Diana em Sandringham eram ainda mais carregadas emocionalmente considerando que sua família morava na mesma propriedade, de aluguel em Park House, quando ela nasceu. No entanto, quando Diana entrou para a família real, Park House estava em ruínas – uma relíquia fechada com tábuas de seu passado ainda de pé nos terrenos reais. Em Spencer, Diana estava dividida entra e a família real e suas mentes manipuladoras, que querem que ela se subordine e se cale, e o eu autêntico que perdeu tempos atrás, vagando assustadoramente como um fantasma à distância.

“Queria que o filme tivesse um elemento de terror porque os contos de fadas originais são bem assustadores”, diz Knight. “E queria que fosse como se ela se sentisse presa, sentisse que era um brinquedo, que era todas essas coisas.”

Foi um estado emocional assustador para Stewart cair de paraquedas. Mas a atriz se sentiu segura e com liberdade parar fazer isso ao lado de Larraín.

“Sempre senti como se pudesse me debater e me jogar nele e dizer: “Você precisa lidar com todas as minhas perguntas e emoções e sei que pode’”, diz Stewart, notando que é raro sentir-se livre assim em um set. “Geralmente, nos meus relacionamentos com os diretores, eu os protejo das minhas emoções. Nesse caso, sinto que estávamos protegendo e apoiando um ao outro, mas também me senti muito livre para comunicar ideias novas e impulsivas… O único jeito de fazer algo que parece rebelde e vivo e meio que seu próprio animal é ter a confiança, conforto e caos para fazer isso… Nunca senti que precisasse abalar sua psique oferecendo outra ideia.”

Juntando-se ao Zoom de seu escritório, Larraín concorda que sua relação de trabalho com Stewart foi especial.

“Tornou-se uma união muito singular. É muito bonito, não acontece com frequência”, diz o cineasta, que filmou pessoalmente algumas das cenas mais emocionais de Spencer. “Quando você assiste ao filme, você percebe que foi uma colaboração íntima.”

Stewart, que está se organizando para estrear como diretora em uma adaptação do livro The Chronology of Water de Lidia Yuknavitch, fica maravilhada com o fato de que ela e Larraín estavam em frequências tão similares que, para muitas cenas, ele não precisou dar direções verbais para ela – apenas uma expressão facial que ela conseguia interpretar.

“Pablo poderia ter interpretado esse papel, e interpretou, comigo todos os dias”, aponta Stewart. “Nunca houve um momento em que olhei por cima dos ombros e esse homem não estava compartilhando cada emoção… As melhores direções que Pablo me deu foram expressões faciais que eram como leituras completas. Eu pensava: “Entendi, vamos lá.” Nós dois a interpretamos. Parece bobo – primeiramente, é engraçado imaginá-lo com a peruca e o vestido, mas não consigo parar – mas realmente compartilhamos um coração nesse filme.”

Em uma cena de Spencer, a Princesa Diana se reúne com a família real para um jantar formal de véspera de Natal – um caso de alto risco que desperta as emoções da personagem. Stewart estava tão investida em cada detalhe que ficou devastada que não poderia usar o vestido rosa que queria por questões de direitos.

“Eu fiquei muito triste por causa do vestido rosa”, diz Stewart. “O filme inteiro é muito vermelho. A cor favorita dela era rosa. Eu queria sentir essa delicadeza – ela tinha essa coisa corpulenta que todos estavam ignorando.”

No final, a figurinista vencedora do Oscar, Jacqueline Durran, criou um vestido verde claro de seda que combinava com a cor da sopa que estava sendo servida.

“E com o papel de parede”, aponta Larraín.

Depois de assistir o filme, Stewart concorda totalmente que o verde era o certo: “Foda-se o rosa.”

É claro o quanto Stewart confiou em Larraín. O público vê novos níveis de vulnerabilidade quando sua personagem interage com o Príncipe William e Príncipe Harry crianças, dança pelos corredores de Sandringham e tem um colapso emocional em uma cena longa que captura a natureza claustrofóbica do fim de semana. Larraín filmou pessoalmente a cena complicada, ficando centímetros de distância da atriz. “Não houve planejamento”, diz Stewart. “É a minha favorita. Quero essa cena e vou deixá-la no meu computador com os 11 minutos de duração.”

Foi crucial ter Larraín ao lado de Stewart quando sua personagem estava em seus momentos mais solitários e vulneráveis – um sistema de apoio consistente que Diana nunca teve em Sandringham.

“Se eu pudesse voltar no tempo e tê-la de volta por um momento, nunca perguntaria nada”, diz Stewart. “Apenas diria: “Cara, posso ficar com você? Quer ficar comigo por um momento?” Ela precisava muito daquilo.”

Em setembro, depois de passar muito tempo com Diana em um filme que foi emocionalmente brutal, mas um sonho de colaboração, a atriz se sentou para assistir Spencer no Festival de Veneza. Ela pensou que conhecia o filme por ter o feito, mas Stewart viveu Spencer novamente naquela noite – se perdendo em suas cenas e sendo atingida por uma onda de emoção inesperada.

“É muito raro se emocionar com seu próprio filme, mas eu estava destruída no final”, diz Stewart.

Não é que ela estivesse emocionada com sua própria performance, Stewart é autocrítica demais para isso. Menos de duas semana atrás, ela contou ao The Sunday Times que “provavelmente só fiz cinco filmes realmente bons de 45 ou 50. Aqueles que penso: “Uau, essa pessoa realmente fez uma obra prima do começo ao fim!’”

“É vergonhoso chorar em seus próprios filmes”, Stewart me conta. “Se eu estivesse naquele cinema, estaria me julgando… mas não me emocionei com minha performance.” Ela diz que foi o filme como um todo.

Mas quando as luzes se acenderam, a bolha íntima de Spencer se rompeu. Eles estavam de volta no mundo real – onde Stewart é uma estrela do cinema sempre cercada.

“Havia muitas pessoas lá. Não podíamos falar”, explica Stewart.

“Não”, concorda Larraín.

“Eu pensei: “Merda, cara. Não podemos falar sobre isso agora, mas estamos em Veneza assistindo ao filme e estou chorando’,” lembra Stewart. Após uns minutos, ela adiciona: “Nunca tive essa experiência. Nunca.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart compareceu ao Today Show na manhã de hoje (04), em Nova York, para divulgar seu novo filme, Spencer. No programa, ela também falou sobre seu recente noivado e recebeu uma mensagem especial do Guy Fieri, aceitando oficializar o compromisso. Assista:

Kristen Stewart foi a convidada da noite de quarta-feira no The Tonight Show starring Jimmy Fallon e a atriz falou sobre seu novo filme, Spencer, seu recente noivado, seus dias de escola e mais. Confira fotos e o vídeo legendado por nossa equipe:

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Kristen Stewart conversou com o Refinery29 sobre seu novo filme, Spencer, durante sua passagem por Londres para a divulgação do longa em que interpreta Princesa Diana. Ela falou sobre os temas do filme, suas identificações com a princesa e mais. Confira:

Daddy. Estou cara a cara com Kristen Stewart em um quarto de hotel em Londres, falando sobre Spencer, o drama sublime dirigido por Pablo Larraín em que ela interpreta a Princesa Diana, quando no momento mais inconveniente possível, me dá branco. Exceto por uma palavra: Daddy. Estou amaldiçoando o auge desses pensamentos intrusivos quando de repente me ocorre. Está bordado em letra cursiva rosa bebê em seu boné, tão pequeno que é quase imperceptível. Uma piscadela rápida, um lampejo de travessura indumentária para tirar qualquer um de sua linha de pensamento, mesmo que por um milésimo de segundo.

A atriz de Los Angeles construiu a carreira tirando as pessoas de suas linhas de pensamento. Seus papéis são tão variados quanto imprevisíveis, indo da interpretação que impulsionou sua fama como uma adolescente taciturna apaixonada por um vampiro em Crepúsculo para uma personal shopper angustiada com o luto, uma agente no reboot de grande orçamento de As Panteras e uma estudante planejando pedir sua namorada em casamento na comédia romântica queer de Natal, Happiest Season. Cada personagem vibra em sua própria frequência, mas sempre retém algo dos maneirismos cautelosos e indiferença estranha da atriz de 31 anos – uma fisicalidade levada a um grau fantástico em Spencer, com a charmosa inclinação de cabeça e sotaque britânico infalível em boa medida para imitar o de Lady Diana.

“Acho que está em The Crown e é muito bom.” Ela pausa, rindo, enquanto recalibro. “Ela meio que cai ao lado de Charles e diz: “Querido, acho que vou desaparecer. Sinto que vou desaparecer.” Spencer imagina um fim de semana de Natal particularmente horrível em 1991 na casa de Sandringham da Rainha, quando o relacionamento de Diana com o Príncipe Charles partiu e ela estava cercada por jornalistas em cada esquina. O intertítulo nos diz que o que estamos prestes a ver é “uma fábula sobre uma tragédia real”, uma mistura de surrealismo e melodrama ponderada por elementos da verdade. Em uma cena, vemos a verdade luta de Diana com bulimia enquanto ela se curva sob um vaso sanitário; na próxima, ela fantasia sobre comer o colar de pérolas que foi presente de Charles na mesa de jantar.

“O relacionamento que ela tinha com a comida, a compulsão e a purgação, era para se autodiminuir, a meu ver”, Stewart continua. “Ela só quer ir embora e ser invisível, mas curiosamente, de uma forma que vai completamente ao contrário disso, ela só quer estar perto de outras pessoas. Ela tinha um talento inato de se conectar com outros e fazer com que cuidassem e percebessem que precisamos uns dos outros. Que está tudo bem ser vulnerável.”

Essa não é a primeira vez que o diretor chileno Pablo Larraín ganhou elogios pelo retrato de uma figura pública feminina fortemente criticada. Seu filme de 2016, Jackie, rendeu para Natalie Portman uma indicação ao Oscar por seu papel como Jackie Kennedy em luto após o assassinato do presidente John F. Kennedy. Parecido Jackie, Spencer faz mais barulho em pontos onde nada é dito, mas muito é transmitido por olhares arregalados ou o enrijecimento de uma mandíbula. O filme parece a personificação de um grito abafado por um travesseiro de seda.

“Algumas vezes, parecia que ela era alguém que se odiava – e eu a amo tanto”, diz Stewart. “Nesses momentos em que ela se sente completamente sem valor. Não estou querendo ser hiperbólica, é verdade. A ideia dela correndo para o quarto de seu filho e se trancando no banheiro, e que a única pessoa que ela podia confiar era uma criança de 11 anos, é de partir o coração. Algumas vezes eu pensava: “Não acredito nisso!” Eu fico com tanta raiva por ela. Literalmente quero voltar no tempo e dizer: “Cara, você precisa de um melhor amigo.”

Apesar de ter apenas 7 anos quando Diana faleceu – Stewart me conta que lembra “de todas as flores na frente do Buckingham Palace” – e seu crescimento em LA significar que ela não “tinha um relacionamento mais envolvido com toda essa saga”, é óbvio o porquê de a atriz sentir uma afinidade sobrenatural com a princesa. Catapultada para o estrelado global quando adolescente e crescendo nos olhos do público, ela tem um entendimento pessoal sobre a pressão esmagadura que a fama pode apresentar. Há uma cena no filme em que Charles diz para Diana: “Precisa haver duas de você: a verdadeira e a que eles tiram fotos.” Sem dúvidas, essa declaração teria carregado uma pertinência dolorosa para Stewart, que precisou afastar as atenções de uma fã base particularmente raivosa de jovens com Crepúsculo.

“As pessoas disseram tanto isso para mim”, ela concorda. “Quando eu era mais nova, era mais difícil para mim ter essas conversas. Um conselho que eu recebia o tempo todo era: “Vá até lá e interprete um personagem, não se deixe afetar, seja outra pessoa.” Como você faz isso? Eu não acho possível. E foi exatamente como ela se sentiu. Nunca ia funcionar para ela, era algo que ela não conseguia engolir. Acho que pessoas que gostam de pensar que estão interpretando papeis e se sentem no controle, também se sentem desconectadas e é tão óbvio. Não é você. Você não é real.”

Ao longo do filme, você realmente tem uma noção do estado mental fragilizado de Diana naquele momento de sua vida. Ela vagueia pela vasta extensão de Sandringham, sufocada, mas desejando conexão. Sua paranoia sobre quem confiar em seu pequeno círculo chega ao ápice quando ela escuta um rumor de que Maggie (Sally Hawkins), sua camareira e única confidente verdadeira, acredita que ela está “ficando louca”. Sem surpresas, Stewart compartilha dessa desconfiança. Passe tempo o bastante na indústria do cinema e você pode se queimar em um momento ou outro.

“Eu amo ter conversas pessoais com jornalistas sobre as coisas em que trabalho e minha própria vida, mas ao mesmo tempo, preciso reconhecer que você vai escrever um artigo sobre isso”, ela encolhe os ombros e abaixa o olhar. “Estou falando com o mundo todo agora. Vamos ser verdadeiras sobre isso! E é tão louco julgar alguém como ela por tentar quebrar essas passagens complexas de comunicação. Todos os jeitos em que ela tentou ultrapassar e ser uma pessoa real parecem claros para mim. Você coloca uma pessoa em uma posição onde ela não pode ser honesta, então você a julga por ser manipuladora ou por tentar mostrar quem é, faz sentido total.”

Em momentos da nossa conversa, não é claro se Stewart está se referindo a si mesma ou Diana, falando com frequência sobre a segunda no presente e então se corrigindo. Parece que para Stewart, Diana é uma figura que está bem viva. E de certa forma, Spencer é uma história de fantasma: um estudo da luz se apagando devagar dentro de uma pessoa vivaz. Também é a história de mulheres poderosas destruídas pelas estruturas que as cercam. O espectro assombrado de Anne Boleyn faz uma aparição ao longo do filme. “Algumas pessoas são muito espirituais e acreditam em energia e energia persistente, eu caio do lado do “não tenho ideia alguma’”, Stewart oferece quando pergunto se ela sentiu alguma coisa enquanto filmava na vasta casa. “Eu não quero dizer que o fantasma dela me ajudou, mas ela definitivamente perdura. Eu não consigo acreditar que ela morreu em um acidente de carro. Como essa história terminou me atinge uma vez ou outra e me destrói. Ela levou a vida com amor e uma confiança casual desarmante que fazia todos se sentirem tão bem. Eu me senti bem. Ela era alta e me senti alta. Isso para mim parece espiritual. Senti quando cheguei no set, conseguia fazer todos se sentirem imediatamente confortáveis e felizes. E estávamos fazendo a coisa certa, precisávamos uns dos outros. O sistema de apoio foi tão bonito. Foi um sentimento muito legal.”

O filme não mede suas licenças poéticas, especialmente quando se trata de celebrar os pequenos atos de rebelião de Diana. Uma triunfante sequência de dança no final do filme é uma homenagem aos pequenos pedaços de conhecimento público que ficaram fora dos livros de história, como fato de que Freddie Mercury uma vez levou Diana para uma boate gay. Para alguém que admitiu que odeia dançar, Stewart estava nervosa sobre filmar a sequência.

“É, para ser honesta, foi de dar nos nervos”, ela admite. “Não é como se tivéssemos ensaiado, também. [Larraín] não me contava como íamos filmar tudo. Eu perguntava: “Devo trabalhar com alguém?” Ela tem fisicalidade, flutuabilidade e elegância bem particulares. Ela realmente cresceu amando dançar, amando o ballet. Mas para ser honesta, acho que uma das escolhas mais confiantes e inspiradoras que Pablo fez foi não me permitir me preparar, porque assim que começamos, tudo o que sabia sobre ela e o que eu sentia sobre essa história se encontrou nesse momento de um jeito inarticulado, mas efêmero. Nós filmamos a cada dia também, então alguns dias eram exuberantes, felizes e divertidos e outros eram muito pesados.”

Essas liberdades com a licença poética se estendem a muito momentos satisfatórios no roteiro, desde a inclusão de uma confissão de um amor queer de um dos empregados para imaginações das coisas malcriadas que Diana pode ter feito ou dito, como fechar a porta na cara de uma empregada e dizer para ela: “Vou me masturbar agora.” Até mesmo escolher uma atriz queer para interpretar Diana parece um dedo do meio para as expectativas e tradições antiquadas da monarquia. (Coincidentemente, Emma Corrin, que interpreta Diana em The Crown, é outra atriz queer assumida. Stewart admite que é “uma coincidência estranha, interessante e legal – tipo, olha como o mundo mudou tão rapidamente.”)

Já se passaram 24 anos desde a morte de Diana e, sem dúvidas, estamos em um ponto onde a tocha de manter seu legado vivo será em breve passado para a próxima geração. Com Spencer, Stewart pode ficar tranquila, que se sua interpretação interfere na maneira em que a Princesa do Povo vive, é em uma explosão desafiadora de glória.

“Tantas histórias a criticam por ser manipuladora, petulante e alguém que se revoltou apenas para ser rebelde ou para chamar atenção”, diz Stewart. “Ela é pintada desse jeito com frequência. E eu acho isso tão violento. Foi gratificante interpretá-la dessa forma. Ela fez muito sentido para mim.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou com o Digital Spy durante sua passagem por Londres para divulgar Spencer. A atriz fala sobre o figurino, os temas de saúde mental que o filme aborda e mais. Leia:

Obviamente, Diana é um ícone fashion – e muito se fala sobre mulheres conversando sobre roupas, mas é muito importante para ela. Como o figurino impactou seu desenvolvimento de personagem?
É muito importante acertar no figurino nesse filme, como sempre é. Mas obviamente, como você disse, nesse caso, as roupas a definem.

Algumas vezes olho para as fotos de quando ela era mais jovem e ela parece vestida como uma boneca, há uma vulnerabilidade nisso e é meio estranho, ela está se projetando para fora delas. Tipo quando você veste uma criança com um suéter e ela está saindo dele.

Ela é uma pessoa inegável, mesmo quando não está arrasando com a moda, então quando ela está usando algo que ela claramente gosta, é lindo… você pode ver que ela está se sentindo bem. As roupas nesse filme parecem uma prisão. Elas a sobrecarregam.

Você levou muito movimento para o papel, sua fisicalidade tentando sair dessa amarra das roupas, mas também da casa e do título.
Sim, e o espaço é tão grande e ela tão pequena. O diretor foi muito inteligente no jeito em que filmou. Ou estava se afogando nesse espaço imenso ou tão perto que era quase sufocante.

A proximidade com o espaço da câmera, mesmo a temperatura do filme parece fria – parece que está gelado, tipo: “Liguem o aquecedor.”

Eu realmente gostei dessa parte porque é tão direta. O filme não tem um enredo pesado. Se você fosse um alienígena que acabasse de aterrissar na Terra e não soubesse sobre a Família Real ou sobre a Diana, ou o que acontece no final, o filme não faria sentido.

Nós trazemos nossas memórias e nossas projeções para o filme. E, portanto, é muito curioso e meio psicotrópico.

Foi muito mais interessante falar sobre a temperatura, o que as pessoas sentiam internamente – não o que aconteceu, e especificamente descrever o que ela pensa de todos da Família Real. Que está frio e que eles não ligam o aquecedor é uma metáfora perfeita para o que está acontecendo.

O filme tem tantos temas sobre gaslighting e saúde mental – o quanto disso já estava no roteiro e o quanto era você experimentando temas diferentes para ela?
O roteiro era muito bom, muito preciso. E ter algo tão específico e refinado também permite que muitos dos seu pensamentos e sentimentos habitem o espaço.

Foi tão impressionante e estranho, pensei que ele [Larraín] era realmente um mestre e isso foi muito certo para ele.

Eu tornei tudo pessoal. Amo o que o filme diz sobre o geral. E ele fez um lindo trabalho em tocar cada assunto, sem pular nenhum.

Não é sobre coisas acontecendo, é sobre esses pequenos momentos para ela no período de quatro dias, e como essas coisas refletem sua vida até esse ponto como uma mulher tentando entender seu lugar.
Sim, como quando Charles [interpretado por Jack Farthing] diz: “Precisa haver duas de você. Algumas vezes você precisa fazer coisas que seu corpo odeia.” Obviamente, Diana não está sempre pensando sobre a trajetória de sua vida quando está vivendo o momento.

Essa fala diz tanto sobre o que aconteceu e é uma ideia extensiva, mas para mim, eu fiquei tipo: “Então você me odeia? Você está dizendo que me odeia.” Entende? Eu queria me certificar de não estar ciente de toda a alegoria.

Do o que futuro guardava.
Exatamente. Só estar presente no momento e permitir que as falas levem você – não se sentir autoconsciente.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil