Kristen Stewart compareceu à estreia de Happiest Season em formato drive-in em Los Angeles na noite de ontem (18). A diretora Clea DuVall e colegas de elenco como Alison Brie e Aubrey Plaza também estavam presentes. Confira fotos na galeria:

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Durante as visitas ao set de Happiest Season, Kristen Stewart e Mackenzie Davis responderam ao PRIDE por que o filme é tão importante e como elas se sentem fazendo parte dele. Confira as respostas:

Em fevereiro, antes dos fechamentos por conta da pandemia, PRIDE visitou o set de Happiest Season e teve apenas uma pergunta para o elenco e equipe do filme revolucionário: Por que isso parece tão importante?

Comédia romântica queer é um conceito relativamente novo para grandes estúdios (apenas Com Amor, Simon vem na mente), e com alguns filmes natalinos LGBTQ+ no horizonte, parece um movimento que está ganhando impulso. Então, como é fazer parte desse momento inovador acontecendo agora, especialmente com um filme estrelando duas mulheres?

Mackenzie Davis: Acho ótimo.
Kristen Stewart: Acho maravilhoso.
MD: Quando começamos esse filme, pensamos, ‘Eu ficaria com tanta inveja se alguma outra pessoa estivesse fazendo isso e não nós.’ Não é pelo impacto social ou político, eu acho que é realmente ótimo e as pessoas que estão fazendo o filme são maravilhosas e todos os dias são cheios de risadas e alegria. Nunca me diverti tanto fazendo um filme. Então, sim, em um nível muito pessoal e não respondendo sua pergunta diretamente, é bom pra caralho. É realmente maravilhoso fazer parte de uma representação positive e não-trágica de uma história de amor queer que não precisa sempre ser uma enorme dificuldade e terminar em tragédia. A dificuldade é parte do gênero, não tem nada a ver com ser queer, o que eu acho um alívio.
KS: É tão legal ter esse sentimento de liberdade e diversão. É super contagioso. Acho que o jeito de espalhar o amor é dando amor. Existe essa indignação inerente que é um sentimento saudável e incrível de expressar, mas também é ótimo levar alguém gentilmente a algo bom. É legal vir para o trabalho e sentir que posso falar qualquer coisa. Não estou dizendo que tive experiências meio que inibidas por causa da falta de elementos queer em outros filmes que fiz, mas nesse, parece que somos tão visíveis um para o outro, tão compreendidos e, portanto, permitidos. É tão tolerante e é bom pra caralho.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou com a VOGUE Austrália sobre seu mais recente filme, a comédia romântica natalina Happiest Season, onde ela estrela ao lado de Mackenzie Davis e é dirigida por Clea DuVall. Confira abaixo:

O que penso que todos nós podemos concordar é: março foi um mês ruim. Por isso que ninguém julgou quando, silenciosamente ao redor do mundo, as pessoas voltaram a montar suas árvores de Natal. Colocar a árvore de volta de qualquer lugar onde ela estava esquecida e ressuscitar e desembolar os enfeites parecia um jeito de pegar o mês ruim e encontrar uma abertura – aquela que deixe a luz entrar.

Árvores de Natal farão isso. Talvez seja olhar para coisas que brilham, talvez não tenha nada a ver com a árvore. Provavelmente é sobre os rituais; tirar as decorações das caixas e discutir sobre o local correto de colocar o anjo ou perceber que uma fileira de pisca-piscas está apagada segundos depois de enrolá-lo em cada galho. Essa é a mágica do Natal: memórias, união e a tensão entre tudo isso. Ou talvez a verdadeira mágica do Natal é que pode ser essas coisas, e todas as coisas, e nada ao mesmo tempo. É só o Natal.

Bom, esqueça março – Clea DuVall sente que ela está com sua árvore montada há dois anos. Esse é o tempo que a diretora passou imersa no espírito festivo enquanto fazia seu filme Happiest Season, uma adição muito atrasada no cânone de filmes natalinos. A comédia romântica conta a história de Abby (Kristen Stewart) que planeja propor casamento para sua namorada Harper (Mackenzie Davis) em uma festa anual de Natal, apenas para descobrir que Harper ainda não se assumiu para sua família. ”Me sinto como uma vizinha que deixou os enfeites de Natal por tempo demais.” DuVall diz, rindo. Estamos conversando no Zoom em setembro, o momento calmo no calendário antes que os supermercados comecem a tocar cantigas de Natal em uma exuberância perturbadora. ”Não vou mentir, uma parte de mim não está tão animada para decorar a árvore esse ano, mas com certeza vou me animar,” ela prevê.

DuVall sempre amou o Natal e filmes natalinos – ela assiste Férias Frustradas de Natal todo ano. ”Acho tão divertido. Até aqueles que não são muito bons, eu ainda os assisto,” DuVall diz. ”Mas nunca vi minha própria experiência representada.” Em sua vida inteira como mulher queer, ela nunca viu um filme natalino focado em um casal lésbico, seu romance desenrolando na frente de um pano de fundo de bengalas doces e caos. Comédias românticas sempre foram formuladas – apenas umas garotas, paradas na frente de uns rapazes, pedindo a eles que as amem. Mas filmes natalinos fazem essas comédias românticas clichês parecerem praticamente pioneirismo em comparação. Filmes natalinos são essencialmente as mesmas histórias sentimentais contadas repetidamente, um carrossel de casais héteros e brancos com famílias brancas se conectando e reconectando enquanto os dias passam em direção ao 25 de dezembro.

E nós amamos assistir. Há uma razão pela qual Esqueceram de Mim foi a bilheteria mais alta de 1990 e eu já assisti O Amor Não Tira Férias aproximadamente 250 vezes desde que Nancy Meyers o colocou no mundo. Ano passado, quase 100 novos filmes natalinos foram adicionados em plataformas de streaming. ”Nós gostamos de referências com Natal,” pensa Davis. Como Harper em Happiest Season, ela interpreta a filha de pais conservadores interpretados por Victor Garber e Mary Steenburgen. ”Nós gostamos de comer as mesmas comidas e fazer as mesmas rotinas e ter essa segurança,” ela diz.

Nós dependemos ainda mais dessas rotinas familiares desde que esse ano horrível começou com queimadas devastadoras e se tornou uma pandemia global. As rádios americanas começaram a tocar cantigas de Natal durante o lockdown; no espírito de ‘precisamos disso’, o canal Hallmark começou sua maratona de filmes natalinos meses antes. E então há Happiest Season, um abraço quente e afetuoso de um filme com uma mensagem festiva de aceitação em foco.

”Essa é uma história universal contada de uma perspectiva diferente,” afirma DuVall. É engraçado – e um pouco estranho, o que todas as comédias românticas são, se puderem. O filme brilha com romance, o tom é certo e o elenco é impecável. Em adição a Stewart, Davis, Garbert e Steenburgen, o filme também estrela Alison Brie, Aubrey Plaza e Dan Levy, o homem, o mito, a própria lenda de Schitt’s Creek. ”Algumas vezes os atores estavam se divertindo demais,” DuVall diz entusiasmada, ”e eu tinha que dizer ‘Pessoal, parem de brincar.’”

Tudo começou com Stewart, que foi a primeira atriz a se contratada e ”o coração do filme” diz DuVall. (”E eu nunca a vi fazendo o que ela faz nesse filme,” ela diz.) Como a diretora, Stewart teve sua própria jornada como uma mulher queer em Hollywood. ”Eu nunca cresci com um filme gay natalino,” Stewart reflete, o que parcialmente a levou até Happiest Season. Havia um sentimento de que DuVall estava criando algo especial: uma comédia romântica queer, ambientada durante a temporada festiva, produzida por um grande estúdio. Stewart assinou o contrato, sabendo que seus colegas de elenco teriam que estar tão comprometidos em contar essa história com a mesma empatia que ela. ”Não parecia que qualquer pessoa podia estar nesse filme,” explica Stewart. ”Parecia que [DuVall] precisava ter certeza de que todos dariam a cara a tapa… Não era um trabalho para qualquer um.”

Na primeira vez em que Stewart e Davis se conheceram, as duas já eram certeza como o casal. DuVall organizou um jantar para as três, o que seria visto por ela como um encontro às cegas desajeitado e angustiante. ”Eu também estava, notavelmente, muito nervosa,” adiciona Davis. ”E se eu fico nervosa, de um jeito positivo ou animado, eu fico um pouco maníaca.” Davis lembra rindo, bastante, o quanto ela não conseguia controlar sua risada. ”Eu não sei se foi a melhor primeira impressão da minha vida, mas tive muito tempo para corrigir depois disso,” ela diz. ”Você não espera que estrelas de cinema sejam legais… mas ela é ótima. E engraçada. E tão inteligente e curiosa. Eu ficava tipo: ‘Ooh, eu tenho uma quedinha de amizade pela Kristen.’ E então nos tornamos amigas!”

O sentimento foi mútuo. ”Foi tipo: ‘Hey, eu não conheço essa menina ainda, mas sei que quero,” Stewart lembra. ”Você é definitivamente a pessoa com quem quero fazer esse filme estranho, e ainda me sinto desse jeito. Eu quero colocar a Mackenzie em tudo o que eu fizer no futuro. Ela é uma carta na minha manga – é minha atriz favorita.” (”Estou corando agora,” Davis interrompe.)

Não poderíamos estar mais preparados para assistir um filme consolador e bobo de temporada esse ano. ”Quando vi o filme pela primeira vez, me senti consolada por ele,” diz Stewart. ”Provavelmente porque eu realmente gostei de fazê-lo, e sou totalmente suspeita para falar e sinto saudade de todos com quem trabalhei.” Stewart gostou tanto do tempo que passou no set que ficou inesperadamente emocionada no jantar de encerramento. ”Victor Garber se levantou para fazer um discurso,” ela lembra, ”e de repente estou chorando.”

Mas DuVall também acredita que o filme não poderia ter sido feito até esse momento, quando os estúdios estão finalmente respondendo pela representação faminta, barulhenta e urgente nas telas. ”Seremos todos melhores assim que nos abrirmos para perspectivas diferentes,” diz DuVall. É ainda mais importante fazer isso em um gênero tão atolado em tradição, como filmes festivos. ”As pessoas estarão vendo algo que estão acostumadas, somente um pouco diferente,” explica Dr Tobi Evans, expert em gênero e cultura pop, ”de um jeito que traz espaço para diferentes identidades e ajuda pessoas a se sentirem vistas.”

Nem todos os Natais são felizes, especialmente para aqueles na comunidade queer. ”Muitas pessoas não possuem experiência com famílias amorosas ou espírito de gentileza, e então o Natal pode ser um período muito difícil,” explica a psicóloga Danya Braunstein. ”Eu definitivamente compreendo,” DuVall diz. ”Esse filme é franco sobre as coisas boas e as não tão boas que as festas de fim de ano trazem.” Relacionamentos familiares podem ser tensos. O privado pode ser tornar público. Mas, basicamente, Happiest Season é um conto de amor. ”Ver uma representação positiva de uma história de amor queer que está oculta em humor, e um pouco de dificuldade, mas que termina com o triunfo – isso tudo é muito importante,” diz Davis.

”Em uma época onde estamos forçados a ficar desconectados fisicamente, estou procurando jeitos de nos encontrarmos novamente um com o outro,” adiciona DuVall. ”Quando assisto Happiest Season, me sinto esperançosa. Me faz sentir conectada.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart e Clea DuVall conversam com a Variety sobre representação LGBTQ+ em filmes e o processo para fazer Happiest Season.

Clea DuVall cresceu amando filmes natalinos. Tendo morado em Los Angeles sua vida toda, a atriz e escritora/diretora de 43 anos sempre ansiava ver como a época do natal fazia a cidade parecer diferente. “Parece ser a coisa mais perto que L.A. tem de uma temporada e isso era algo que eu sempre esperava, como criança,” DuVall diz. “Porque, Deus, fica monótono.”

DuVall tem sido uma atriz onipresente em filmes e séries por anos – em dramas como “Garota, Interrompida,” “Argo” e “Carnivale,” e comédias como “Nunca fui Santa” e “Veep” – quando ela teve a ideia para “Happiest Season,” uma comédia romântica de natal com um casal lésbico como centro. “Eu nunca assisti um filme que realmente representasse minha experiência,” ela diz. “Qualquer personagem LGBTQ+, se existisse algum, eram coadjuvantes.”

Esse definitivamente não é o caso em “Happiest Season,” o segundo filme de DuVall como diretora após a dramédia “A intervenção”, lançado no Sundance, em 2016. Nele, Kristen Stewart (Abby) e Mmackenzie Davis (Harper) interpretam um casal prestes a noivar, até que Harper convida Abby para o Natal em sua casa, durante um momento de tanta felicidade, que ela esquece que ainda não assumiu sua orientação sexual para sua família. Harper então tem que recrutar uma Abby totalmente chateada, mas disposta, para manter seu segredo, prometendo que ela sairá do armário para seus pais (Victor Garber e Mary Steenburgen) depois dos feriados. (“Eles também acham que eu sou hétero,”, Abby diz a seu melhor amigo, John – interpretado por Daniel Levy – no telefone. Um incrédulo John pergunta, “eles já conheceram alguma lésbica?”)

Em “Happiest Season” – escrito por DuVall e Mary Holland (que também interpreta Jane, a irmã excêntrica da Harper) – mal-entendidos ocorrem, sentimentos são feridos e o relacionamento está em perigo. Tipo: como Stewart coloca, “a audiência deveria ficar com medo que elas não fiquem juntas, mas é uma comédia romântica – elas vão ficar juntas!”

É deliciosamente convencional, enquanto é também completamente subversivo por causa da trama queer nesse gênero. E se tudo for bem para “Happiest Season,” Abby e Harper devem tomar seu lugar ao lado dos casais de “Simplesmente Amor” e “Tudo em Família,” sempre assistidos nos feriados.

Faz 15 anos desde “O Segredo de Brokeback Mountain,” que arrecadou 178 milhões de dólares mundialmente – e provou que um filme sobre pessoas LGBTQ poderia ser um sucesso com o público. Certamente houve filmes íntimos queer como “Carol,” “Me Chame Pelo Seu Nome” e “A favorita,” provavelmente dando a impressão de abundância. Mas nenhum outro além do filme “Com amor, Simon,” de 2018, produzido pela agora falecida Fox 2000 e a próxima comédia romântica gay de Billy Eichner-Nicholas Stoller da Universal (a produção está parada por causa do coronavírus), o horizonte para produções queer de estúdios tem sido árido.

O que tornou mais significativo que “Happiest Season” foi financiado pela Tri-Star Pictures da Sony, desde do início. Antes da pandemia ter atrapalhado o lançamento nos cinemas, seria o primeiro filme LGBTQ de um estúdio de Hollywood, assim como um filme comercial – e a primeira comédia romântica queer de um estúdio. Adicione a isso a co-escritora/diretora DuVall e a estrela, Stewart, que são abertamente gays e o marco se torna mais importante.

“Eu fiquei tão feliz de ter sido convidada para participar de algo que não estava, por falta de um termo melhor, ‘escondendo os vegetais’,” Stewart diz. “Ao mesmo tempo, é apresentado de uma maneira que inversamente diferente de algo que parece medroso ou com raiva. É para frente e aberto. O que eu quero dizer é que não tem que ser essa coisa exagerada para ser politizado!”

Mas já que é 2020 e nós não podemos ter coisas legais, ficou claro que “Happiest Season” não poderia ser lançado nos Estados Unidos – não com a indústria de cinemas domésticos nesse estado de calamidade. Adequando-se, em outubro, Sony, enquanto mantendo os direitos para distribuição internacional, anunciou que vendeu “Happiest Season” para Hulu. O filme irá estrear no dia 25 de Novembro, no fim de semana do Thanksgiving.

É decepcionante, mas “No mundo que estamos vivendo, realmente parecer ser a melhor opção,” DuVall diz. Assim que ela terminou o filme, ela lutou com a ética de lançar um filme nos cinemas, enquanto o COVID continua a matar milhares no país. DuVall diz que a Sony a incluiu nas discussões sobre o que fazer e uma vez que Hulu se tornou a solução, ela se sentiu “aliviada.”

DuVall realmente quer que as pessoas vejam “Happiest Season,” é claro: “Mas eu não quero que elas arrisquem a coisa mais importante que eles têm para assistir.

DuVall tinha 13 anos quando ela começou a fazer aulas de atuação e se formou na County High School para artes em Los Angeles. Ela começou a frequentar audições aos 18 anos e rapidamente conseguiu papeis como convidada em séries de TV de sucesso (“ER,” “Buffy, a caçadora de vampiros”), seguindo para papeis maiores em filmes (“Mal posso esperar,” “Mistério na Faculdade”). Apesar dela ser assumidamente lésbica desde que era uma barista no Buzz Coffe em West Hollywood, publicamente ela ainda estava dentro do armário – principalmente ao ser mais reconhecida como atriz.

Então DuVall, mais do que qualquer um, está surpresa em se ver aqui – uma cineasta gay, divulgando sua comédia romântica natalina lésbica. Para ilustrar seu espanto, ela menciona o clássico cult de Jamie BabbitNunca fui Santa” (2000), parte do boom da década de 1990 de filmes indie gays e lésbicos, para usar a terminologia da época, o que ao lados doas produções da televisão “Na Real,” “Ellen” e “Will e Grace” era finalmente o início da representação da vida de pessoas queer.

Em “Nunca fui Santa,” DuVall interpreta Graham, uma adolescente lésbica de uma família rica enviada pra um acampamento criado para curar a homossexualidade. Lá, ela se apaixona por Megan (Natasha Lyonne), que não está bem com fingir que é hétero como Grafam está – e quer declarar o amor delas ao mundo.

DuVall diz: “Se você me dissesse quando nós estávamos fazendo “Nunca fui Santa” que eu estaria fora do armário, fazendo um filme gay, falando sobre como eu sou gay e que minhas experiências gay me ajudaram, eu diria que você é louca – o tamanho do medo que eu sentia na época e como eu queria esconder. E o quanto eu escondi.”

Babbit, amiga de DuVall (e minha também) diz que ela baseou Graham em DuVall, incluindo a determinação de permanecer no armário. Promover o filme era um ato de equilíbrio. “Eu estava tentando respeitar os limites dela, mas também convencendo ela a estar em todos carros alegóricos da parada Gay para imprensa,” Babbit diz com uma risada. “Não há um jeito fácil de estar dentro do armário. Você sempre faz sua família gay se sentir mal.”

E assim foi para DuVall por anos, mesmo com sua persona andrógina e seu efeito cáustico em filmes como “Nunca fui Santa” iria eventualmente resultar em um número infinito de gifs esperançosos no Tumblr.

O ponto de virada veio quando ela se sentou para escrever “A intervenção,” em 2012, sua estreia como diretora.

Era uma história de reencontro sobre um grupo de amigos no início da meia idade, se reunindo para um fim de semana de confrontações e revelações – e a uma pessoal também, já que DuVall tinha recentemente ficado sóbria. Quando ela estava escrevendo a personagem que ela iria interpretar, ela se lembra de pensar, “Bem, talvez minha personagem tem um namorado!”

Mas espera, ela queria criar uma personagem próxima dela – então DuVall controlou seus impulsos héteros, ritualizados por tantos anos. “Eu estava tipo, O que você está fazendo? Só escreve caralho!” ela diz.

Sua personagem, Jessie, termina sendo uma lésbica com fobia de compromisso, que, depois do fim de semana esclarecedor, torna-se disposta a desistir de seu jeito galinha para se mudar com sua namorada, Sarah (Interpretada por Lyonne, uma das melhores amigas de DuVall). “A intervenção” foi bem no Festival de Sundance em 2016, onde foi nomeado ao prêmio do Júri, e Melanie Lynskey (outra melhor amiga de DuVall) ganhou um prêmio de atuação. Foi vendido no festival para Paramount Home Media, estreando em agosto.

Mais importante, o filme deu a DuVall a oportunidade de sair do armário com facilidade. “Não é como se eu tivesse feito uma grande campanha, ou um a capa de revista ‘Sim, eu sou gay’, ou qualquer coisa do tipo,” DuVall diz. “Eu apenas comecei a viver a minha vida – sendo fotografada com minha parceira e não ficando preocupada com pronomes na entrevistas.

Se “A Intervenção” era o filme de estreia de DuVall – feito em 18 dias por 450,000 mil dólares – “Happiest Season” era algo maior. DuVall já tinha o roteiro delineado quando ela conheceu Holland em “Veep” durante a sexta temporada, na qual DuVall interpreta uma agente impassível, do serviço secreto, Marjorie Palmiotti, e Holland tinha um papel recorrente como a intrigante Shawnee Tanz. Elas se deram bem. “Escrever é tão solitário, especialmente escrever comédia,” DuVall diz. “Ela era basicamente uma estranha e eu estava tipo, ‘Ei, você quer trabalhar nessa coisa comigo?”

Após terminar o roteiro, elas começaram a trabalhar com o produtor Isaac Klausner na Temple Hill (Com amor, Simon), e procurou um estúdio para o filme. Eles se reuniram com “vários“, DuVall diz, mas “Sony foi o estúdio que viu o filme do mesmo jeito que eu via.”

DuVall fala sobre escalar as protagonistas, “e a Kristen parecia ser a única escolha para Abby.” Depois de enviar o roteiro, DuVall viajou para Alemanha, onde Stewart estava filmando o reboot de 2019 de “As Panteras”. “O roteiro me deixou curiosa sobre ela,” Stewart diz, notando a tendência de DuVall pela atuação dramática (“Veep” e “Nunca fui Santa” sendo as exceções). “Eu estava chocada que ela era tão boa na comédia, em escrever algo engraçado. Eu sempre levei ela a sério minha vida toda, você sabe o que eu quero dizer?”

Enquanto DuVall construía o resto do elenco, ela e Stewart conversaram sobre quem deveria interpretar a Harper, que DuVall diz “é o papel mais difícil de todo o filme.” Quando Davis (Halt and Catch Fire) conseguiu o papel, pareceu certo para Stewart: A personagem tem que ser tão conquistadora, Stewart diz, que a audiência vai acreditar “que eu não estaria no meio do filme tipo, ‘certo, eu estou saindo daqui'” Quanto a Davis “ela tem essa natureza aberta, extremamente boa, consciente e deliciosa,” Stewart adiciona. “Eu não consigo ficar com raiva dessa pessoa.”

Em vez de começar a produção em Pittsburgh na primavera de 2019, quando tudo foi acertado com a Sony, DuVall esperou para filmar no inverno. “A qualidade da luz é diferente e eu só queria que fosse real,” ela diz. Nesse intervalo, ela, Stewart e Davis puderam se encontrar: “Nós passamos bastante tempo falando sobre o roteiro e falando sobre as cenas e achando pequenas coisas para elas como casal. Foi uma experiência bem colaborativa e eu acho que transparece na tela.”

O público vai ver em breve – talvez durante discussões no Thanksgiving sobre quem mais rouba a cena (Aubrey Plaza como a namorada da escola de Harper, Holland como a maltratada Jane e Levy, em seu primeiro papel desde “Schitt’s Creek”, são todos apostas sólidas.)

E apesar de DuVall não ter se escalado dessa vez, ao contrário com “A Intervenção”, ela ainda está atuando em produções de outras pessoas. Embora ela não saiba ainda se vai estar na próxima temporada de “O Conto da Aia,” ela é atriz de dublagem, co-criadora e produtora executiva da próxima série animada da Fox “Housebroken,” sobre um cachorro que coordena um grupo de terapia numa vizinhaça de animais. (DuVall interpreta Elsa o corgir.) Seu próximo projeto em desenvolvimento é “High School,” uma adaptação da memória de 2019, de Tegan e Sara Quin. Trabalhando com Plan B e Amazon Studios para IMBb TV, DuVall já escreveu o piloto e dirigiu também.

Citando Céline Sciamma e Denis Villeneuve como diretores que ela admira, DuVall diz que ela amaria emular a carreira eclética de Danny Boyle: “Os filmes que ele faz são tão variados e você fica tipo, ‘Espera. Você esse filme esse filme e você fez aquele filme?'”

“Como uma atriz, eu realmente gosto de interpretar em todos os tipos de gêneros. E eu planejo fazer isso também como diretora.”

Stewart está animada para ver DuVall florescer. “Eu mal posso esperar o que ela vai fazer no futuro,” Stewart diz. “Ela é muito gentil ao persuadir todos a entender exatamente qual é seu plano, o que faz dela uma diretora poderosa. E seus interesses são tão diversos.”

“Então legal, você fez um de natal gay – que porra você vai fazer da próxima vez?”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

As estrelas de Happiest Season, Kristen Stewart e Mackenzie Davis, com a diretora Clea DuVall foram entrevistadas pela revista Total Film para falar um pouco mais sobre a comédia romântica natalina. Confira abaixo a tradução:

”Sou uma grande fã de filmes natalinos. No entanto, sinto que me tornei imune a eles agora. Venho assistido a este filme natalino pelos últimos nove meses…” a escritora e diretora Clea DuVall brinca com a Total Film sobre estar presa com o espírito natalino com a comédia romântica Happiest Season – e isso apenas olhando por cima da produção rápida, também. Acontece que o projeto pessoal foi apenas uma luz nos olhos de DuVall por alguns anos antes de finalmente sentar e escrever o roteiro em 2017 com sua colega de elenco de Veep, Mary Holland.

”Eu tive a ideia há um tempo e escrevi um rascunho para ela, mas estava trabalhando como atriz e fiquei super ocupada.” DuVall, cujo filmes favoritos de festas incluem Os Fantasmas Contra Atacam, Esqueceram de Mim e Férias Frustradas de Natal, conta para a Total Film: ”Conheci Mary e nos demos muito bem. Escrever pode ser uma coisa tão solitária… Com a comédia, é legal ter alguém por perto para equilibrar as coisas. Perguntei se ela queria terminar o roteiro comigo, e foi divertido.”

Inspirada por títulos como Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, Feitiço do Tempo e Sintonia de Amor como ”não existia nenhum filme natalino que parecia com o nosso,” Happiest Season segue Abby (Kristen Stewart), que está pronta para propor casamento para sua namorada Harper (Mackenzie Davis) durante uma hospedagem na casa de seus pais conservadores, Ted e Tipper (Victor Garber e Mary Steenburgen) no feriado de inverno. No entanto, pouco tempo depois que elas chegam, fica claro que a família de Harper não faz ideia de que ela não é hétero e que ela e Abby são um casal. Os planos de Abby? Afundados. Constrangimento? Inevitável.

”Eu amo o gênero, um que foca no romance, mas nunca vi minha experiência representada,” continua DuVall, que sabe o valor de ser vista na tela, tendo anteriormente falado sobre como histórias de alto-aceitação que ela recebeu de fãs pelo seu papel na comédia lésbica Nunca Fui Santa (1999) a ajudaram a se assumir. ”Se existe um personagem LGBTQ+, ele está sempre bem no fundo, então senti que essa era uma ótima oportunidade para eu contar essa história universal de uma perspectiva nova.”

DuVall também traz experiência pessoal para o filme. ”Eu já estive em ambos os lados [da situação apresentada no filme] e acho que conseguir trazer essa autenticidade para ele e dar o respeito que ele merece permite que você traga um humor que não seja tirando sarro.”

Apesar de DuVall não ser contra estrelar em seus próprios filmes, estando ao lado de Natasha Lyonne e Cobie Smulders em sua estreia como diretora em 2016 com A Intervenção, ela sabia que queria ficar por trás da câmera dessa vez, admitindo: ”Eu nunca quero dirigir e atuar novamente. Bom, eu digo ‘nunca’, mas provavelmente vou. É muita coisa para fazer.” Então, em 2018, ela viajou para a Alemanha para conhecer Stewart enquanto ela estava filmando As Panteras, esperando que ela assinasse para estrelar o filme.

”Eu precisava ter certeza de que eu realmente queria passar um tempo com ela,” lembra Stewart. ”Eu aprendi a me proteger ao longo dos anos. Pensei tipo, ‘Cara, eu só quero fazer esse filme particular se formos realmente amigas.’” Felizmente, elas se deram bem, e assim que leu o roteiro, a estrela de Crepúsculo sabia que precisava estar envolvida.

”Realmente me fez rir e totalmente refletia, para mim, o sentimento de voltar para casa e se reunir com a família após passar pelas coisas e mudar,” ela explica. ”Parecia absurdo e assustador, mas também muito afetuoso. Eu confiei na Clea, sendo sobre duas mulheres, e a equipe inteira que ela estava juntando era muito legal… Se tornou algo que tinha seu próprio coração e eu sabia que eu ficaria enciumada se outra pessoa estivesse no filme. Sinto isso sobre a maioria das coisas que eu faço, mas esse foi diferente. Fiquei orgulhosa, tipo ‘Legal! Eu estou nesse filme.’”

”Como a maioria das minhas decisões, foi puro egoísmo onde eu pensei que a Kristen e a Clea eram muito legais e eu pensei, ‘Além disso, vai me fazer ficar bem,’ brinca a colega de elenco Davis, antes de ficar mais pensativa enquanto me explica o motivo pelo qual queria fazer parte do filme. ”Não, o roteiro realmente me emocionou. É legal fazer uma coisa que não é excessivamente política, mas você ainda fica orgulhosa do material que você está colocando no mundo. Eu não quero ter uma carreira que pareça propaganda, mas eu penso que as escolhas que você faz, e o que você se liga ou apoia implicitamente, são importantes. Eu apoio essa mensagem, com certeza.”

Assim que as duas principais estavam garantidas, DuVall procurou os personagens secundários e conseguiu um grupo de atores ”inacreditavelmente talentosos,” desde Aubrey Plaza, de Parks and Recreation, e Dan Levy, de Schitt’s Creek, até Alison Brie, de GLOW, como a irmã rígida e bem-sucedida de Harper, Sloane.

”Ainda não acredito que consegui eles!” exclama DuVall. ”No mundo atual, não existe uma oportunidade enorme de fazer um filme sobre esse assunto nesse nível, então a quantidade tremenda de entusiasmo e apoio do elenco foi muito estimulantes. O elenco inteiro se deu muito bem e se divertiram muito. Foi mágico, e você não consegue planejar isso. Ou você tem, ou não tem.”

Durante suas carreiras, Stewart e Davis fizeram comédias, mas não é pelo que as duas são mais conhecidas. Então, elas tiveram dificuldade de manter os rostos sérios enquanto atuavam ao lado de alguns dos principais talentos cômicos atuais?

”Mary Holland é a pessoa mais engraçada e a melhor atriz que já assisti,” diz Davis. ”Ela é tão criativa e absolutamente hilária. Ela é a melhor parte desse filme e mal posso esperar para as pessoas a assistirem por uma hora e meia.”

”Quando descobri que Mary Steenburgen estava no filme, fiquei tão animada,” Stewart diz com alegria. ”Eu cresci assistindo Quase Irmãos e rindo com os idiotas dos meus irmãos, e ela fez tantas comédias boas. Geralmente, eu fico ‘Não, eu não ri no set o tempo todo. Não houve pegadinhas e não, eu não tive dificuldade em ‘não sair do personagem’ Tipo, tanto faz. Nesse caso, realmente foi a primeira vez. Eu tinha que esconder o rosto no meu casaco para não arruinar a cena para ela. Ela é muito, muito engraçada e ela fazia esses trajetos…”

Enquanto o filme foi evidentemente uma alegria de se fazer – Davis fala de maneira expressiva sobre uma noite que ela passou brincando de charadas de casamentos com Steenburgen e o marido Ted Danson – DuVall nos garante que Happiest Season não irá se afastar das realidades de esconder uma parte de si das pessoas que você ama, e os impactos negativos que isso pode ter em relacionamentos. Em resumo, ao contrário de muitas histórias de amor natalinas, que tendem em focar em como duas pessoas ficam juntas, essa é mais sobre como duas pessoas permanecem juntas.

”Há coisas que acontecem durante o filme que são complicadas e seria difícil superar como ambas as personagens,” diz Stewart. ”O que acontece não é deplorável – são coisas fáceis de sentir empatia – mas podem ser o suficiente para mexer com um relacionamento existente.”

Para Stewart, foi importante que o relacionamento parecesse real. ”A única coisa que eu queria ter certeza sobre esse casal era que parecesse muito forte, porque quando as coisas começam a se tornar traiçoeiras, você quer acreditar que elas aguentam. Você não quer ficar ‘É claro que elas vão voltar, elas precisam porque é uma comédia romântica.’ Entende? Por isso eu não queria trabalhar com uma “atriz”. Mackenzie é uma pessoa tão real. Alguns atores não são.”

”Como escritora, eu realmente amo tocar nessa linha entre o humor e emoções sérias porque é assim que eu tenho experiência com as coisas, mesmo quando estou muito chateada,” DuVall adiciona. ”Penso que porque todos os personagens que estão ao redor desse casal sejam tão bobos, isso mantém as coisas mais leves.”

DuVall foi exigente para que não houvesse vilões nesse filme, já que ela não acredita que ”ninguém deveria ser difamado por não se sentir confortável ou confortável o bastante para se assumir, mas as pessoas ao redor também podem não saber como lidar com isso imediatamente. É um processo. Eu quero que as pessoas consigam rir e se conectar com esses sentimentos de lar, família, amigos e amor. Todas as coisas que nós precisamos agora.” E o filme pode acabar sendo extremamente poderoso para todas as pessoas que precisem dele. ”Eu adoraria que o filme desse coragem para as pessoas que estão com dificuldade de se assumir, ou apenas fazer com que se sintam menos sozinhos durante a descoberta,” DuVall diz.

Afinal, se você faz um bom filme natalino, pode acabar sendo exibido repetidamente ano após ano. ”Acho que todos esperamos que entre no panteão de filmes natalinos que você assiste porque são ótimos e se tornam referência para sua família,” diz Davis. ”Esse é definitivamente o espírito que fez Clea fazer esse filme. Não querendo apagar ser sobre um casal queer, acho isso muito importante, mas nós esperamos que todo mundo se conecte com esse filme e possa coloca-lo nas tradições que você faz todo ano.” Contanto que não assistamos todos os dias por nove meses, aparentemente, pode ser que sim.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart aparece na capa da nova edição da revista The Advocate ao lado de sua colega de elenco em Happiest Season, Mackenzie Davis, e da diretora do filme, Clea DuVall. Na entrevista, as três discutem sobre a importância de uma comédia romântica queer para a nova geração, confira:

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A mágica do Natal e do cinema se juntam em uma tarde mais do que congelante em fevereiro no subúrbio de Pittsburgh. Membros da equipe de filmagem movimentam-se pelo Fox Chapel Golf Club, onde mais cedo naquele dia, eles fizeram neve para imitar um Natal Branco. Enquanto isso, em um momento de pura serenidade, a Mãe Natureza envia poucos centímetros do material invernal verdadeiro.

Dentro do clube histórico do local, os figurantes interpretando convidados da festa conversam usando roupas de Natal. O corredor está iluminado com pisca-piscas e a decoração é enfatizada com uma árvore de Natal magnífica. É 18º de 29 dias de filmagem para o segundo filme de Clea DuVall como escritora e diretora, Happiest Season, a primeira comédia romântica natalina de um estúdio que foca em uma história de amor queer. Apesar de ser tarde e o elenco e equipe estarem trabalhando há horas, o cômodo está cheio de energia.

Happiest Season estrela Kristen Stewart e Mackenzie Davis como um casal que está em uma situação difícil em seu relacionamento quando Harper, que ama o Natal, insiste em levar Abby para a casa de seus pais para o fim de ano. O obstáculo? Enquanto Harper é aventureira e livre na sua vida em Pittsburgh com Abby, ela não se assumiu ainda para seus pais superdotados e conservadores, Ted (Victor Garber) e Tipper (Mary Steenburgen). Inicialmente, ela apresenta Abby como sua colega de quarto hétero, e é aí que começa o problema. Para qualquer pessoa que já tenha se assumido, a noção de voltar para trás é um empecilho. Mas as mulheres estão apaixonadas, e a beleza radical de Happiest Season é que é uma comédia romântica. Diferente de muitas histórias de amor queer que vieram antes dessa e terminaram em tragédia, o público sabe que no filme de DuVall há um final feliz logo ali.

Na cena filmada no country club, Harper está concentrada em seu pai, que está concorrendo para prefeito da cidade. Ele faz um discurso sobre valores familiares. Abby está ao lado de Harper, seus dedos roçando e se entrelaçando enquanto elas escondem seu relacionamento à vista de todos. É maravilhoso testemunhar a energia entre as mulheres sabendo que Happiest Season logo se juntará ao cânone de comédias românticas natalinas que sempre possuem histórias de amor heterossexuais. Tudo, desde clássicos como Indiscrição e Duas Semanas de Prazer até o mais moderno Simplesmente Amor, vem à mente. Nos anos recentes, emissoras e serviçoes de streaming, incluindo Netflix e Freeform, e agora até Lifetime e Hallmark, passaram a fazer filmes natalinos queer. Mas Happiest Season, da TriStar Pictures, ocupa seu próprio espaço. Com os cinemas fechados, o serviço de streaming Hulu comprou o filme da Sony no final de outubro, onde fará sua estreia.

No set, Stewart e Davis riem entre as tomadas enquanto DuVall, usando uma touca de tricô, uma jaqueta bufante e fones de ouvidos, aparece na multidão de atores, figurantes e membros da equipe que enche o espaço. Pioneira para as mulheres queer desde que estrelou em Nunca Fui Santa 20 anos atrás, DuVall, que fala abertamente sobre sua jornada para se assumir, é a pessoa perfeita para fazer um filme natalino revolucionário que foca em um casal do mesmo sexo. Não somente estrela Stewart, uma A-lister assumida, e Davis, amada pela comunidade LGBTQ+ desde que interpretou uma personagem queer no episódio San Junipero em Black Mirror, Happiest Season também estrela três outro atores assumidos. Dan Levy, de Schitt’s Creek, que interpreta o melhor amigo de Abby, John; Aubrey Plaza, de Parks and Recreation, é a ex namorada de Harper, Riley; e o ator veteran Garber é o pai de Harper. Falando sobre a família de Harper, Alison Brie, de GLOW, é a rígida irmã mais velha, Sloane, que possui seus próprios segredos, a parceira de escrita de DuVall, Mary Holland, é uma ladra de cenas natural como Jane, a generosa irmã do meio e a esquisita em uma família onde aparência é tudo.

”Tudo o que eu sempre quis era um filme natalino que representasse minha experiência, então decidi fazer um,” DuVall tweetou em setembro, quando as primeiras fotos de Happiest Season foram liberadas.

Uma das fotos compartilhadas por ela era de Abby e Harper patinando no gelo enquanto Abby segura em uma rena para mantê-la de pé. Os símbolos natalinos estão em todos os lugares pelo filme onde o amor entre as mulheres é evidente. Outra foto é com a família de Harper na manhã de Natal em frente da árvore com seus pijamas, roupões, e cara de sono. Harper está atrás de Abby com seus braços a envolvendo. Não há mistério sobre o final do filme. Tudo vai ficar bem. E isso é o que torna Happiest Season, com toda sua alegria natalina, tão maravilhosamente subversivo.

”Não é só um filme que as pessoas LGBTQ+ vão se relacionar e se conectar. É realmente uma história que eu acho que tem empatia por todos os seus personagens,” DuVall diz. ”Quando alguém se assume, não é necessariamente sobre a pessoa. É como uma árvore; seus galhos se fragmentas e se torna parte da jornada de outra pessoa, também. O que definitivamente não é uma perspectiva que eu tive até muito mais velha.

“Mas também é para qualquer pessoa que tenha uma família, qualquer pessoa que já voltou para casa no fim de ano, qualquer pessoa que já voltou para casa com outra pessoa no fim de ano. É a experiência humana de ir para casa com alguém ou para a sua família em qualquer momento.”

Entre ajustes de câmeras naquela noite de inverno, antes de tudo entrar em lockdown, Stewart e Davis discutem o filme. Stewart, que seguiu a saga Crepúsculo para se tornar uma estrela de filmes independentes como Personal Shopper e Certas Mulheres, se assumiu publicamente anos atrás. Apesar de ser de uma geração de pessoas LGBTQ+ mais jovens que DuVall, e certamente do que seu colega de elenco Garber (cujo primeiro filme foi Godspell – A Esperança em 1973), Stewart elogia a coragem de DuVall ao fazer um filme digerível, engraçado e divertido com uma história de amor queer feliz em foco.

”Você começa o filme imediatamente confortável ao saber que é uma comédia romântica. Para mim, especialmente como alguém que se identificaria completamente com uma história do tipo, o público fica aliviado de um jeito imediato,” diz Stewart, adicionando que ela foi surpreendida da melhor forma ao saber que era um filme de estúdio. ”É tolerante, de um jeito bonito. E o sentimento é muito bom.”

Davis ecoa o elogio de Stewart sobre como Happiest Season lida com a história de amor do mesmo sexo.

”O filme também não faz disso um evento, o que é muito legal. São duas pessoas apaixonadas e existe esse obstáculo que elas precisam superar. Obviamente, isso é dependente de sua sexualidade, mas todo o resto parece suplementar ao fato de que elas são lésbicas,” Davis diz. ”Há histórias sobre casais gays ou lésbicos ou sobre uma pessoa de alguma identidade marginalizada que são tragédias ou, no mínimo, dramas de alto nível. É muito legal ficar tipo ‘Elas terão problemas, mas tudo vai ficar bem.’”

A fotografia principal de Happiest Season demorou menos de um mês, mas no set, Stewart e Davis possuem um relacionamento fácil já que ocasionalmente uma completa com a palavra que a outra está procurando. DuVall confirma que a química de suas estrelas existiu desde o começo.

Enquanto Stewart criou uma carreira em filmes menores, Davis estrelou em ficções científicas de peso como Blade Runner 2049 e O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio. Mas ela é verdadeiramente aclamada por seu papel queer em San Junipero e como Cam, uma programadora de computadores intensa na subestimada série da AMC Halt and Catch Fire. As mulheres foram o casal perfeito para DuVall.

”É uma daquelas coisas. Você não pode planejar nem ensaiar. Está lá ou não está, e eu tive muita sorte que essas duas se deram bem,” DuVall diz. ”Eu estava muito nervosa. E elas não se conheciam antes. Lembro da primeira noite em que elas se conheceram, nós todos saímos para jantar e parecia que eu estava indo em um encontro às cegas que eu tinha planejado e onde as pessoas precisavam se casar, e eu sabia disso.”

Por outro lado, Stewart estava grata por ter DuVall para ajuda-la a fazer de Abby uma personagem queer tridimensional, o que não é uma coisa comum em filmes populares.

”Eu queria que a pessoa que eu estivesse interpretando fosse incrivelmente específica. Se você vai ter uma dose desse tipo de pessoa em um filme comercial onde você normalmente não a veria como protagonista, eu não queria que fosse remotamente uma coisa só. Queria que parecesse que essa é uma pessoa completamente realizada e de bem consigo mesma – que esses detalhes ficassem juntos de uma forma que você acreditasse fielmente,” Stewart diz.

”Demorou anos para que ela encontrasse essa balança perfeita de identidade e como se apresentar de um jeito que não a deixa remotamente desconfortável, ou qualquer outra pessoa, porque não há confusão. Existe uma confiança na Abby,” ela diz. ”Isso não é uma coisa fácil de explicar para um diretor hétero ou para um figurinista. Poucas palavras foram necessárias para explicar uma coisa que seria muito complexa para alguém que não faz parte da experiência.”

Enquanto a representação LGBTQ+ cresce no cinema e na televisão, perguntas sobre quem deveria interpretar esses papéis vem aparecendo cada vez mais. O ambiente foi alterado desde que Davis interpretou uma personagem queer em Black Mirror anos atrás.

”Estamos vivendo em uma época onde essas perguntas deveriam ser feitas sobre tudo o que fazemos,” diz Davis. ”Estou animada em fazer parte de qualquer uma dessas conversas e de ser convidada. Perguntei para Clea quando ela me pediu para fazer o papel se era complicado que eu não tinha tido essa experiência… Você precisa saber quando você está tomando um espaço que deveria ser de outra pessoa e quando você está participando de algo no qual você foi convidada e interpreta um papel nesse espaço.

“Eu gosto de contar histórias bonitas sobre mulheres queer, ou somente relacionamentos femininos que podem falar sobre a complexidade desses relacionamentos, mas que você não está de luto por alguém no final, por essa vida horrível ou se punindo por existir. Esse é o tipo de coisa que eu acho que muda o efeito – colocar descrições de gênero normalizadas e positivas de relacionamentos que não são retratados com frequência no mundo.”

Assistir o relacionamento animado de Abby e Harper se desenrolar no início do filme, testemunhar sua queda e então seu compromisso final com o amor tendo todos os símbolos do Natal no fundo – laços, guirlandas, papel brilhoso, biscoitos de gengibre e uma trilha sonora carregada de jingle bells – com certeza será uma experiência emocionante para pessoas queer que cresceram sem se ver nas telas. É grande parte da razão pela qual DuVall – cuja longa carreira inclui papéis queer em Nunca Fui Santa, American Horror Story: Asylum, Veep, e no primeiro filme que ela escreveu e dirigiu, A Intervenção – queria fazer o projeto.

DuVall reitera que Happiest Season não é um filme político, por assim dizer. ”Não é parte do ambiente,” ela diz.

Ainda assim, não dá para negar que o filme tem capacidade de alterar a conversa cultura ou, no mínimo, dar para o público um início de conversa que também adiciona leveza no ambiente e os faça rir. Ela e Stewart refletem em como um filme como Happiest Season poderia ter as influenciado mais jovens.

”É realmente o ovo ou a galinha porque você não sabe com certeza,” DuVall diz. ”Nós todos, durante nossas vidas, carregamos essa bagagem e, algumas vezes, nem sabemos da onde veio.”

DuVall fala de uma experiência que muitas jovens lésbicas e bissexuais que nunca se viram refletidas podem entender.

”Me daria um sentimento de ‘Você está bem’, em vez de assistir Alguém Muito Especial e pensar ‘Eu quero que aquela menina fique comigo, e não com ele.’”

Stewart, que esteve nos olhos do público desde criança, reconhece que essa falta de visibilidade na cultura pop e a mídia a afetaram em sua própria descoberta e que ela foi impactada com o estigma.

”Eu estava realmente confortável funcionando convencionalmente. Somente em retrospecto eu vejo que se meus olhos estivessem um pouco mais abertos para a ambiguidade de um jeito que não fosse estranho, eu provavelmente teria mais quedinhas por meninas quando era pequena. Eu apenas não tinha, verdadeiramente.

“Agora eu sei que fui afetada pelo mundo se abrindo para mim um pouco mais quando fui ficando mais velha. Quanto mais artistas eu conhecia, amigos eu tinha e exemplos diferentes de coisas e jeitos de amar e conhecer como o outro se apresentava, eu fiquei tipo, ‘Eu posso fazer isso.’

“Eu não queria ser chamada de lésbica. E eu não queria ser aquela menina estranha, nojenta, ‘sapatão’. E isso é um saco. É horrível. Mas sempre me senti atraída por estranheza e diversidade. Eu teria amado ter mais exemplos disso não sendo ridicularizado e um ponto de escrutínio. Sim, teria sido incrível,” Stewart diz.

A pandemia negou a oportunidade de pessoas LGBTQ+ verem a si mesmos na comédia romântica natalina em uma grande tela. Mas os sinos tocam para Happiest Season no Hulu no dia 25 de novembro. ”Foi um ano brutal,” reconhece DuVall, que espera que seu filme traga muita alegria para aqueles que precisam de um alívio das notícias difíceis. Mas ela também está ciente de que arte e entretenimento podem mudar a cultura. E quem sabe, Happiest Season pode fazer isso pela próxima geração, assim como a carreira de DuVall fez por outras pessoas queer.

”Eu tive o grande privilégio de ser parte de Nunca Fui Santa 20 anos atrás. Naquela época, eu definitivamente não tinha me assumido. Ao decorrer dos anos, vendo o impacto que o filme teve nas pessoas e o quanto as ajudou… Fez o que filmes devem fazer, que é nos fazer sentir vistos e nos conectar com a experiência humana de um jeito mais profundo,” DuVall diz.

”Isso realmente informou o que eu queria fazer quando comecei a contar minhas próprias histórias.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

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