Desde que anunciou que dirigiria uma adaptação do livro de memórias de Lidia Yuknavitch, The Chronology of Water, em 2018, Kristen Stewart ainda não conseguiu o financiamento para que o filme saísse do papel. Em uma recente entrevista para a Variety, Kristen dá detalhes sobre os obstáculos que anda enfrentando com sua estreia como diretora. Leia:

No Festival de Cannes em 2018, Kristen Stewart anunciou que sua estreia como diretora seria uma adaptação de The Chronology of Water, o livro de memórias de Lidia Yuknavitch publicado em 2011. Desde então, Stewart tem trabalhado duro para angariar financiamento para o projeto, mas apesar de seu histórico de estrelar alguns dos filmes independentes mais bem criticados nos últimos 10 anos — desde Acima das Nuvens até Spencer — e apesar do fato de que Imogen Poots foi contratada para o papel de Yuknavith e de que Ridley Scott está produzindo através de sua produtora Scott Free, Stewart não conseguiu garantir o apoio necessário para seguir com o projeto.

Essa experiência frustrante fez com que Stewart fizesse um anúncio surpreendente sobre The Chronology of Water durante a entrevista para a capa da Variety.

“Vou fazer esse filme antes de trabalhar para outra pessoa” diz ela, antes de soltar uma risada nervosa. “É, vou sair dessa porra de indústria. Não vou fazer outro filme até dirigir esse. Pode anotar, com certeza. Acho que isso vai fazer as coisas andarem.”

A atriz de 33 anos estrela dois filmes no Festival de Sundance, o delicioso suspense policial lésbico Love Lies Bleeding e a ficção científica romântica Love Me. Ela também filmou um papel coadjuvante na comédia independente Sacramento, ao lado de Michael Cera, Maya Erskine e Michael Angarano, que está estreando como diretor do filme. Mas além disso, sua agenda está vazia, e ela não pretende preenchê-la até que The Chronology of Water seja feito.

Alcançar esse objetivo, no entanto, tem sido “quase impossível”, diz Stewart. “A situação atual é um grande não com N maiúsculo para qualquer coisa que ainda não tenha sido provada.”

Stewart sabe que um dos obstáculos é que ela quer recriar a prosa não linear e de fluxo de consciência de Yuknavitch com a intenção de evocar o tumulto vago da memória como experiência cinematográfica, enquanto retrata como os traumas pessoais e sexuais da autora alimentaram seu vício em álcool mesmo quando ela pretendia ser uma nadadora profissional.

“Acho que existe toda uma linguagem feminina ainda a ser escrita”, diz Stewart. “Há uma certa fisicalidade no tipo de filme que eu quero fazer que acho que será, no roteiro, pouco atraente para “compradores”, mas na prática, é completamente comovente. Não tem sido fácil vender dessa forma. Não se trata do enredo. Se trata de uma pessoa fazendo a manobra de Heimlich em si mesma e contextualizando os motivos pelos quais essa pessoa engoliu sua própria voz a vida toda.”

A cineasta Rose Glass, que dirigiu Stewart em Love Lies Bleeding, leu uma versão do roteiro que Stewart escreveu com o marido de Yuknavitch, Andy Mingo. “É realmente maravilhoso”, diz ela. “Tenho certeza de que será um desafio. Tem algumas imagens intensas e entra em lugares que deixarão pessoas desconfortáveis, mas de um jeito interessante.”

Na entrevista para a Variety, Stewart também discute explorar um espectro maior da experiência feminina além da “qualidade heteronormativa” que ela dá créditos por alavancar sua carreira como atriz, e quer levar isso para The Chronology of Water.

“Existe algo na natureza sincera da nossa fisicalidade, e digo isso de modo vaginal — o fluxo, o sangramento”, diz Stewart. “Podemos absorver muita negatividade e exalar muita beleza, e o filme é sobre isso. Mas sai desse orifício nojento e sangrento que negligenciamos desde sempre, e isso precisa ser discutido. Precisa ser mostrado fisicamente nos filmes. Precisa ser observado, reconhecido. Sinceramente, precisa ser adorado.”

Em uma indústria na qual Greta Gerwig pode faturar 1,4 bilhão transformando uma boneca de plástico em um tratado sobre feminismo, pode-se esperar que alguém veria o potencial valor em ajudar uma das atrizes mais famosas e aclamadas de sua geração a criar seu próprio salmo sobre feminilidade… mas essa não tem sido a experiência de Stewart.

“Eu nunca fiz um filme antes, então me falta experiência… e portanto, me falta credibilidade”, Stewart diz, repetindo o feedback que continua recebendo. Stewart já dirigiu antes: ela estreou um curta metragem chamado Come Swim no Sundance em 2017 e dirigiu um videoclipe estendido para o grupo boygenius em 2023. Porém, ela diz que não tem sido o suficiente. “Eles dizem: “Não sei se ela está certa.” E eu respondo: “Bom, estou! Tenho feito isso a minha vida inteira.’”

Glass concorda. “Ela obviamente tem feito isso a vida toda, e dá para sentir quando ela está no set. Ela é parte da equipe, de verdade”, diz a diretora. “Gostaria de pensar que ela havia conseguido o financiamento fácil, porra. Que ridículo. Alguém deveria financiar.”

Apesar dos obstáculos, Stewart permanece otimista. Ela tem certeza de que vai acabar fazendo o filme na Europa, e tem esperanças de que sua viagem ao Sundance, onde pretende ficar o festival inteiro, fará com ela se conecte com outros cineastas passando pelos mesmos problemas.

“Sinto que posso superar um obstáculo agora porque… vou me expor, porque é o que eu faço… eu fiz buscas por esse filme, vi lugares, pessoas, rostos e locações que se abriram para mim e não me falaram grandes nãos, e eu só chorei o tempo todo”, diz Stewart, batendo as mãos. “Mal posso esperar para ir ao Sundance. Mal posso esperar para fazer meu filme.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Prestes a ir para o Sundance Film Festival estrear dois filmes, Kristen Stewart aparece na capa da Variety Magazine falando sobre Love Lies Bleeding e Love Me, os dois filmes presentes no festival. Ela também fala sobre como se tornou confortável com sua própria identidade queer. Além da entrevista, Kristen também brincou com a revista em um vídeo em que tenta adivinhar de quais filmes são as falas de suas personagens. Confira:

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“Eu vou sair da porra da indústria.”

Kristen Stewart está cutucando o sofá em que estamos sentadas, falando com uma rapidez e intensidade sobre o que a deixou no limite. Ela passou cinco anos tentando sem sucesso conseguir financiamento para o que ela espera ser sua estreia como diretora, o filme The Chronology of Water, baseado nas memórias da autora bissexual Lidia Yuknavith. Ela está tão chateada com isso que está prestes a arruinar a mobília.

“Não vou fazer outro filme até dirigir esse”, declara ela. Depois, ela encosta no sofá e solta uma risada nervosa. “Mal posso esperar para os meus agentes lerem isso.”

Stewart claramente entrou na fase “foda-se” de sua carreira.

Não se preocupe: ela não vai a lugar algum ainda. Na próxima semana, Stewart colocará as botas de neve na mala para sua oitava viagem ao Sundance Film Festival, onde já estreou filmes como The Runaways e Marcados pela Guerra. Nesse ano, ela tem dois filmes no festival, o romance existencial de ficção científica Love Me e o suspense de crime queer Love Lies Bleeding.

Sentada com ela em uma tarde ensolarada de dezembro em Los Angeles, começo a entender a próxima fase de Stewart. Seu cabelo castanho adorna sua cabeça em um corte mullet bagunçado, e ela está usando uma blusa cinza simples e amarrotada e uma calça jeans rasgada. Ela parece masculina, confortável, ela mesma.

Para chegar nesse ponto, ela passou por mais de uma década de escrutínio implacável da mídia, primeiro sobre seus relacionamentos héteros, depois sobre seus relacionamentos gays, enquanto entendia a própria identidade. Ela aproveitou a fama global da franquia Crepúsculo não para se tornar uma super-heroína ou uma guru de estilo de vida, mas para abastecer uma série surpreendente de filmes independentes aclamados, incluindo Acima das Nuvens, Para Sempre Alice, Certas Mulheres, Personal Shopper e o drama sobre a princesa Diana que a concedeu uma indicação ao Oscar, Spencer.

“Sempre que escuto que ela está fazendo algo novo, fico tão curiosa para saber o que é porque vai ser um filme que nunca foi feito antes”, diz Clea DuVall, que dirigiu Stewart em um de seus poucos filmes em Hollywood durante esse período, Alguém Avisa?, a primeira comédia romântica lésbica apoiada por um grande estúdio. “Ela é tão autêntica e acho que é por isso que muitas pessoas respondem a ela dessa maneira.”

A autenticidade sempre foi crucial para Stewart. Sua habilidade de abrir caminho pela verdade de qualquer cena em que está interpretando a fez ser uma das atrizes mais originais e cativantes de sua geração, e ela lidou com sua vida pública com um charme convincente e estranho, que fez tudo parecer natural. Mas não foi. “As pessoas dizem para mim: “Ah, você se libertou.” E eu respondo: “Bom, sim, tenho 33 anos. Foi muito difícil’”

Quando entrou nos 30 anos, algo profundo mudou para Stewart. Ela é sincera sobre tudo agora, desde se assistir aos 11 anos atuando ao lado de Jodie Foster em O Quarto do Pânico até a defesa pública de Foster durante seu término com Robert Pattinson; desde por que ela se assumiu no Saturday Night Live em 2017 até subcorrentes queer nos filmes de Crepúsculo. E embora Love Me e Love Lies Bleeding não pudessem ser mais diferentes um do outro, os dois filmes alimentaram sua necessidade de explorar os limites de sua identidade.

Esses filmes são o 11º e 12º de Stewart no Sundance; ela vai ao festival desde os 13 anos. Mas dessa vez, em vez de passar só alguns dias em Park City, Utah, subindo e descendo a Main Street para uma procissão de eventos promocionais, Stewart planeja ficar para o festival inteiro.

“Posso conhecer cineastas novatos e realmente ter a experiência do Sundance como ele é conhecido, um terreno fértil para conexões, e sei lá, ficar bêbada e gritar com outras pessoas, tipo: “O que você achou daquele filme de verdade? Não tem jornalistas por perto,’” diz ela, depois faz uma pausa para me garantir: “Vou ser verdadeira com você.”

Quando Stewart subiu no palco do Saturday Night Live em fevereiro de 2017, ela havia passado dois anos tentando convencer a imprensa de que estava tudo bem escrever sobre seus relacionamentos com mulheres, em vez de recorrer à prática irritante de se referir à namorada dela como “amiga”.

“Eu não estava nem escondendo”, diz ela. “Eu estava namorando há anos naquele ponto. Tipo, eu sou uma pessoa bastante conhecida.”

Mas mesmo com essa postura, a palavra “amiga” vindo da mídia desencadeou uma história mais profunda e dolorosa de curiosidade intrusiva sobre a orientação sexual de Stewart: “Por tanto tempo eu pensei: “Por que você está tentando me restringir? Por que está tentando acabar com a minha vida? Sou uma criança, não me conheço o bastante ainda.” A ideia das pessoas falando: “Eu sabia que você era uma criança queer desde sempre” me deixava tipo: “É? Bom, você deveria ter me visto transar com o meu primeiro namorado.’”

Vale a pena insistir nesse ponto: por quase toda a história de Hollywood, atores queer temiam que o público descobrisse quem eles eram, e esse medo manteve as portas do armário fechadas com força. “Por ser gay, eu era muito isolada”, diz DuVall, que se assumiu publicamente em 2016. “Mesmo fazendo um filme pequeno como Nunca Fui Santa, as pessoas imediatamente falavam: “Ela é gay, como podemos tirá-la do armário?” Eu queria me encolher.”

Stewart, no entanto, se assumiu em grande estilo em um monólogo no SNL sobre como o presidente Donald Trump, em 2012, tweetava obsessivamente sobre seu relacionamento com Pattinson. “Donald, se você não gostava de mim naquela época, provavelmente não vai gostar de mim agora porque estou apresentando o SNL e eu sou, tipo, muito gay, cara”, disse ela com grandes aplausos do público.

“Foi legal colocar em um contexto engraçado porque podia falar tudo sem ter que me sentar para fazer entrevistas”, disse Stewart antes de repassar os tipos de perguntas que atores queer precisam considerar antes de se assumirem publicamente: “‘Então, em qual plataforma vai ser feito? E quem vai lucrar com isso? Quem vai ser a pessoa a dar a notícia?’ Fui eu, sozinha.”

Alguns dias depois, menciono o monólogo de Stewart no SNL para Foster no telefone e ela solta uma risada alta. “Nunca soube disso,” diz ela. “Que jeito moderno, engraçado, irônico e maravilhoso de ser honesta com o mundo. Isso é incrível.”

Enquanto Stewart fala sobre sua experiência no SNL, penso como nenhuma celebridade da idade e do tamanho dela se assumiu quando eu era criança nos anos 80 e 90. Então, a carreira dela não sofrer com isso parece um verdadeiro progresso.

Quando conto para ela, Stewart leva a conversa para uma direção inesperada. “Porque eu sou atriz, eu quero que as pessoas gostem de mim e quero certas partes,” diz ela. “Tenho muitas experiências diferentes que moldam quem eu sou e que estão muito, muito longe de serem binárias. Mas sou boa na qualidade heteronormativa. Eu interpreto bem esse papel. Vem de um lugar real, não é falso. Mas é uma merda que se eu fosse mais gay, esse não seria o caso.”

Tento esclarecer o que ela quer dizer: “Então sua carreira teria sido prejudicada se você não tivesse agido com uma feminilidade performática…”

“… que eu sei que me beneficia,” ela admite, concordando. “Por isso que estou tão animada com Love Lies Bleeding.”

No momento em que Stewart assistiu ao filme de estreia de Rose Glass, Santa Maud, um suspense psicológico sobre uma cuidadora cuja obsessão por salvar a alma de seu tutorado assume um fervor angustiante e alucinatório, ela quis conhecer a cineasta inglesa: “Eu não conseguia acreditar que uma jovem mulher que nunca havia feito um filme fez um como aquele”, diz Stewart. “Poder encontrar sua voz dessa maneira não é uma tarefa fácil, e foi um filme ambicioso, engraçado e assustador.”

A atriz organizou uma reunião durante uma viagem para Londres e perguntou para Glass qual seria seu próximo filme. “Ela me contou que era sobre uma garota muito forte,” diz Stewart. “E eu disse: “Tá, acho que é o que vamos fazer.” E ela respondeu: “Sim, mas é diferente.’”

Love Lies Bleeding estreia nos cinemas dos Estados Unidos em março e conta a história de Jackie (Katy O’Brian), uma aspirante a bodybuilder com um físico de matar, que chama a atenção de Lou (Stewart), uma lésbica tímida e masculina que trabalha na academia em que Jackie malha. A atração é mútua e imediata — e complicada depois que Jackie começa a trabalhar para o pai de Lou (Ed Harris), um traficante de armas assassino.

Glass ri quando pergunto como Stewart reagiu ao roteiro. “Ela me disse: “Às vezes, oferecem alguns papéis que você duvida se consegue fazer. Quando li seu roteiro, pensei: ‘Bem, quem mais ela vai encontrar para interpretar esse papel?’”

Como atriz, Stewart ocupa uma categoria: uma jovem estrela de cinema queer cuja presença evoca um grande apoio financeiro. Glass tinha grandes ambições para seu segundo filme, mas não foi até Stewart entrar para o elenco que “a A24 e a Film4 decidiram de repente confiar em mim com todo esse dinheiro.”

Stewart teve um efeito catalisador semelhante em Love Me, que está em competição no Sundance e procura distribuição. Quando os roteiristas e diretores de primeira viagem Andy e Sam Zuchero, um casal, a procuraram para falar do filme, “ela leu em um fim de semana e imediatamente retornou e disse: “Vamos nos encontrar agora,’” diz Sam.

“Estivemos apresentando esse filme sobre uma boia e um satélite que se apaixonam e a maioria das pessoas dizem: “O que? Quem?” adiciona Andy. “Mas Kristen imediatamente respondeu: “Ah, legal, tipo, é uma história de amor pós-apocalíptica que fala sobre ir além das formas e amar a si mesmo acima de tudo… tô dentro. Posso ser a boia?’”

Stewart ficou impressionada com a abordagem do filme sobre como uma pessoa define sua própria identidade enquanto luta contra a maneira como ela acha que deve se comportar. O filme começa muito depois da humanidade ter deixado a Terra e tudo o que restou foram duas IAs: uma boia, chamada Me, criada para catalogar o oceano, e um satélite, chamado Iam (interpretado por Steven Yeun), que está carregado com cada megabyte gravado na história. Eventualmente, Me e Iam adotam avatares humanos baseados em um casal de influenciadores nas redes sociais (também interpretados por Stewart e Yeun) que Me descobre dentro do mainframe de Iam.

Enquanto ela fala sobre filmar com Yeun, Stewart começa a mexer timidamente no cabelo. “Steven e eu interpretamos papéis muito binários, o que foi surpreendente em um filme sobre identidade,” diz ela com uma mistura de irritação e admiração pela facilidade em que entrou na “qualidade heterormativa” mais uma vez. “Eu sentia esse desespero de garota muitas vezes e o Steven era tão pragmático com tudo. Eu pensava: “Minha nossa, a biologia realmente existe.’”

Em um contraste nítido, o que mais interessou Stewart em Love Lies Bleeding foi apenas o quanto o filme parecia assumidamente queer, e como Lou é radicalmente diferente — masculina, briguenta e com muito tesão — dos papéis femininos que construíram a carreira dela.

“Sempre quis que a Lou tivesse esse charme melancólico, que fosse masculina e andrógina de uma maneira que muitas atrizes do perfil da Kristen não são,” diz Glass. “É estranho, mas não consigo pensar em muitos papéis assim que ela tenha feito, e mesmo assim, para ser sincera, parece que talvez seja um pouco mais próximo de quem ela é.”

É difícil não notar como Stewart brilha quando fala sobre as qualidades mais masculinas de Lou. “Havia algo especial em fazer as coisas que eu achava atraentes serem glorificadas,” diz ela. “Era muito sexy. E eu não digo de uma perspectiva externa, eu estava excitada e era legal que as pessoas presenciassem isso.”

Ela quer dizer isso literalmente. Lou e Jackie tem muitas cenas de sexo em Love Lies Bleeding, incluindo uma no banheiro de Lou que vai deixar o público do Sundance excitado e escandalizado. “Elas não tiram as roupas, mas vai chocar as pessoas.”

Stewart e Glass acreditaram que o sexo em Love Lies Bleeding precisava parecer real. “Tudo o que costuma ver é um vestido subindo e a cabeça descendo,” diz Stewart. “Acho que até o sexo hétero no cinema é tão repetitivo. Você pensa: “Ok, eu sei como isso acontece nos filmes, então é o que vamos fazer,” porque ninguém mais quer realmente se revelar.”

E é precisamente o que Stewart queria fazer em Love Lies Bleeding: revelar mais do que nunca em um filme como ela se vê.

Antes das gravações começarem, Stewart visitou a casa de Glass em Albuquerque, Novo México, com o amigo e cabeleireiro para começar a transformação para Lou. “O cabelo dela ainda estava meio grande e loiro,” adiciona Glass. “Ela disse: ‘Ai, tira isso de mim.’” Em um momento, Stewart pegou a tesoura e finalizou o cabelo de Lou, enquanto seu cabeleireiro olhava nervosamente.

“Quando eu assisti ao filme, pensei: “É bem legal me ver assim de novo,” diz Stewart. “Eu não tinha aquela aparência desde O Quarto do Pânico.”

Pela maior parte de sua vida adulta, Stewart evitou assistir ao filme que a colocou no radar do público. Ela completou 11 anos enquanto filmava o filme de David Fincher em 2002, interpretando a filha moleca de Foster, que se mobiliza para ajudá-la quando a casa em que moram em Manhattan é invadida, e ela diz: “Coisas de quando eu era criança me deixam com muita vergonha.”

No entanto, recentemente, O Quarto do Pânico estava passando na TV de sua casa enquanto ela estava com os amigos. “Todo mundo disse: “Vamos, esse filme é tão legal, cara. Você precisa se lembrar,” diz ela, contraindo-se com a memória. Ela concordou em assistir só uma cena, mas acabou ficando para o filme todo, imersa na performance física intensa de Foster e a direção precisa de Fincher. Foi forte o bastante para Stewart superar sua autoconsciência e realmente enxergar o que tantas pessoas queer sentiam nela desde o começo.

“Eu já estava dizendo: “Não fode.” Ela começa a rir. “Eu era gay.”

“Não é interessante?” diz Foster sobre a revelação de Stewart. “Você leva tantas coisas conscientes para um papel, coisas coreografadas e que você pensou. E há coisas com as quais você trabalha que são completamente inconscientes, que você não vai entender até anos depois, ou talvez nunca.”

Foster fala comigo em uma manhã de dezembro dentro do carro “porque todo mundo ainda está dormindo e todos os quartos da casa estão ocupados” e sua perspectiva de Stewart é transmitida pelas lentes da preocupação e do carinho maternal. “Ela é como uma filha pra mim,” diz. “Eu me preocupei que este emprego sugaria tudo de bom nela, porque tive essa preocupação comigo mesma. Havia uma semelhança inconsciente entre nós duas. Acho que por isso sempre fui muito protetora com ela, porque queria que ela crescesse e se tornasse a pessoa que deveria ser.”

Em 2012, depois que Stewart foi flagrada por paparazzi beijando o diretor de Branca de Neve e o Caçador, Rupert Sanders, enquanto ainda estava em um relacionamento com Pattinson, Foster escreveu um artigo para o The Daily Beast em sua defesa.

“Foi um ato muito gentil,” diz Stewart. “Eu realmente precisei que Jodie explicasse o que aconteceu para outras pessoas antes mesmo que eu pudesse entender.”

Foster ainda está frustrada com o alvoroço. “A situação toda foi muito idiota,” diz ela. “Quando você tem 20 anos, faz todo tipo de coisa estúpida. Eu senti muito por ela. Espero que ela tenha tido o espaço e a privacidade para poder se explorar e se tornar um ser humano completo.”

Stewart não deixou aquele escândalo, por mais intenso que fosse no momento, sufocá-la. Em vez disso, ela abraçou completamente sua queerness em sua vida pública — como levar a namorada, a roteirista Dylan Meyer, ao Oscar em 2022. “Não é que não estava com medo,” diz Stewart. “Era que não havia outra maneira de viver.”

Ela até passou a reconhecer que o filme mais ostensivamente heterossexual que ela já fez, Crepúsculo, tem uma faísca queer. “Eu só consigo enxergar agora,” diz ela. “Acho que não começou necessariamente desse jeito, mas também acho que o fato de eu estar no filme já torna uma coisa infiltrada. É um filme muito gay. Digo, Jesus Cristo, o Taylor [Lautner], o Rob e eu, está tão escondido e nada certo. Uma mulher mórmon escreveu esse livro. Ele fala sobre opressão, sobre querer o que vai te destruir. É uma tendência gótica e gay que eu adoro.”

Pergunto para Stewart se ela compreende o quanto sua decisão de se assumir também a transformou em um exemplo para a comunidade LGBTQ. Ela ri. “Você não faz ideia,” diz. “Toda mulher que já conheci na minha vida e que já beijou alguma menina na faculdade diz: “Sim, eu também.” Eu brinco constantemente com a minha namorada. Ficamos sentadas sussurrando: “Ela também é gay. Todo mundo é.”

Pode ser fácil esquecer o quanto isso ainda é raro, uma estrela de cinema gigante vivendo uma vida tão abertamente queer. “Parece uma coisa de geração, onde estou assistindo alguém completar as voltas que achei que não seriam possíveis para mim,” diz Foster.

Depois de proteger sua privacidade por décadas, Foster se assumiu publicamente no Golden Globes de 2013, e só agora interpretou a primeira personagem gay no filme Nyad de 2023. Falar sobre Stewart deixou Foster com uma aura reflexiva. Quando nossa ligação está chegando ao fim, ela apresenta um pensamento espontâneo. “Me perguntam muito sobre quem eu era e o que eu representava na indústria e eu… não sei.” Ela suspira. “Será que eu fui útil em termos de representação? Tenho certeza de que havia uma pessoa de 12, 13 ou 14 anos quando eu era jovem que dizia que eu tinha algo a oferecer para eles na vida como uma pessoa queer. Eu tive que fazer do meu jeito. Tive pioneiros para ajudar no caminho, aos quais sou grata. E agora as pessoas podem ser gratas a Kristen por ser uma pioneira. Eu só… Eu sou grata a ela.”

Esse sentimento de união da comunidade LGBTQ é o motivo pelo qual Stewart se dedicou para abraçar quem ela é como uma mulher queer masculina em seu trabalho como atriz e, aconteça o que acontecer, como diretora.

“Eu gostaria de estar nesse time porque precisamos um do outro,” diz Stewart. “Eu não queria mais ser isolada. Era um mundo que eu não sabia que podia explorar.”

Ela dá aquele suspiro típico de Kristen Stewart e sorri, pronta para embarcar no próximo capítulo de sua vida… começando no Sundance.

“Quero fazer amigos,” disse ela. “Quero ser uma jovem cineasta, preciso encontrar minha galera.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

O The Hollywood Reporter obteve um vídeo de Kristen Stewart que foi enviado para investidores em potencial para o documentário How to Stop a Nuclear War, baseado no livro Doomsday Machine de Daniel Ellsberg, em que a atriz fala sobre a ameaça nuclear iminente. Leia:

Kristen Stewart está soando o alarme sobre a ameaça de uma guerra nuclear mundial ao apoiar o documentário de Paul Jay sobre Daniel Ellsberg, o homem que vazou os Documentos do Pentágono, chamado How to Stop a Nuclear War, agora em produção.

“Nos acostumamos tanto com a ameaça iminente de uma aniquilação nuclear que ela quase não é registrada no nosso cotidiano”, diz Stewart em um vídeo de arrecadação de fundos para o documentário baseado no livro Doomsday Machine, escrito pelo autor que vazou os documentos da época do Vietnã. “Mas quando uma nova crise ou perigo tira o nosso sono apenas por um breve momento, nós realmente compreendemos a insanidade que é viver no gatilho do que poderia ser um Armageddon da vida real”, disse a atriz no vídeo obtido pelo The Hollywood Reporter.

A noiva de Stewart, Dylan Meyer, é filha de Nicholas Meyer, diretor do filme revolucionário de 1983, O Dia Seguinte, que foi exibido no canal de televisão ABC, e produtora executiva do documentário How to Stop a Nuclear War. Emma Thompson narra o documentário em que Ellsberg avisa que os arsenais de armas nucleares dos EUA e da Rússia ainda são uma ameaça à paz mundial e que uma guerra nuclear ainda é capaz de ser lançada a partir de silos de mísseis e submarinos com um aviso de poucos minutos de antecedência.

Stewart, que também aparecerá no documentário, concorda com Ellsberg argumentando que o mundo está “perigosamente perto de um conflito nuclear, talvez mais do que já estivemos desde a Guerra Fria.”

Na filmagem enviada para potenciais investidores do documentário enquanto os produtores preenchem o orçamento, Stewart elogia o denunciante que fez história e faleceu em junho de 2023 aos 92 anos. “O conhecimento de Ellsberg sobre os planos de uma guerra nuclear informam o apelo urgente à ação do filme. O documentário soa o alarme sobre essa ameaça, mas também mostra as soluções e os passos que podemos tomar para evitar a catástrofe”, adiciona ela.

Ellsberg ficou conhecido por fazer cópias dos Documentos do Pentágono e outros documentos nucleares confidenciais durante a administração Nixon e vazou para o The New York Times e outros veículos em 1971. Como analista de alto nível no Pentágono, Ellsberg foi acusado pelos Estados Unidos por quebrar a Lei de Espionagem, mas o caso foi arquivado devido à má conduta do governo na coleta de evidências.

“Se não abordarmos essa questão das armas nucleares, nada com que nos preocupamos — nenhuma justiça social, causa ambiental ou resolução política pacífica, filmes que fazemos, pessoas que amamos — importa mais. Nada disso importa em um deserto pós-apocalíptico”, avisa Stewart.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Foi anunciado na tarde hoje (14) que Kristen Stewart receberá o Visionary Award no Sundance Film Festival. De passagem pelo festival com dois filmes, Love Me e Love Lies Bleeding, a atriz receberá a homenagem na noite de abertura do festival, no dia 18 de janeiro:

“Estamos entusiasmados em homenagear a imensamente talentosa Kristen Stewart na nossa Noite de Gala de Abertura”, disse Joana Vicente, CEO do Sundance Institute. “As performances cativantes de Kristen em trabalhos amplos e diversificados a tornam um talento verdadeiramente único. Com mais de dez filmes que passaram pelo Sundance, ela sempre se comprometeu com a arte do cinema independente. Estamos animados para recebê-la de volta no festival e mal podemos esperar para ver o que ela tem preparado para o nosso 40º ano.”

Stewart também comentou sobre a homenagem recebida.

“A pureza do Sundance, a falta de pretensão rebuscada e o compromisso de apoiar a independência em uma indústria que nem sempre valoriza o radical ou o paralelo é o que torna o festival, de longe, o lugar mais acolhedor para assistir, discutir e apresentar filmes”, disse Stewart. “Verdadeiramente honrada por ser reconhecida por esta querida instituição.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart compareceu ao último desfile da Chanel do ano, o Metiers d’Art, na noite de quinta-feira (07). O local escolhido foi a cidade de Manchester, na Inglaterra, e Kristen esteve com a noiva, Dylan Meyer, na primeira fila. Confira as fotos e uma rápida entrevista com o WWD em que Kristen menciona seus próximos filmes, Love Lies Bleeding e Love Me:

EVENTOS > EVENTOS E PREMIAÇÕES > EVENTOS E PREMIAÇÕES EM 2023 > (07/12) DESFILE METIÉRS D’ART DA CHANEL EM MANCHESTER

“Foi aqui que Oasis, Ian Curtis e The Smiths nasceram. É a minha praia em relação ao que me anima”, disse Stewart.

“Provavelmente este é o meu desfile favorito da Chanel que já vi ao vivo. Todos os looks são incrivelmente intimidadores — de uma maneira muito sexy. Há uma alfaiataria rigorosa e perfeita neles que é essencialmente britânica”, comentou Stewart, que usava um vestido trapézio exagerado com mangas parcialmente desabotoado na frente.

Falando sobre o futuro, Stewart disse que tem dois filmes estreando e que ambos começam com a mesma palavra. Um se chama Love Lies Bleeding e o outro Love Me. Ela avisa que não haverá nenhum momento fashion como em Spencer, em que uma bolsa da Chanel tinha um papel principal.

“Os dois filmes são tão bizarros, mas muito diferentes, e acho que o que os conecta é o desejo. Há um tipo visceral de desejo violento que existe em ambos, mas de uma maneira muito diferente,” declarou a atriz.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart estará no Sundance Film Festival em dose dupla! Os filmes Love Me e Love Lies Bleeding foram selecionados para o festival na categoria de competição e sessão de meia-noite, respectivamente. Leia a sinopse abaixo e vá até nossa galeria conferir as primeiras imagens dos filmes:

LOVE ME: Muito depois da extinção dos humanos, uma boia e um satélite se encontram na internet e se apaixonam.

Como os cineastas Sam & Andy demonstram em seu primeiro longa-metragem bastante criativo, contar uma história de amor entre uma boia inteligente e um satélite em órbita que dura um bilhão de anos e investiga os mistérios da humanidade e da consciência requer uma narrativa verdadeiramente ágil. A estrutura caprichosamente filosófica e mutável de Love Me entrelaça o real, o virtual e o surreal de uma maneira inteligente. Seus protagonistas malfadados feitos de metal e ligados pela internet — interpretados de diversas formas por Kristen Stewart e Steven Yeun — navegam pelo amor e pelo companheirismo de forma desajeitada, equipados apenas com incontáveis petabytes de dados arquivados da web, das redes sociais e vídeos online. Inundados por essas experiências mediadas e expressões fabricadas de amor e identidade, eles anseiam por compreender quem são, se seus sentimentos são reais e, aliás, se eles são reais.

LOVE LIES BLEEDING: Uma gerente reclusa de academia se apaixona por Jackie, uma ambiciosa bodybuilder de passagem pela cidade até Las Vegas em busca de seu sonho. Mas o amor das duas desencadeia violência, puxando ambas para o fundo dos negócios da família criminosa de Lou.

Seguindo sua estreia aclamada pela crítica, Saint Maud, Rose Glass estreia no Sundance Film Festival com seu bombástico e grandioso segundo filme. Uma história de amor lésbico excêntrica e rebelde colide com um drama familiar do tipo mais sombrio nesse suspense musculoso. À medida que uma academia pequena e um barranco nos limites da cidade se tornam um playground para todos os tipos de travessuras e caos, uma grande sensibilidade americana e o estilo deliciosamente diferente e corajoso de Glass criam um mundo que é familiar e inteiramente novo ao mesmo tempo. Estrelado por Kristen Stewart, presença frequente no Sundance (O Silêncio de Melinda, Adventureland, Certas Mulheres) e Katy M. O’Brian, Love Lies Bleeding é de alguma forma um romance doce sobre lealdade quanto teimosamente hedonista. Com uma imaginação ambiciosa e raízes em lugares profundamente humanos, esse filme é um soco no estômago como nenhum outro.