No ano passado, Kristen Stewart lançou seu filme de natal lésbico, Happiest Season (Alguém Avisa? no Brasil). Após a estreia do filme, muitos espectadores ficaram desapontados que Abby perdoava sua namorada Harper (Mackenzie Davis) por todas as decisões erradas tomadas no fim de semana de festividade e preferiam que Abby tivesse terminado com Riley (Aubrey Plaza). Um ano depois, Kristen Stewart responde às críticas em entrevista ao The Daily Beast:

“É bem horrível. É ruim, muito ruim”, ela diz sobre a personagem de Mackenzie Davis, Harper. “Por isso que contratamos a Mackenzie para fazer o papel, porque, não sei, eu a amo. Mackenzie parece alguém que está falando sobre cada parte da conversa. Você é uma soma de suas partes, nem todas as partes da sua vida irão te definir e você cresce conforme envelhece. Mackenzie parece que está em uma jornada maior do que esse momento que a define. Ela parece uma pessoa inteligente, aberta, intuitiva, curiosa e legal. E ainda bem porque qualquer outra atriz seria odiável.”

“Se você parar para pensar e realmente considerar onde aquela menina está em sua vida? Ouch! Eu entendo”, ela disse sobre as críticas online.

Quando menciono que sua Abby deveria ter terminado com a Riley de Aubrey Plaza e se Harper realmente mereceu nosso perdão pela maneira que aterrorizou Riley no ensino médio, Stewart respondeu: “Algumas coisas nela são definitivamente péssimas… Eu… não tenho uma boa resposta para isso.”

Talvez elas fiquem juntas na sequência.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart foi entrevistada pelo The New York Times durante a divulgação de Spencer, além de participar de uma nova sessão de fotos para o jornal. Ela fala sobre o filme, as comparações com a Princesa Diana e sobre sua estreia como diretora. Leia:

PHOTOSHOOTS > PHOTOSHOOTS 2021 > THE NEW YORK TIMES

Kristen Stewart algumas vezes já foi acusada de interpretar variações de si mesma, como se isso não fosse parte da razão de nos atraímos por estrelas de cinema. Em Crepúsculo (2008), ela trouxe uma atração específica e sombria para uma heroína imaginada como um quadro em branco para leitoras femininas; mais tarde, em Personal Shopper (2017), quando Stewart trocou suas blusas polo por um vestido brilhante de uma cliente rica, você conseguia ver a estrela e a personagem olhando para o novo visual no espelho: Essa sou eu? Poderia fazer ser eu?

A princípio, seu novo drama, Spencer, parecia ser um calmante para o tipo de cinéfilo que exigia uma transformação mais rigorosa da atriz de Crepúsculo: dirigido por Pablo Larraín (Jackie), o filme é um retrato psicológico da Princesa Diana enquanto ela desvenda, então se rebela, um feriado de Natal de três dias. Em vez de contratar uma atriz britânica, Larraín escolheu Stewart, uma figura contemporânea descolada da Califórnia que me encontrou no dia de nossa entrevista usando um terno listrado vermelho-tijolo, suas mangas enroladas revelando uma constelação de tatuagens.

A atriz de 31 anos, sentada de frente para mim em uma varanda no Sunset Tower Hotel em West Hollywood, talvez não pareça a escolha óbvia para interpretar a princesa do povo, mas uma coisa engraçada acontece quando você assiste Spencer: A distância que inicialmente parecia tão vasta entre as duas mulheres vai se fechar até um ponto em que parece a escalação de elenco mais astuta do mundo. Afinal de contas, Stewart sabe uma coisa ou outra sobre uma vida vivida aos olhos do público, o escrutínio direcionado a um romance de alto perfil e os momentos privados roubados pelos paparazzi.

Stewart deu tudo de si para o filme, estudando a postura, maneirismos e sotaque de Diana. A performance resultante, potente e provocante, a empurrou para a frente da lista de candidatos ao Oscar desse ano. “Eu costumava pensar que precisava de espontaneidade e ansiedade para me impulsionar para algo verdadeiro e que, se eu tivesse muito controle, se tornaria imediatamente fabricado”, Stewart disse. “Eu não tinha a confiança de segurar isso e dizer: “Não, você pode projetar algo.’”

Mas Larraín tinha essa confiança nela.

“Ela é como uma atriz dos anos 50 ou 60”, disse o diretor. “O que ela está fazendo pela história pode ser em um nível muito fundamentado para o personagem, mas é elevado de um jeito poético que cria uma quantidade enorme de mistério e intriga. E esse é provavelmente o melhor coquetel que você poderia encontrar para uma performance em câmera.”

Stewart sabia que aceitar Spencer seria um desafio e, nos dias antecedentes às filmagens, ela até travou sua mandíbula enquanto praticava incessantemente seu sotaque britânico. Mas assim que chegou ao set, finalmente canalizando Diana, seus medos foram embora: “No final da primeira semana, pensei: “Essa é a melhor coisa que já fiz. Nunca me senti tão viva.’”

Aqui estão trechos editados de nossa conversa.

Qual foi sua primeira impressão quando Pablo apresentou Spencer para você?
Ele estava tão certo de que eu deveria fazer esse filme e eu pensei que era audacioso e louco porque não pareço ser a escolha mais instintiva e imediata.

Ele te disse o motivo?
Ele disse: “Há algo sobre a Diana que nunca saberemos. Você me faz sentir isso. Eu já vi seu trabalho e nunca sei o que você está pensando.” E me sinto assim sobre a Diana, também. Mesmo que eu sinta essa atração avassaladora por seu espírito e sua energia, há algo desarmante sobre ela. Eu quero sair com ela, quero apostar uma corrida até o final de um longo corredor. Quero, sei lá, conhecer seus filhos.

Mesmo assim, foi um passo natural dizer sim para esse filme?
A única razão que você trabalha como atriz por tanto tempo é para tentar se superar todas as vezes. Esse era apenas um passo correto que eu não poderia realmente dizer não. Era ambicioso e atraente e eu pensei: “Se eu não conseguir fazer esse papel, então eu vou parar e dirigir filmes.” E é divertido imaginar uma conversa maior. É divertido imaginar se você é capaz de segurar aquilo.

O que surgiu da Diana enquanto você pesquisava sobre ela?
Havia tantas camadas para ler. Havia tantas maneiras em que ela tentou se revelar que não eram necessariamente na forma de frases diretas. Ela não podia dizer: “Estou morrendo e ele não me ama.” Acho que o jeito que ela se expressava era tão interessante porque há tantas lentes entre você e aquela comunicação.

É tipo, não reconhecer que cada pessoa do mundo está sentada nessa varanda conosco é louco. Temos que fingir que elas não estão aqui porque estamos sendo legais um com o outro. O que é bom! Mas também, estamos falando com o mundo inteiro agora.

E estou pedindo que você seja vulnerável comigo, como se o que você disser não vá ser cortado, rebloggado e retweetado por pessoas que não estão aqui.
Você joga os dados, definitivamente. Pode-se escrever um artigo muito longo sobre a troca entre um jornalista e um ator. Obviamente não é o motivo pelo qual estamos aqui, mas sim.

Mas meio que é. Diana tinha que ser incrivelmente inteligente sobre sua imagem e o jeito que era usada, enquanto ainda irradiava autenticidade absoluta. Os atores são obrigados a fazer o mesmo.
Todos os jeitos que nos aproximamos um do outro precisa vir de um lugar interior. Portanto, é uma forma de manipulação. Você quer alguém que te entenda, quer fazer outra pessoa sentir o mesmo que você. É triste pensar nela em geral porque ela é a pessoa mais cobiçada e amada, mas também rejeitada e que se odeia. Essas coisas não deveriam andar juntas.

A não ser que parte seja causa e parte seja efeito. Nós respondemos a ela de uma forma que causa um pouco disso? Quando ela é chamada de princesa do povo, isso implica uma forma de propriedade?
É claro, o que acho que ela provavelmente tentou cultivar. Acho que ela teve que estender a mão para receber qualquer tipo de aceitação calorosa, quando obviamente em casa ela se sentia invisível, inaudível, sufocada e fria. Ela estava procurando em todos os lugares que podia por esse tipo de amor. Ela foi a primeira da realeza em toda a história a estender a mão e tocar as pessoas fisicamente, em seus rostos, sem luvas. Isso abalou as pessoas.

Como você resolveu algumas de suas contradições?
Algumas pessoas diziam que ela nunca usava palavrões. Mas em outras biografias, diziam: “Oh, Deus, ela entrou xingando.” Então você não pode conhecê-la. Com famosos, você escuta de alguém: “Eu o conheci uma vez e não foi muito legal comigo”, mas é tipo: “Você perguntou como o dia dessa pessoa estava indo quando ela saiu do banheiro? Talvez ela não tenha sido legal com você naquele momento.” As pessoas amam usar uma experiência para resumir a personalidade inteira de alguém. Você só precisa pegar a perspectiva de todo mundo, juntá-las e então descobrir sua própria.

Você está claramente falando de uma experiência pessoal. Mas em outras entrevistas que li, você nega quando pedem para desenhar uma linha direta entre seu tempo no olhar do público e o de Diana.
O motivo pelo qual fico relutante em reconhecer a comparação é porque nunca me disseram para me sentar e ficar de um jeito que era tão prejudicial e desonesto como da perspectiva dela. Eu realmente funcionei de um ponto de impulso, descoberta, honestidade e espontaneidade.

Mesmo assim, você sabe como o alto nível de escrutínio público pode ser. Você sabe como é ter momentos pessoais roubados por fotógrafos.
Se eu sinto que mulheres são tratadas injustamente e criticadas demais em comparação aos homens pela mídia? Absolutamente. É uma conversa que quero ter. Mas eu fiquei muito famosa por causa de filmes e isso é diferente. Diana acreditava em um ideal que, no final, se tornou claro para ela que era uma farsa. Cara, se ela soubesse que estaria em um casamento sem amor… Portanto, quando as pessoas dizem: “Ela sabia no que estava se metendo”, tipo, não mesmo.

Mas essa não é uma crítica frequentemente feia às estrelas de filmes também? Que elas não deveriam reclamar de paparazzi porque sabiam no que estavam se metendo?
Sim. Digo, de forma bem direta, eu não queria ser famosa. Eu queria ser atriz. E totalmente reconheço que você possa pensar: “Do que você está falando? Não existe um sem o outro.” Mas parece uma punição cruel e incomum fazer algo que você ama e então de repente pensar: “Espera. Eu acabei de se empurrada e minha blusa foi puxada até a cabeça para me fotografarem?” Porque eu não escolhi isso.

Então por que você escolheu ser atriz?
Eu sempre disse que foi porque era o único trabalho que você poderia ter quando criança em um set. Minha mãe é supervisora de roteiro e meu pai é um A.D. [diretor assistente], então passava um pouco de tempo no set e havia essa mentalidade de circo que era tão divertida.

Seus pais ficaram surpresos quando você escolheu esse caminho? Você começou a atuar profissionalmente com oito anos.
Sim. Você pensa em atores mirins e imagina marias-chiquinhas, sorrisos para a câmera, Vaselina nos dentes e eu era tão longe disso. Eu parecia meu irmão, era a atriz mirim menos “carismática” que você poderia imaginar. Mas acho que a razão pela qual ainda sou atriz, o que realmente tiro disso, é que há tantas versões de mim mesma que hipoteticamente são possíveis na terra dos sonhos. Eu posso viver mais, posso fantasiar. E a fantasia não significa que não seja real.

Você está atualmente procurando elenco para sua estreia como diretora, The Chronology of Water, baseada na biografia de Lidia Yuknavitch. Como é estar do outro lado da câmera, testando todas essas atrizes?
Acho que tenho amnésia porque sinto que não quero obrigá-las a fazer coisas muito difíceis ou exigir muito, mas é o que precisa ser feito. Isso é tudo! Preciso me lembrar que, quando eu era mais nova, se eu gostasse de algo, eu diria: “Vou fazer o que você precisar. Vou ler cinco vezes.” Eu sei a linha delicada e meticulosa que é deixar alguém saber que isso vai te dar uma surra e você vai precisar se abrir. É tipo: “Vou te dar um soco no rosto agora. Abaixe os braços.”

E se um diretor falasse para você que seu filme te daria um soco no rosto, como você reagiria?
É o que estou dizendo. Iria me aproximar e mostrar meu rosto.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou sobre seu novo filme, Spencer, com o Parade. Além de falar sobre sua preparação para viver a Princesa Diana, a atriz também falou sobre como se sente com o retorno positivo de seu filme de natal, Happiest Season (Alguém Avisa? no Brasil), lançado no ano passado. Leia:

Você ficou nervosa ou teve alguma dúvida sobre fazer um filme que retrata uma vida tão famosa com imaginação e arte?
Na verdade, foi a única coisa que fez a experiência valer a pena para mim – não foi reiterar fatos que realmente turvam as águas da verdade mais do que retratam uma vida real. Acho que ficar obcecado com o preto e branco, o disse me disse, enfraquece completamente a oportunidade que um filme teria de capturar um sentimento. Não fizemos um documentário, não estamos tentando de nenhum jeito dar uma informação nova. Tudo o que temos sobre ela, já sabemos.

Eu abordei tudo de um jeito moralmente responsável para ter certeza de que estava do lado certo da rua e percebi que não havia nada de errado no roteiro. Não há nada que dizemos que ela fez ou que declaramos que sabemos que seja historicamente incorreto.

Ela também era alguém que, no fim de sua vida, realmente se expôs de um jeito articulado, comprometido e começou a falar com o público livre e desimpedida. Estamos muito cientes de sua luta com a comida, imagem corporal e saúde mental. Seria muito mais satisfatório fazer um filme sobre ela se inclinando para a fantasia e cedendo ao hipotético porque ela nunca teve a chance.

Qual foi a parte mais difícil de interpretar a Princesa Diana?
Duas partes: Eu queria ter certeza de que seu relacionamento com os meninos fosse verdadeiro e não pintado. Sua versão mais compreendida e firme é quando está com os meninos e sinto essa natureza protetora que não senti com nenhum outro aspecto de sua vida. Ela está constantemente procurando por trás de um véu para conseguir falar: “Isso é o que estou dizendo, mas isso é o que eu quero dizer.” É como toda a coisa do manter a cabeça abaixada, mas manter os olhos para cima. Era como se ela sempre estivesse tentando dizer algo que não podia articular. Então, com os meninos, a parte mais difícil foi ter certeza de que parecia tão vivida e verdadeira – genuinamente cheia de amor. A parte mais bonita dela é ser mãe.

Também, ela é tão legal [risos] e tão contagiante, desarmante e casual. Por falta de palavra melhor, legal. E eu não digo legal de um jeito esnobe ou frio – do jeito mais acessível e charmoso possível, todos a amam. A ideia dela como uma entidade que transcende.

Você assistiu The Crown ou evitou na preparação para esse papel?
Eu assisti tudo e estava em um estágio meio obsessivo de pesquisa. Acho que maratonei todas as temporadas em três dias. Assisti do começo ao fim. Até certo ponto, eles andam juntos, nós nunca sentimos que tínhamos que fazer o que eles estavam fazendo. Esse filme é totalmente diferente.

De uma forma muito pouco acadêmica, se eu não me sentia com vontade de pesar opiniões ou perspectivas conflitantes, ou ler um novo livro, eu assistia The Crown e vivia com Emma [Corrin] por um segundo [risos]. Eu realmente amo aquela série e nós usamos em nossa vantagem. Fico feliz que existe.

Você incorpora essa personagem de um jeito assustador e transcendente para o público. Diana deixou uma marca em você?
Sim. Espero encontrar uma maneira de falar isso de forma legal, concisa e realmente certa, talvez isso aconteça em algum momento nesse processo – entrar em sua pele e apenas projetar esse calor que sentimos dela – apesar de nunca ter passado um tempo com ela. Ela se destaca em cada foto, ultrapassa cada lente e te toca.

Eu tenho olhos verdes e 1,65m, ela tem 1,80m e lindos olhos azuis. Ela tem essa coisa onde sinto que quero que seja minha mãe e minha melhor amiga, quero ser um ombro para ela chorar, quero ver quem corre mais rápido.

Quando imaginei quem ela era e como ela afetava as pessoas, eu peguei “isso”. Levei para o set. Era apenas uma projeção, uma ideia, mas de alguma forma, ficar perto dessa ideia por osmose – que era ela, o quanto você quiser fazer ser espiritual. Se nossas experiências são totalmente quantificadas por nossas imaginações, eu imaginei uma nova confiança, uma nova tranquilidade, uma crença e fé em outras pessoas que era muito recíproca. Se eu ia para o set me sentindo assim, então de repente, todos estavam se apoiando em mim. Foi divertido interpretá-la, mesmo que ela estivesse muito triste nesses três dias. Toda a equipe dançava todas as noites, chorávamos juntos. Nunca me senti tão conectada com outras pessoas e acho que isso era claramente ela.

Já se passou cerca de um ano e parece seguro chamar Happiest Season de um clássico de Natal. O que você pode nos contar sobre a experiência de fazer o filme e todo o feedback positivo desde o lançamento?
Clea definitivamente queria fazer um clássico de Natal, então é maravilhoso ouvir isso. Eu amo a Clea e quando li o roteiro, pensei: “Oh, uau, não acredito que demorou tanto para alguém fazer um filme tão direto e queer.” Eu tenho zombado sobre todos os dramas lésbicos de época que foram feitos recentemente – que acho que deveriam fazer mais! Alguns são melhores que outros e é fácil tirar sarro dessa tropa. Pessoas brancas, cis e héteros puderam fazer filmes de Natal ad nauseam.

Não acredito que essa pequena e fofa tentativa de fazer algo doce teve tanto impacto. É só um filme de Natal sobre duas meninas que vão para casa e tentam fazer funcionar com suas família. Precisamos de mais filmes assim: pequenos, bons, ambiciosos e simples, todos eles e com tudo o que tem direito. Tenho muito orgulho de estar naquele filme.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou com o USA Today sobre Spencer. A atriz falou sobre as músicas usadas na montagem de dança do filme, como se sente sobre os paparazzi e sobre a ressurreição de Crepúsculo nas redes sociais. Leia:

Kristen Stewart sabe que ela é a última pessoa que você espera que interprete a Princesa Diana.

Com 1,65m de altura e vinda do sul da Califórnia, a estrela de Crepúsculo é quase 15cm menor do que a famosa figura real britânica, o assunto da nova biografia Spencer. Então, Stewart ficou surpresa quando o cineasta Pablo Larraín a abordou sobre o projeto, o qual imagina um Natal tenso com a família real em 1991.

“Eu disse: “Cara, não. Confia em mim, não”, Stewart brinca, relembrando sua confusa primeira reação. Mas após discutir mais, “sua certeza era tão contagiante e (a ideia de interpretá-la) era tão chamativa. Eu pensei: “É, parece divertido.” Eu sou humana. Sinto proteção por essa pessoa, mas ao mesmo tempo, tenho toda a curiosidade” que todo mundo tem sobre a Princesa de Gales, que morreu em um acidente de carro em 1997 quando tinha apenas 36 anos.

“Diana era uma figura muito misteriosa e senti que Kristen podia capturar esse mistério”, diz Larraín, que dirigiu Natalie Portman até uma indicação ao Oscar como Jacqueline Kennedy em Jackie, de 2016. “Claro, havia a chance de se tornar similar com Diana fisicamente através da maquiagem e do figurino, mas o mais importante é seu magnetismo.” A transformação de Stewart foi aclamada como “brilhante” e “a melhor da carreira” pelos críticos e ela lidera muitas previsões na corrida de Melhor Atriz do Oscar de 2022. Preparando-se para o papel, Stewart assistiu “todas as entrevistas que consegui alcançar”, estudou o timbre sussurrante e risada contagiante de Diana.

“É difícil rir ou ficar extremamente com raiva e emocionada em um sotaque diferente, ou improvisar algo por impulso,” Stewart diz. “Mas tive quatro ou cinco meses para absorvê-la (através de pesquisas) e encontrei essas coisas que estavam prontamente disponíveis para mim assim que começamos a filmar.”

Antes da estreia, Stewart, de 31 anos, sentou-se com o USA Today para falar sobre Spencer e seu noivado recentemente anunciado com a roteirista Dylan Meyer (Moxie).

Como você sente que pôde se relacionar ou entender Diana?
Eu sempre tento viver no momento, em termos de como interajo com câmeras que não são de filmes. Estou muito disposta a ser pega no ângulo errado porque esse é o único jeito de realmente enxergar alguém. Ao olhar fotos de Diana, sinto muito que ela compartilha desse desejo de ser honesta, mesmo que de um jeito um pouco estranho e desajeitado. Senti um desejo muito similar e feroz de ser direta. Me relaciono com esse desejo de conexão.

O filme retrata como Diana era cercada por paparazzi. Houve um ponto na sua carreira em que você conseguiu se desligar ou ignorar os fotógrafos? Ou isso ainda é muito assustador e invasivo?
É totalmente irritante e desumano, como se estivéssemos vivendo em Homens de Preto e eles são os alienígenas. Mas não levo mais esse sentimento para casa comigo. Costumava ser algo mais emocional, esse tipo de roubo. Também não estou mais em um lugar onde o lado ruim supera o bom. Digo, estamos sentados aqui conversando sobre algo que amo muito.

Mas sair de sua casa e ter pessoas gritando com você, acho que ninguém leva isso em consideração quando olham para as fotos de paparazzi. Se você fosse conversar sobre isso com qualquer ser humano normal, diriam: “Isso não é bom.” No entanto, tenho as mesmas curiosidades mórbidas que não deveriam me preocupar. Somos humanos, então não é como se eu não entendesse. Só é irritante.

Há uma montagem deslumbrante no filme de Diana dançando sozinha em vários cômodos e roupas. Como era sua experiência com a dança antes disso?
Já dancei um pouquinho [Risos]. Mas fazer esse filme me abriu de uma forma linda. Fiquei mais alta na pele dela. Ela tinha uma energia muito carinhosa e espiritual. Desse jeito estranho e assustador, que talvez só exista na minha imaginação, senti o poder dela. Não era sobre força. Seu poder é que ela desarma e me senti desarmada por ela. Me senti bem sendo ela e dançando em sua pele.

Que músicas Pablo tocou quando você filmou essa cena?
Uma variedade. Ele tocava Sinead O’Connor, Miles Davis, Chet Baker. Algumas músicas eram tristes e contemplativas, outras eram apenas músicas pop loucas. Eu vejo o filme e fico chocada porque penso: “Eu estava tão feliz filmando isso! Eu estava pulando ouvindo Talking Heads!” Mas você assiste a cena e é de partir o coração.

Como você se sente com a possibilidade de Harry e William assistirem ao filme um dia?
Olha, eu não sei o quanto eles interagem com as histórias que contam sobre eles e sua família. Nós realmente fizemos esse filme com amor. Muitas pessoas possuem uma opinião sobre o que aconteceu, mas nós não temos. Realmente admiramos essa pessoa e estávamos curiosos para saber o sentimento por dentro. Conhecendo a minha versão da Diana, acho que ela acreditava na arte e nessa multiplicidade. Acho que ela ficaria feliz que ainda estamos falamos sobre ela, mas não podemos saber disso.

Parabéns pelo noivado. Como foi compartilhar a notícia pela primeira vez?
Cheguei em um momento em que gosto de ter os detalhes da minha vida, mas também não ao ponto de não a viver. Então, é legal e divertido falar sobre as coisas que te fazem feliz, mas até um certo ponto. Sempre fui uma pessoa muito reservada, então acho que estão surpresos que anunciei o noivado. Mas estamos muito animadas. Sou muito sortuda e estou muito feliz.

Como foi assistir Spencer com sua noiva pela primeira vez? Você se torna autoconsciente ao se assistir?
Meu trabalho é tão ligado com a minha vida. Qualquer pessoa que diz: “Não leve isso para casa com você, não deixe afetar sua vida.” Minha vida é tão interligada com o que faço como atriz. Também, ela é uma cineasta, é uma linda roteirista, e somos colaboradoras agora. Então, eu apenas disse: “Assista isso!” Digo, acho que já vi três vezes agora. Não sou uma pessoa que não assiste seu próprio trabalho. Literalmente me sentei em um sala com cinco dos meus melhores amigos, meu produtor, Dylan e disse: “Ok, me digam o que acham para que possamos melhorar.”

Crepúsculo teve uma recente ressurreição nas redes sociais, entre millenials nostálgicos e a geração Z descobrindo a saga. Como se sente vendo os filmes serem abraçados dessa nova forma?
É legal, cara. Não acredito que já passamos por uma geração inteira. Os filmes passam na TV e eu assisto porque me sinto olhando para mim mesma no ensino médio. Não tenho idade o bastante para não me sentir envergonhada, mas amo aqueles filmes. Eles afetaram as pessoas de um jeito lindo e estou tão feliz que não está parando.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Conversando com o Insider, Kristen Stewart e o diretor de Spencer, Pablo Larraín, falaram sobre as filmagens do longa e como fizeram para acalmar os nervos, além de comentar sobre o desenvolvimento do relacionamento dos dois no set de filmagem. Leia:

Kristen, sei que você disse no passado que ficava estressada antes de filmar. Chegou a um ponto onde você se questionou se poderia fazer o papel?
Stewart: Não, definitivamente não. Em uma palavra: não.
Larraín: Sério?
Stewart: Estávamos no filme por um ano e meio então foi uma pressão iminente que foi construída constantemente.
Larraín: Foi um processo lento.
Stewart: É, foi uma bola de neve descendo uma colina. Começou como esse pequeno e lindo floco de neve de uma ideia e então começou a rolar colina abaixo e se tornou cada vez mais pesado.

Antes de começar a fazer algo, você não pode imaginar como vai ser. Então é realmente irresponsável dizer para alguém: “Eu sei que posso fazer isso.” Eu não disse isso. Disse: “Eu vou fazer o melhor que posso.”

Eu não ia passar essa oportunidade. Era muito brilhante. Mas é assustador porque antes de ter as palavras e antes de ver o ambiente, você não consegue imaginar, então não consegue controlar.

Kristen, como foi o processo de fazer a voz da Diana nos dias de filmagens? Você fazia fora do set ou entrava e saia dela?
Stewart: Eu não ficava no personagem quando estávamos fora do set. Eu gosto de ficar o mais presente possível porque amo o processo do cinema. Não preciso fazer nenhum truque, não preciso me convencer que sou essa pessoa. Aprendi o sotaque e se tornou muito técnico e físico. Uma vez que percebi que tinha sentimentos de proteção emocionais embutidos em relação a essa pessoa, estava tudo lá. Estávamos prontos para correr.

Pablo, antes de você fazer Spencer, você criou Jackie, que focou em um momento da vida de Jackie Kennedy. O que te atrai em mulheres poderosas da história?
Larraín: Por que não? [Risos.] São pessoas fascinantes, possuem algo muito incomum. Elas nasceram nesse tipo bem particular de famílias que estão relacionadas com o poder e com a mídia de um jeito muito único. Mas, de qualquer forma, ambas são mulheres que conseguiram encontrar suas próprias identidades.

No caso da Diana, ela é alguém que construiu tanta empatia ao redor do mundo e se tornou uma pessoa tão universal. É fascinante. Mas também é fascinante de entender que você nunca vai realmente conseguir conhecê-las de verdade. Então, qualquer tentativa, como a que fazemos, é ficção. Não é um documentário, isso é uma fábula.

Pablo, você arrumou algum jeito de acalmar a Kristen durante as filmagens, já que ela estava nervosa para começar?
Larraín: Honestamente, eu vi uma atriz completamente destemida. E eu tinha um pânico dentro de mim que estava tentando esconder. Então, talvez, ela viu um diretor destemido. E esse é um bom jeito de fazer um filme porque vocês se juntam e encontram uma força um no outro para seguir e alcançar o que desejam.
Stewart: Na verdade, a maior direção que recebi do Pablo nesse filme foi no primeiro ou segundo dia quando ele veio até mim e disse: “Você precisa relaxar fisicamente porque você está com ela. Só precisa confiar nisso.”

Porque acho que naquele primeiro ou segundo dia, eu estava tentando interpretar o filme todo em uma cena que estávamos fazendo porque queria provar para mim mesma. “Posso fazer isso?” E depois disso, encontramos nosso ritmo. Estávamos ambos fazendo a mesma coisa, tentando acalmar os nervos.

Vocês dois estavam fingindo até conseguirem acreditar.
Stewart: Eu trabalhei com diretores que realmente colocam medo em você. Sempre dizem: “Essa é a grande cena. Essa é a cena que você deveria se preocupar” e você sente a falta de controle deles. Pablo se aproxima desse sentimento e eu também, então eu não queria que ele sentisse que eu não estava confiante. Eu estava, mas tinha um medo natural do desconhecido. Era tipo: “Não, estou bem”, mas por dentro eu estava: “Fica calma, fica calma.”
Larraín: Mais da metade, encontramos um ritmo e parei de falar as coisas para Kristen. Fiquei em silêncio e menos preocupado com o que ela estava fazendo.
Stewart: É quando você sabe que está contando uma história que é pura, honesta e que tem vida própria.

Estou ficando sem tempo, mas queria perguntar para você, Kristen. Os paparazzi e a mídia tinham um apetite enorme pela Diana. Tenho certinha que você pode se relacionar com isso. Esse filme mudou a maneira como você vive sua vida?
Stewart: Não. Temos ocupações completamente diferentes e acho que já falei muito sobre isso. Então, considerando que você não tem mais tempo, dá um Google. Acabei. [Risos.]

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou com o The Daily Beast sobre como está lidando com as conversas sobre prêmios por Spencer, as comparações com a Princesa Diana e sobre a falta de filmes LGBTQ no cinema. Confira:

Como você está lidando com tudo isso? Parece o ápice de uma longa jornada profissional para você.
Melhor do que nunca? [Risos] Não estou tentando me superar todas as vezes, mas você quer novidade, quer ver até onde consegue ir e elevar o nível cada vez mais. Tendo dito isso, eu nunca abordo as coisas por dentro dessa maneira. Tive sorte com um ótimo grupo de pessoas e uma curiosidade cumulativa que despertou entre nós. Sempre penso que todo filme que se une e é beatificado nessa energia – é o que defino como um bom filme e acho que isso é muito raro. São como milagres.

Você deve ter sabido que interpretar a Princesa Diana é uma coisa muito carregada e que você teria que conduzir essa turnê de imprensa em que os jornalistas perguntam repetidamente sobre os paralelos entre você e ela. Você acha que poderia ter feito isso uma década atrás? Ou está mais confiante agora na sua habilidade de analisar sua própria fama?
Olha, estou totalmente disposta a falar sobre as comparações, mas não há muitas. É muito óbvio – o maior paralelo entre nossas vidas é o aspecto de estarmos sendo constantemente vigiadas ou a presença de câmeras. Estou me abrindo nesse ambiente que tem muito espaço para mim e eu ganho muito em troca. Acho que há uma transação muito clara acontecendo entre pessoas que tiram fotos de famosos e os próprios famosos. Eu sou uma artista. Posso falar o que eu quiser. Posso fazer escolhas que refletem onde estou em um momento da minha vida. Não significa que vai me definir para sempre. Eu posso crescer. Posso ter um relacionamento contínuo com o público que é completamente eletivo. Ela foi encorajada – e forçada, no final, até que decidiu se afastar – a perpetuar uma mentira. Nunca me pediram para fazer isso. Muitas pessoas falaram para mim: “Eu sei que você não quer comparar…” Eu vou comparar, mas são coisas diferentes.

Certamente há um espectro.
Eu acho que a resposta que todo mundo quer é… É engraçado, porque é fácil atacar alguém que se coloca como vítima, mas eles querem que eu faça isso para poderem me criticar por essa vitimização. E tipo, não, estou bem e ela não estava, as diferenças são muito claras entre nós duas. Acho que é muito fácil querer criticar alguém que estar triste por ser famoso e definitivamente não é o meu caso.

Você já quis cancelar isso?
Gostaria de separar uma noção da outra.

Porque eu gosto de poucas coisas mais do que fumar um baseado, ir para o mercado, andar pela minha vizinhança de pijama, então não consigo imaginar um grupo de pessoas com câmeras me seguindo enquanto faço isso. É o meu momento de relaxar. Então, você já quis tirar um anos longe? Ir embora para a Itália e fazer sapatos como Daniel Day-Lewis?
[Risos] Ainda não. Ainda fumo meu baseado e vou ao mercado. Você só precisa escolher o que realmente importa para você e o quanto você quer ser uma figura exemplar. Eu não quero. Definitivamente não faço filmes para reinar moralmente sobre todos ou para tentar responder as perguntas mais difíceis da vida. É sobre perguntar para eles, mas acho que atores e pessoas no olhar público que estão em uma jornada verdadeira são mais divertidos de assistir e, se você cancelar o barulho, o que importa é que você esteja comprometido com o mundo de um jeito profundo e expansivo, e que esprema essa esponja a todo custo. O fato de que há pessoas ao redor o tempo todo é… uma daquelas coisas impossíveis de reclamar porque você pensa: “Que legal que eles estão aqui.” Você teria que mudar as pessoas. Teria que mudar o que nos interessa e que está na natureza humana adorar um herói, querer acreditar na fantasia, ficar desapontado quando essa fantasia não se realizar, mas aprender com isso. Estamos todos em uma jornada, cara.

É verdade.
É difícil se afastar. Se eu pudesse descobrir qualquer legislação que erradicasse o incômodo dos paparazzi mas mantivesse a liberdade de imprensa do jeito que é… não há outro jeito. Quero que meus filmes sejam um sucesso.

Você pode dizer que não parece ter muito valor de notícia em fotos de paparazzi.
Melhorou. Eu acho que eles conseguem muito dinheiro, mas costumava ser mais.

Acho que as redes sociais diminuíram o poder deles em um nível. As pessoas tratam suas páginas no Instagram como a própria narração de suas vidas no estilo paparazzi, então as pessoas não precisam ler a Us Weekly no banheiro ou qualquer coisa assim para verem fotos glamurosas de famosos bonitos. Os famosos também podem postar suas próprias fotos para compartilhar com os fãs se que quiserem.
Você tem um pouco mais de controle. “Se quiserem” é a frase operativa aqui. E se você não quiser, vão roubar.

Tenho certeza de que vários defensores da família real britânica irão aparecer e dizer que Spencer é muito pesado com eles e que Diana não poderia ter sofrido tanto, mas qualquer pessoa que leu Diana: Her True Story ou viu Diana: In Her Own Words sabe que o que ela passou foi muito pior do que o que foi retratado na mídia.
É engraçado porque eles sabem. É estranho. Acho que a reação mais comum do lado dos monarquistas que ainda acreditam na instituição e reverenciam a família – ou trabalham para eles – é que seria mais fácil criticar nossas iniciativas por “desvalorizar sua beleza” ou “tentar tirar a dignidade dela”. Era tudo o que ela queria. Ela realmente não queria perpetuar esse ideal que era uma farsa. Em algum momento, a vida se tornou tão dolorosa que ela precisou se libertar de forma violenta e começar a falar não somente sobre a rejeição e incapacidade de cumprir o aspecto da carga de trabalho e dever, mas sobre sua saúde mental, seu relacionamento com seu corpo, comida e controle, as poucas saídas que ela tinha para processar essa dor, reconhecê-la e não permitir que se voltasse contra ela. Merda – nos últimos três ou quatro anos de sua vida, ela estava sendo incrivelmente vocal sobre as experiências que estava tendo, então para todos que estão dizendo: “Por que vocês não a deixam com dignidade?” Tudo o que ela queria era um porta-voz e uma oportunidade de se mostrar honestamente, porque nesse momento, ela havia sido oferecida como um presente para a nação e para o mundo, como se ela não fosse proprietária de si mesma. É lindo pensar sobre ela retomando seu poder e se recusando a deixar essa luz se apagar completamente.

Realmente.
Acho que sua pergunta inicialmente era sobre monarquistas leais dizendo: “Por que vocês tomariam tantas liberdades? Para que ir por esse caminho?” Para onde mais iríamos? Eu não sei. Você só quer ver uma foto dela com uma tiara? Já temos isso. Eu sei que isso manteve uma nação – e o imperialismo – por muito tempo, mas agora está desatualizado. O que a forçou a mais empática e talentosa com a conexão humana, foi aquele desejo tão palpável, isso se desenvolveu e realmente chegou ao ápice por culpa deles. Ela estava tão isolada em casa, querendo carinho e honestidade e não estava recebendo. É quase quando você fala sobre um casamento sem amor e eles dizem: “Você me empurrou nos braços de outra pessoa” – que era o mundo inteiro. Você me empurrou nos braços do mundo inteiro porque estava frio demais aqui. E o que acontece é que eles começam a ficar ressentidos com a quantidade de atenção que ela está recebendo e que as pessoas gostam dela, então dizem: “Estamos com inveja.” Bem, é culpa de vocês!

Falei com Armando Iannucci sobre a família real britânica e ele basicamente os chamou de atração turística de parque temático – ou a Disneylândia deles, porque eles não têm uma lá. Achei uma comparação interessante. Digo, eles vendem pratos com os rostos deles e tudo mais.
São príncipes e princesas – literalmente histórias da Disney. Faz total sentido porque nossas histórias mudaram. Não estamos mais fazendo Branca de Neve ou príncipe/princesa por uma razão.

Quando você vende essas histórias para as pessoas, principalmente jovens, você também está favorecendo papéis de gênero “tradicionais”.
A opressão do patriarcado? Com certeza.

Recentemente, houve um milhão de manchetes citando uma frase sua sobre “só ter feito cinco filmes realmente bons.” Mas é louco o quanto essa citação viralizou.
Deus! Queria ter uma resposta resumida e astuta para isso, porque sei o motivo de fixarem em coisas assim.

O que é estranho.
Foi. Mas também é verdade. Isso vem de um ponto de vista de alguém que reverencia tanto os filmes que quando um acerta, ele se revela como o milagre que eu estava falando antes. Eu não estava diminuindo minha carreira falando aquilo. Acho que as pessoas que realmente entenderiam, ou pelo menos entenderiam a minha intenção, seriam os cinéfilos. As pessoas que pensam: “Eu sei o que ela está dizendo. Nem todo filme é uma obra de arte. Na verdade, a razão pela qual é chamado assim é por ser raro.” E é sempre o que almejamos. Acho que eu estava tendo uma conversa maior sobre como nunca vamos parar de tentar, como somos viciados na caça e como tudo é químico e além do nosso controle. Era tudo o que eu estava falando. Mas se tornou: “Quais você acha que são bons? Quais você odeia? Você tem alguma coisa ruim para falar de alguém? Porque amamos um disse-me-disse!” É tudo besteira. Os ingleses têm sua realeza e nós temos as celebridades. É a mesma coisa.

Bom, eu contei sete ou oito.
Obrigada. Eu falei aproximadamente, mas se nós nos sentarmos e procurarmos… Vamos olhar no meu IMDb. [Risos]

Estamos vendo uma representação LGBTQ um pouco melhor nas telas agora, embora às vezes seja apenas um pedacinho – tipo a Marvel colocando um casal gay em uma cena e dizendo: “Olhem o grande trabalho que estamos fazendo, por favor, aplaudam.” E você pensa: “Isso é o mínimo.”
Queremos biscoito! Nos deem biscoito! [Risos]

Li uma citação que você fez alguns anos atrás em que alguém disse para você que você deveria esconder sua vida pessoal se quisesse entrar nesses tipos de filmes – como os da Marvel. Eu sei que você não ligou para isso, mas como foi ouvir na época?
“Você precisa não ter uma vida real para ter uma falsa.” É, foi algo não tão legal. Achei um jeito exemplar de ter uma conversa. Felizmente, isso está tornando mais irrelevante e a perspectiva se abriu imensamente e há mais espaço. Eu estava pensando sobre o conteúdo gay um pouco melhor que temos que consumir nos filmes ultimamente. As partes pequenas ou os exagerados dramas lésbicos de época – que eu já fiz. Mas eu estava no banheiro escovando os dentes hoje de manhã e pensei: “Deveria haver mais! Quantas histórias chatas entre um homem e uma mulher já vimos? Tantas tentativas! E nós deveríamos ter a chance de contar nossas histórias de modo bagunçado.” Estamos um pouco atrasados para a festa.

Você vai fazer isso com a sua estreia como diretora, The Chronology of Water.
Sim. Estamos procurando o elenco agora. É um filme independente e queremos que seja pequeno, estamos no começo do desenvolvimento. Não estamos na pré-produção ainda – adoraria conseguir financiamento no momento – mas minha esperança é que consigamos parceiros até o fim do ano. É a primeira vez que tenho um roteiro, um conceito e uma equipe como um todo e vamos a público em termos de financiamento e tal. Eu adoraria contar para você que vamos filmar em fevereiro, mas acho que vou poder contar em breve.

Parece que há uma conexão pessoal com essa história, já que é em parte sobre uma mulher [Lidia Yuknavitch] navegando por sua bissexualidade.
Ela é abertamente bissexual no filme. Sim, seu relacionamento com orientação e gênero é tão amorfo quanto o meu, para ser honesta. Penso que há tanta auto ilusão, é louco. Obviamente, é mais confortável assistir histórias sobre si mesmo, mas alguns dos meus filmes favoritos do mundo são sobre pessoas que não sou eu – pessoas que possuem uma experiência diferente da minha e se relaciona com a minha, mas de modo diferente, portanto conseguem dar uma perspectiva que permite que você se aproxime da sua experiência por osmose. Ela percorre a escala, no entanto. Em resumo, sua vida é a mais interessante por causa do jeito que ela encontra as palavras. Ela escava sua voz no papel antes de conseguir encontrar fisicamente. Sua biografia me desbloqueou e me deu coragem para achar minha própria vez, colocar no papel, torná-la física e usá-la em voz alta. As coisas que mais amo apresentam você a você mesmo.

Talvez isso seja apenas eu lendo você, mas nos falamos durante os anos e você parece bem mais confiante agora.
Acho que isso acontece com todo mundo.

Apenas… envelhecer?
Sim! Cara, sinceramente, estou com 31 anos agora. Eu tinha 25. Olha como você era aos 25.

É louco o quanto estava sendo colocado em você no começo dos seus vinte anos ou o quanto as pessoas ficavam analisando. Todo mundo está tentando se encontrar aos vinte anos.
Sim, eu teria um relacionamento muito diferente com todas as conversas diferentes que estavam sendo empurradas para o meu colo naquela época. Pensando bem, eu fico: “Oh! Me pergunta isso de novo!”

Acho que você seria tratada de modo muito diferente se acontecesse agora.
Oh, aos trancos e barrancos. Obviamente, não é perfeito, mas está refletido nas histórias que estamos contando, nas perguntas que fazem, no meu sentimento – fisicamente, no meu corpo – em lugares com jornalistas. Mudou completamente. Dez anos atrás, os filmes eram quase exclusivamente com atores brancos, histórias heterossexuais, todas as nossas atrizes estavam morrendo de fome e não sabiam o que dizer em entrevistas. É muito óbvio que todos olhamos por cima do ombro e dizemos: “Podemos parar?” E estamos tentando fazer isso. Digo, ainda há pedaços disso tudo, mas se você olhar para antigamente, a saúde mental não era fácil. Era muito mais assustador e difícil ser um humano que não era um homem branco.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil