Em entrevista para o The Hollywood Reporter, o elenco de Happiest Season comentou sobre a animação do público para o lançamento do trailer do filme e eventualmente sobre a recepção positiva que recebeu em sua estreia. Confira:

Happiest Season é sobre mais do que comemorar o fim de ano! O filme do Hulu da diretora/escritora Clea DuVall é uma comédia romântica natalina de aquecer o coração com uma história de amor LGBTQ+ em foco.

Happiest Season estrela Kristen Stewart (Abby) e Mackenzie Davis (Harper) como um jovem casal que volta para casa para passar o fim de ano com a família de Harper e o caos que se instala quando Abby percebe que Harper ainda não se assumiu para sua família conservadora. O filme também conta com um elenco de estrelas, incluindo Dan Levy, Alison Brie, Victor Garber, Aubrey Plaza, Mary Holland e Mary Steenburgen.

O elenco do filme se abriu com o The Hollywood Reporter sobre a recepção dos fãs com o filme, a importância de abraças histórias de amor LGBTQ+ nas telas e também sobre trabalhar com um grupo de estrelas.

Para a escritora e diretora DuVall, foi emocionante ver o amor jorrando pela comédia romântica.

David Rooney, do The Hollywood Reporter, escreveu em sua crítica do filme: ”O toque leve de Clea DuVall com a comédia e o drama é essencial para o que torna Happiest Season tão cativante. A natureza convencional do filme se torna uma virtude, estabelecendo uma reivindicação queer em uma tradição de Natal americana onde personagens LGBTQ foram há muito tempo rebaixados para segundo plano.”

Dizendo que o filme é seu bebê, DuVall disse, ”Você não sabe se as pessoas vão tomar conta ou machucar, e ver o apoio e amor por ele realmente me deixou emocionada e grata.”

Adicionou Stewart, ”A ideia de que as pessoas estavam animadas apenas para o trailer estrear me deixa muito feliz porque eu estaria fazendo o mesmo; se eu não estivesse nesse filme, definitivamente iria querer estar.”

O elenco também reconheceu a relevância de destacar uma história de amor queer relacionável nas telas.

”Eu definitivamente me relaciono com a experiência de ir para a casa da sua família e se encontrar preso em qualquer idade que você tinha quando saiu de lá pela primeira vez,” disse Davis, ”quer isso envolva não revelar as maneiras que você mudou de formas mais gentis ou em casos mais sérios como é no filme.”

Steenburgen, que interpreta a mãe de Harper no filme, adicionou, ”Acho que apenas fala sobre o que tantas pessoas passam porque muitos se assumem para a família durante o fim de ano porque é quando estão todos juntos e há muitas cenas comoventes sobre esse assunto.”

No que diz respeito a montar um elenco cheio de estrelas, DuVall disse que foi importante encontrar pessoas que não eram apenas atores fenomenais.

”Nós realmente juntamos esse grupo de pessoas que são atores incríveis, mas também seres humanos fenomenais que eu iria querer ficar presa em uma ilha deserta com qualquer um deles.”

De acordo com Stewart, o elenco se deu tão bem que era difícil conseguir fazer as coisas no set. ”Algumas vezes era tipo, ‘calem a boca.’”

Brie, que interpreta Sloane, irmã de Harper, adicionou: ”Alguns projetos terminam e parecem que possuem mágica neles e esse filme definitivamente teve aquele espírito natalino onde todo mundo se amava.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart, Mackenzie Davis, Mary Holland e a diretora Clea DuVall conversaram com o The New York Times via Zoom para falar sobre a comédia romântica natalina, Happiest Season. Confira:

Ninguém imagina que uma comédia romântica natalina pode ser renegada. E ainda assim, Happiest Season, sobre um casal interpretado por Kristen Stewart e Mackenzie Davis, consegue ser convencional de modo profundo e caloroso e ao mesmo tempo surpreendentemente radical apenas por focar em duas mulheres.

”Eu queria que fosse muito, muito relacionável – mas também algo completamente novo,” disse Clea DuVall, a diretora e co-roteirista com Mary Holland, que também estrela como a irmã esquisita.

DuVall, que também é atriz (Veep), disse que seu próprio papel na comédia Nunca Fui Santa nos anos 2000, onde ela interpretou uma adolescente gay enviada para um acampamento de conversão, a ajudou a sair do armário. Ela se assumiu para sua mãe no Natal e modelou a personagem de Stewart, Abby, inspirada em si mesma. A produção inclui outras estrelas LGBTQ, com Dan Levy sendo o melhor amigo de Abby que rouba cenas e uma trilha sonora, cortesia do produtor Justin Tranter, performada por artistas queer.

Eles filmaram no frio de Pittsburgh – DuVall queria a luz do inverno – e terminaram apenas duas semanas antes das suspensões pelo COVID-19. Em uma entrevista por video recentemente, DuVall, Stewart, Davis e Holland – de locais diferentes, com os cães de Stewart ocasionalmente latindo no fundo – falaram sobre sentir saudades umas das outras e de algum modo ainda não se entendendo com o Zoom. (”Ontem eu estava no Modo Galeria, mas estava olhando para meu próprio rosto o tempo todo,” Davis admitiu.)

Happiest Season foi o ultimo grande projeto de todas elas – uma cápsula do tempo e um feriado juntos. ”Filmes natalinos são tão específicos e eles se tornam parte de nossas vidas de um jeito que outros filmas não conseguem,” DuVall. ”Nenhuma de nós fazia ideia o quanto iríamos precisar desse conforto quando o filme estreasse.”

Kristen e Mackenzie, suas personagens possuem um relacionamento tão fofo e uma química verdadeira. Vocês criaram uma história anterior para elas para criar intimidade?
STEWART:
Antes de começarmos a filmar, nós tivemos algumas conversas. Nos conhecemos na faculdade? Você é mais velha?
DAVIS: Nós falamos muito sobre nossos próprios relacionamentos passados, o que gostamos, coisas que eram muito específicas da nossa vida. Para mim, isso é mais relevante do que a lista do ‘Ok, nos conhecemos naquela época, como eram os grupos de amigos quando isso aconteceu?’ Essas coisas são importantes até certo ponto, mas não aparece do mesmo jeito como quando –
STEWART: Quando você encontra o olhar da outra pessoa.
DAVIS: Exatamente.
STEWART: Sempre senti que enquanto estivéssemos seguras, nós poderíamos ser um casal autoconfiante e ambicioso de um jeito que acabe com qualquer tipo de desconforto e homofobia internalizada que é inegavelmente aplicado os casais homossexuais em projetos comerciais. Tipo, nós parecíamos lésbicas? Ou éramos apenas duas mulheres apaixonadas, e então fizemos um filme natalino?

Me contem mais sobre caracterizar personagens queer para as telas vs. o que tem sido historicamente representado.
STEWART:
Eu tenho muita experiência em confundir as pessoas e isso era mal interpretado como se a confusão fosse minha. Tipo, desculpa, você precisa se atualizar. Algumas vezes, eu não usava salto alto quando era mais nova [e isso era muito comentado]. Cada vez ficou mais evidente que aparências realmente importam, minhas escolhas de roupa foram usadas violentamente contra mim.

Sabe, a palavra “lésbica” tem uma conotação negativa para mim que agora tentei tirar porque eu cresci dizendo ’Oh, não sou lésbica’ porque não tinha namorado meninas ainda. Mas, tipo, aquilo era violento. Em retrospecto – só porque eu tenho todos os outros tipos de privilégio – isso não significa que não tenho que reconhecer que aquilo era ruim e parecia físico.

Então foi importante para mim reconhecer isso no filme e ficar tipo, ’Hey, vou te convidar gentilmente a vir até mim, em vez de parecer que estou te alimentando com uma alienação que fui sugada durante toda minha vida.’

DUVALL: Acho que as pessoas não entendem o quanto a homofobia é descontrolada e casual. E que isso realmente tem um impacto duradouro.

Eu gostei de fazer esse filme com a Kristen porque senti que ela podia entender de um jeito que muitas pessoas não podem. Eu tive muita sorte na minha carreira de estar em ‘Nunca Fui Santa’ e interpretar uma personagem que parecia comigo pela primeira vez e vendo isso pela primeira vez [na tela] – foi enorme. Criar a Abby foi realmente querer trazer esse tipo de especificidade de volta para os filmes.

Mary, você e Clea foram colegas de elenco em Veep. Como foram disso para escrever uma comédia romântica natalina juntas?
HOLLAND:
Nossas personagens em ‘Veep’ nunca tiveram cenas juntas, então nós nunca estávamos juntas no set. Mas eu ia para as mesas de leitura do elenco e nós tivemos essa conexão e química de primeira. Ela me contou sobre essa ideia e eu estava 100% a bordo. Clea realmente deu um tiro no escuro comigo. Nós éramos estranhas quando ela me pediu para escrever com ela.

Vocês tinham uma lista de elementos natalinos imperdíveis em filmes, como aquela imagem de uma porta com uma guirlanda gigante de abertura, que parece ser a marca registrada de todos os filmes natalinos?
STEWART: Eu já vi o filme três vezes – [brincando] porque eu sou obcecada comigo mesma. Mas quando a porta abre, parece que o filme engata e começa a andar. E você fica tipo, ’Meu Deus, espera, eu tenho que andar com você? Amei.’
DUVALL: Nós não assistimos nada na hora de escrever – construímos nosso próprio mundo. Mas quando comecei a trabalhar com a nossa designer de produção, Theresa Guleserian, e nosso diretor de fotografia, John Guleserian, foi quando começamos a criar essas imagens icônicas e fazer parecer Natal sem colocar várias luzes e enfeites.

A trilha sonora é totalmente natalina. Mas por que não tem Mariah?
DUVALL: Porque a música de Natal da Mariah é muito cara.

Kristen e Mackenzie, como vocês encontram o equilíbrio em serem engraçadas com o arco emocionante do filme?
DAVIS:
Clea nos dizia isso toda vez – não tentem fazer algo que não é. Não se afastem do grande romance, da comédia e dos grandes momentos emocionantes, porque todas essas coisas juntas são parte desse gênero. Então mesmo que seu instinto como atriz seja deixar um pouco mais leve, tudo isso prospera se você investir o máximo em cada elemento.
STEWART: Ir e voltar da comédia para a emoção ou angústia foi traumático para mim. Eu ficava com raiva da Mackenzie de manhã.

Dan Levy tem uma cena memorável falando sobre o processo de se assumir. Como isso se desenvolveu?
DUVALL:
O discurso dele foi quase uma ideia tardia. Eu estava precisando criar cenas nos testes para saber se os atores podiam fazer drama.

E então quando cheguei nela fiquei tipo, ’Oh, talvez essa seja a parte mais importante do filme.’ E foi algo que não articulei para mim mesma porque quando me assumi, acho que apenas deixei passar. Então quando pensei, isso apareceu – ele entregou de forma tão bonita, eu assistia na tenda e chorava.
STEWART: Sobre o Dan, eu estava tão nervosa. Ele é tão engraçado. Eu não o conhecia antes. Eu pensei, ’Cara, ele vai me achar uma perdedora idiota? Vamos gostar um do outro?’ Porque já tive experiências com comediantes que de primeira você pensa que vai ser muito divertido e então você se sente mais burra perto dessa pessoa. E existe essa coisa única que só pessoas engraçadas possuem.

Dan é tão caloroso e receptivo e uma pessoa realmente observadora e engraçada, sem humilhar ninguém ou ser estranho e negativo. Eu pensei, ’Vai ser muito fácil amar esse cara.’

Esse filme me fez perceber que existe uma certa quantidade de tensão e liberação que pode ser boa, mas você realmente faz o seu melhor trabalho quando é apoiado e se sente visto em vez de lutar para sentir isso – o que eu também amei fazer, mas estou ficando cansada. Eu não tenho energia para isso.

É muito bom assistir um filme em que as piadas são tão familiares para mim e meus amigos, com relacionamentos entre duas garotas. É incrível zoar coisas que machucam porque isso significa que você pode se libertar.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart participou do programa Stir Crazy, do Comedy Central, apresentado pelo Josh Horowitz, que está acostumado a entrevistas a Kristen desde a época de Crepúsculo. Confira o vídeo com legendas abaixo:

Kristen Stewart e Mackenzie Davis conversam com o Cine Premiere sobre a importância de uma comédia romântica como Happiest Season e sua proposta.

Falamos com Kristen Stewart e Mackenzie Davis sobre o protagonismo no filme e a importância de compartilhar sua mensagem sobre aceitação.

Neste últimos dias do ano, as festas começam a inundar nosso espaço. Tiramos a poeira dos nossos filmes de natal favoritos para as maratonas emblemáticas da temporada. Porém, como todo ano, também surgem novos filmes que se irão se tornar tradicionais no futuro: este filme de 2020, Happiest Season, uma comédia romântica de natal que só não busca se converter em clássico desse período, como também pretende difundir uma mensagem importante.

No primeiro longa-metragem da atriz Clea DuVall conhecemos a Abby (Kristen Stewart) e Harper (Mackenzie Davis), um casal estável que passará as festas co a família da Harper pela primeira vez. Abby planejava propor o casamento no natal, mas há um problema: Harper não saiu do armário para seus pais, por isso terá que ocultar sua relação com ela e seus planos.

Em entrevista exclusiva com kristen Stewart e Mackenzie Davis, Kristen expressou sua emoção e gratidão por fazer parte de um projeto que nasceu de um anseio de DuVall de se ver representada em histórias natalinas.

“Me senti muito representada ao longo do filme e creio que Clea escreveu um filme muito pessoal, portanto me senti muito honrada quando ela me pediu para ajudá-la a contar esta história em particular (…) Uma história sobre sair do armário aos 30 anos agora parece inusitado, mas há muitos lugares onde segue sendo assustador fazer isso e este filme me ajudou muito a me lembrar o quão difícil continua sendo este tema para muitos. Me questiono sobre a seriedade desse tema do filme que a Clea quis retratar. Isso me fez imaginar em que lugar no progresso, historicamente, nos encontramos e incluo minha própria experiência.” Kristen Stewart

Para Mackenzie, se apresentar como realmente é para outros membros da família pode chegar a ser um processo problemático, principalmente quando nossa identidade está muito construída desde da infância. Portanto, considera que história como essas, sobre sair do armário, segue sento importantes para contar.

“Creio que Happiest Season conta uma nova versão de uma história queer, diferente das usualmente mostradas no cinema com dramas e tragédias. Nós representamos com comédia e algo mais amigável. E sim, há muitas tragédias, mas não é o objetivo um final que quebre o coração: Nos contamos uma história de triunfo diante da adversidade e de aceitação familiar; há muita beleza nela e acredito ser importante ter essas histórias.” Mackenzie Davis

Por se tratar de uma história nova e não precisamente tradicional, ambas atrizes falaram da importância da mensagem de representação e aceitação em Happiest Season e como isso não o torna tão diferente dos clássicos natalinos que conhecemos.

“É muito difícil voltar para casa depois de ter crescido e mudado um pouco e faze sua família assimilar e se perguntar: ‘espera, quem é esta pessoa que sempre conheci?’ Creio que uma situação como a de Happiest Season pode fazer sentir como se não estivesse em casa, então o fato que este filme tenha a ambição de identidade é notável (..) É a evidência do progresso, de retratar a representação e é parte de um caminho grande que nos encontramos.” Kristen Stewart

“A história é familiar de uma forma importante; a ambição de Clea era fazer uma comédia romântica natalina clássica que pode ser vista a cada ano e se tornando-se uma tradição como Simplesmente Acontece, um clássico e para maratonar. Por isso se parece com muitas outras comédias românticas que te ensinam que o amor te direciona aos teus piores instintos e te faça arriscar. Me encanta que o filme mantem os temas das nossas comédias natlinas favoritas.” Mackenzie Davis

Fonte | Tradução: Clara Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart falou com a Variety sobre seu novo filme, Happiest Season, e como foi colaborar com Clea DuVall, Mackenzie Davis e Dan Levy. Além disso, a atriz também se posicionou sobre o debate atual em que personagens gays só devam ser interpretados por atores gays. Confira:

Eu achei Happiest Season um encanto. Como chegou até você?
Clea me enviou para ver se eu queria ajudá-la a encontrar o resto do elenco, e começar cedo em termos de definir a personagem e fazer algo entre nós duas. Achei uma oferta muito generosa porque quando eu li o roteiro, pareceu completamente pessoal – como uma história que ela estava querendo contar há muito tempo.

Nós tivemos uma reunião no início e eu soube imediatamente que íamos fazer isso juntas, e que seria algo que iria refletir nós duas. Eu sempre a amei – fiquei um pouco chocada que ela é tão boa com comédia, em escrever algo engraçado. Eu a levei a sério demais durante minha vida toda, entende? O roteiro me fez ficar muito curiosa sobre ela.

Vocês criaram a personalidade da Abby juntas?
Abby é completamente a Clea. Obviamente, ela entende essas duas personagens muito bem. Mas a Abby é absolutamente ela, toda sua natureza excêntrica. Toda vez que eu precisava encontrar a Abby novamente e parar de ser eu mesma – o que foi fácil de fazer nesse caso – existe esse pragmatismo e uma seriedade direta na Clea que não é como eu, que eu realmente amei colocar no repertório dessa pessoa. O que quer que um casal queer de mulheres seja para as massas, que não estão necessariamente acostumados com isso vivendo em suas casas no Natal, eu realmente queria que essas pessoas parecessem vividas e completamente realizadas. Mesmo que a história seja sobre alguém se entendendo com sua identidade, eu ainda acho que essas meninas se conhecem implicitamente em um vácuo. E elas não estão confusas – são as outras pessoas que estão com dificuldades de aceitá-las.

Eu queria que essas pessoas estivessem completamente desenvolvidas antes do início porque o filme começa muito rápido. Essa era uma espécie de combinação entre Clea e eu, e nossas experiências envolvendo revelações, estar em relacionamentos e ser idealistas românticas. E também pessoas que são um pouco esquisitas e não muito boas em um cenário familiar novo – destacar o humor nisso.

Basicamente, ela é aquela personagem que faz um resposta muito simples ficar complicada, e eu pude trazer aspectos de mim mesma para ela. Definitivamente tirei muita inspiração da qualidade do seu tom – ela se expressa muito diretamente. Ela é tipo, ”Oi, como vai? Estava pensando em você.” Eu me comunico mais lateralmente.

Eu queria ter orgulho do casal. Queria dizer que gosto dessas pessoas, entende?

Entendo! Você já interpretou alguém desajeitada e encantadora antes? Não consigo pensar em outra personagem.
Não, acho que não. Digo, talvez na vida real – desajeitada, com certeza. Encantadora, estou sempre tentando. Mas não, não em um filme.

Quais conversas você, Clea e Mackenzie Davis tiveram sobre como deveria ser o relacionamento?
A Mackenzie foi uma carta na nossa manga. Realmente não consigo imaginar alguém que eu não estaria no meio do filme tipo, ”Tudo bem, estou indo embora!” Ela tem essa natureza aberta, extremamente gentil, consciente e encantadora. Eu não consigo ficar brava com essa pessoa! Eu realmente gosto dela.

Ela é apresentada no início do filme como alguém que me dá coragem. E então, de repente ela se torna essa pessoa que realmente carece dessa segurança e não está sendo honesta, e isso não reflete nem um pouco sobre quem Abby pensou que ela era no início. É uma revelação muito chocante. Claro, o público deve ficar com medo de que elas não voltem a ficar juntas, mas é uma comédia romântica – elas vão ficar juntas!

Meu problema era, eu nunca queria perder o afeto por ela. Nunca queria que as pessoas ficassem tipo, ”Sinceramente, ela precisa se resolver logo – tipo, foda-se ela!” Eu dizia constantemente para a Clea, ”Você não acha que eu deveria ir lá e falar ‘Hey, amor, você está bem?’” e ela dizia ”Não! Você está com raiva dela!” Nós passamos por isso com muito cuidado e com muita consideração por esse relacionamento ser tão sólido que poderia realmente resistir a algo tão traumático assim. Porque se você resumir a história ao que realmente se trata, é sobre uma mulher crescida, uma mulher de 31 anos de idade, se assumindo para a família. Geracionalmente falando, isso é extraordinário. E é tão comum em termos de o quão acelerado ocorreu esse crescimento – nós não tínhamos um filme assim apenas há alguns anos. E agora, se você fosse contar para alguém 10 anos mais novo do que eu que estamos fazendo um filme sobre uma mulher se assumindo para seus pais quando ela tinha 30 anos, eles ficariam tipo, ”O que? Isso é insano.”

Essas pessoas sempre sentiram que estavam em um relacionamento real e que mereciam ficar juntas – só pareceu mais importante por causa do aspecto queer disso.

Você e Dan Levy juntos – ouro puro. Como vocês estabeleceram essa dinâmica?
Créditos à Clea por ver o potencial dessa dinâmica e para a energia do Dan por ser algo tão fácil de ser enaltecido. Tenho tendência em falar devagar e emocionalmente. Não sei se é porque estou nervosa – ou sei lá o que – mas algumas vezes eu vou atrapalhar um pouco as coisas. Em uma comédia, isso não é bom. E eu não conseguia fazer isso com ele! Eu sentia que queria continuar.

O momento em que ele me olha e descreve sua história com a revelação e me encoraja a ver como pode ser difícil de uma perspectiva diferente – parece histórico. Eu fico tipo, estamos em um filme, mas também foda-se o filme! Estamos em 2020 e assisti-lo dizer aquilo naquela cena parece tão diferente e legal. Sinto muita sorte de ter estado com ele. Naquele momento, é como uma rara oportunidade de sentir como se tivéssemos levantado uma bandeira ali.

Totalmente. É um filme tão inteligente porque é tão convencional, em termos de ser uma comédia romântica e uma comédia natalina. Mas só o fato de ser um filme natalino lésbico, se torna político e importante. Existia esse sentimento enquanto vocês estavam filmando?
Absolutamente. Eu realmente admiro a Clea por não ser desafiadora e por não ser reativa ao mundo e fazer algo acolhedor. Fiquei muito feliz por ser convidada para algo que estava, por falta de um termo melhor, escondendo os vegetais. Porque acho que não estamos escondendo nada, está bem claro o que estamos dizendo.

Ao mesmo tempo, é apresentado de uma forma muito diferente de algo que parece com medo ou raiva. Parece avançado e aberto. Digo, não precisa ser uma coisa elaborada para ser politizado!

Parece muito verdadeiro e muito atual. Eu amo um pouco de desafio e raiva, e uma exposição crua e apaixonada. Mas nesse caso, o fato de que você pegou o telefone e disse que foi “encantador”, fico muito feliz de ouvir isso. Porque esse era o objetivo.

Muitas pessoas sentem que é importante atores gays interpretarem personagens gays, após muitos anos em que não era o caso. Qual sua posição sobre isso?
Penso nisso o tempo todo. Por ser alguém que teve tanto acesso ao trabalho, eu vivi em uma abundância criativa. Sabe, uma jovem menina branca que era hétero e só foi ser gay mais tarde e é, tipo, magra – entende o que estou dizendo? Eu reconheço que comecei a trabalhar.

Eu nunca iria querer contar uma história que deveria ser contada por alguém que passou por aquela experiência. Dito isso, é uma conversa escorregadia porque isso significa que eu nunca poderia interpretar outro personagem hétero se vou exigir que todos cumpram essa regra à risca. Acho que é uma área cinzenta. Há jeitos para homens contarem histórias de mulheres ou jeitos de mulheres contarem histórias de homens. Mas precisamos realmente nos importar. Você tem que saber onde é permitido. Digo, se você está contando uma história sobre uma comunidade e eles não estão de bem com isso, então vai embora. Mas se eles estão de bem e você está se tornando um aliado e parte disso, se existe algo que te levou até isso em primeiro lugar e que o torna dotado unicamente de uma perspectiva que vale a pena, então não há nada de errado em aprender sobre o outro. E portanto, ajudar outros a contar histórias. Então, eu não tenho uma resposta certeira para isso.

Vou te dizer, Mackenzie não é alguém que se identifica como lésbica. Ela era a única pessoa na minha mente que poderia ter interpretado esse papel comigo. Algumas vezes, falando do ponto de vista artístico, você é atraído por um certo grupo de pessoas. Eu poderia defender isso, mas tenho certeza que alguém com alguma perspectiva diferente poderia me fazer me sentir mal – e então me fazer voltar atrás em tudo o que eu disse. Eu reconheço o mundo em que vivemos. E eu absolutamente não iria querer pegar a oportunidade de outra pessoa – me sentiria péssima com isso.

Então, minha resposta é: pense no que você está fazendo! E não seja um babaca.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Durante a divulgação de Happiest Season, Kristen Stewart conversou com um grupo de jornalistas internacionais sobre o filme e aproveitou para responder algumas perguntas sobre seu próximo projeto, Spencer, onde interpretará a princesa Diana. Separamos algumas citações abaixo, já que a entrevista conta com frases que já foram publicadas anteriormente aqui no site, confira:

“Eu cresci em uma época em que ninguém sonharia em fazer esse filme comercialmente, seria algo bem alternativo e menor para as pessoas em minoria.”

“Eu sei a diferença entre o mundo em que vivemos agora e o de anos atrás. Eu diria que as pessoas mais jovens do que eu, me inspiram mais do que a minha geração.”

“A maioria das comédias românticas são sobre uma menina e um cara e a agitação que acontece entre essa dinâmica. E essa dinâmica é engraçada e o motivo pelo qual cresci amando comédias românticas. Mas eu queria ver o que acontece entre duas meninas em um relacionamento tentando funcionar no mundo em que vivemos. Happiest Season é o primeiro e é uma oportunidade legal de quebrar esse gelo.”

“Primeiramente, preciso dizer que estou obcecada com The Crown. Eu vou dormir ouvindo as entrevistas da Diana para ter a voz dela na minha cabeça. Eu quero conhecê-la e senti-la o máximo que puder.”

“Eu lembro de quando Diana morreu, eu era muito, muito nova. Foi a primeira vez que vi aquele tipo de luto. Não cresci tendo uma conexão enorme com a Diana pessoalmente, não é algo que esteve na frente da minha mente.”

“Não cresci na Inglaterra, sou obviamente de Los Angeles, então há um certo distanciamento. Mas para mim, ela parece alguém que mesmo em sua maior vulnerabilidade tinha uma empatia e por isso tinha uma conexão com seus fãs, porque ela era tão isolada e solitária em sua vida.”

“Agora estou sempre me perguntando, ‘O que a Diana acharia?’ e no dia da eleição, eu pensei, ‘Diana estaria gritando de felicidade’.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

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