Kristen Stewart participou da mesa redonda anual do The Hollywood Reporter com atrizes de filmes de drama. Ela esteve ao lado de nomes cotados para a temporada de premiações como Jessica Chastain, Tessa Thompson, Emilia Jones, Kirsten Dunst e Jennifer Hudson. Assista ao vídeo e leia a transcrição abaixo:

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“Bem-vinda à indústria!” brincaram Jessica Chastain e Kristen Stewart com a colega mais nova, Emilia Jones, enquanto os seis talentos da mesa redonda de atrizes do The Hollywood Reporter lamentavam sobre trabalhos ignorados que foram feitos com amor (“Alguém vai assistir isso?”), o grau em que o medo direciona suas decisões (Jennifer Hudson e Kirsten Dunst dizem que não direcionam, Tessa Thompson e Stewart dizem que não mais) e como navegaram com o COVID-19 para entregar algumas das performances mais aclamadas do ano. Reunidas na sede do THR no final de outubro estavam: Chastain, estrela e produtora de Os Olhos de Tammy Fayer, de Michael Showalter; Dunst, que interpreta uma mãe casada novamente na década de 1920 atormentada por seu cunhado em Ataque dos Cães, de Jane Campion; Hudson, que canaliza Aretha Franklin em Respect, de Liesl Tommy; Jones, que interpreta a filha ouvinte de pais surtos em CODA, de Sian Heder; Stewart, que habita a princesa Diana em Spencer, de Pablo Larraín; e Thompson, que interpreta uma dona de casa em Harlem na década de 1920 se reconectando com uma antiga amiga que se passa como branca em Identidade, de Rebecca Hall. Na reunião, as velhas amigas Stewart e Dunst se abraçam enquanto toda expressam alegria por estarem se comunicando pessoalmente. Como Dunst coloca, após quase dois anos vivendo e trabalhando em uma pandemia, é época de apreciar coisas mais importantes que filmes. “Como você define sucesso? Seus avós estão vivos”, ela diz com uma risada seca. “É uma época estranha.”

Estamos nos reunindo em um momento em que cada uma de vocês está recebendo aclamação geral por seus trabalhos, um momento que deve parecer como o auge profissional. Enquanto isso, muitos assistindo essa conversa sonham com algo assim, mas parece muito distante. Para cada uma, qual foi o momento em que isso parecia muito distante? E já consideraram não continuar nesse caminho?
JESSICA CHASTAIN:
Não, porque eu cresci muito pobre. Acho que é ótimo porque nunca tive pais que diziam: “Você precisa ser médica!” Sempre foi: “O que você quiser fazer, vá em frente.” Quando eu estava no ensino médio, sonhava em estar no Oregon Shakespeare Festival e trabalhar na companhia de repertório, então isso é mais do que sonhei! Enquanto pudesse pagar meu aluguel e me alimentar, estava feliz. Nunca realmente tive um momento em que pensei: “Vou desistir de tudo.”
JENNIFER HUDSON: Ainda sinto que tenho momentos assim, mas não permito que isso seja o que me motiva. Faço tudo porque sou apaixonada e espero que seja recebido bem. Para mim, o presente é poder fazer o que amamos.
KRISTEN STEWART: Se eu não tivesse chegado nesse lindo e luxuoso lugar de escolha, teria encontrado meu caminho pela produção. Eu quero fazer filmes. Cresci em uma família centrada em filmes e ainda estou faminta por isso. Houve um momento em que falei para minha mãe que ela não precisava mais me levar para os testes porque nada ia acontecer. Mas logo depois consegui meu primeiro trabalho, aos 9 anos, então fiquei por aqui.
TESSA THOMPSON: Eu cresci em Los Angeles, meu pai é músico, e morávamos em um estúdio em Yucca e Ivar, então a Calçada da Fama era meu quintal. Eu estava tão perto da indústria de um jeito, mas ao mesmo tempo tão longe. Nunca entendi como as pessoas acabavam fazendo filmes. Não fazia sentido para mim. A única coisa que fazia sentido era ir para Nova York ou fazer teatro. O que você pensa quando é jovem é como sair de onde você está, mesmo que o lugar seja adorável. Mas eu voltei, e amo tanto contar histórias, então mesmo nos dias em que penso: “Vou empacotar minhas coisas e ir embora”, ainda quero estar envolvida com histórias de algum jeito.
KIRSTEN DUNST: Eu tive muitos momentos assim. Mas enquanto crescia, aprendi a fazer o que faço de modo diferente e tornar isso mais emocionante para mim, em vez de apenas dar para outras pessoas.
EMILIA JONES: Atuo desde muito jovem. Não foi até conseguir meu primeiro papel em Brimstone, um filme que fiz aos 13 anos, que eu percebi: “Ok, eu quero fazer isso pelo resto da minha vida.” Há momento em que você é muito jovem para interpretar alguns papéis, mas está muito velha para interpretar crianças, então eu fiquei sem trabalhar por um tempo. Mas aprendi muito com autogravações, então nunca chegou a um ponto onde pensei: “Oh, isso não é para mim”, mesmo quando não estava trabalhando.

Vamos falar sobre os papéis que todas estão interpretando. Jennifer, Aretha Franklin tem sido uma presença na sua vida desde o começo, certo? Parece que as estrelas se alinharam para que você a interpretasse.
HUDSON: Pareço descobrir tudo através da música primeiro e Aretha era uma dessas pessoas para mim. Eu cresci cantando no coral da igreja e ela era a pessoa ideal. A música do meu teste no American Idol era “Share Your Love With Me” da Sra. Aretha – essa foi minha introdução ao mundo. Louco, não é? Tudo prepara você para o que está por vir. Dois anos depois, consegui Dreamgirls. Eu ganhei o Oscar. Logo depois disso, tivemos nosso primeiro encontro para interpretá-la. Sua fé em mim me deu a coragem para passar por isso.

Falando sobre a confiança de outra pessoa em você para fazer algo que talvez você precise ser convencida a fazer, Kristen, você comentou sobre Pablo Larraín ter entrado em contato e dito: “Vejo você como a princesa Diana”, e como isso não era tão óbvio para você.
STEWART: Sim. Digo, sua confiança foi contagiante e reconfortante, mas assim que eu desliguei o telefone e fiquei sentada cinco minutos sozinha no meu quarto, pensei: “Não sei…” Eu não havia lido o roteiro ainda. Ele estava falando sobre ser um sonho febril meio poético que se passa em três dias. Eu abordei como: “Quem sou eu para recusar isso? Você é atriz. Você quer fazer coisas boas, quer se desafiar. O que está fazendo se recusar?”

Spencer foca em Diana saindo de seus vinte anos e vivendo aos olhos do público, em um microscópio, e sendo atormentada por isso. Você passou seus vinte anos em um microscópio. Você sentiu que podia se conectar com ela de alguma forma através disso?
STEWART:
Parece o paralelo mais claro – havia muitas câmeras em nossas vidas – mas a razão era muito diferente. Não estou correndo de nada, estou indo em direção a tudo. Essa pessoa nem era permitida ser quem ela era. Eu sei o que é pensar – algumas vezes incorretamente – que todos estão olhando para você quando você entra em um local. Sei o que é pensar: “Vou ao banheiro agora, será que alguém vai me seguir?” Mas são somente coisas pequenas estranhas que posso me relacionar.

Kirsten, você ouviu de Jane Campion muito antes de Ataque dos Cães.
DUNST: Sim. Ela escreveu para mim no começo dos meus 20 anos sobre trabalharmos juntas. Eu guardei a carta porque é a Jane Campion – eu pensei: “Oh, meu Deus.” Aquele projeto nunca aconteceu, obviamente. Mas seus filmes e suas heroínas me inspiraram em minha própria carreira. Quando Ataque dos Cães aconteceu, eu li o roteiro, mas, se ela te liga, você diz sim.

Tessa, o material fonte de Identidade é o romance de 1929 de Nella Larsen com o mesmo nome. Você já era familiar com o livro antes de receber o roteiro?
THOMPSON: Vergonhosamente, não. É pequeno, apenas 93 páginas, e tanta coisa acontece no livro, mas eu não conhecia – muitas pessoas não conhecem porque ela era um pouco desconhecida e subestimada em sua época. Ela escreveu outro livro chamado Quicksand, que também é excelente. Mas recebi uma ligação dizendo: “Você deveria ler o livro e então o roteiro.” Eu abri o livro e li de uma vez só. Quando fechei, lembro de ficar com ele na mão por um tempo. Eu não conseguia me mexer, ele ficou me assombrando. Então abri o laptop e li o que Rebecca Hall escreveu, e era uma adaptação tão linda e dedicada dessa coisa que parece não adaptável. Eu não sabia como você poderia comunicar aquilo na tela, mas Rebecca conseguiu.

Parte do que atraiu Rebecca para o projeto foi que ela descobriu que talvez tinha um parente que “passava”, correto?
THOMPSON: Ela olhava para a mãe e pensava: “Tem um pouco disso, naquilo” e sua mãe insinuava que seu avô era isso ou aquilo. Treze anos atrás, alguém deu um livro para ela e disse: “Você devia ler isso.” Foi a primeira vez que ela teve esse contexto para o que era “passar”. Ela não tinha essa linguagem no que seu avô poderia ter feito, mas ele passou esse legado para a mãe dela e então para Rebecca. Ela começou a adaptar o livro, sem pensar necessariamente que faria o filme, mas ela precisava exorcizar todos esses sentimentos e ideias em torno de sua própria identidade.

Emilia, você conseguiu CODA antes de começar a série da Netflix, Locke & Key. Você imediatamente percebeu que era algo especial?
JONES: No minuto que li o roteiro, pensei: “Quem conseguir esse papel é uma atriz de sorte” porque não é todos os dias que você consegue aprender tantas habilidades. Eu estava em um Q&A ontem e disse: “Eu pude aprender três habilidades” e alguém veio até mim depois e disse: “Não foram três, foram cinco” e eu pensei: “De onde você está tirando cinco?” Língua de sinais – sempre quis aprender, mas nunca tive a oportunidade. Canto – nunca tive nenhuma aula de canto antes…
THOMPSON: Nunca? Você canta tão bem!
JONES: Minha nossa, obrigada! Eu estava com tanto medo, mas filmamos de modo cronológico, musicalmente, enquanto minha voz crescia e a voz da Ruby crescia, também. Pesca, o sotaque de Gloucester e a interpretação – você precisa aprender as falas de todo mundo em língua de sinais e falada porque, ao contrário, você não sabe quando entrar. Então, coletivamente, foi a coisa mais difícil que já fiz, mas também a mais gratificante.
DUNST: Wow. (Balança a cabeça em descrença.) Que bom para você!

Jessica, seu interesse em interpretar Tammy Faye veio de um documentário, certo?
CHASTAIN: Sim. Eu estava em uma turnê de imprensa por A Hora Mais Escura, com jet-lag em algum lugar, e assisti ao documentário Os Olhos de Tammy Faye (2000). Eu me senti muito culpada porque a minha memória de Tammy Faye era que ela era vulgar, uma criminosa, uma pessoa ruim, tudo isso. Mas quando assisti ao documentário, pensei: “Por que passamos tanto tempo falando sobre a quantidade de rímel que ela usava em vez do que ela fazia?” Em 1985, uma época em que a administração Regan não estava mencionando a epidemia de AIDS, ela levou Steve Pieters, um ministro gay assumido com AIDS, ao seu programa e olhou para a câmera e lembrou os cristãos o que significava ser cristão – que você ama apesar de tudo, esse era o jeito de Jesus. Ela ficou contra Jerry Falwell e todos os caras da comunidade televangelista. Foi um ato de amor radical. E eu senti que precisava fazer o certo. Também, A Hora Mais Escura era sobre uma mulher que queria vingança, Tammy é o oposto. Ela era uma mulher que acreditava no amor incondicional e no perdão, e eu acho que precisava desse remédio na época.

Muitas de vocês estão interpretando pessoas reais, algumas que faleceram nos últimos anos ou décadas. Como vocês calcularam como abordar seus sobreviventes? Jessica, Tammy Faye não está mais conosco. Seu marido, Jim, está, mas sei onde…
CHASTAIN: Ele está vendendo curas para o COVID.

Minha nossa.
CHASTAIN: Eu falei com os filhos dela, que são incríveis e continuam seu legado. A filha dela canta a música da mãe nos nossos créditos. O filho abriu sua própria igreja, Revolution Church, e realiza casamentos gays – ele é incrível. Mas foi uma decisão difícil porque você precisa ganhar a confiança deles. Essas são crianças que ficaram traumatizadas com a mídia. Mas uma vez que entenderam minha intenção, foi o paraíso para mim. Eles me disseram qual perfume ela usava de tal ano a tal ano. Eu perguntei qual era a cor favorita dela para a filha e ela respondeu: “Rosa e leopardo.” (Risos.) Então foi assustador entrar em contato com eles, mas fico feliz que entrei.

Kristen, Diana faleceu há 24 anos, mas muitas pessoas que a conheciam ainda estão por aqui.
STEWART: Mas é um mundo muito isolado. Pessoas que queriam falar sobre aquela época ou dar a opinião de um modo significativo escreveram memórias que estão disponíveis. Absorvemos tudo que podíamos. Assistimos todos os documentários e lemos todas as biografias – sabe, as memórias do oficial de segurança pessoal e as da empregada. Havia tantas coisas contraditórias que você podia acumular e juntar. Mas o roteiro é um poema tonal em vez de algo educacional, então não podíamos fazer nada errado.

Kirsten, seu parceiro verdadeiro, Jesse Plemons, interpreta seu marido em Ataque dos Cães e Benedict Cumberbatch interpreta seu irmão tóxico, que tormenta sua personagem. Como você interagiu com eles no set?
DUNST: Em uma cena, eu e Jesse demos os braços e Jane disse: “Isso é familiar demais” e eu respondi: “Oh, você está certa.” É divertido ser tão séria com alguém que você teve um filho – não é o que você faz por instinto – mas sim, não era próprio para os anos 20. Benedict e eu decidimos não falar um com o outro no set. E houve momentos em que eu não falava durante o dia. Quando você não fala o dia inteiro e então diz algo pela primeira vez para alguém, te dá um nó na garganta e um sentimento de insegurança esmagador. Trouxe de volta sentimentos antigos sobre ser jovem e analisar demais as coisas. Foi um lugar muito doloroso e triste de viver. Quando você supera essas coisas como pessoa e tem que voltar e viver novamente… não foi divertido.
STEWART: É estranho te ver dessa forma.
DUNST: Sim, porque você me conhece. Sou um ser humano confiante e trabalhei muito para gostar do que faço por mim mesma. Interpretar alguém que se sente tão horrível e está saindo de controle é realmente difícil.

Houve algum mecanismo de defesa que você encontrou para fazer isso?
DUNST: Bem, graças a Deus eu tinha o Jesse no set, para ser honesta. Pensei sobre isso. Pelo menos havia um alívio. Almoçávamos juntos no trailer, íamos juntos para casa e eu podia falar qualquer coisa.

Tessa, você também falou sobre o desafio de interpretar uma personagem que tem muitos sentimentos reprimidos e não consegue ter uma libertação.
THOMPSON: Foi muito desconfortável. Ouvindo você falar, Kirsten, posso me relacionar e, na verdade, quando assisti ao seu filme, pensei sobre os fios entre nossas personagens. Irene [personagem de Thompson em Identidade] é alguém que vive dentro de sua própria cabeça e é um lugar bastante traidor, então há um desconforto. Como atriz, algumas vezes é desconfortável interpretar isso. Alguém enxerga? Alguém entende? Você tem o desafio de não mostrar, porque o personagem não mostra, mas de mostrar ao mesmo tempo, porque você precisa deixar o público entrar. Isso pareceu complicado. Lembro de um dia depois de terminar uma cena – tenho certeza de que algumas de vocês já sentiram isso – me senti horrorizadas que alguém fosse enxergar. Não porque estava preocupada que seria ruim – talvez fosse, não sei – mas tinha mais a ver com o nível de privacidade e intimidade. (Chastain concorda).

É interessante notar que ambas essas personagens, da Kirsten e da Tessa, existem nos anos 20, ainda que em lugares muito diferentes, uma no Oeste e outra em Harlem, mas estão lidando com coisas similares.
DUNST: Elas seriam amigas. Uma ajudaria a outra.
THOMPSON: Oh, sim. Elas iriam para a terapia juntas. (Risos.)

Dados os tempos estranhos em que estamos vivendo, preciso perguntar como, se é que, o COVID-19 impactou as filmagens de vocês.
CHASTAIN: Terminamos antes do COVID. Nossa pós-produção foi durante a quarentena e a primeira vez que vimos o filme com um público foi em Toronto. É uma coisa interessante, reuniões com editores e pessoas da pós-produção no Zoom… É complicado.
STEWART: É tão frustrante, minha nossa! Você só quer chegar perto da pessoa e falar com ela. Já é um processo tão exigente.
CHASTAIN: É tipo (descrevendo como é ser uma produtora tentando direcionar um editor via Zoom): “Você pode ir para esse take? Não! Não!”
STEWART: “Corta três quadros – não, volta!” É horrível.
JONES: Nós terminamos de filmar um pouco antes da pandemia. Mas houve um momento em que não tínhamos a Apple ainda [como distribuidores] e pensei: “Deus, será que alguém vai ver esse filme?” Eu treinei por tanto tempo e trabalhei tanto, coloquei meu corpo e alma nisso e pensava: “Alguém vai assistir?”
STEWART: Bem-vinda! (Risos.)
CHASTAIN: Bem-vinda à nossa indústria! (Risos.)
DUNST: Nós terminamos nossas externas e então fomos para Auckland, na Nova Zelândia, e o mundo inteiro parou. Nós ficamos de quarentena por volta de um mês na Nova Zelândia porque não sabíamos se queríamos viajar de avião com uma criança. Eventualmente, voltamos para casa em Los Angeles. Mas rapidamente a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, controlou o país inteiro.
THOMPSON: Ela é tão legal.
CHASTAIN: É, ela é meio durona.
STEWART: Eu ia dizer, se você vai estar em qualquer lugar…
DUNST: Sim, esse era o melhor. Mas ainda estávamos limpando nossas compras e tomando banho logo depois. Nós ficamos de quarentena em um quarto de hotel com uma criança de 2 anos por duas semanas, o que foi muito divertido. (Risos.) Mas conseguir terminar o filme foi… Pensei que nunca voltaríamos e terminaríamos, então isso nos fortaleceu criativamente e nos sentimos com muita sorte de estar trabalhando e que pudemos viver nossa vida um pouco antes de voltarmos para casa.
HUDSON: Bem, fomos abençoados porque literalmente terminamos um dia antes de fecharem tudo. Nós ouvíamos sobre isso no set, mas quem diria o que estava por vir?
THOMPSON: Nós terminamos bem antes da pandemia e então editamos, o que foi remoto, mas era principalmente somente Rebecca e o editor em uma sala em Nova York. Então, como o filme da Emilia, fomos para o Sundance “virtualmente” – falando nisso, eu vi seu filme lá, Emilia, e foi muito adorável no meu pequeno computador. Estávamos todos querendo um abraço e o seu filme parecia um, então obrigada.
JONES: Oh, que bom, fico feliz! É, foi estranho. Estávamos vivendo nossa vida normalmente e de repente houve uma batida na porta e um prêmio do Sundance na soleira, você pensa: “Espera, o que?”
STEWART: Nós filmamos no auge do lockdown. Foi bom. Eu estava esperando a filmagem ter esse sentimento de grande escala, esperava ser um pouco mais teatral, só porque o espaço era enorme e imaginava que teríamos uma equipe maior, mas foi muito pequeno. Não nos sentimos isolados, ou pelo menos eu não notei – eu estava em outro lugar, de qualquer forma. Eu não tive que usar máscara porque estava na câmera. (Risos.) Mas vi nossa diretora de fotografia na estreia em Londres e disse: “Minha nossa! Só conheço você daqui [do nariz] para cima.”

Outra pergunta relacionada com o COVID: De alguma forma, parece que o mundo está se abrindo. Mas ao mesmo tempo, há lugares em que as coisas estão progredindo lentamente. Os cinemas ainda estão com dificuldades e mesmo um filme do James Bond está tendo um baixo desempenho na bilheteria comparado com a época pré-pandemia. Nesse clima, qual métrica vocês usam para avaliar o sucesso? É o dinheiro da bilheteria? A pontuação no Rotten Tomatoes? Outra coisa?
CHASTAIN: Eu amo voltar para o cinema, me sinto segura, mas muitas pessoas estão nervosas. Então eu não diria que um filme do James Bond está tendo um baixo desempenho, diria: “Que bom que há um produto para os proprietários exibirem e então todos podem escolher se sentem seguros ou não.” Eu não acho que entendemos o quão traumático esses últimos dois anos foram.
DUNST: Como você define sucesso? Seus avós estão vivos. (Risos.) É uma época estranha.
CHASTAIN: Eu não acho que podemos realmente olhar para cada produto e dizer: “Ok, adicione todos esses fatores e é igual a sucesso.” E eu gostaria de dizer que, nessa indústria, se isso é no que você está focado, você vai ter muita dificuldade. Você vai precisar viver e trabalhar pela experiência de trabalho. Vai ser algo que te preenche, oferece algo a você e te ajuda a crescer como humano. Se você pensar: “Preciso marcar esse ponto e esse e esse”, tudo o que você vai conseguir ser é infeliz.
STEWART: Sim. Digo, quando sua experiência e como as pessoas a consomem é completamente congruente? É muito raro. É emocionante quando acontece. É realmente legal quando você faz um filme e pensa: “Acho que esse é um bom filme, me diverti fazendo e as pessoas parecem gostar.” Mas, tipo, é um milagre. (Risos.)
CHASTAIN: E alguns filmes são feitos à frente de seu tempo, como 2001: Uma Odisseia no Espaço. Quando estreou, alguém no The New York Times disse que era imensamente entediante. É um clássico!
STEWART: Olhe as porcentagens do Rotten Tomatoes dos seus filmes favoritos. Alguns são 10% e você pensa: “Mas é uma obra de arte!”
DUNST: Definitivamente não julgo filmes pelo Rotten Tomatoes.
THOMPSON: É uma medida de sucesso para mim, o que provavelmente não é uma boa coisa. Mas amo a ideia de ser subestimada em sua própria época.
HUDSON: Para mim, sucesso é sobre criar seu próprio valor e seu próprio objetivo. Bilheteria? Não ligo. Fiz o meu trabalho, consegui fazer o que eu queria, consegui fazer o que eu amo. Isso é vencer.

Ok, vamos fazer algumas perguntas e respostas rápidas. Qual é o melhor filme de 2021 não representado nesse painel?
CHASTAIN: Meu favorito, e assisti duas vezes, é A Mão de Deus, de [Paolo] Sorrentino. É incrível, muito especial. Ele mostrou para mim e então assisti em Veneza, chorei como um bebê. Foi mais emocionante da segunda vez. Oh, e A Filha Perdida, também!
THOMPSON: Eu amei um filme chamado El Planeta que estreou virtualmente no Sundance. É feito por uma jovem cineasta, Amalia Ulman, e ela estrela ao lado de sua mãe. Também é em preto e branco, como nosso filme. Também amei alguns documentários, que sempre são meus favoritos, especialmente um chamado Flee, que é incrível.

Qual ator vivo com quem você não trabalhou que gostaria de trabalhar?
DUNST: Eu tenho uma quedinha por Penélope Cruz.
HUDSON: Denzel Washington.
JONES: Viola Davis.
THOMPSON: Tilda Swinton.
STEWART: Eu sempre quis trabalhar com a Kirsten. Estivemos em um filme juntas [Na Estrada, de 2012], mas não tivemos nenhuma cena juntas.
DUNST: Oh, você vai me fazer chorar.
STEWART: Somos amigas e eu amo a Kirsten. Ela é incrível pra caralho.
CHASTAIN: Para mim, era Liv Ullmann e Isabelle Huppert, mas trabalhei com elas, então vou dizer Cate Blanchett.

Quais papéis interpretados por essas outras mulheres aqui vocês estariam mais interessadas em interpretar?
STEWART: Acho que eu provavelmente poderia fazer a Aretha! (Risos.) Teria arrasado.
THOMPSON: Diana, com aquela sequência de dança, a corrida e a liberdade física que Kristen interpreta de forma tão linda – é como poesia. E Tammy Faye – nunca fiz algo com protéticos assim e aquele nível de carisma é insano.
CHASTAIN: Você seria uma Tammy Faye tão boa!
HUDSON: Qualquer hora que assisto algo, sempre imagino: “Se eu fosse fazer, como abordaria?”
CHASTAIN: A realidade é, não me imagino interpretando nenhuma dessas outras personagens. Quando assisto algo, talvez não tenha confiança de me imaginar os interpretando.

Para qualquer pessoa que sonha em estar onde vocês estão hoje, qual foi o conselho mais útil que você recebeu na jornada para esse momento?
JONES: Acho que nunca desistir. Você escuta “não” mais do que “sim” – digo, talvez seja comigo, mas eu escuto muito “não”. Também, se desafie. Se você ler um roteiro que te dá medo, faça. É a coisa mais gratificante quando você conquista.
DUNST: Seja verdadeiro com você mesmo criativamente. Você é sua própria carreira. Tipo, depende de você. As suas escolham te levam para outras. Também, dizer “não” é mais poderoso do que “sim” muitas das vezes. Também, estude atuação de todos os ângulos e descubra o que funciona para você, o que te faz se sentir mais livre e confiante.
HUDSON: Nada é “justo”. Também, se você mantiver isso, não há nenhuma escolha a não ser ceder. Faça porque você ama e então isso se abrirá para você. Não se preocupe com o sucesso, as conquistas, a atenção. Estamos todas aqui porque simplesmente amamos o que fazemos. Não há nenhuma fórmula para o sucesso – é sua própria ideia.
CHASTAIN: O meu seria não ficar confortável com seu trabalho. É uma indústria que cria muitas dificuldades e muitas rejeições, então procuramos conforto, procuramos nos sentir: “Ok, me sinto segura nesse papel.” E isso não é uma boa coisa para a curiosidade e criatividade. Eu sei comigo mesma, o mais desconfortável que já estive me fez crescer mais como pessoa e como atriz.
THOMPSON: Especificamente falando para pessoas que, assim como eu, possuem dificuldades com ataques de medo de palco e apenas medo de estar nesses espaços [a mesa redonda], algo que realmente mudou minha percepção foi entender que qualquer nervoso que eu estava sentindo estava relacionado ao quanto me importava com aquela coisa. Quando pude contextualizar novamente – tipo, sair da minha própria mente e focar nas pessoas ao meu redor, o que nosso trabalho nos pede para fazer – isso foi essencial para mim.
STEWART: Definitivamente me aproximo do que parece assustador e desconfortável. Quando era mais jovem, entendi que esse era o único jeito – mas às vezes é bom abordar algo com calma e de um jeito mais gentil. Meu conselho quando era mais nova seria: “Se aproxime desse medo! Use isso!” Como o que você disse, Emilia. Mas agora estou melhor quando me sinto mais confortável.
DUNST: Estou totalmente com você. Me sinto muito melhor quando não estou trabalhando com nenhum medo.
STEWART: Sim. E acho que, basicamente, aprenda suas falas. (Risos.) Eu costumava pensar: “Se eu não souber, vai parecer que são minhas!” (Risos.) Agora penso: “Não. Tente. Tente bastante. Assuma os créditos. Esteja presente. Aprenda. Processe. Trabalhe com outras pessoas.” Eu trabalhei com um professor de dialeto para Spencer, mas ele também é professor de atuação. Quando eu era mais nova, ficaria: “Não, isso é estranho. Somos apenas eu e o diretor!” Mas a verdade é que é um trabalho tão divertido de mastigar e de se apoiar. Não é um truque de mágica. É um processo e um muito divertido. Estou me tornando mais uma “atriz dramática” a cada dia que passa! (Risos.)

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart participou de um rápido questionário com a revista PEOPLE onde respondeu sobre seu último jogo, último ferimento, e mais! Leia:

Último jogo que joguei: “Eu tenho uma mesa de sinuca em casa e sou obcecada. Provavelmente jogo três ou quatro vezes na semana, depende do quanto estou trabalhando e do quanto estou bebendo no momento. Sou muito boa.”
Última satisfação: “Eu sou de fazer lanchinho da madrugada. Não sou muito fã de café da manhã e amo comer depois das 15h. Ontem à noite, eu jantei e depois comi bastante Good & Plenty [bala de caramelo]. Foi difícil de parar.”
Último ferimento: “Mordi um garfo recentemente e quebrei um dente. Era na frente e, honestamente, eu estava horrível. Quase tive que ser infiel ao meu dentista, dizendo: “Se você não me atender hoje, vou ter que ir em outra pessoa.’”
Último momento de felicidade: “Sempre que abro os olhos e vejo minha doce cadelinha olhando para mim, esperando que eu me levante para ela ter seu café da manhã. Ela tem hipoglicemia, então, se eu não levantar minha bunda da cama, ela vomita um pouquinho. É tipo: “Ok, garota, vamos lá. Já estamos acordados.’”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart participou do podcast Variety Awards Circuit algumas semanas atrás, onde falou sobre Spencer, como se sente com a possibilidade de ser indicada ao Oscar e seus próximos passos. Ouça o podcast ou assista ao vídeo abaixo e continue lendo para os destaques da entrevista:

“Pela primeira vez na minha vida as pessoas estão falando: “Cara, acho que você vai ser indicada ao Oscar” e se eu acordar no dia e não tiver sido indicada, vou falar para todos que me disseram isso: “Eu nunca teria esperado ser indicada, obrigada por armarem pra mim.” Realmente aprecio que algo que faço parte iniciou uma conversa tão grande. Eu não sei o que faço para perpetuar isso, mas toda vez alguém diz: “Tenho certeza que você não quer falar disso, você não liga.” Mas estou eufórica!”
“Eu não acredito que conseguir entrar nesse filme. David [Cronenberg] é alguém que admiro desde sempre. Ele tem uma alma tão adorável, linda e gentil. Crimes of the Future é realmente seu retorno ao gênero [body horror]. É difícil para mim descrever o filme. Fala sobre evolução e para onde estamos indo como raça. O elenco inteiro se reunia para jantar e perguntávamos: “O que é isso? O que estamos fazendo?'”
Seu filme de comédia favorito é Levada da Breca e que o filme que a faz chorar é Divertidamente. Ela também comentou que faria um filme da Pixar e os acha brilhantes!
Kristen disse que alguém estava transformando uma biografia que ela leu em uma série de TV musical e que mandou uma mensagem para sua agente perguntando o que aconteceu com o projeto e que gostaria de fazê-lo, mas não pode contar qual é.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart fala sobre Spencer com a AP News
19, nov
postado por KSBR Staff

Durante sua passagem por Nova York para divulgar Spencer, Kristen Stewart conversou com o AP News sobre o filme ao lado do diretor Pablo Larraín e se abriu sobre estar sendo menos protetora com sua vida atualmente. Leia:

Kristen Stewart tem falado sobre interpretar a princesa Diana em seu novo filme, Spencer, quase diariamente por dois meses. É uma experiência normal para uma estrela enorme divulgando um filme enorme que é esperado ser um candidato enorme nas premiações e Stewart, que é famosa pela maior parte de sua vida, está acostumada com isso tudo.

Mas nessa noite em Nova York, no final de um dia em que ela usou cinco roupas diferentes para cinco lugares diferentes, ela está se permitindo admitir que está “(palavrão) exausta.”

“Tentar resumir uma experiência inteira em alguns minutos? É impossível”, Stewart, de 31 anos, disse.

É por isso que Spencer não é somente um filme comum com histórias prontas sobre colegas de elenco e preparação, embora tenha havido muito disso para conseguir acertar nos maneirismos e sotaque. Não é um documentário, uma biografia ou um exercício para preencher as lacunas como The Crown, também. Spencer é uma fábula sugestiva e artística sobre uma tragédia real e uma das mulheres mais famosas que já existiram durante um fim de semana de Natal com a família real precedente ao divórcio.

O filme fez Stewart ser uma possível candidata ao Oscar de Melhor Atriz pela primeira vez em sua carreira. Mas também convidou muitas, muitas comparações com a vida dela e sua fama. Ela entende, também, mas é rápida ao apontar as diferenças.

“Imagine que você já esteja casada aos 19 anos, com um bebê e sendo solicitada a concretizar uma fantasia que todos querem que seja verdade, mas você consegue ver claramente que não é”, Stewart disse. “É como ir para o acampamento de verão e nunca poder voltar para casa. Mas você pensa: “Na verdade, odeio o acampamento de verão.’”

Mas a experiência de falar sobre a preparação, a produção e analisar o filme em como se relaciona com ela tem sido desorientador de um certo modo. Respostas que ela uma vez pensou terem evaporado, a certeza se tornando ambiguidade e a verdade se transformando em outra coisa. Algumas vezes, ela disse, parece que ela está sendo arrastada pelos “enigmas morais” de sua vida.

“É estranho porque meu trabalho é me abrir de um modo que seja generoso porque o que você recebe em retorno normalmente é igual ao que você oferece”, ela disse. “Eu não estou falando apenas com você agora, estou falando com seus leitores e quero que eles foquem no que eu coloco em primeiro lugar, que é o filme e minha vida. E se eu começar a me vitimizar, não vai ser relacionável.”

O filme é dirigido por Pablo Larraín, o homem por trás da interpretação artística de Natalie Portman como Jackie Kennedy em 2016, e tem sido ligado a histórias góticas de fantasmas e terror psicológico. Diana, que é tanto monitorada obsessivamente quanto dolorosamente isolada, tem visões de Anne Boleyn. Há um terror real e corporal imaginário, com flashbacks perturbadores e um jantar realmente arrepiante que eles simplesmente se referem como “cena da sopa de pérolas”.

“Apenas penso que é uma extensão de seu estado mental e conseguimos habitar aquilo”, disse Larraín.

Ele queria criar a experiência de sonhos lúcidos, de ver coisas que não estão lá e combinar 500 anos de história com um corte rápido de câmera.

“Essa pessoa, essa personagem que estamos pensando em sua experiência interna sente como se Anne Boleyn estivesse sentada naquela mesa e é mais divertido e honesto tê-la lá”, disse Stewart. “Penso que é uma coisa que os filmes podem fazer que muitos outros tipos de arte não podem.”

Ser parte da “conversa das premiações” tem sido uma experiência interessante para ambos, mas principalmente pela habilidade de estender o diálogo sobre o filme.

“Como dizem, você só se importa com prêmios quando eles são dados a você”, Larraín riu.

“Eu amo fazer parte de uma conversa maior”, disse Stewart. “Mas alguns dos meus filmes favoritos de todo o tempo possuem uma porcentagem baixa no Rotten Tomatoes e não ganharam um Oscar.”

E no meio de toda essa reflexão sobre fama e escrutínio sobre Diana e si mesma, Stewart revelou que ela e sua namorada de dois anos estão noivas. Foi uma escolha que ela fez não apesar de suas experiências, mas por conta delas.

“Eu sou famosa há um longo tempo. E quando eu era mais nova, sentia que esse controle nítido estava me tirando a experiência de ser humana. Então, no final do dia, é melhor não me sujeitar a um esconderijo do tipo militar”, ela disse. “Quando era mais jovem, eu realmente tentei proteger o que era precioso para mim. Mas na verdade, descobri que ao proteger essas coisas, você as entrega. Elas se tornam algo que não é mais seu.”

“Pensar que eu poderia ser mais forte que essa entidade, que é a imprensa e a mídia, é psicótico”, ela continuou. “Eu gostaria de viver minha vida porque serei uma atriz melhor se viver verdadeiramente, vou ser uma artista melhor que estará mais presente e mais capaz de ser honesta.”

Fonte |Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

A moda da princesa Diana em Spencer
19, nov
postado por KSBR Staff

A revista TIME publicou uma entrevista com a figurinista de Spencer, Jacqueline Durran, onde ela fala sobre o visual atemporal da princesa Diana e como levou isso para as telas. Confira:

Como uma das mulheres mais visíveis de seu tempo, as escolhas de moda da princesa Diana sempre chamaram atenção do público. Recentemente, depois de duas décadas da morte de Diana, um influxo de tendências de moda alimentados por nostalgia e múltiplas dramatizações de sua história na cultura pop cimentaram seu status como um verdade ícone fashion.

A falecida princesa, que passou metade da sua vida aos olhos do público como membro da família real, não era estranha ao poder da apresentação – seu vestuário real era tanto sobre praticar a diplomacia da moda quanto ser uma armadura a protegendo o imenso escrutínio público que enfrentava. A moda também permitiu que Diana reivindicasse sua narrativa, especialmente nos últimos anos de sua vida quando se desprendeu das restrições do famoso palácio privado. Você pode traçar sua evolução através de suas escolhas de vestuário desde a noiva inocente e submissa do Príncipe Charles – com quem se casou aos 20 anos usando um vestido de conto de fadas – até a mulher independente que usou um minivestido preto glamuroso e tomara-que-caia chamado de “vestido da vingança” no dia em que ele admitiu publicamente ter sido infiel.

O poder de uma narrativa transformadora como a de Diana, particularmente uma que pode ser vista de modo tão fácil, exerceu uma influência cultural tremendo nos últimos anos. Na moda, ela está em todos os lugares, desde a coleção inspirada por Diana da Off-White de Virgil Abloh até a GQ a coroando postumamente como “O Rei do Estilo Casual” em 2019. Ela mantém o destaque em várias adaptações para a TV, teatro e cinema de sua história, a mais recente sendo Spencer, de Pablo Larraín.

Kristen Stewart estrela como Diana na imaginação experimental do filme sobre o conflito interno da princesa antes da separação do Príncipe Charles, durante o feriado de Natal de 1991 em Sandringham, uma das propriedades rurais da família real. Enquanto o filme se passa em apenas alguns dias, o arco de personagem dramático de Diana é ilustrado por uma grande variação de figurinos inspirados livremente no vestuário da falecida princesa entre 1988 e 1992. A figurinista de Spencer, Jacqueline Durran, conta para a TIME que Larraín estava profundamente investido em ter certeza de que as roupas seriam uma parte integral do filme, mas a alertou sobre não focar em uma data específica.

“Pablo foi muito específico sobre as roupas desde o começo”, ela diz. “E havia um sentimento de que ele realmente queria construir essas roupas e sets para criar a história que estava contando.”

Para isso, Durran definiu o período para antes da separação formal do casal em dezembro de 1991 e olhou centenas de fotos da princesa para encontrar roupas que melhor incorporavam como Diana teria se apresentado publicamente e em particular durante uma época de imensa confusão pessoal.

No filme, o figurino aparece quase como um personagem próprio – um vestido conservador amarelo lembra um que Diana usou enquanto estava em turnê invoca os fantasmas de seu passado, um vestido formal elaborado brilhante com bordados dourados é um lembrete da rigidez da família real no presente, um colar de pérolas presenteado por Charles, o mesmo dado para sua amante, Camilla Parker-Bowles, literalmente e figurativamente enforcam Diana e uma jaqueta bomber com jeans azuis servem como talismãs para a liberdade duramente conquistada que aparece no final do filme, antecipando sua decisão futura de desistir de seu título real.

Em uma cena memorável, a Diana de Stewart, sufocada pelas regras do protocolo real, olha de modo cansado para a enorme arara de roupas marcadas com etiqueta mostrando quando ela deveria usá-las durante o fim de semana. Mais tarde, ela quebra as regras e desafiadoramente usa um casaco vermelho vibrante (inspirado em dois casacos que Diana usou na vida real) que não era para ser usado na missa de Véspera de Natal – um gostinho de liberdade.

Apesar de cada figurino no filme parecer um tanto familiar, Durran e sua equipe propositalmente criaram roupas que não eram cópias exatas de nada que Diana realmente usou, para preservar Spencer como uma obra de ficção. Em vez disso, Durran optou por criar figurinos que lembravam várias roupas famosas de Diana, que ela esperava que evocasse “sua aura” refletindo o impressionismo do filme.

“Não era que não podíamos fazer réplicas exatas, mas não queríamos porque não queríamos que fosse específico do nosso momento”, ela diz, notando que já que Diana era uma figura tão pública, qualquer roupa específica teria sido documentada e facilmente identificada. “Nunca houve uma Diana sem os holofotes. Então mesmo quando estava sendo ela mesma, ela ainda estava totalmente sob o microscópio.”

No ponto de Durran, até mesmo as roupas mais casuais de Diana – seus famosos shorts de ciclista e moletom, a mercadoria de caridade que ela usava como uma filantropa apaixonada, a jaqueta dos Philadelphia Eagles que usava para buscar seus filhos na escola – raramente eram vistos como fora do expediente, por mais que apresentassem um lado diferente dela para o público.

Um de seus visuais mais famosos, um look muitas vezes postado no Instagram que é referenciado nas cenas finais de Spencer, mostra Diana em um conjunto de moletom, com as calças para dentro de um par de botas altas, cobrindo um blazer elegante e com um boné de baseball como acessório. Uma produção que representa a queda de Diana por moda high-low em seus últimos anos, livre da família real, a roupa é uma expressão calculada de um glamour identificável da “Princesa do Povo”. Mostra uma forja definitiva de seu próprio caminho, longe das sombras do palácio. Tanto no filme quanto na vida real, apesar de ser casual, o impacto da roupa é claro: essa finalmente era a história de Diana.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart concedeu uma nova entrevista para o jornal The New Yorker, onde fala sobre sua carreira e vida pessoal, além de falar sobre seu novo filme, Spencer. A atriz também participou de uma sessão de fotos para ilustrar a matéria. Confira abaixo:

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O aeroporto em Telluride, Colorado, é pequeno e privado. O festival de cinema da cidade, que acontece anualmente no fim de semana do Dia do Trabalho, tem reputação por ser íntimo – as celebridades não precisam passar por tapetes vermelhos ou usar corpetes e as montanhas pairando fazem Hollywood parecer extravagante e distante. Esse ano, Kristen Stewart foi de Veneza, Itália, para Colorado, onde Spencer, um novo filme em que ela interpreta a princesa Diana, tinha acabado de estrear. As primeiras críticas de sua performance foram publicadas enquanto ela dormia acima do Atlântico. Ela parou no hotel para se trocar e prender seu cabelo loiro em um coque, então foi direto para o Werner Herzog Theatre, ao lado de Pablo Larraín, o diretor do filme, chegando apenas alguns minutos depois do horário.

Seu visual era de um pai do subúrbio nos anos 50: um blusão preto e branco por cima de uma regata cortada, sapatos baixos vermelhos e meias brancas. Stewart, nascida e criada em Los Angeles, se descreve como Californiana até a alma – ela tem LA tatuado em seu pulso – e poucas pessoas desde James Dean ficaram melhores ou mais confortáveis em camisas e jeans. Ela parece canalizar uma linhagem de feminilidade contra cultural americana: meninas rockabilly e punkettes, poetas da geração beats e skatistas, Jordan Baker em vez de Daisy Buchanan. Ela convenceu como Joan Jett no filme de 2010, The Runaways, e como Marylou, a noiva de 16 anos de Dean Moriarty na adaptação de 2012 de Na Estrada. Agora ela está interpretando uma desajustada diferente, a princesa mais famosa do século vinte. Ela contou para o público que Telluride era o melhor festival e que ela nunca se divertiu tanto fazendo um filme. Então todos se acomodaram para assistir um longa-metragem sobre confinamento e desespero com uma trilha sonora frequentemente ameaçadora de free jazz.

Spencer se passa durante o feriado de Natal da família real na casa Sandringham em 1991, durante o ponto máximo do casamento de Diana com o Príncipe de Gales. Rodeada de geleias vibrantes e pudins brilhantes de Natal, a princesa é isolada do mundo e oprimida por tradições da realeza. Eventualmente, ela é assombrada pelo fantasma de Anne Boleyn. A trilha sonora, feita por Jonny Greenwood, eleva a tensão para níveis quase insuportáveis. No começo do filme, Diana se senta na mesa de jantar no auge de uma crise de ansiedade, usando um vestido verde da mesma cor da sopa em sua frente, e mastiga um colar de pérolas. (As joias são uma fonte de humilhação: Charles comprou o mesmo presente para sua esposa e sua amante.) O colar reaparece mais tarde, intacto, deixando claro que Diana está mentalmente desfiando. ”As cordas do piano tocam mais rápidas do que pensava”, disse Stewart quando perguntei sobre a cena. Spencer tem muito menos em comum com The Crown, a série da Netflix sobre a família real, do que com O Bebê de Rosemary ou À Meia-Luz, filmes em que o colapso mental da protagonista é a resposta racional à conspiração, e que a loucura parece algo como resistência.

Treze anos atrás, aos dezoito anos de idade, Stewart se tornou internacionalmente famosa como a estrela de Crepúsculo, a adaptação do romance juvenil sobre vampiros e lobisomens no noroeste do Pacífico. O filme e suas sequências deram uma legião de fãs para ela, mas, em outras áreas, fixou a impressão de que era a estrela estranhamente inexpressiva de filmes adolescentes piegas. Online, uma série de memes apareceram com imagens de Stewart junto a legendas como: “Cinco filmes, uma expressão facial” ou “Nem sempre estou sorrindo, mas quando estou sorrindo, não estou.” As piadas capturaram algo sobre o naturalismo e retenção de Stewart, qualidades de sua atuação que alguns acham cativantes e outros indecifrável.

”Há certos atores e atrizes que podem se tornar transparentes, aos meus olhos”, Pablo Larraín me contou, sentado em um banco em um parque durante as sessões no Telluride. Ele usou o adjetivo de modo pejorativo e continuou: “Você pode ver em alguns filmes que é transparente demais, então não entendo o que estou fazendo como público” porque os cineastas estão “me dando de forma completamente digerida.” Larraín, que cresceu em Santiago, no Chile, é pensativo e barbudo. Ele fez seu primeiro filme em inglês, Jackie – como em Kennedy Onassis – em 2016. Naquele mesmo ano, Stewart estrelou em Personal Shopper, um filme artístico sobre uma americana em Paris tentando se conectar com o espírito de seu falecido irmão. Na interpretação de Stewart sobre o isolamento do luto, Larraín viu as qualidade que queria em sua Diana. Ambos os pais de Larraín serviram ao governo do Chile. Sua mãe, descendente de uma das famílias mais ricas do país, sempre se interessou por Diana, de acordo com ele. “Há algo que precisa ser magnético e, ao mesmo tempo, muito misterioso”, ele me contou sobre o papel como imaginou. O roteirista veterano britânico Steven Knight escreveu o roteiro para ele e ele enviou para Stewart. Então, Larraín ligou para ela e com “seu perfeito sotaque americano”, ela disse: “Cara, eu aceito.”

Spencer faz uso do mistério e magnetismo de Stewart, mas também a empurra para estilos de performance que seus papéis anteriores não fizeram. Ela faz um sotaque, é claro, e imita plausivelmente os maneirismos familiares de Diana. Ela também impregna a personagem em uma hipérbole melodramática que a leva além da representação histórica e, às vezes, para a comédia. Sua Diana tenta mudar de forma para sair da impotência – olhos baixos e voz sussurrada em momentos de flexibilidade, queixo erguido com imperiosidade quando quebra as regras, seus humores oscilando de forma imprevisível enquanto ela caminha rapidamente pelos corredores do castelo como uma mulher perseguida.

Um dia após a exibição do filme, Stewart voou de parapente de um penhasco, e então compareceu a uma recepção do filme para a imprensa em um restaurante italiano na rua principal de Telluride. Ela estava acompanhada de alguns amigos e da noiva, a roteirista Dylan Meyer, com quem começou a namorar em 2019 e quem a propôs em casamento no verão passado. Stewart namorou mulheres publicamente pela maior parte de sua vida adulta, ignorando a heteronormatividade tradicional de Hollywood com uma indiferença que parece parte temperamental e parte geracional. Ela normalmente foge das redes sociais, apesar de ser vista ocasionalmente no Instagram de Meyer. Seus amigos, com prática na arte de ficarem nos bastidores, foram para o bar enquanto ela mudou para o modo profissional, pronta para ser conduzida por sua assessora.

Me juntei a ela e assisti dois organizadores de um festival de cinema em Indianapolis eufóricos a elogiando de forma efusiva. Stewart fez piada e alongou os quadríceps. Sua locução californiana, cheia de palavrões e “caras”, parece deixar as pessoas à vontade. “Queria conseguir ir em mais festivais pequenos”, ela disse, antes de adicionar: “Não que o seu festival seja pequeno!” Ela pegou seu pé e fingiu colocá-lo na boca. Eles a deixaram ir, encantados. Fiquei para mais um drink com um dos dois de Indiana, que confidenciou para mim durante um Cosmo que, por mais que havia gostado de Spencer, ele amava Crepúsculo.

Algumas semanas depois, planejei de encontrar Stewart em Los Angeles. Ela queria jogar golfe. Seu pai a ensinou como jogar quando era criança, e recentemente voltou com o hábito. Ela sugeriu que nos encontrássemos em um campo no Griffith Park. O ar seco de setembro pairava nebuloso acima das colinas marrons, colibris bebiam das flores e homens idosos se arrastavam pelo gramado.

Se você procurar o nome de Stewart no Google em qualquer dia, irá encontrar descrições detalhadas do que ela estava vestindo enquanto comprava café ou ia ao mercado, em vários sites. Ela chegou no campo, sem nenhum paparazzi aparente a perseguindo, vestindo jeans, uma camisa, óculos de sol na cor rosa e Adidas. “Ainda não descobri meu visual de golfe”, admitiu. Ela caminhou por trás da sede para fazer o reconhecimento. “Gosto de xeretar primeiro”, disse apertando os olhos em direção ao campo de golfe, onde uma multidão de jogadores vestidos em calça khaki praticavam suas tacadas. Alguém está ocupando seu local favorito, um canto escuro em um nível mais alto com um banco. “Talvez ele vá embora”, ela disse. Voltamos para sua minivan preta – seu nome é Beth, ela me contou – enquanto ela retira sua bolsa de golfe. Depois de encher uma cesta com bolas da máquina de vendas automática, ela desempacota seu equipamento e coloca uma luva de couro branco, mantendo o olhar em seu local. “Então,” ela disse, “sobre o que quer falar?”

Stewart cresceu em Woodland Hills, uma vizinhança suburbana em Los Angeles no Vale de São Fernando. Seu pai era diretor de palco, supervisionando os ensaios que precedem uma gravação, e sua mãe era supervisora de roteiros, responsável por garantir que há continuidade entre as cenas de um filme. Ambos chegavam tarde em casa, com doces roubados do serviço de bufê e histórias sobre as longas horas em locação. Stewart acha que foi sua proximidade com a energia de um set de filmagem, com seus horários castigados e esforço coordenado, que a levou para a atuação. Ela data sua carreira como artista para a segunda série, quando, cheia de ansiedade, ela cantou uma cantiga como parte de uma comemoração de fim de ano. Pouco tempo depois, o responsável de um colega de classe anunciou uma oficina para ensinar crianças a fazer testes para TV e filmes, e Stewart surpreendeu sua mãe pedindo para inscrevê-la.

Os Stewarts são uma família de bastidores, ela me disse, e ser uma mãe de palco no set de outra pessoa foi um tanto constrangedor para sua mãe. “Acho que quando apresentei a ideia para minha mãe, ela pensou: “Merda. Eu disse que ela poderia fazer o que quisesse, agora tenho que levá-la para essas merdas de testes.’” Stewart tentou para vários comerciais, mas o artifício da publicidade não veio naturalmente para ela. “Eu era muito ruim nos testes para comerciais – tipo: “Prove o refrigerante” ou qualquer coisa”, ela me contou. Mas, por volta dos dez anos de idade, ela conseguiu um papel como a filha moleque de Patricia Clarkson no drama independente Encontros do Destino. Um ano depois, David Fincher a escalou para ser a filha moleque de Jodie Foster em O Quarto do Pânico.

O filme demorou vários meses para ser feito, grande parte com Foster e Stewart passando muito tempo juntas em um pequeno cômodo. Foster, que começou a atuar quando era criança e já era famosa aos quatorze anos, me contou sobre sua colega de elenco: “Não posso dizer que ela é minha cópia, mas quando ela era pequena, eu sentia o que ela estava sentindo e processava as coisas do mesmo jeito.” No filme de Fincher, Foster interpreta uma mãe recentemente divorciada recomeçando sua vida no Upper West Side em uma casa que é invadida por um playboy e seus parceiros tentando encontrar dinheiro escondido. Stewart, passeando pelos corredores em um patinete, vestindo uma camisa de Sid Vicious e anel no dedão, é uma figura de lealdade em uma oposição feminilizada. Mesmo assim, Foster me contou que Stewart era uma artista incomum: “Ela mostra nas telas como sente dificuldade em demonstrar emoção.”

“Ele se mexeu”, Stewart disse, referindo-se ao golfista que estava em seu lugar. Caminhamos até o canto escuro, que estava cheio de pontas de cigarro apesar da inflamabilidade de Los Angeles atingida pela seca. Stewart colocou a cesta no chão e escolheu um taco. Ela não havia pensado em O Quarto do Pânico por um tempo, disse enquanto se preparava para uma tacada. O que ela se lembra de seus primeiros dias de atuação é um medo de decepcionar as pessoas, que geralmente era tão intenso que ela chegava no set se sentindo enjoada e com as palmas das mãos suando. Ela também lembra da satisfação de agradar os adultos. “Espero não soar totalmente arrogante, mas os adultos ficavam comovidos”, ela disse. “Comparado com o que estava acontecendo na terceira série, era muito legal.”

Além da aula de audição do ensino fundamental, Stewart nunca estudou atuação. Por um longo tempo, ela raramente ensaiava ou praticava suas falas na frente de um espelho. Ela preferia aprender suas falas no set, um pouco antes de filmar, para que parecesse que ela tinha acabado de pensar naquilo nas frentes das câmeras. O Método, uma abordagem de atuação em que o ator se baseia em memórias pessoais, parecia uma perspectiva alienante para ela. Mas seu foco no sentimento real, em vez de uma expressão aparente dele, tem um parentesco com essa técnica. “Talvez eu seja extremamente Metódica,” ela reconheceu, “porque sou eu, não há nenhuma separação, e acredito completamente quando é bom.”

“Ela tem um alto padrão irrealista para sua própria autenticidade”, Jesse Eisenberg me contou. Eisenberg foi colega de elenco de Stewart em Férias Frustradas de Verão, quando ela tinha dezessete anos e ele vinte e quatro. Mais tarde, eles apareceram juntos na comédia de ação American Ultra e em Café Society. Por um momento, eles pareciam a resposta millenial para Tracy e Hepburn. “Uma vez, ela gritou “corta” no meio de um take e disse: “Desculpa, eu estava mentindo para você’,” Eisenberg recorda. Quando eles filmaram Férias Frustradas de Verão, uma dramédia sobre universitários trabalhando em um parque de diversões durante as férias de verão, Stewart ainda não havia sido escalada para Crepúsculo, mas Eisenberg sentiu que claramente estava trabalhando com uma estrela de cinema. “Eu não sei como articular”, ele disse. “Por isso temos as palavras ‘estrela de cinema’. Mas, é uma qualidade enigmática, misturada com um naturalismo e com profundidade emocional.”

Enquanto estavam filmando em Pittsburgh, Catherine Hardwicke, a diretora que foi contratada para adaptar Crepúsculo, voou até lá para testar Stewart para o papel de Bella Swan, a menina que se apaixona por um vampiro torturado chamado Edward Cullen. Hardwicke assistiu Stewart em um corte inicial de Na Natureza Selvagem, sobre um homem que abandona a sociedade e acaba caindo na vida selvagem do Alasca. Stewart interpreta uma menina que se apaixona por ele no caminho. Em uma cena, ele faz abdominais, obviamente, enquanto ela olha para ele com exasperação e ânsia. Hardwicke viu nela o tipo de desejo que precisava para Bella. Ela levou um jovem ator, Jackson Rathbone, com ela para Pittsburgh, onde ele e Stewart ensaiaram cenas em um quarto de hotel e improvisaram em um parque. “No final, eu estava convencida”, Hardwicke disse. “Ela é a Bella. Ela precisa ser a Bella porque mantém tudo tão firme e real.” Hardwicke adicionou: “Construí o filme inteiro ao redor dela.”

Hardwicke disse que, um dia, Stewart “apenas mencionou que foi criada com lobos, lobos de verdade – sua família criava lobos.” (Na verdade, eles eram lobos híbridos, como a mãe de Stewart, Jules, contou para a Us Weekly em 2013 após um vizinho a acusar de abrigar lobos em sua propriedade.) Sobre a diretora, Stewart disse: “Eu apenas achei que ela era… ela parecia louca.” Stewart havia assistido o drama adolescente de Hardwicke, Aos Treze, o que limpou sua barra de autenticidade. “Ela era o tipo de pessoa perfeita para fazer um romance jovem adulto que tinha esses elementos obscuros. Ela tinha uma abertura infantil e gatilhos adolescentes, toda sua sensibilidade era de que o filme seria cheio de tesão e autoconfiança.”

Para Edward, Hardwicke fez alguns atores irem até sua casa em Los Angeles para ler o roteiro com Stewart e dar uns amassos. “Era tão claro quem funcionava”, Stewart disse, rindo. “Eu literalmente fiquei tipo…” Ela imitou um desmaio, derrubando seu taco de golfe com a memória de Robert Pattinson, o ator britânico que se tornou seu colega de elenco e namorado por vários anos. Ela disse que Pattinson tinha “uma abordagem intelectual combinada com: “Eu não dou a mínima pra isso, mas vou fazer funcionar.” E eu pensava: “Ugh, eu também.’” Ela pegou seu taco e sorriu. “E, tanto faz, éramos jovens e estúpidos e, não quero dizer que fizemos o filme ser muito melhor, mas era o necessário e o que qualquer pessoa interpretando aqueles papéis precisava sentir.”

De acordo com Hardwicke, Summit Entertainment, o estúdio que produziu Crepúsculo, pensou que o filme estava em uma escala comparável com Quatro Amigas e um Jeans Viajante, um filme adolescente de 2005 que fez em torno de quarenta milhões de dólares de bilheteria. Crepúsculo fez quase isso tudo em seu primeiro dia e a franquia continuou a arrecadar mais de três bilhões de dólares mundialmente. Apesar de os filmes serem ostensivamente pró-abstinência – sua autora, Stephenie Meyer, é uma mórmon devota – Stewart abordou as cenas de amassos do filme como se ela fosse a assassina. Bella dirige uma caminhonete velha e usa leggings na formatura. Edward, que lê mentes, não consegue ler a dela. “Ela confunde todos nós!” outro vampiro exclama.

Stewart precisou recitar falas como: “Havia uma parte dele, e eu não sabia o quão dominante era, que estava sedenta pelo meu sangue” e “Olá, bíceps!” Ela e seus colegas de elenco tiveram que responder uma enxurrada interminável de perguntas de repórteres e participantes da Comic-Com sobre como era beijar um ao outro ou atuar em algumas das reviravoltas mais estranhas da franquia, como quando Bella dá luz à uma meia humana, meia vampira que se liga a Jacob, o lobisomem interpretado por Taylor Lautner.

“Era muito ingênuo, do melhor jeito”, Stewart me contou. Ela passou sua adolescência sendo tutelada durante as filmagens; Crepúsculo foi sua faculdade. Também deu para ela uma tela pública que foi útil. “Tipo, como é divertido para as pessoas pensarem que te conhecem”, disse sorrindo maliciosamente. “Você achou que eu ia fazer Crepúsculo para sempre? É assim que me via? Se era, então você realmente armou o meu sucesso, porque posso fazer bem mais do que aquilo.”

Stewart filmou um punhado de filmes menores entre os de Crepúsculo. Então, na época que as filmagens da quinta e última parte terminaram, ela foi escalada como a personagem principal em Branca de Neve e o Caçador, que os executivos imaginaram que seria o começo de uma grande franquia. Algumas semanas após o lançamento, a Us Weekly publicou fotos de Stewart beijando o diretor do filme, Rupert Sanders, casado e com quarenta e um anos de idade. Apesar do filme ter feito quatrocentos milhões de dólares, a sequência planejada foi reformulada como um spinoff com diferentes atrizes. “O trabalho, para mim, honestamente foi ignorado de uma forma muito frívola, boba e mesquinha por um grupo de adultos que deveriam estar no comando de estúdios e fazendo filmes”, Stewart disse mais tarde.

Pelos próximos anos, Stewart principalmente fez filmes independentes – três ou quatro deles quase todo ano. Ela me conta que era “orgulhosamente imprudente” em escolher seus papéis. “Se houvesse uma cena em um roteiro que eu realmente queria fazer, e eu odiasse o resto, ainda aceitaria”, disse. Ela pensaria que o filme não ficaria tão ruim e frequentemente estaria errada. Recentemente, ela contou para um jornalista que provavelmente fez cinco filmes realmente bons em uma carreira de cinquenta até agora. “Há alguns filmes que olho, em retrospecto, e penso que foram uma tentativa corajosa, claro, mas nos precipitamos”,, ela me contou. Quando uma produção não atingia suas expectativas, ela ocasionalmente desabafava com sua maquiadora, com quem trabalha desde a adolescência. “Algumas vezes literalmente vou até ela e digo: “Que porra estamos fazendo com as nossas vidas? Precisamos sair daqui. Vou denunciar uma ameaça de bomba’,” disse Stewart. Ela adicionou: “Realmente é um saco estar em um set de um filme que claramente não está ficando bom, mas estou acostumada. Você fica craque em palavras cruzadas.”

Os melhores filmes principalmente contavam histórias comuns. Em Para Sempre Alice, Stewart interpreta a filha de uma professora com Alzheimer (Julianne Moore, que ganhou um Oscar por sua performance). Stewart dá para a personagem uma firmeza inabalável, recusando a virar-se envergonhada ou mudar o tom de voz quando a condição de sua mãe piora. Na antologia de Kelly Reichardt, Certas Mulheres, Stewart é uma advogada tímida de Montana que desvia de uma amizade indesejada sem muitas palavras. Em cenas doces, mas lentamente devastadoras, ela usa a expressão gentil, mas congelada, de alguém que não quer reconhecer a vulnerabilidade de outra pessoa. Reichardt ficou impressionada com o fato de que Stewart queria ir até Montana para interpretar um papel coadjuvante em seu pequeno filme com um grande elenco. “Minha opinião é que ela estava buscando experiências”, ela disse. “Talvez, uma vez que você tenha feito suas primeiras coisas e tenha acertado, você fica livre e faz o que quiser.”

Stewart me contou que agora pode falar com um diretor por algum tempo e entender que não vai funcionar, mesmo aqueles cujos filmes admira. Ela procura por cineastas com uma sensibilidade que seja “espiritual, inarticulada e emocional”, disse, adicionando: “Alguns diretores parecem de outro mundo para mim.”

No ano passado, o diretor francês de sessenta anos, Olivier Assayas, fez um discurso chamado “O Cinema no Tempo Presente”, onde falou, entre outras coisas, sobre o estado de Hollywood. “Não tenho praticamente nada positivo para falar sobre isso,” declarou, “exceto que a prosperidade e novas modalidades dessa indústria não me alegram, elas me amedrontam e até me repelem.” Assayas lamentou, em particular, “a perda das telas em serviço de franquias (principalmente dos estúdios Disney), cuja hegemonia agora parece absoluta.”

Apesar do quase feminismo de Mulher Maravilha ou Viúva Negra, as franquias que sustentam Hollywood têm sido especialmente péssimas para atrizes. Enquanto Stewart estava terminando a franquia Crepúsculo, a atriz francesa Juliette Binoche disse para Assayas que queria trabalhar com ele. Em resposta, ele escreveu Acima das Nuvens, um filme em inglês ambientado na Suíça que pode ser visto, em parte, como uma crítica à máquina dominante dos filmes contemporâneos, aos quais os maiores atores de nosso tempo estão submetidos as indignidades do Universo Cinematográfico da Marvel e o público assiste pequenas variações dos mesmos seis ou sete personagens a cada três ou quatro anos até morrermos. Binoche interpreta uma estrela do cinema francês, Maria, que foi escalada para um elenco ao lado de uma novata de Hollywood chamada Jo-Ann, cuja carreira (que inclui uma franquia) e escândalos (um affair enquanto estava em um relacionamento altamente público) têm uma semelhança impressionante com Kristen Stewart.

Assayas ofereceu o papel de Jo-Ann para Stewart, mas ela disse que preferia interpretar a assistente de Maria, uma jovem chamada Val que ajuda a atriz em seus ataques de ansiedade e, em uma cena, defende a incorrigível Jo-Ann, interpretada por Chloë Grace Moretz. “Ela não é completamente antisséptica como o resto de Hollywood”, diz Val. “É corajosa o suficiente para ser ela mesma. Em sua idade, acho isso legal pra caralho.”

“Acho que Kristen se divertiu brincando com sua própria fama e seu relacionamento com essas coisas de tabloides”, Assayas me contou em uma ligação por vídeo de um set de filmagens em Paris, seu cabelo bagunçado por um par de fones de ouvido. Ele estava filmando uma adaptação para a TV de seu filme de 1996, Irma Vep. (Stewart tem um papel pequeno na série.) Ele disse que interpretar Val deu para Stewart “uma chance de virar uma nova página e começar de outro lugar. Outro lugar sendo ela mesma.” Binoche me contou que ficou impressionada com a abertura de Stewart e por “sua capacidade de aprender as falas em um minuto.” Ela adicionou: “Para mim, demora tempos – preciso ler de novo e de novo e de novo até entrar em meu corpo. Para ela, é só chegar e falar. Também, estava em seu idioma, então se sentia confortável em mudar as falas e torná-las dela, como uma luva para sua alma.”

Stewart ganhou um César, o equivalente francês ao Oscar, por sua performance. (Ela é a única americana a ganhar um.) O filme foi parcialmente financiado pela Chanel e sua estreia coincidiu com o começo do relacionamento de Stewart com a grife, que vai além dos acordos publicitário normais, às vezes lembrando a parceria que Audrey Hepburn tinha com a Givenchy. (Karl Lagerfeld escalou Stewart como uma atriz interpretando Coco Chanel em um curta que ele dirigiu em 2015 e a grife também contribuiu com o figurino para Spencer.) “Existe uma ambição elevada em querer trabalhar com eles”, Stewart me contou, falando sobre a Chanel. “Você pensa: “Oh, eles são os melhores? Legal, acho que vou fazer isso.” Quando eu era mais jovem, só queria ser uma vencedora.”

Depois de Acima das Nuvens, Assayas escreveu Personal Shopper, que foca em outra assistente, Maureen, cujas visitas aos escritórios da Chanel, em nome da modelo que a emprega, se tornam um elemento fundamental do enredo. O filme é parte uma história de fantasma e parte mistério de assassinato. O papel de Maureen parece escrito para Stewart, apesar de Assayas ter me contado que, se escreveu para ela, foi de modo inconsciente. Os vestidos exuberantes que Maureen prova no percurso de seu trabalho – seu cabelo despenteado e seu rosto sem maquiagem – não fazem nada para esconder o luto que ela carrega em seu corpo. Dirigindo por Paris em uma scooter, ziguezagueando pelo trânsito, Maureen resmunga para si mesma, presa em pensamentos recorrentes sobre alguém que não está mais aqui. Relembrando a imagem de um corpo sangrento enquanto está em uma ligação de vídeo com seu namorado, ela treme e esfrega os olhos, como se pudesse fisicamente livrar-se da memória. Alguns atores, encarregados de interpretar encontros traumáticos enquanto enfrentam uma perda pessoal, podem tender a soluçar ou hiperventilar. Stewart mostra uma pessoa cuja mente está trabalhando em vários percursos; é uma luta hipnotizante, a representação visual de uma inteligência dividida.

“Senti que estava dirigindo o filme por fora e ela estava dirigindo por dentro”, Assayas me contou. O filme é cheio de cenas longas em que Stewart dita a velocidade da ação, ele nota. “Ela se apropriou da personagem”, ele continuou, “e se colocou em uma situação em que o invisível, a mágica do cinema ou o mundo a sua volta, se torna natural.”

Quando Stewart interpretou a atriz Jean Seberg na biografia de 2019, Seberg, ela tentou obter o inchaço que a atriz, que era alcóolatra, tinha em seu rosto. Para obter a cadência da jovem Joan Jett em The Runaways, ela ouviu cartas em fitas que Jett gravou quando tinha treze anos. Interpretar Diana, uma das mulheres mais bem documentadas de seu tempo, precisaria de um outro nível de preparação. Stewart trabalhou com um professor de dialeto por quatro meses. “É uma experiência tão física, da cabeça aos pés, para soar daquela forma”, ela contou. “Muda sua aparência completamente.” Ela também estudou infinitas fotografias e vídeos de Diana. Stewart lembra de um vídeo em particular, de Diana em um barco, em que ela se vira e fica iluminada ao ver seus filhos e outro em que ela emite uma risada estranha e incongruente. Stewart notou o quão desconfortável Diana ficava quando estava arrumada, “apenas se destacando de todos os jeitos possíveis”, como a atriz coloca, presa em uma tirania de chapéus ridículos. (“A estranheza humana e incontinência emocional de Diana transpareciam em todos os seus gestos”, a romancista Hilary Mantel escreveu uma vez.)

A maior parte de Spencer foi filmada em castelos na Alemanha no começo de 2021, durante o inverno pandêmico sombrio. Stewart estava esperando uma grande equipe e a encenação elaborada de um drama histórico, mas geralmente ela trabalhava quase em solidão com Larraín e Claire Mathon, a cinematógrafa. Mathon gravou em filme, frequentemente muito próxima, e para Stewart pareceu que o trio se tornou “um animal de três cabeças”, cujo movimentos eram impulsionados pela “confiança fervente, insana e psicótica” de Larraín. Ao entrar no set, Larraín pedia que Stewart “habitasse o espaço”, um mantra antigo de seus tempos de teatro. Como ele se lembra, Stewart respondia: “Que porra isso significa?” Mas ela raramente precisava que ele articulasse mais, disse Larraín. Stewart, por sua parte, sentia que o diretor havia entrado na cabeça de Diana. “Algumas vezes ele repetia ou dizia algo que eu estava prestes a falar, e ele canalizava Diana de uma forma impressionante”, ela me disse. “Alguns dias no set, eu dizia: “Você quer usar o vestido? Porque eu te dou.” Ele não parece certo para o papel, mas poderia ter a interpretado.”

Quando criança nos anos oitenta, eu tinha bonecas de papel da princesa Diana que vinham com uma variedade de acessórios: vestido de casamento, ternos, uma roupa para cavalgar, bebês. Eu pensei neles enquanto assistia o clímax inesperado de Spencer: uma montagem de dança catártica e sem falas. Diana, entre o fim de seu casamento e a vida que ainda aconteceria, rodopia pelos corredores do castelo e corre pelos jardins, girando e dançando pela trilha crescente de Greenwood, usando figurinos icônicos que representam vários estágios de sua vida. Para essa sequência, Stewart não fez nenhuma preparação. Ela disse que, durante a pré-produção, perguntava para Larraín o que ela estaria usando na cena e se haveria coreografia. Toda vez, ele a respondia: “É… não sei.”

Em vez de filmar a sequência inteira de uma vez, eles filmavam um pedaço no fim de cada dia. Stewart colocava um vestido de seda ou um terno, Larraín escolhia um corredor ou um salão para ela se locomover, e tocava música através de um grande autofalante: LCD Soundsystem, Beck, Sinéad O’Connor ou Lionel Richie (um dos favoritos de Diana). “Eu não sei me mover como Diana”, Stewart me contou. “Ela era dançarina, eu não sou dançarina.” Então, havia sempre o elemento da descoberta. “Era tão desenfreado e chocante algumas vezes, e tão emocional”, disse Stewart. “Era como fazer yoga quando você de repente alonga o quadril de um certo modo e começa a chorar e pensa: “O que é isso?’” O resultado foi uma cena que, por poucos momentos, mostra para você uma pessoa que não era permitida viver.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ama interpretações de figuras históricas. Durante a última década, Meryl Streep ganhou um Oscar de Melhor Atriz por interpretar Margaret Thatcher, Olivia Colman por interpretar a Rainha Anne e Renée Zellweger por interpretar Judy Garland. “Eu nunca participei da corrida, se você quer colocar dessa forma”, Stewart me disse. Para cada estatueta dourada, há uma campanha para conhecer você que, às vezes, tem todo o glamour de uma corrida pelo Senado estadual. “Eu não quero parecer babaca, mas é tão constrangedor e tão cansativo”, ela disse. “É altamente político. Você precisa falar com as pessoas e se sente um diplomata.”

Foi assim que, algumas horas depois do golfe, Stewart chegou para uma sessão de perguntas com membros da Academia. Ela estava arrumada em blazer e saltos altos. (Antes de chegar no palco, ela trocou os saltos por tênis.) A exibição aconteceu na sede do Directors Guild of America, onde o lobby é decorado com fotos em preto e branco de diretores famosos em sets de filmagens. Depois, em uma sala com painéis de madeira, cadeiras douradas e luzes brilhantes, o público se reuniu para uma recepção com temática britânica: sanduíches de pepino, shepherd’s pie, peixe com batata frita. O clima era de um casamento em que parentes distantes esperam sua vez para dar parabéns para a noiva.

Eu estava mastigando as pérolas de confeito que decoravam o cupcake com cobertura de baunilha quando um homem com cabelo grisalho puxou conversa. Seu nome era Andrzej Bartkowiak. (“Você já assistiu meu trabalho”, Bartkowiak, um cinematógrafo, disse. Ele estava certo.) Bartkowiak me contou que teve alguns pequenos problemas com Spencer, mas não com a performance de Stewart, a qual ele descreveu como “cativante” e “impecável”. Esse pareceu um bom sinal: apesar dos esforços da Academia de diversificar nos recentes anos, homens da geração e com credenciais como a de Bartkowiak permanecem um demográfico importante. Antes de ir embora, ele foi compartilhar seus pensamentos pessoalmente e assisti Stewart aceitar os parabéns.

Stewart já filmou Crimes of the Future, com David Cronenberg, e está prestes a filmar Love Me ao lado de Steven Yeun. Ela descreve o último como uma história de amor entre um satélite e uma boia. Ela diz que tem algo a ver com fazer computadores se amarem e as máquinas “meio que se transformam em todos os gêneros, raças e não há orientação, apenas humanidade.” Stewart também está trabalhando em sua estreia como diretora, uma adaptação da biografia The Chronology of Water de Lidia Yuknavitch.

O livro apareceu para Stewart como uma recomendação gerada por algoritmo em seu Kindle. Nele, ela viu algo que nunca assistiu nas telas. “Ele meio que celebra um certo tabu”, ela me contou, “que a vergonha se encontra sexualmente nas mulheres. A maneira como ela reconhece ter vergonha e se odiar, mas que isso também a excita, é um dos relacionamentos mais complicados e difíceis que temos sendo mulheres neste corpo em uma sociedade completamente patriarcal.” A biografia segue Yuknavitch durante um natimorto, vários maridos e a busca de experiência sexual com amantes masculinos e femininos. O livro tem aparições de mentores literários incluindo Ken Kesey, Kathy Acker e Lynne Tillman. A biografia foi um sucesso de boca a boca e Yuknavitch me contou que outras pessoas queriam os direitos para um filme. Stewart a ganhar com uma longa carta “escrita no idioma de uma visionária”, ela disse. Yuknavitch compartilhou comigo uma única frase fora de contexto: “E para aqueles que habitam similarmente nesse reino foda-se eu, foda-se tudo de autodúvida paralisante e ego fortificado embora falso, orgulhe-se porque hoje o foda-se ganhou.”

A prosa da biografia é visceral e sua estrutura é propositalmente fora de ordem. De primeira, não parece ser facilmente adaptável e Stewart vem trabalhando no roteiro há anos. Em um momento, ela passou três semanas morando em uma van do lado de fora da casa de Yuknavitch, em Oregon. A noiva de Stewart, cujos créditos incluem uma adaptação do romance jovem adulto Moxie, que estreou na Netflix no começo do ano, leu os rascunhos. “Já estive com pessoas em que o trabalho não era prioridade e então não trabalhavam muito”, Stewart, que parece estar constantemente trabalhando, me disse. “Isso não é bom para mim. Não gosto. Quando você encontra alguém que, em cada aspecto da sua vida… Bom, acho que eu não tenho muitos aspectos. Eu quero fazer filmes. Isso é minha prioridade de trabalho e felizmente compartilhamos isso.”

Em uma tarde ensolarada em outubro, fui me encontrar com Stewart em um restaurante italiano em Los Feliz. Desde a última vez que a vi, ela viajou para Paris, para a semana de moda, e para Londres, para a estreia inglesa de Spencer. Ela estava começando a ficar um pouco cansada de falar sobre o filme, confessou. Ela parecia feliz de estar de volta em Los Angeles.

A encontrei sentada em um canto de uma área ao ar livre nos tempos de pandemia, onde paredes de madeira compensada a protegiam da rua. Ela estava com seu MacBook aberto e estava conversando com um amigo próximo, que rapidamente se desculpou mesmo quando eu pedi perdão por chegar cedo. Stewart rapidamente olhou os arredores – um homem grande andando rapidamente na calçada a assustou por um momento – antes de se acomodar para conversar. Só depois que saímos, ela mencionou que um fotógrafo estava à espreita nas proximidades o tempo todo. (O Daily Mail, algumas horas depois: “Kristen Stewart arrasa em um visual jeans naturalmente descolado enquanto carrega uma mochila e deixa um restaurante em Los Angeles.”)

Além de The Chronology of Water, Stewart está escrevendo uma série de televisão com Meyer e desenvolvendo um reality show gay sobre caça-fantasmas com um amigo, cujo ela descreve para mim como “uma brincadeira paranormal em um espaço queer” com estéticas elevadas. “Gays amam coisas bonitas,” ela adicionou, “então estamos buscando riqueza.” Ela me mostrou alguns argumentos de venda em seu laptop. Em 2017, Stewart dirigiu um curta chamado Come Swim, que tinha a atmosfera de um clipe musical: chuva em vidraças, correção de cor saturada e pessoas fumando ansiosamente. O lookbook para The Chronology of Water tinha imagens de sangue, piscinas, salas de estar escuras dos anos setenta, o leito gramado do rio Ichetucknee, na Flórida, e uma fotografia de infância de Yuknavitch com sua irmã. “Quero foder com uma tela dividida”, Stewart disse, estudando minha reação enquanto eu passava pelas imagens. “Tipo, memórias realmente destruídas. Quero períodos, quero que o filme tenha espaço.”

Stewart vai apresentar o filme para os estúdios com o papel principal já escalado. Ela tem assistido dúzias de vídeos de testes por semanas e reduziu suas opções para quatro mulheres. Ela deve praticar o papel com as atrizes nos próximos dias, assim como Hardwicke fez com ela em Crepúsculo. Ela disse que precisava de alguém com energia porque o filme seria filmado no percurso de vários meses. Stewart espera achar alguém familiarizado com as autoras que aparecem nos livros – uma atriz no começo dos trinta anos, de preferência, que não pareça muito velha para as cenas quando a personagem está nos vinte ou jovem demais para aquelas que se passarão aos quarenta. Alguém que ainda não é loucamente famosa.

“Vejo esse papel como sendo um dos melhores para uma mulher”, Stewart disse. “Tipo, alguém poderia ser tão boa nele, sabe?” Sempre que ela fala sobre direção, algo em seu jeito muda – uma versão mais faminta aparece, um lado seu animado pela perspectiva de ser indefinida e outro preocupado em causar a impressão certa. Ela enviou o roteiro para colaboradores anteriores que admira, incluindo Julianne Moore. “Eu quero fazer algo que, tipo, cheire mal e seja horrivelmente embaraçoso, mas ao mesmo tempo que te deixe molhada e que seja realmente honesto”, ela disse. “Entende? Quero fazer um filme de amadurecimento que realmente considere jovens mulheres. Nunca fizeram isso.”

A cena que as atrizes usam para os testes é uma conversa com Ken Kesey, quem oferece para a personagem principal alguns dos primeiros incentivos que recebe como escritora. Stewart assistiu intensamente, sua mente ainda não convencida. “Essa seria uma amiga nesse filme, tipo, posso confiar nela”, ela disse sobre uma atriz. “Essa sente, parece real para ela.” Ainda assim, Stewart estava esperando por um sinal definitivo. “Alguém vai fazer a coisa certa e conseguir o papel no momento que entenderem”, ela disse. “Vou dizer: “Aí está você está! Ok, ótimo, vamos.” Mas alguém precisa entender.”

Perguntei para Stewart se estava ansiosa para ficar no comando, mas ela disse que, pessoalmente, dirigir seria um tipo de liberdade. “Eu mal posso esperar para compartilhar o peso disso”, disse. Normalmente, Stewart vê como sua responsabilidade pegar todo o sentimento de um filme e projetá-lo no mundo. “Eu estaria sentindo essas coisas completamente com a pessoa, mas preciso dá-las para alguém e nunca fiz isso”, ela disse. “Sempre estive como: “Entendi, entendi, posso fazer isso.” Vai ser interessante deixar outra pessoa ter sua própria experiência e se apaixonar mais com o filme do que eu poderia imaginar.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil