Spencer continua a estrear ao redor do mundo e, para divulgar o longa, Kristen Stewart aparece na capa da revista Marie Claire da Austrália. A atriz fala sobre o filme, sua relação com o país natal de sua mãe e sobre sua adolescência. A sessão de fotos é uma reimpressão da Entertainment Weekly de novembro de 2020. Leia:

Em um dia ensolarado de outubro, turistas e moradores bebem chá no pátio do Corinthia. Nos andares de cima do hotel cinco estrelas de Londres, em uma suíte de dois andares, está Kristen Stewart. Conhecer estrelas de Hollywood algumas vezes pode parecer que você está na presença da realeza, mas Stewart é diferente. Não há nenhuma saudação ou pompa. Ela tira os sapatos brancos de salto alto e, descalça, se senta em uma cadeira marrom na minha frente com as pernas cruzadas como um Buda.

A atriz de 31 anos está tendo o que pode ser considerado como “auge” – um ano de grande significado tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Seu novo filme, Spencer, a apresenta em uma performance magnética como a britânica Diana, a Princesa de Gales, cuja morte em 1997 deixou o mundo inteiro de luto. Stewart tinha sete anos quando Diana foi morta em um acidente de carro em Paris, mas a manifestação coletiva de luto deixou uma impressão permanente. “Me lembro das flores em frente do Palácio Buckingham”, ela diz. “E lembro da reação das pessoas como se algo tivesse realmente acontecido.”

Vinte e quatro anos depois, Diana permanece sendo um ícone global. No ano passado, vimos um musical na Broadway, enquanto a série da Netflix, The Crown, apresentou a amada princesa – interpretada por Emma Corrin – em sua narrativa hipnotizante sobre a realeza britânica. “Eu sou realmente fã da série”, diz Stewart, que maratonou as quatro temporadas em três noites quando conseguiu o papel. Com a australiana Elizabeth Debicki interpretando Diana na quinta temporada, ambientada nos mesmos anos de Spencer, comparações serão inevitáveis.

Mesmo assim é difícil imaginar uma performance mais empática do que a de Stewart, uma que já ganhou críticas aclamadas e que talvez dê a ela a primeira indicação de sua carreira ao Oscar. Ela está anos luz de seus dias como Bella Swan em Crepúsculo, os filmes de sucesso sobre vampiros que a deram fama no nível Diana. Parece bem mais perto do filme de 2019, Seberg, em que ela interpretou a atriz dos anos 60, Jean Seberg, quem entrou em um terrível colapso mental após virar alvo do FBI. Ou talvez de Personal Shopper, de 2016, outro filme que lida com assuntos espirituais e psicológicos. “Todos me perguntam se fiquei assustada ou intimidada [em interpretar Diana] e a resposta é sim, absolutamente, de forma intensa”, diz Stewart.

“Apenas não queria ser o tipo de pessoa que, nesse ponto, recusa algo assim.” Ambientado em três dias durante o Natal de 1991, enquanto Diana passa um tempo com a realeza em Sandringham, Spencer é o oposto de The Crown. O filme foca na perspectiva isolada e paranoica de Diana e até contém cenas perturbadoras de automutilação e da luta contra bulimia.

“Ela era muito honesta sobre seu relacionamento com seu corpo e com a comida”, diz Stewart. “E esse sentimento de querer desaparecer, que ela estava apenas ficando menor, estava perdendo tempo, se tornou muito físico para ela. Viver dentro de um corpo feminino, um corpo feminino não reconhecido e amordaçado, é uma experiência violenta e não é fácil de falar sobre isso. É um assunto complicado, óbvio. Mas ela foi muito honesta sobre ele, então precisávamos abordar.”

Fazendo um filme em que sua personagem se conecta com o fantasma de Anne Boleyn – a segunda esposa do Rei Henry VIII que foi decapitada – Stewart admite que sentiu a presença de Diana algumas vezes. “Não foi do tipo: “Ooh, assustador. Ela está aqui!” Mas foi um talvez. Foi tão bom interpretá-la, considerá-la tão profundamente e representar essa ideia dela. Mesmo nos momentos mais tristes, a preservação daquele amor onipresente foi lindo. Se tornou físico para mim e, por isso, pareceu espiritual.”

Na realidade, Stewart se parece pouco com Diana (todos os créditos vão para a equipe de cabelo e maquiagem, que fizeram um trabalho sensacional no filme). Hoje, ela está usando um boné preto por cima de seu cabelo loiro até os ombros, uma blusa listrada e calças marrom chocolate. Um pequeno cadeado está pendurado em uma corrente prata em seu pescoço e óculos pousam em seu nariz. Ela poderia facilmente estar chegando da feira ou indo assistir uma aula. Quando ela fala, há paixão em cada sílaba, como se estivesse falando sua última frase. Embora Stewart tenha uma reputação por ser mal-humorada nos tapetes vermelhos, o senso de humor escondido por baixo de sua armadura forte de batalha é aparente.

Seguimos para o assunto Austrália, país natal da mãe dela. “Eu amo a Austrália”, ela diz. “Sempre que me perguntam sobre a Austrália, eu digo: “Segurei um coala uma vez!” Ela explode de rir e digo que nunca fiz isso. “Oh, cara, foi muito bom!” Ela diz de forma calorosa.

Esse não é meu primeiro encontro com Stewart, quem sempre achei ser uma pessoa extremamente honesta – um livro aberto. Ela não se esconde ou interpreta um personagem em nossas entrevistas. “Não sou inteligente o bastante. Sinceramente, isso parece exaustivo. Teria que me sentar, escrever essa pessoa, trabalhar nela, me preparar e nunca parar de interpretar esse papel. Isso parece como viver no inferno”, ela reflete. “Na verdade, sua pergunta foi: “Essa é você o tempo todo?” Ninguém é o mesmo o tempo todo. Mas, sim, essa sou eu.”

Quando Stewart era uma menininha crescendo em Los Angeles, ela não sonhava em ser princesa – Diana ou qualquer outra – como muitas garotas sonham. “Eu queria ser uma estrela do rock”, ela diz. “Me vesti de estrela do rock no Dia da Carreira no jardim de infância.” Ela teria que esperar mais ou menos uma década para isso, quando interpretou Joan Jett em The Runaways em 2010, embora a trilha sonora da sua adolescia era um pós-punk triste. “Eu era uma criança muito emo”, ela diz. “Ia em baladas emo todo fim de semana.”

Diferente de seus amigos, a angústia adolescente de Stewart veio por ser loucamente famosa. Ela cresceu em sets de filmes, criada por seus pais, John e Jules, que trabalhavam na indústria. Quando ela decidiu que queria fazer testes, eles ficaram surpresos. “Eles não entendiam o motivo. E eu também não. Foi uma decisão arbitrária. Eu disse: “É, eu posso fazer isso. Posso fazer testes” e eles diziam: “Você tem ideia de onde está se metendo?” Minha mãe dizia: “Eu não vou ser uma mãe de artista mirim!” E, infelizmente, ela foi.”

Stewart tinha 11 anos quando interpretou a filha moleca de Jodie Foster no suspense O Quarto do Pânico em 2002. Era apenas o começo. Ela já estrou ao lado de Robert De Niro em Pânico em Hollywood e foi dirigida por Sean Penn (Na Natureza Selvagem), um pouco antes de Crepúsculo virar sua vida de cabeça para baixo aos 18 anos. Até mesmo atualmente, quase 14 anos depois, é difícil comunicar a intensidade do fenômeno da saga de vampiros, com Stewart e seu colega de elenco Robert Pattinson experimentando algo parecido com a Beatlemania. Entre 2008 e 2012, eles foram um casal dentro e fora das telas e o mundo estava obcecado.

“Ser adolescente e atriz ao mesmo tempo é uma coisa vulnerável… É difícil ser adolescente, constrangedor”, ela reflete. “É uma experiência naturalmente bruta, algo muito normal, e passar por isso em público foi diferente e único.” Ela para antes de dizer “horrível”. “É difícil sempre sentir que as pessoas estão te olhando, mesmo quando não estão, entende? De um jeito superficial, obviamente, conheço esse sentimento: “Será que todos estão olhando para mim agora? O que será que estão pensando?’”

As experiências intensas de Stewart certamente aparecem em Spencer, talvez de forma mais notável durante uma cena em que Diana está do lado de fora de uma igreja no Natal, enfrentando centenas de flashes dos fotógrafos. É difícil não lembrar dos tapetes vermelhos obrigatórios durante a Crepúsculo mania ou dos paparazzi seguindo Pattinson e ela durante os quatro anos de namoro. Como ela aguentou? “Eu estava bem”, ela diz com naturalidade. “Cresci. Eu trabalho com filmes e falo sobre eles com pessoas.”

Pergunto se foi importante que ela não se escondesse ou se tornasse reclusa. “É… Eu absolutamente amo pessoas. Quero fazer filmes sobre nós. Digo, sou atriz. Sei que posso não parecer a pessoa mais performática, mas, ao mesmo tempo, o sentimento de ser vista, revelada e de ter o poder para tal é uma posição muito bonita. Tenho uma vida boa. Então, não, não precisei fugir de nada.”

Esse sentimento destemido também se aplica em sua sexualidade. Em 2017, Stewart se assumiu de forma corajosa enquanto apresentava o programa de comédia americano, Saturday Night Live. Veio em resposta aos tweets de Donald Trump sobre seu término com Robert Pattinson. “O presidente não é muito meu fã”, ela começou, adicionando que se ele não gostava dela na época, ia gostar muito menos agora: “Donald… Eu sou muito gay, cara”. Nasceu um ícone instantâneo para a comunidade LGBTQ+.

Independentemente de querer ou não, sem dúvidas ela ajudou incontáveis pessoas que estavam com dificuldade de se aceitar. “Digo, nada me faria mais feliz”, ela afirma. “Não sou alguém que está tentando empurrar esse tipo de coisa nas pessoas. Se você pergunta para alguém se estão sendo um exemplo… é uma coisa meio ridícula de reconhecer porque não é algo que faço proativamente.” Mas se ela descobre que suas ações ajudaram outros, “então é uma coisa muito legal e bonita pra caralho.”

No passado, ela namorou a cantora francesa Soko, a modelo Stella Maxwell e a estilista Sara Dinkin, todos affairs curtos, porém intensos. Mas agora, ela encontrou o verdadeiro amor com a roteirista Dylan Meyer, sua namorada há dois anos. Pouco tempo depois de se conhecerem, Stewart contou para Howard Stern em seu programa de rádio que ela e Meyer ficaram noivas recentemente. “Eu queria que me pedissem em casamento, então deixei bem claro o que eu queria e ela arrasou. Vamos nos casar, vai acontecer.”

O próximo capítulo provavelmente será a maternidade. Em Spencer, os instintos maternais de Stewart brilham através de cenas emocionantes entre Diana e seus filhos, William e Harry. O filme inspirou esse lado? “Digo, queria ter filhos antes de fazer esse filme, mas foi muito, muito legal que… Acho que a parte mais forte dela era quando era mãe. Não havia nada que pudesse abalar isso, enquanto todo o resto em sua vida era tão frágil.”

Por agora, Stewart terminou de filmar Crimes of the Future, o novo filme de David Cronenberg – diretor dos perturbadores e brilhantes Crash e A Mosca. “É tão relevante e comovente agora”, ela diz sobre o projeto, outro gol para uma atriz que se revela ao se arriscar. Descruzando as pernas, ela calça os sapatos novamente. “Quero que as coisas me emocionem”, ela diz. “Essa é a única razão pela qual você faz qualquer coisa. A única razão pela qual você sai de casa.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou com a revista ScreenDaily sobre as filmagens de Spencer na Alemanha. Ela também fala brevemente sobre seus próximos projetos, Crimes of the Future e Love Me. Confira:

“Nunca me ofereceram um papel que tivesse tanta emoção impregnada antes mesmo de abrir o roteiro”, reflete Kristen Stewart sobre a falecida princesa Diana em Spencer, um papel que ela se comprometeu através de uma ligação com o diretor chileno Pablo Larraín (Jackie) para sondar seu interesse.

“Amo os filmes do Pablo e havia uma confiança garantida em sua voz que era tentadora”, ela lembra. “Então, quando ele me apresentou o assunto, meu instinto naquele momento foi: “Você não vai fazer isso.” Mas o jeito que ele descreveu me deixou: “Porra, isso soa ótimo.”

Escrito pelo criador de Peaky Blinders, Steven Knight, Spencer se anuncia como “uma fábula de uma verdadeira tragédia” e imagina três dias durante o Natal de 1991 em Sandringham, onde uma Diana vulnerável, maltratada e bulímica parece estar se despedaçando, antes de encontrar a força interna para se libertar da Casa de Windsor.

O filme inclui os filhos jovens William e Harry (interpretados por Jack Nielen e Freddie Spry, respectivamente), seu casamento desintegrado, um chef de cozinha gentil (Sean Harris), uma empregada com uma paixonite (Sally Hawkins), body horror e o fantasma de Anne Boleyn (Amy Manson).

“A ideia de que estávamos empurrando uma alma e vida completa em uma fantasia poética, surreal e psicotrópica parecia realmente desafiadora, audaciosa e estranha”, diz Stewart. “O roteiro era tão preciso, apesar de ser muito ambíguo. Normalmente, essas duas coisas não andam juntas. O roteiro realmente estava acertando no ponto. Fiquei muito emocionada lendo. E assustada.”

Na verdade, tão assustada que nas duas semanas antes das filmagens, Stewart “não conseguia nem mesmo abrir minha boca. Eu tive TMJ (disfunção temporomandibular temporária) tão forte que meu professor e eu estávamos fazendo exercícios e usando compressas quentes para abri-la”, ela revela.

“Naquele momento, eu não registrei como medo. Em retrospecto, é óbvio, eu estava estressada. Mas no momento, eu pensava: “Isso é tão irritante.” A fisicalidade dela é muito diferente da minha. A mandíbula é comparativamente indomável com a maneira que uso minha boca. Quase não a abro quando falo. Sou de Los Angeles, tudo está meio que no fundo da minha garganta.”

Não é a primeira vez que Stewart interpreta uma pessoa real – assista sua Joan Jett em The Runaways e Jean Seberg em Seberg – mas a transformação em Spencer é incrível. Cortesia de uma peruca loira e figurinos icônicos dos anos 90, a americana de 31 anos parece como a princesa real em cada pedaço, acertando no sotaque sofisticado e dialeto ofegante de Diana.

“Assisti tudo o que consegui colocar as mãos e há muita coisa”, ela diz. “Mas Pablo disse: “Se você acertar uma ou duas coisas, as pessoas trarão as próprias ideias sobre a Diana para você.” Tentei absorvê-la o melhor que pude. Apenas confiamos no processo e minha imagem dela encontrou seu caminho pelo meu corpo.”

Não que filmar tenha sido fácil: Stewart está em todas as cenas, normalmente em close-ups, com a câmera a seguindo constantemente. “Foi exaustivo. O filme se passa em três dias, mas filmamos por três meses. Me preparei durante quatro. Não acho que tive muitas conversas fora do filme. Eu desmaiava no meu quarto de hotel à noite, mas de felicidade. Pablo nunca abaixava a câmera. Foi bom ser ela. Sei que isso soa bobo, mas mesmo em seus momentos mais tristes e isolados, há algo para lutar. Nunca parece que ela é uma causa perdida. Senti que estava a abraçando e protegendo.”

Produzido pela produtora do diretor Larraín e de seu irmão, Juan de Dios, Fabula, ao lado de Jonas Dornbach da Komplizen e pela Shoebox Films do britânito Paul Webster, em associação com a FilmNation Entertainment, Spencer foi filmado na Alemanha com o hotel Schloss Kronberg, perto de Frankfurt, se passando pelos interiores do castelo de Sandringham e com o Castelo Nordkirchen na região norte do Reno se passando pelos exteriores e alguns interiores. Estar fora do Reino Unido significou menos atenção indevida da impressa, enquanto a equipe formada em maioria por alemães também provou ser uma bênção para Stewart. “Fiquei tão agradecida que não tive uma equipe completamente britânica pensando no primeiro dia: “Ok, vamos ouvir.’”

Desde que terminou Spencer, Stewart filmou um papel principal em Crimes of the Future, uma reformulação de David Cronenberg de seu próprio filme de ficção científica dos anos 70. “Se passa em um mundo onde as pessoas evoluíram para um ponto em que não sentimos dor física. Sexo mudou um pouco e a nova forma de arte são órgãos em crescimento. Viggo [Mortensen] é um artista performático famoso. Léa Seydoux é a assistente dele que tatua esses órgãos e os exibe. Minha personagem se apaixona pelo artista do Viggo.”

No final de 2021, ela também filmou Love Me, outro projeto de ficção científica, ao lado de Steven Yeun. “O roteiro é uma das coisas mais estranhas e originais que já me deparei”, ela diz. Depois disso, Stewart voltará sua atenção para sua aguardada estreia como diretora (ela já dirigiu alguns curtas e clipes musicais), sua adaptação da biografia de 2011 de Lidia Yuknavitch, The Chronology of Water, que está atualmente procurando por elenco e financiamento.

“Tenho trabalhado muito e amo atuar, então é difícil ficar: “Não, vou parar e focar nisso’”, explica Stewart sobre a longa espera. “A história é rebelde. Demorou para se encontrar. Mas me sinto o mais pronta possível para esse filme começar a viver.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Continuando a divulgação mundial de Spencer, Kristen Stewart conversou com o jornal australiano The Age sobre o filme e sobre as preparações para viver a princesa Diana. Leia:

Mesmo para os padrões adolescentes, Kristen Stewart era ansiosa. Durante a noite, quando sua cabeça encostava no travesseiro, ela começava a se preocupar com o que aconteceria no próximo dia e se teria algum controle sobre isso. Ela certamente não conseguia dançar como se ninguém estivesse olhando, como diz o ditado moderno.

“Você dança livremente?” Ela pergunta, em um tom que sugere que, mesmo aos 31 anos de idade, ela acha a ideia inconcebível. “É difícil. Amo assistir alguém se sentir hipnotizado de repente a se mover com a música na frente de outras pessoas. Acho realmente muito legal. Só que nunca foi meu instinto natural. Dançar é constrangedor, muito constrangedor.”

Diana, a falecida Princesa de Gales, estudou ballet durante anos e notavelmente amava dançar. Uma vez, Freddie Mercury supostamente a levou escondida para uma boate gay. De acordo, o diretor chileno Pablo Larraín planejou desde o início que Spencer, seu filme muitas vezes angustiante sobre três dias cruciais – embora imaginários – na vida da princesa, terminaria em uma fabulosa sequência de dança. Stewart, como Diana, se abandonaria para o êxtase dançante cômodo após cômodo na versão deles da Casa Sandringham, pelos corredores e no jardim, onde ela soltaria o cabelo entre as topiarias. Não seria coreografada. Seria espontânea.

Para Stewart, isso era tão assustador quanto as diferenças mais óbvias: o fato de que ela é 13 centímetros mais baixa do que Diana, por exemplo, além de ser totalmente californiana enquanto Diana era inglesa. Mas ela lembra que Larraín continuava a dizer para correr, o que agora ela pensa ter sido a chave para encontrar sua personagem.

“Ela gosta de seguir em frente. E eu gosto desse sentimento. Gosto de ir em direção a algo. Literalmente, qualquer momento em que Pablo gritava “ação” e eu estava andando pelo corredor, não importava o que acontecesse, ele dizia: “Vai, vai mais rápido, vai, vai, vai!” E eu dizia: “Meu Deus, eu não consigo ir mais rápido!” Mas foi minha parte favorita.” A sequência de dança finalmente explode em uma corrida. Funciona de forma brilhante.

Quando Spencer estreou no Festival de Veneza, a performance de Stewart foi aclamada como a melhor de sua carreira e as conversas sobre o Oscar foram imediatas. É claro, ela também teve detratores. Escalar a menina dos filmes de vampiros como a Rosa da Inglaterra sempre irritou algumas pessoas. Parte desse impulso inicial dos prêmios foi perdido, graças tanto a uma sucessão de mudança de datas por conta do COVID quanto ao inconstante medidor de popularidade dos filmes do Oscar, mas Stewart diz não se importar.

“O Oscar é uma coisa engraçada”, ela disse para a Variety em uma entrevista recente. “Há tantos filmes e performances incríveis que quase não são vistos. Mas eu realmente agradeço que algo que estive envolvida acendeu uma conversa tão ampla. Não fazemos filmes para não nos conectar uns com os outros.”

Spencer se passa durante três dias do Natal na casa de férias da família real em Sandringham. Cada momento é cronometrado e mergulhado em protocolos e tradições. As roupas de Diana são escolhidas para ela antes de cada refeição. Ela não decide sequer uma troca de sapatos. A casa em que ela passou sua infância fica nos arredores, agora em ruínas e insegura, com um espantalho ainda no campo da propriedade usando um casaco velho de seu pai. Ela anseia em ir para lá e ficar sozinha na escuridão com suas memórias de infância.

Enquanto isso, seus próprios filhos são sua âncora no presente. Ela os acorda durante a noite para brincar e se esconde no banheiro deles para vomitar. Seu marido diz que ela deveria aprender a se transformar em duas pessoas – uma para ela, outra para as câmeras – mas ela não consegue. “O que amo sobre ela é que, mesmo quando não está confortável e está fazendo todos se sentirem bem, ela não consegue esconder nada”, diz Stewart. “Não sabemos exatamente o que está se passando, óbvio. É difícil decodificar a vida dela. Mas sua pele é honesta. Tipo, a pele dela é honesta!” É nesse momento que Diana reconhece que, para salvar sua própria sanidade, ela precisa ir embora.

Nada disso pretende ser realidade documental. Deve ter chegado um momento em que Diana decidiu deixar o príncipe Charles, mas nada indicada que foi esse. Um título de abertura nos avisa que o filme é um conto de fadas. Desde o primeiro grande jantar, quando Diana sente que está sendo sufocada pelo colar que Charles deu para ela de Natal, o agarra até que suas pérolas caem na sopa e ela as come, você sabe que está em um mundo fantástico. O castelo onde ela está presa é, na verdade, um Schloss alemão se passando por Sandringham. Não se parece em nada com a mistura de estilos arquitetônicos de Sandrigham: é grandioso, assustador, monótono e construído formalmente, evocando a herança da família Saxe-Coburg-Gotha.

Stewart diz que amou ser a Diana. Claramente, em um nível diário, ela viveu como Diana em vez de imitá-la. Até mesmo atualmente, Stewart fala sobre Diana no tempo presente. Atores geralmente são cautelosos com a mímica, mas acertar a fala rápida e ofegante da princesa e a risada contagiante era crucial. “Eu tentei fazer uma imitação perfeita! Definitivamente tentei imitar”, ela diz. “Ela é tão específica. Não é só o sotaque inglês, era sobre ser realmente observadora e pegar certos movimentos, afetações ou certas cadências em sua voz.”

“E eu acho que faço uma boa imitação, mas a única coisa que vai ligar isso tudo é que, entre esses momentos, preciso ser eu mesma, porque preciso ser responsável e bruta.” Entre as etiquetas reconhecíveis de Diana, ela trouxe sua própria estranheza e ansiedade, aquele desconforto que fazia com que a versão adolescente de Stewart quisesse sair de sua própria pele. “A melhor direção que Pablo me deu foi no segundo dia, quando ele disse que eu precisava confiar que a conhecia. Para relaxar.” Ela simplesmente tinha que existir.

Apenas sendo Diana, ela parou de se preocupar com seus olhos verdes e com a altura. “Senti que era ela. Que eu tinha crescido de repente. E foi muito, muito bom fingir ser ela porque ela fazia as pessoas se sentirem bem e isso é muito bom, mesmo que você esteja apenas fingindo. Por causa dela, me senti uma líder! Não é como se eu não tivesse essas características, mas as dela são tão mágicas que até mesmo fingir tê-las foi uma experiência linda. Foi uma alegria.”

Há um paralelo óbvio na vida das duas. Durante os anos de Stewart sendo K-Stew, quando ela era estrela da saga Crepúsculo e envolvida, dentro e fora das telas, com o colega de trabalho Robert Pattinson, ela era o objeto da atenção constante dos paparazzi. Ela tinha apenas 17 anos quando vez o primeiro filme, apesar de estar atuando desde os 9. Diana Spencer ficou noiva do príncipe Charles aos 19. “Ela era tão jovem”, Stewart suspira. Ela pode não ter sido tão inocente quanto Diana, mas Stewart também era jovem.

É claro, ela adiciona rapidamente, mesmo no auge de sua fama, ela aguentou apenas uma fração da atenção que a Princesa de Gales estava inundada. “Ela era famosa de um jeito muito único, mas tendo dito isso… Sim, é claro, vivo uma vida em que estou sempre pressupondo que as pessoas estão olhando para mim, mesmo quando não estão – mas, na maioria das vezes, estão – e negociando como estou me apresentando versus como me sinto. Querer se apresentar de forma honesta” – Stewart decidiu um tempo atrás que diria o que quisesse em entrevistas, seja como for – “mesmo sabendo que algumas vezes dizer a verdade mais verdadeira dará a impressão errada. Ou que ao tentar se revelar, de alguma forma você mesmo se atrapalha. Sinto isso nela.”

Nos anos recentes, Stewart buscou projetos artísticos e excêntricos: seu filme anterior foi um romance gay de Natal, Alguém Avisa?, enquanto seu próximo é uma fantasia distópica de David Cronenberg, Crimes of the Future. Qualquer outra pessoa nesses filmes não geraria muito interesse em sites sobre celebridades. Ela continua na mira deles, no entanto, parcialmente porque as servas dos vampiros nunca morrem, pelo menos na era dos vídeos sob demanda, e parcialmente porque ela é uma celebridade queer assumida e, por isso, a força vital das conversas entre os liberais. Recentemente, ela confirmou rumores do noivado com a roteirista Dylan Meyer durante uma entrevista para Howard Stern. Meyer não é nada famosa, mas elas fazem uma boa foto para os paparazzi quando saem para fazer compras. Além de muita emoção nos sites sobre noivas.

“Sabe, eu trabalho muito”, Stewart diz. “E tenho sorte de amar o que faço. Então, odeio que pessoas me sigam por aí, mas, sabe, não tem outro jeito. Esse tipo de atenção é uma coisa muito passageira. Se algo não está sendo saudável para você ou está te machucando, é muito fácil virar as costas. Não é simples, mas é uma opção. Eu estou bem. Olha, ironicamente, Diana morreu em um acidente de carro, mas se você esquecer isso, ela ainda estava lutando por essa sobrevivência em particular. E ela ganhou, ela conseguiu. Eu nunca tive que lutar por isso. Os paparazzi me irritam, mas não estou fugindo de nada.”

Não por enquanto, de qualquer forma. A Diana fortemente ansiosa de Stewart é uma princesa em uma torre. Contanto que siga as regras, ela não pode fugir, mas pode puxar certas cordas. O último filme em inglês de Pablo Larraín foi Jackie, com Natalie Portman interpretando a viúva do Presidente Kennedy. Pediram para que ele dirigisse Jackie, enquanto Spencer foi ideia dele, mas ele acha que não teria feito Spencer sem Jackie antes.

“Acho que o que temos em comum é que são duas mulheres ligadas a famílias muito poderosas, que se casaram com homens fortes e poderosos e foram mulheres que conseguiram se definir de um jeito muito interessante através da mídia.”

Certamente eram duas mulheres fortemente limitadas por suas circunstâncias, ao mesmo tempo em que aproveitavam de um grande privilégio? “É claro, as duas eram privilegiadas, mas isso é algo que muitas pessoas sentem sobre si mesmas”, diz Larraín. “A ideia de que não temos espaço o bastante para nos mover, que estamos em um contexto que possa ser opressivo, é algo que muitos de nós podem ter como experiência. Conheço poucas pessoas que não se sentem assim.” Ela era a princesa do povo em mais de uma maneira.

Stewart reflete sobre as comparações que podem ser feitas com o assunto de sua última biografia, a atriz e ativista Jean Seberg, que foi perseguida pelo FBI. “A vida de ambas era muito rica”, ela reflete. “Há milhões de razões pelas quais fiz esses filmes, mas há muito mais em suas histórias que foi legal dar outra chance para elas serem vistas, entende? Mesmo que não estejam mais conosco.”

“E há uma grande questão aqui, sobre querer fazer filmes sobre pessoas que já foram tão exploradas. Não estamos fazendo a mesma coisa? Mas sinto que a multiplicidade da arte é uma coisa muito bonita. Elas queriam conexão – e nos conectamos com a memória delas. Não estamos declarando saber de nada. Esses filmes são como sonhos. A única forma de ser muito verdadeiro é aprender o máximo que puder e escrever um poema. Sei que chamam de biografia, mas realmente não é. São apenas três dias de uma época imaginária.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart participou de um Q&A com o The Hollywood Reporter ao lado dos colegas de elenco Jack Farthing, Jack Nielen e Freddie Spry, além do diretor Pablo Larraín. Confira a transcrição e assista ao vídeo no link original no fim do post:

Muitas atrizes podem ter feito o papel da amada princesa Diana, mas Kristen Stewart, em Spencer, aborda três dias essenciais no casamento da falecida com o príncipe Charles (Jack Farthing) quando ela decidiu deixar a família real. Stewart diz que sua experiência interpretando Diana envolveu muita “cortina de fumaça.”

“O que notei sobre ela disse muito sobre mim”, Stewart conta ao THR Presents. “Foi muita cortina de fumaça. Acho que se você nos colocar lado a lado, se realmente nos comparar, somos muito diferentes. Mas acho que a única razão para fazer um filme sobre alguém é para capturar um espírito e eu me senti completamente possuída por isso… Trabalhei por quatro meses. Aprendi tudo, li tudo. Trabalhei muito no sotaque. E no final do dia, realmente acho que nada disso foi a chave para fazer bem esse filme.”

O diretor do filme, Pablo Larraín, quis colocar o relacionamento de Diana com seus filhos, os príncipes William e Harry, interpretados por Jack Nielen e Freddie Spry, respectivamente, em destaque no filme – uma clara referência às prioridades de Diana.

“Achei interessante comprimir uma grande crise que pensamos que ela estava passando durante aqueles dias, e aquela crise é basicamente a decisão de deixar a família, a decisão de encontrar sua própria identidade e seguir em frente”, diz Larraín. “No processo, descobrimos que o relacionamento com seus filhos foi muito relevante. Acho que somos confrontados com a situação em que nosso personagem principal, Diana, conseguiu entender que poderia ter sua própria família, seu próprio relacionamento com seus filhos, sem mais ninguém. É a história de uma mulher que conseguiu encontrar sua identidade dentro de seu próprio mundo, seu próprio planeta, e é uma coisa linda de ver e trabalhar.”

Em uma cena, a Diana de Stewart está brincando de verdade ou consequência com seus filhos no escuro, a qual – Stewart, Nielen e Spry explicam – foi amplamente improvisada. Na verdade, Nielen diz, a liberdade para levar aquela cena para onde quisessem foi “muito crucial para o verdadeiro vínculo” que os três compartilharam. Stewart diz que aquele momento em particular foi “uma das cenas mais divertidas que já fiz.” E, enquanto Nielen concorda, ele lembra de outra cena com Stewart que achou mais desafiante.

“A cena mais desafiadora emocionalmente foi a cena do banheiro com a Kristen, porque o jeito que ela abordou a cena a faz parecer muito real e como uma verdadeira crise”, explica Nielen. “É como ver um amigo em desespero e você tem a boia para salvá-lo… Isso realmente fez a cena parecer viva e trouxe o momento em que William percebe que sua mãe não está bem. E ela está começando a definhar sob a pressão. Ele está tentando salvá-la, mas você não sabe se é tarde demais ou se ele ainda vai conseguir.”

Stewart chama o assunto principal de Spencer (o sobrenome de Diana), que estreou no Festival de Veneza do ano passado, “infinitamente profundo.”

“Eu poderia fazer mais quatro filmes sobre ela”, adiciona a atriz. “Essa coisa dos três dias resumiram um espírito e uma noção. Mas há um poço, uma multiplicidade de inspiração que sinto através dessa pessoa.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

A W Magazine revelou sua edição anual de melhores performances do ano com os atores de destaque em 2021 e Kristen Stewart está em uma das capas por sua performance em Spencer. Abaixo, confira fotos, a entrevista traduzida e o vídeo legendado:

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Você começou a atuar quando tinha 9 anos. Você soube imediatamente que isso é o que queria para sua vida?
Quando fiz um filme chamado Encontros do Destino, pensei: “É isso. Esse é o sentimento”. Estive buscando esse sentimento desde então. Aquele de criar algum junto com outros. Foi emocionante ver quantas versões de mim mesma pude encontrar.

Como Spencer chegou até você?
Pablo Larraín me ligou um dia e disse que estava tentando fazer um filme sobre Diana Spencer. Pensei: “Quem é essa?” E, na verdade, era a princesa Diana. Esse era seu nome verdadeiro. O filme dele é como uma meditação/sonho febril/poema de três dias, tentando imaginar como um certo período foi para ela enquanto ela tentava moldar sua identidade.

Foi difícil de negociar o externo – o cabelo, vestidos, o visual da Diana – com o estado interno dela?
A perspectiva inteira do filme é incrivelmente interna, então nunca tive que entregar uma performance exagerada. Na verdade, eu estava apenas reagindo aos elementos que estavam no espaço comigo. Fisicamente, era sobre ver o quanto conseguiria aguentar, o quanto de frio conseguiria suportar, quão magra e cansada poderia ficar. Mesmo assim, ainda me senti com três metros de altura. Existe algo nela, mesmo que por osmose, apenas na imaginação dela como figura, coisas que me impressionam, que me fazem sentir-me protetora, coisas que preocupam e ainda são estranhamente fortes. No final do filme, eu pensei: “Ok, na verdade, conseguiria continuar.” Realmente tentei lutar comigo mesma. Definitivamente atribuo isso à essa transferência estranha, essa energia, quem ela era… Era imparável.

Pablo ficou surpreso quando você aceitou? Você ficou surpresa quando aceitou?
Não poderia dizer não. Fico deslumbrada com a presença do Pablo. Como atriz, procurando diretores para trabalhar, obviamente você olha seus trabalhos, mas também olha como eles preenchem um lugar, como falam com você, como é o sentimento na ligação quando estão apresentando uma nova ideia. Naquele momento, parecia… Posso atribuir um milhão de palavras a isso. Seria mais verdadeiro dizer que era tentador demais para recusar.

Em que momento da sua carreira você começou a pensar em dirigir filmes?
Quando eu era mais nova, costumava perguntar para cada ator adulto que trabalhava comigo: “Você trabalharia com uma diretora com menos de 18 anos?” E eles sempre respondiam: “Bem, preciso sentar e conversar com essa pessoa.” E eu dizia: “Ok, vamos conversar.”

Você já ficou deslumbrada por uma celebridade?
Sim. Eu vi a Neve Campbell em um restaurante outro dia, olhei por cima do ombro e fiz essa coisa que odeio quando fazem comigo, que é quando olham, desviam e fingem que não me viram. Penso: “Venha dizer oi.” E então meus amigos disseram: “Você deveria ir dizer oi” e eu disse: “Nem pensar.” Então, ela nos convidou para sentar e conversar por um tempo. Pensei: “Cara, preciso ver Pânico [cinco].” Eu amo tanto esses filmes. Mas é engraçado o que realmente te deixa deslumbrada, nunca é quem você espera. É uma coisa física – talvez você ame muito um músico ou um ator, mas quando os encontra, pensa: “É, legal. Eles existem, são pessoas.” Alguns entram na sua mente de forma física. Então seu corpo fica ahhh.

Qual o seu signo?
Sou de Áries.

Você segue a astrologia? É uma verdadeira Áries?
Não sigo diariamente, mas gosto da conversa. Vi o The Birthday Book. Aquela coisa é incrivelmente precisa no meu. De certa forma, é assustador. A melhor parte é: “A pessoa de Áries mais desenvolvida fará isso. A pessoa menos desenvolvida fará isso.”

Você tem uma música de karaokê? Você já interpretou a Joan Jett.
Eu acho legal quando as pessoas se empolgam. Amo quando alcançam o equilíbrio entre performar e se deixar levar pela brincadeira do karaokê sem tirar um momento para deixar todo mundo saber que são ótimos cantores. Isso me deixa com vergonha. Ainda não encontrei meu equilíbrio. Normalmente só grito Blink-182 porque é minha zona de conforto.

Crescendo como atriz, qual foi o melhor conselho que recebeu?
Na verdade, ironicamente, me disseram várias vezes que se entrevistas ou divulgações se tornarem mais pesadas, você começa a sentir uma versão de uma crise de identidade na confusão. Quando eu era mais nova, sempre me disseram para ir em público e ser outra pessoa. E essa é uma fala em Spencer – precisa haver duas versões de você. Algumas vezes você precisa fazer coisas que seu corpo odeia. Não há outra maneira de fazer algo sem ser do seu jeito. Isso soa tão contrito, mas eu não sei como ser outra pessoa, o que é um presente e acho que uma verdade para todo mundo. Essa ainda é uma versão de você sendo outra pessoa. E eu sei que essa é uma resposta estranha para a sua pergunta. É apenas sobre absorver pessoas, suas verdade e então dizer: “Ok, posso ser o que sou.”

Você já passou por aquele grande momento de crise de identidade e pensou que não queria isso?
Nunca. Definitivamente já quis voltar no tempo e não aceitar certos trabalhos, mas novamente, não há outra forma de passar por isso. Se eu já dei uns passos para trás e pensei: “Talvez meu caminho seja outro”? Eu tenho uma escolha infinita. Constantemente penso que não tenho um caminho, tenho 500 milhões para escolher. Digo, quantos filmes consigo fazer em um ano? Provavelmente três, quatro. Penso que são muitos, mas apenas imagine quantas experiências. Não sei qual outro estilo de vida me daria isso. E, a essa altura, estou tão viciada. Não consigo parar.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart foi homenageada pelo Palm Springs Film Festival com o Spotlight Award por sua performance em Spencer. O festival, que abre a temporada de premiações, foi cancelado devido ao número crescente de casos de COVID nos Estados Unidos, mas o Entertainment Tonight entrevistou os homenageados e trazemos a entrevista com a Kristen legendada. Confira: