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De passagem por Veneza para o Festival na cidade em setembro do ano passado, Kristen conversou com o The Guardian sobre sua carreira, infância e seus novos projetos como Seberg e As Panteras. Confira:

As cortinas se abrem e Kristen Stewart entra, um rastro de palidez e loiro platinado emoldurado com um luxuoso vermelho. A atriz de 29 anos acaba de entrar em uma biblioteca de um palácio veneziano do século 18, vestida em jeans desbotados, um sutiã preto, e um blazer destruído que parece que ainda não foi terminado. Ela se encaixa no ambiente como David Bowie na era Let’s Dance em uma sala do trono marrom – o que não diz nada, mas também é perfeito.

Uma década atrás, poucas pessoas viam a heroína da saga de romance de vampiros Crepúsculo como a rainha dos festivais de filmes em ascensão. Ainda assim, na noite antes de nos encontrarmos, no tapete vermelho de seu filme mais recente, ela tem a recepção geralmente reservada para pessoas como Catherine Deneuve e Isabelle Huppert. Stewart é incomum perto de seus colegas por ter convertido o sucesso em uma franquia de Hollywood para a arte de classe européia: o único outro ator da geração dela a fazer o mesmo foi Robert Pattinson, seu colega de elenco em Crepúsculo e ex-namorado. O afeto vai longe. Ela é a única atriz americana a ganhar um César, o Oscar francês. Por que ela acha que a conexão entre ela e a Europa aconteceu? ”Provavelmente pelas mesmas razões pelas quais me recusaram em todos os testes para comerciais quando criança,” ela ri.

Stewart está em Veneza com Seberg, um drama baseado em fatos reais sobre a atriz Jean Seberg perseguida pelo FBI no final dos anos 60 e início dos anos 70. Seberg mal tinha 30 anos na época, e era mais conhecida por estrelar no clássico Breathless. Mas em resposta ao seu apoio vocal e financeiro para grupos de direitos humanos, incluindo os Panteras Negras, o governo dos Estados Unidos juraram arruiná-la, brutalmente e publicamente. Ela era vigiada constantemente. Seus telefones eram grampeados. Falsas histórias foram plantadas sobre a paternidade questionável de seu filho não nascido, que morreu após Seberg consequentemente entrar em parto prematuro. Em 1979, aos 40 anos, ela cometeu suicídio; seu segundo marido, Romain Gary, culpou sua morte à década de assédio pelo FBI. O filme, dirigido por Benedict Andrews, apresente tudo isso em forma de um suspense paranóico, com Jack O’Connell e Vince Vaughn como dois dos agentes com a tarefa de arruiná-la, e Stewart como a própria Seberg.

A ideia de interpretar outra atriz deixou Stewart nervosa. ”Tudo que você possa pesquisar no Google é intimidante,” ela explica. ”Porque as pessoas podem fazer aquela coisa de colocar lado a lado.” Mas Andrews a buscou para o papel especificamente pelos paralelos nas vidas das duas. Como ele notou em Veneza: ”As duas foram lançadas ao olhar público bem jovens, e as duas conseguiram sobreviver à intensa atenção da mídia.”

Stewart se encolhe um pouco com a comparação, mas admite o ponto mais amplo. ”Obviamente existe uma escuridão e intensidade na história da Jean que a minha vida não chegou perto,” ela diz. ”Mas eu estou muito ciente do fato de que as pessoas estão me encarando constantemente. Então, esse não foi um trabalho que precisou de uma imaginação enorme.” Para capturar a paranóia crescente de Seberg, Stewart diz que ela precisou se permitir ”cair nesses buracos – os mesmos que eu tento pular na minha própria vida. Eu posso estar sentada em um restaurante e ver pessoas tentando escutar as coisas. Mas eu desisti de me preocupar com isso. Abandonei qualquer reivindicação de que minha vida seja outra coisa.”

A franqueza é o registro padrão de Stewart: é o que você esperaria de uma dama de Hollywood com nada a perder, em vez de uma atriz que ainda nem chegou nos 30 anos. No ano passado, ela disse que, depois de se assumir bisexual em 2017, ela foi aconselhada a não ser fotografada segurando a mão de mulheres em público porque manter uma imagem mais convencional ”daria um filme da Marvel à ela.” Ela não aceitou o conselho, e foi fotografada com namoradas desde então, incluindo a cantora St. Vincent, a modelo Stella Maxwell, e, atualmente, a roteirista Dylan Meyer.

Essas imagens completamente não-escandalosas ajudaram a normalizar a ideia, ainda polêmica mesmo cinco anos atrás, que uma estrela de cinema jovem e de sucesso pode ser abertamente gay. E enquanto o filme da Marvel não se tornou realidade, ela recentemente estrelou em um reboot de As Panteras, que não foi um sucesso de bilheteria (quase não conseguiu o orçamento de volta) mas todavia uma mudança de ritmo.

Quando conversamos, ainda faltavam uns meses para o lançamento de As Panteras, e Stewart parecia um pouco perplexa que era um filme que ela realmente fez. Elizabeth Banks, escritora e diretora do filme, disse para Stewart: ”’Eu me divirto tanto com você. Por que você não é assim nos filmes?’” Stewart lembra. ”Ela pensou que as pessoas precisavam ver aquilo, o que foi muito doce da parte dela. Então é um filme divertido e bobo, mas é porque meninas são divertidas e bobas. E a ideia de que ajudaria as pessoas a verem que eu não sou tão séria era realmente atraente.”

Seberg a desafiou a trazer isso para fora de si, também. Stewart acredita que parte da razão pela qual o apoio da atriz aos direitos humanos era visto como muito perigoso era pelo tamanho de sua fama: ela podia conquistar um lugar somente ao entrar nele. ”Havia uma facilidade com a qual Jean vivia sua vida, mesmo em uma idade tão jovem, que demorou muito para que eu conseguisse entender,” ela diz. ”Eu tenho quase 30 anos. Ela tinha isso aos 15. Quando eu tinha 15 anos, eu estava sentada na porra de um canto.”

Ainda assim, ela atribui seus últimos dias – incluindo a saída do armário, que ela fez em ao vivo na televisão – ao clima polarizado atual dos Estados Unidos e de todo o mundo. ”O fator nós-e-eles é um pouco reconfortante,” ela diz. ”Eu não tenho medo de dizer as coisas que eu acredito porque, no momento, eu sinto que as pessoas que pensam igual são mais inclinadas a ficarem juntas. Eu me sinto segura com isso.”

Vale a pena mencionar que a adolescente de 15 anos sentada em um canto já tinha estrelado ao lado de Jodie Foster em O Quarto do Pânico de David Fincher três anos antes: para uma criança tímida, Stewart escolheu uma linha de trabalho incomum. Nascida em Los Angeles e filha de John, um gerente de palco, e Jules, supervisora de roteiro, ela lembra de assistir seus pais ”estarem muito, muito ocupados o tempo todo – eles eram da classe trabalhadora demais. E tudo o que eu mais queria era fazer parte daquele circo.” Aos 8 anos, ela disse para a mãe que queria se tornar atriz, ”porque eu queria tanto estar nos sets, e quando você é criança, isso é a única coisa que você pode fazer. Então, ela ficou chocada, mas foi legal o bastante de me levar para todos os cantos da cidade, fazendo um milhão de testes por um ano e meio.”

Os papéis que ela conseguiu eram em sua maioria em comerciais, apesar de ter aparecido como uma menina das cavernas jogando anéis em Os Flintstones em Viva Rock Vegas por dois segundos de tela, de costas para a câmera. ”Foram centenas de papéis pequenos, onde você só deve ficar sorrindo com covinhas,” ela diz. Aos 9 anos, ela estava pronta para desistir quando ordenaram que ela dançasse no set de um comercial: ”E não havia música tocando ou nada assim, e todas essas crianças ao me redor estavam dançando. Eu estava tipo, ‘Isso não é para mim. Não posso fazer isso’.” Sua mãe a fez tentar uma última audição para um filme independente, Encontros do Destino, dirigido por Rose Troche. O papel era da filha moleca de um casal divorciado com o hábito de fumar mesmo sendo menor de idade. Ela conseguiu o papel.

”Se minha mãe não tivesse dito, ‘Você marcou um compromisso então você deveria fazer o que você disse que ia fazer,’ eu não estaria aqui agora,” ela diz. O que ela estaria fazendo em vez disso? ”Eu não sei que porra eu estaria fazendo. Eu era uma criança estranha. A atuação foi um impulso incomum para mim, considerando o tipo de criança que eu era. Mas eu encontrei meu grupo. Graças a Deus.”

Durante metade da década seguinte, em filmes como O Quarto do Pânico, Garganta do Diabo e Na Natureza Selvagem, ela era aquela adolescente que podia ser intensa. Mas foi ao ser escalada para Crepúsculo ao lado de Robert Pattinson em 2007 que transformou o par em Bogie e Bacall da era jovem adulta. A importância cultural dos cinco filmes de Crepúsculo, que renderam 3.3 bilhões de dólares ao redor do mundo sendo uma fração disso, não é exagerada. Hollywood esteve cortejando obsessivamente meninos adolescentes desde os anos 80, mas isso foi prova de que histórias centradas em meninas e jovens mulheres também poderiam ser blockbusters. Crepúsculo abriu o caminho para a franquia Jogos Vorazes, os novos filmes liderados por uma mulher de Star Wars, um Ghostbusters só de mulheres e Capitã Marvel.

É um legado sobre qual Stewart é ambivalente; enquanto ela reconhece, ela mantém que ninguém que trabalhou em Crepúsculo os viam como pioneiros. ”Crepúsculo não fazia ideia do que era até que se tornou o que era,” ela diz. ”Foi uma mudança que deu um pontapé na coisa toda.”

Hoje, com esse pensamento, parte dela acha ”muito legal. Mas outra parte pensa que as pessoas pegaram esse modelo, que não foi desenhado para ser um modelo, e ficaram tipo, ‘Vou fazer muito dinheiro e conseguir muita atenção,’ e então fizeram filmes de merda, mas eu acho que é fácil fazer coisas que são cheias de nada. Alguns dos filmes que temos muita dificuldade de fazer, e fazemos com as melhores das intenções, e que ninguém assiste, são os mais bonitos.”

Após Crepúsculo, os filmes que as pessoas dizem para ela que mais significam para eles são os dois que ela fez com o diretor francês Olivier Assayas: o drama de mistério Acima das Nuvens, pelo qual ela ganhou o César, e Personal Shopper, uma história de fantasma estilo Hitchcock, e um dos melhores filmes da década de 2010.

Isso é o que ela mais ama agora; possivelmente o que a chamou aos 8 anos, a criança no canto para quem as covinhas e sorrisos não eram um ponto forte. ”Estar mais perto das pessoas através de pequenas histórias estranhas é o Sol em que minha Terra gira,” ela diz. ”É literalmente a minha coisa favorita, escavar e meditar um assunto com poucas pessoas que se importam, e o resto não. E somos apenas nós juntos. É o melhor sentimento do mundo.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Elizabeth Banks é diretora, roteirista, produtora e estrela de As Panteras e em uma nova entrevista ela explicou sobre a escolha de Kristen Stewart para fazer parte do filme, o que foi uma surpresa para vários veículos da mídia. Confira:

Stewart é uma revelação como Sabina, a Pantera mais selvagem e bagunceira, soltando várias frases engraçadas e fazendo suas próprias cenas de ação. Mas é seguro dizer que ela não teria sido a escolha mais óbvia. “Ela sabia que essa era uma oportunidade para mudar a trajetória de oportunidades que ela estava sendo oferecida em Hollywood, e eu queria fazer isso por ela.” diz Banks sobre a estrela de 29 anos de Crepúsculo. “Como produtora, eu faço filmes que estrelam mulheres o tempo todo, e ela não estava na lista de possíveis estrelas. Eu senti que isso precisava ser mudado.” Eu pressiono Banks sobre o motivo pelo qual Stewart está sendo deixada de lado por alguns produtores, e, enquanto ela não entra em detalhes, ela diz que Stewart “não joga pelas regras do jogo de Hollywood.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Galeria: Photocall de As Panteras em Londres
22, nov
postado por KSBR Staff

Continuando a divulgação de As Panteras em Londres, Kristen, Naomi, Ella e Elizabeth participaram de um photocall do filme na cidade. Confira as fotos em nossa galeria:

EVENTOS > CONFERÊNCIAS E PHOTOCALLS > CONFERÊNCIAS E PHOTOCALLS 2019 > (21/11) PHOTOCALL DE AS PANTERAS EM LONDRES

Após a divulgação de As Panteras na América do Norte, Kristen, Naomi, Ella e Elizabeth embarcaram para a Europa, mais precisamente em Londres, na Inglaterra, para continuar a tour na terra da Rainha. Elas fizeram algumas entrevistas e participaram de programas de rádio e TV, e também apresentaram o filme em uma grande premiere. Confira as fotos e vídeos:

EVENTOS > PREMIERES > PREMIERES 2019 > (20/11) PREMIERE DE AS PANTERAS EM LONDRES

Kristen Stewart, Ella Balinska e Naomi Scott passaram uns dias em Nova York divulgando As Panteras e os vídeos não poderiam estar melhores. Nesse post, que será atualizado durante a semana, legendamos os vídeos de mais destaque da divulgação como o do Buzzfeed, Wired, Refinery29 e outros. Confira:

Elenco de As Panteras brincam de Sketch, Please para a Refinery 29:

Elenco de As Panteras brincam de ‘Ame ou Jogue Fora’:

As Panteras respondem as perguntas mais pesquisadas da internet:

Elenco de As Panteras fazem o teste do Buzzfeed sobre o filme:

Elenco de As Panteras responde quizz sobre os filmes antigos da franquia:

Elenco de As Panteras em entrevista para a MTV UK

Elenco de As Panteras em entrevista para o Fandango

Kristen Stewart e Ella Balinska brincam de Primeiras Impressões

Foquinha entrevista o elenco de As Panteras (não legendado pelo KSBR):

Hugo Gloss entrevista o elenco de As Panteras (não legendado pelo KSBR):

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