Kristen Stewart participou da mesa redonda de atrizes do Los Angeles Times ao lado de grandes nomes como Kirsten Dunst, Lady Gaga, Jennifer Hudson, Penélope Cruz e Tessa Thompson. Veja as fotos, vídeos e transcrição da conversa abaixo:

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Lady Gaga estava se segurando.

Quinze minutos em uma conversa com suas colegas de trabalho – Penélope Cruz, Kirsten Dunst, Jennifer Hudson, Kristen Stewart e Tessa Thompson – e a artista ainda não havia falado, a não ser que falassem com ela. Foi algo tão incomum para ela, que decidiu interromper a conversa para se explicar.

“Realmente peço desculpas por estar tão quieta”, Gaga disse, unindo-se às atrizes virtualmente de Las Vegas, onde estava programada para subir aos palcos para sua residência mais tarde naquela noite. “Mas fico tão fascinada ouvindo vocês. Sinto que estou aprendendo muito com todas, com a forma que abordam suas artes e como suas vidas pessoais estão entrelaçadas com tudo o que fazem. Sinto vontade de ficar vulnerável por um segundo e compartilhar isso.”

A estrela de Casa Gucci, 35 anos, seguiu para se descrever como “masoquista” quando atua, “completamente separada da vida real”. Ela disse que estava se abrindo sobre seu processo “totalmente não saudável” na esperança de se conectar com as outras na mesa redonda e procurar conselhos de mulheres que possuem mais experiência com filmes do que ela.

O papel de Gaga em Casa Gucci é apenas sua segunda grande transformação como estrela do cinema, seguindo seu papel indicado ao Oscar em Nasce uma Estrela, de 2018. No novo filme de Ridley Scott, ela interpreta Patrizia Regianni, a real italiana cujo casamento tumultuoso com o chefe da Gucci quase destruiu a famosa grife.

Compare-a com Stewart, que aos 31 anos, já apareceu em mais de 50 filmes. A veterana de Crepúsculo, que começou a atuar quando tinha 8 anos, aparece mais recentemente como a princesa Diana em Spencer. No filme, Stewart interpreta a falecida princesa nos frágeis dias finais antes de se separar do Príncipe de Gales.

Dunst também está na frente das câmeras desde a infância. A atriz de 39 anos começou a fazer testes para comerciais quando tinha apenas 3, passando sua juventude em filmes tão variados quanto Adoráveis Mulheres, Entrevista com o Vampiro e As Virgens Suicidas. Seu papel mais recente é em Ataque dos Cães, onde interpreta uma recém-casada cujo cunhado teimoso se recusa a recebê-la na família.

Hudson, que assim como Gaga começou sua carreira como cantora, virou para os filmes com sua performance vencedora do Oscar em Dreamgirls, em 2006. Agora com 40 anos, ela pode ser vista como Aretha Franklin em Respect, que segue a vida da lendária artista do soul desde suas origens na igreja, passa pelo alcoolismo até o estrelato global.

Thompson, de 38 anos, tem atuado pela maior parte de sua vida, mas fez uma primeira impressão na indústria em 2014 com o sucesso do Sundance, Cara Gente Branca. Agora fazendo parte da franquia da Marvel, Thor, ela ainda é leal à suas origens independentes com seu novo filme Identidade. Ambientado nos anos 20, o filme é a história de uma mulher negra que percebe que sua antiga amiga está se passando como uma mulher branca pela sociedade de Nova York, a fazendo reconsiderar suas próprias escolhas de vida.

Enquanto isso, crescendo na Espanha, Cruz era uma adolescente que dançava antes de começar a atuar. Seu papel de destaque nos Estados Unidos foi em Vanilla Sky, de 2001, mas ela continuou a trabalhar em ambos os países, frequentemente com o diretor de seu mais recente projeto, Pedro Almodóvar. Ele está por trás de Madres Paralelas, onde a atriz de 47 anos interpreta uma mãe novata que forma um laço incomum com outra mulher que ela conhece na maternidade.

As seis atrizes conversaram através de uma chamada de vídeo no final de outubro. A conversa foi editada para extensão e clareza.

Gaga, você disse que passou seis meses falando como sua personagem para interpretar Patrizia Regianni. Como isso é possível?
Lady Gaga:
Meu processo foi muito: como entro tanto no sotaque para me esquecer completamente dele? E então fazer todo o trabalho de analisar o roteiro, de modo que, quando chegar no set, possa jogar tudo isso pela janela e apenas estar presente no momento.

Kristen, sua abordagem com a princesa Diana foi similar? É um sotaque que tantas pessoas estão familiarizadas.
Kristen Stewart:
Acho que para mim, eu precisava ser esse tipo de fio elétrico – o mais espontânea que conseguisse. Em toda minha pesquisa, sentia que quando Diana entrava em um lugar, parecia que o chão começava a tremer. Há essa energia tênue, precária e partida que também era contagiante e agitada. Eu não fiquei com o sotaque entre as tomadas, nem durante o fim de semana. Me sinto um tanto absurda, a não ser que esteja no momento, entende? Então foi uma abordagem um pouco diferente, mas ainda senti que precisava estar no meu corpo a ponto de não precisar me fixar nisso.

Jennifer, você também interpretou alguém que tantos fãs conheciam. Mas a própria Aretha pediu para que você a interpretasse em Respect. Como você lidou com essa pressão?
Jennifer Hudson:
Ainda fico pensando: “Fiz tudo? Deixei algo passar?” Fiz aulas de piano para interpretá-la, que comecei há três anos. E ainda faço. Então, de certa forma, está infiltrado na minha arte. Parecia que havia recebido essa tarefa dela, mas ao mesmo tempo, é o que me deu o incentivo para conseguir passar pelas filmagens. “Ok, se ela disse que eu posso fazer isso, então eu posso.”

Algumas de vocês estão em casa. À medida que a pandemia se desenvolvia, vimos uma mudança na sociedade de um estilo de vida em que o trabalho consumia tudo. O COVID mudou alguma de suas atitudes em relação ao trabalho?
Tessa Thompson:
Ter o tempo de desacelerar foi tão fortalecedor. Eu realmente amo atuar e estar em frente das câmeras, mas fazer isso com tanta frequência talvez não seja o que eu quero. No final das contas, estou realmente interessada em contar histórias. Então, é legal pensar em outro jeitos de fazer parte de processo, o que foi realmente gratificante em termos de produção durante a pandemia. Comecei uma produtora, e tem sido tão divertido me concentrar em uma história.

Acho que me fez reavaliar a abordagem ao trabalho – assim como a sensação de estar em um set. A ideia de segurança e de fazer as coisas de uma forma mais gentil é algo que penso bastante. E, obviamente, temos passado por isso com a greve e com as conversas sobre como deveria ser a segurança em um set.

A tragédia que ocorreu no set de Rust em outubro fez alguma de vocês pensar de forma diferente sobre o protocolo de segurança no set?
Stewart:
Estranhamente, na minha experiência, os filmes maiores são onde as pessoas não estão presentes de forma segura e definitivamente nunca são gentis. Minha filosofia por trás do que é necessário para fazer um filme, é você estar disposta a arrancar uma unha por ele. Artistas que perpetuam esse sentimento de compromisso desesperado com o filme – teoricamente, gosto muito disso. Há essa coisa estranha e ferozmente psicótica que você precisa ter – esse desejo que você corre atrás até o fim. Só precisamos de rédeas.

Não somente a perspectiva em termos de quem está contando as histórias está se ampliando, mas a maneira que fazemos isso está mudando. O que a Tessa disse realmente ressoou em mim. Vamos reinventar a roda. Ficamos sentados em casa sem saber se sairíamos novamente por tanto tempo. Então, acho que esse retorno é divertido, porque algumas vezes você precisa desses recomeços estranhos para verificar a si mesmo e se perguntar: “Estamos fazendo isso do jeito que realmente queremos?”

Imagino que você se sinta mais confortável quando está trabalhando com aqueles que já são familiares, certo, Penélope?
Penélope Cruz:
Sim. Almodóvar é como um membro da minha família. Nos conhecemos quando eu tinha 18 anos… e agora fizemos, tipo, 8 filmes juntos. É uma experiência incrível toda vez, porque mesmo sendo tão próximos, somos como irmãos. Criamos uma distância saudável sem planejamento quando estamos no set. É um relacionamento completamente diferente quando estamos juntos como amigos.
Thompson:Penélope, estou curiosa. Como vocês desenvolvem as coisas juntos? Vocês se falam quando ele tem alguma ideia?
Cruz: Ele me fala. Ele está sempre escrevendo 3 ou 4 coisas ao mesmo tempo. Quando estávamos em lockdown completo em Madri durante o COVID, ele me ligou de casa e disse: “Estou escrevendo isso e pensando em você.” E, é claro, é uma notícia muito boa de ter no horizonte.

Penélope, você também trabalhou com seu marido, Javier Bardem. E Kirsten, seu parceiro, Jesse Plemons, está em Ataque dos Cães com você. Qual o lado bom e ruim de trabalhar com seu companheiro?
Cruz:
Eu gosto, mas não conseguiria fazer isso todo ano. Uma vez ou outra, tudo bem. Quando ele estava interpretando Pablo Escobar e eu era Virginia Vellejo [em Escobar – A Traição, de 2017], eu não o suportava. Não conseguia nem olhar para ele. Foi muito difícil.
Dunst: É incrível. Eu amo trabalhar com o Jesse. Ele é minha pessoa favorita para isso. Nos apaixonamos primeiramente de forma criativa, então planejamos fazer algo juntos talvez a cada 5 anos ou algo assim. Mas, honestamente, não tivemos muitas cenas juntos nesse filme. Foi legal ter alguém para te acompanhar no almoço. Você geralmente almoça sozinho em seu trailer. Foi legal deitarmos juntos em nossa cama, tentando não bagunçar o figurino ou o cabelo e a maquiagem, apenas cochilarmos juntos se tivéssemos algum intervalo.
Gaga: Realmente peço desculpas por estar tão quieta, mas fico fascinada ouvindo vocês… Sempre penso que quando o filme acaba e sou apenas um saco de ossos voltando para casa, que não há outro jeito de contar histórias sem me abandonar. Ainda sinto que tenho muito o que aprender dessa forma.

Quando estudei minha personagem durante o COVID, li tanto e aniquilei meu roteiro de uma forma que estava faminta para entender essa mulher. Eu não crio um ambiente seguro quando trabalho. Fumo cigarros como uma chaminé e faço várias anotações, trabalho em todos os sentidos de memória e personificação. Minha terapeuta sempre me diz que devo tentar trabalhar com 70% porque estou me machucando. Ouvi-las falar sobre estarem com seus companheiros e o jeito que conseguem balancear suas vidas é uma mensagem realmente importante para muitas pessoas.
Thompson: Minha segurança pessoal parece estar ligada a cada pessoa no set. Eu não ligo para a brutalidade emocional que às vezes é necessária. Acho que somente a brutalidade das horas, olhar para as pessoas ao redor com quem você está trabalhando e perceber que eles estão ficando loucos e não viram suas famílias. Parece que precisamos ser melhores.
Stewart: Brutalidade emocional é um jeito muito bom de colocar isso… Eu costumava pensar: “Preciso me foder muito, ou não vai ser real.” Ou: “Preciso incorporar cada memória pessoal e ligar em alguma coisa nesse personagem.” Mas então descobri que quando estou relaxada, sou mais presente, honesta e, portanto, mais vulnerável. Foi como uma descoberta ao contrário. Se não tentar quebrar minha cara em uma janela de vidro, consigo realmente pensar sobre a cena. Também, não é saudável. Se você fumar essa quantidade de cigarros, vai se prejudicar. Não dá para fazer isso por muito tempo.
Gaga: Você não está errada. Há essa cena no filme em que minha personagem recebe os papéis do divórcio na escola de sua filha. Meu marido manda os papéis por meio do advogado da empresa da família. Então, estou levando um pé na bunda na escola da minha filha. E me lembro de dizer: “Vou gritar com você por cada mulher nesse planeta, por cada mulher que foi ferida dessa maneira.” Então me levei de volta para o lugar em que fui atacada em minha própria vida. Ainda me sinto como uma estrela do rock por ter conseguido me erguer e continuar a trabalhar.

Entendo tudo o que estão falando sobre vulnerabilidade, mas o caos funciona para mim – reviver coisas que me machucaram, trazê-las de volta. Parece que consigo pegar algo que foi tão doloroso e transformar em algo significativo. Mesmo assim, eu estava um caco depois daquela cena. Realmente me deixou pra baixo.
Dunst: Bem, algumas vezes, suas emoções também não param. Você deve gritar com alguém e chorar, e quando a tomada termina, você talvez precise achar alguém para te dar um abraço. Você usa sua bagagem. Para mim, o que ajuda é quase fazer parecer que você e o personagem estão em uma sessão de terapia. E talvez isso se torne algo catártico. Mesmo que você precise ir para lugares que às vezes são muito dolorosos, espero que isso possa ajudar outras pessoas.

Penélope, ouvi você dizer que Almodóvar diz que você sofre muito por sua arte.
Cruz:
Se outra pessoa me dissesse isso, eu ouviria, mas vindo dele – no set, você pode ver que ele está disposto a dar a vida pelo filme. Então eu disse: “Você é a última pessoa que pode me dar esse conselho porque você não sabe como segui-lo”. Mas é verdade que lidei com isso de um jeito muito diferente antes. O que mudou para mim foi me tornar mãe. Não quero levar essa energia para casa. Nos meus 20 anos – ou até nos 30 – realmente acreditava que quanto mais sofria, melhor seria o resultado. E desde que tive filhos, isso mudou completamente porque cada hora que não estou com eles, entro 100% nessa ficção. De um jeito estranho, me permite ir mais fundo porque posso sair para respirar e me sentir segura, sentir onde estou e onde minha vida está, então voltar.
Hudson: Saindo de tudo o que vocês estão dizendo, são certas coisas que você se conecta, que você extrai, que podem ser usadas nesses momentos. E foi uma descoberta para mim de tantas formas como artista, sendo uma mulher negra… Não somente estava aprendendo mais sobre Aretha, mas estava me tornando mais forte de formas diferentes enquanto passava por sua jornada. Até mesmo vocalmente, eu pensava: “Aretha está me mandando de volta para a escola de música.” Eu ficava bicando nas teclas do piano. Nunca serei Aretha ou você, Gaga, amor, mas isso me inspirou a querer…
Gaga: Acho que você está se saindo bem, Jennifer.
Hudson: Estou trabalhando nisso. Mas esse é o poder da Rainha do Soul. Quando terminarem o filme, espero que todos tenham um respeito novo por ela, porque eu sei que eu tive. Não foi até ela conseguir sua voz que tivemos a nossa Rainha do Soul. Se todos nós parássemos para encontrar nossa própria voz, que rei ou rainha acharíamos escondido?

Tessa, como em Respect, Identidade é um filme que se passa há muitas décadas. Quais temas do filme você sentiu que eram mais relevantes para o público de 2021?
Thompson:
Acho que usa brilhantemente a ideia de passagem em termos de raça como uma metáfora para as maneiras que todos nós nos passamos. Essa ideia de que a versão de nós mesmos que projetamos para o mundo nem sempre se iguala com o que somos. Nós performamos e colocamos máscaras porque a sociedade nos diz para nos encaixarmos dentro dessa caixa. A verdade é que, quando estamos nos expressando completamente, estamos fadados a extravasar um dos lados.

Essa mulher, Irene, é alguém que estava tão reprimida pelas ideias do que ela precisava ser. Ela está fingindo uma heterossexualidade, fingindo felicidade dentro da vida doméstica, fingindo essa ideia do que é ser uma mulher – uma mulher negra. E por dentro, ela está desmoronando, porque esse fingimento não é quem ela é. Como atriz, algo que achei muito desafiador e delicioso foi essa ideia de como você não mostra o que está dentro de uma pessoa que é tão reprimida e calculada, mas também mostra o bastante para o público sentir que existem todas essas coisas por baixo.

Você mencionou sobre sua produtora mais cedo. Você disse que é importante para ajudar a contar as histórias de mulheres negras. Quanta responsabilidade você sente em trabalhar nesses filmes que representam sua comunidade?
Thompson:
Acho que algumas, você, como artista de cor, pode ser encaixotado nesses espaços. Essa ideia de que você deveria ser um embaixador. Eu só quero fazer coisas que me hipnotizam, que parecem complexas, interessantes, divertidas, selvagens ou desafiadoras. Não quero me sentir limitada pela necessidade de representação. Uma coisa que amei em interpretar a Irene é, na verdade, o privilégio da ambiguidade. Ela é uma personagem na narrativa que tem tanta ambiguidade. Frequentemente sinto que, particularmente como uma artista de cor, você está sempre interpretando um papel que é funcional dentro de uma narrativa e não há espaço para ambiguidade, e acho isso profundamente entediante. Acho que é o que espero fazer nas coisas que produzir. Adoraria criar o tipo de espaço e personagens que morreria para ter interpretado quando comecei nessa indústria, quando pensava: “Não sei por quanto tempo vou ficar por aqui, porque não sei se há papéis interessantes o bastante para alguém como eu.”

Kirsten e Jennifer, vocês duas têm cenas poderosas em seus filmes em que precisam parecer embriagadas. Interpretar alguém bêbado é tão difícil quanto dizem?
Hudson:
Foi difícil para mim no começo. Nunca bebi na minha vida… Há uma cena em que Aretha cai do palco no meio de uma performance, e para aquela cena, Forest Whitaker [colega de elenco] disse: “Jennifer, gire em um círculo”, para me ajudar a criar a embriaguez. Me deu um sentimento de como seria ficar naquele estado.
Dunst: É um ótimo truque. Allison Janney me ensinou esse truque em Lindas de Morrer, porque eu precisava estar bêbada em uma cena. Ela disse: “Gire bastante em um círculo” e eu disse: “Oh, sim, isso funciona bem”. Sempre que preciso me sentir sem equilíbrio ou tonta, fico girando até entrar em cena. Fico girando como se fosse brincadeira. É pior se você fechar os olhos enquanto gira.
Gaga: Alguma de vocês toma as bebidas cenográficas e realmente se sentem bêbadas, mesmo que elas não sejam de verdade? Eu, sim.
Stewart: Sempre que tomo uma bebida ou outra para lubrificar as engrenagens quando tenho que parecer bêbada em uma cena, tenho a reação contrária e fico totalmente bem. Na verdade, nunca estive melhor.

A pandemia mudou o cenário do entretenimento, tornando o streaming mais importante e a ida ao cinema mais difícil. No meio dessas mudanças, por que vocês continuam comprometidas com a atuação em filmes?
Hudson:
Acho que filmes são uma fuga para todos nós – especialmente em épocas assim. Desde que ficamos em casa, uma das maiores coisas que fizemos foi assistir filmes.
Cruz: Mas nada supera a experiência de assistir algo em um cinema em vez de assistir em casa com tantas interrupções e se acostumar a assistir coisas com essas interrupções. Sinto que um dos maiores problemas que se tornou ainda maior por causa do COVID é a capacidade de atenção e o relacionamento com a tecnologia. As gerações que agora são adolescentes e crianças, e as que virão depois, merecem ter esse ritual mágico que é ir ao cinema. Sinto que mesmo que seja por essa razão, o mundo não pode desistir disso.
Thompson: Filmes sempre me fazem me sentir menos sozinha. A ideia de pessoas assistirem juntas a outras que não conhecem – e que talvez nunca se vejam novamente – existe um romance nisso. Também algo que acho que nos conecta com a humanidade de outros. Filmes nos tornam mais curiosos sobre pessoas que não conhecemos.
Stewart: Os filmes permitem que você sonhe além da maioria das formas de arte. Sou suspeita para falar, porque amo filmes mais do que tudo, mas não podemos parar de fazê-los. Não podemos parar assistir em salas grandes e escuras juntos. Não posso te contar como me senti exatamente em um sonho, mas posso fazer um filme sobre ele.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil