A moda da princesa Diana em Spencer
19, nov
postado por KSBR Staff

A revista TIME publicou uma entrevista com a figurinista de Spencer, Jacqueline Durran, onde ela fala sobre o visual atemporal da princesa Diana e como levou isso para as telas. Confira:

Como uma das mulheres mais visíveis de seu tempo, as escolhas de moda da princesa Diana sempre chamaram atenção do público. Recentemente, depois de duas décadas da morte de Diana, um influxo de tendências de moda alimentados por nostalgia e múltiplas dramatizações de sua história na cultura pop cimentaram seu status como um verdade ícone fashion.

A falecida princesa, que passou metade da sua vida aos olhos do público como membro da família real, não era estranha ao poder da apresentação – seu vestuário real era tanto sobre praticar a diplomacia da moda quanto ser uma armadura a protegendo o imenso escrutínio público que enfrentava. A moda também permitiu que Diana reivindicasse sua narrativa, especialmente nos últimos anos de sua vida quando se desprendeu das restrições do famoso palácio privado. Você pode traçar sua evolução através de suas escolhas de vestuário desde a noiva inocente e submissa do Príncipe Charles – com quem se casou aos 20 anos usando um vestido de conto de fadas – até a mulher independente que usou um minivestido preto glamuroso e tomara-que-caia chamado de “vestido da vingança” no dia em que ele admitiu publicamente ter sido infiel.

O poder de uma narrativa transformadora como a de Diana, particularmente uma que pode ser vista de modo tão fácil, exerceu uma influência cultural tremendo nos últimos anos. Na moda, ela está em todos os lugares, desde a coleção inspirada por Diana da Off-White de Virgil Abloh até a GQ a coroando postumamente como “O Rei do Estilo Casual” em 2019. Ela mantém o destaque em várias adaptações para a TV, teatro e cinema de sua história, a mais recente sendo Spencer, de Pablo Larraín.

Kristen Stewart estrela como Diana na imaginação experimental do filme sobre o conflito interno da princesa antes da separação do Príncipe Charles, durante o feriado de Natal de 1991 em Sandringham, uma das propriedades rurais da família real. Enquanto o filme se passa em apenas alguns dias, o arco de personagem dramático de Diana é ilustrado por uma grande variação de figurinos inspirados livremente no vestuário da falecida princesa entre 1988 e 1992. A figurinista de Spencer, Jacqueline Durran, conta para a TIME que Larraín estava profundamente investido em ter certeza de que as roupas seriam uma parte integral do filme, mas a alertou sobre não focar em uma data específica.

“Pablo foi muito específico sobre as roupas desde o começo”, ela diz. “E havia um sentimento de que ele realmente queria construir essas roupas e sets para criar a história que estava contando.”

Para isso, Durran definiu o período para antes da separação formal do casal em dezembro de 1991 e olhou centenas de fotos da princesa para encontrar roupas que melhor incorporavam como Diana teria se apresentado publicamente e em particular durante uma época de imensa confusão pessoal.

No filme, o figurino aparece quase como um personagem próprio – um vestido conservador amarelo lembra um que Diana usou enquanto estava em turnê invoca os fantasmas de seu passado, um vestido formal elaborado brilhante com bordados dourados é um lembrete da rigidez da família real no presente, um colar de pérolas presenteado por Charles, o mesmo dado para sua amante, Camilla Parker-Bowles, literalmente e figurativamente enforcam Diana e uma jaqueta bomber com jeans azuis servem como talismãs para a liberdade duramente conquistada que aparece no final do filme, antecipando sua decisão futura de desistir de seu título real.

Em uma cena memorável, a Diana de Stewart, sufocada pelas regras do protocolo real, olha de modo cansado para a enorme arara de roupas marcadas com etiqueta mostrando quando ela deveria usá-las durante o fim de semana. Mais tarde, ela quebra as regras e desafiadoramente usa um casaco vermelho vibrante (inspirado em dois casacos que Diana usou na vida real) que não era para ser usado na missa de Véspera de Natal – um gostinho de liberdade.

Apesar de cada figurino no filme parecer um tanto familiar, Durran e sua equipe propositalmente criaram roupas que não eram cópias exatas de nada que Diana realmente usou, para preservar Spencer como uma obra de ficção. Em vez disso, Durran optou por criar figurinos que lembravam várias roupas famosas de Diana, que ela esperava que evocasse “sua aura” refletindo o impressionismo do filme.

“Não era que não podíamos fazer réplicas exatas, mas não queríamos porque não queríamos que fosse específico do nosso momento”, ela diz, notando que já que Diana era uma figura tão pública, qualquer roupa específica teria sido documentada e facilmente identificada. “Nunca houve uma Diana sem os holofotes. Então mesmo quando estava sendo ela mesma, ela ainda estava totalmente sob o microscópio.”

No ponto de Durran, até mesmo as roupas mais casuais de Diana – seus famosos shorts de ciclista e moletom, a mercadoria de caridade que ela usava como uma filantropa apaixonada, a jaqueta dos Philadelphia Eagles que usava para buscar seus filhos na escola – raramente eram vistos como fora do expediente, por mais que apresentassem um lado diferente dela para o público.

Um de seus visuais mais famosos, um look muitas vezes postado no Instagram que é referenciado nas cenas finais de Spencer, mostra Diana em um conjunto de moletom, com as calças para dentro de um par de botas altas, cobrindo um blazer elegante e com um boné de baseball como acessório. Uma produção que representa a queda de Diana por moda high-low em seus últimos anos, livre da família real, a roupa é uma expressão calculada de um glamour identificável da “Princesa do Povo”. Mostra uma forja definitiva de seu próprio caminho, longe das sombras do palácio. Tanto no filme quanto na vida real, apesar de ser casual, o impacto da roupa é claro: essa finalmente era a história de Diana.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil