Pablo Larraín, diretor de Spencer, compartilhou sua descrição sobre o filme no site do Festival de Veneza. Confira abaixo:

Todos nós crescemos entendendo o que é um conto de fadas, mas Diana Spencer mudou o paradigma e os ícones ideais que a cultura pop cria para sempre. Essa é a história de uma princesa que decidiu não se tornar rainha, mas escolheu construir sua identidade por si mesma. É um conto de fadas do avesso. Sempre fiquei surpreso com sua decisão e penso que deve ter sido muito difícil. Esse é o coração do filme. Queria explorar o processo da Diana enquanto ela oscila entre a dúvida e a determinação, finalmente optando pela liberdade. Era uma decisão que definiria seu legado: uma de honestidade e humanidade que continua inigualável.

Muito foi escrito sobre Diana; as histórias são infinitas – algumas podem ser provadas, outras não. Nós fizemos uma pesquisa extensa sobre ela, as tradições de Natal da família Real, e relatos sobre fantasmas na Casa de Sandringham. Ainda assim, a família Real é notoriamente discreta. Eles podem parecer publicamente em algumas ocasiões, mas em algum momento, quando as portas se fecham, e eles também, você não sabe o que está acontecendo lá dentro. Isso dá muito espaço para a ficção, era esse o nosso trabalho. Não queríamos fazer um documentário dramático, queríamos criar algo pegando alguns elementos reais e usando a imaginação para contar a história de vida de uma mulher com as ferramentas do cinema. Por isso o cinema é tão fantástico: sempre há espaço para a imaginação.

Ao construir o personagem da Diana, não queríamos criar uma imagem replicada dela, mas usar o cinema e suas ferramentas para criar um mundo interno que se encontrava na balança certa entre o mistério e a fragilidade de seu caráter. Tudo o que Diana vê reflete em suas memórias, seus medos e desejos, e talvez até em suas ilusões. Esses elementos pegam algo que está acontecendo dentro dela e mostra uma vulnerabilidade muito bonita.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil