Kristen Stewart entrevistou sua colega de elenco em Happiest Season, Mackenzie Davis, para a revista Hunger. As duas falam sobre o filme, o processo para se preparar para um trabalho e o próximo projeto de Mackenzie. Confira:

KRISTEN STEWART: Cara, não nos divertimos muito em Happiest Season?
MACKENZIE DAVIS: Nunca me diverti tanto trabalhando com alguém na minha carreira. Ter amizade com alguém, amá-lo e não o deixar pensando que você é muito intensa. É muito bom se sentir em casa em algum lugar.
KS: Eu sempre justifico experiências ruins porque eu passo por isso e penso que sou melhor por causa disso, mas realmente o que eu amo é me sentir visível, entendida, amada e apoiada. É muito legal fazer um trabalho que parece natural, me sinto tão à vontade com você e esse conforto não era entediante.
MD: Eu entendo o que você disse. Ter dificuldades realmente não promove a melhor versão de mim mesma.
KS: Imagine dois homens tendo essa conversa, nem passaria pela mente deles. É uma reação tão feminina ao conflito pensar, ‘Na verdade, eu posso tirar algo disso, posso fazer meu melhor trabalho com essa dificuldade.’ Mas realmente, foda-se isso, não é verdade. Então, Clea é incrível, não acha?
MD: Clea é uma das melhores pessoas que já conheci na minha vida, a acho tão talentosa. Ela nos manteve em curso durante o filme inteiro quando nós queríamos transformar tudo em um drama-tragédia.
KS: Em entrevistas, você acaba falando sobre o resultado do trabalho que você fez e não sobre o trabalho. É estranho porque você precisa sair completamente de si para se relacionar com outras pessoas e suas percepções, mas e a experiência que você está tendo? Mesmo quando você acorda de manhã para trabalhar, como você se prepara para uma grande cena? Você é melhor de manhã ou de noite?
MD: Falar sobre o processo me estressa porque tenho ansiedade sobre ser uma aluna ruim e não fazer as coisas certas ou não saber o jeito certo de fazer. Com tudo em que trabalho, eu leio um pouco, procrastino muito, penso um pouco, escrevo algo e então para onde isso vai, não faço ideia… esse saco de lixo de becos sem saída. Quando falo sobre meu processo, eu penso, ‘Oh não, é tão bagunçado e você não quer saber sobre isso, você vai ficar desapontado de saber o que realmente acontece.’
KS: Acho que não existe um jeito errado de fazer as coisas. Notei que sempre que alguém com quem trabalho tem regras duras e rápidas, mesmo quando eles são realmente talentosos e essas regras se provam muito produtivas e frutíferas para eles, eu não consigo me relacionar. Mas então também sinto que sou uma atriz ruim ou que não sou tão diligente porque não tenho um processo definido.
MD: Acho que é a psicose estranha desse trabalho, que existe sempre a chance de começar de novo e fazer melhor no próximo, mas também o medo de que você nunca vai ter outra chance.
KS: Também o desejo de nunca fazer isso de novo, mas o sentimento de que você quer fazer isso pelo resto da sua vida.
MD: Sim, eu quero fazer isso pelo resto da minha vida, mas eu também posso por favor ter uma fazenda? Eu adoraria ser dona de casa e relaxar.
KS: Você faz uma Delicata squash muito boa, você seria uma ótima dona de casa.
MD: Acho que em termos de processo, eu aprendo muito o que fazer e o que não fazer com as pessoas com quem trabalho. Com você, eu vi que você é muito boa em defender suas escolhas e si mesma. Digo isso do jeito mais lisonjeiro porque tenho essa coisa canadense misturada com a minha personalidade natural de dizer, ’Eu não faria assim’ e então ’Oh, você não gosta disso? Então vou me calar e não vou te perturbar mais com a minha opinião porque prefiro que a gente siga em frente e tenha um bom dia.’ Não estou dizendo que você faz o oposto disso e cria um problema, mas realmente aprendi observando você e vou usar no futuro.
KS: Então, você tem algum outro projeto em breve?
MD: Sim, Station Eleven. Se passa em vinte anos no futuro depois de uma pandemia apocalíptica que acabou com 99,9% da população. É uma série sobre uma pandemia que foi adiada por causa de uma pandemia. Tive dez meses para preparar uma piada melhor para isso, mas é o que consegui.
KS: Você vai aprimorar isso, você vai ter tempo.
MD: É tão estranho não trabalhar por tanto tempo porque você realmente sente que perdeu o jeito entre cada projeto e eu sempre sinto que é o primeira dia na escola e não aprendi nada no ano anterior.
KS: Qual o tom da série?
MD: É muito sobre o trauma que forma os artistas e sobre a busca de criar arte mesmo em um estado de caos e devastação. Mesmo depois de não ter restado nada, ainda terão pessoas que irão contar histórias e criar arte como um modo de sobreviver. Segue uma trupe shakespeariana que leva Shakespeare para todas essas cidades depois do fim do mundo.
KS: Não acredito em um mundo onde não somos inclinados a imaginar e criar. Todas essas hipóteses são o que nos fazem pensar e o que nos move. Estou realmente animada para Station Eleven – se eu fosse fazer um filme de tópico, minha cabeça estaria nisso.
MD: O fato de que eles estão performando Shakespeare é muito interessante. Eu li algumas ficções históricas sobre a escrita de Hamlet e fiquei chocada com a onipresença da praga e do desastre naquela era [1500]. Algumas vezes me sinto muito mal com a raça humana porque sua adaptação é através da ignorância, ignorar a realidade para seguir em frente e criar uma imitação de uma vida normal. Fazem isso com a mudança climática, fazem isso com a pandemia.
KS: Somos apenas monstros, realmente.
MD: Ler essa ficção histórica me fez me sentir um pouco melhor. Perceber que a relutância em mudar por um bem maior não é um problema do século 21, não é da revolução industrial. Somos apenas lixos, é a condição humana.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil