Kristen Stewart, Naomi Scott, Ella Balinska e a diretora/roteirista e também estrela do filme, Elizabeth Banks, estão na capa da edição digital da Entertainment Weekly, que inovou de vez e soltou todo o conteúdo da sessão de fotos em gifs! Confira:

A primeira cena de perseguição acontece com apenas 30 minutos no novo As Panteras. É uma parte que poderia facilmente se encaixar no mundo de Bond ou Bourne – um veículo armado equipado com o que só pode ser descrito como uma uzi, e uma motocicleta aparece na traseira. Balas são trocadas, algumas delas são mortais. O cenário é Hamburgo, na Alemanha (após uma cena pré-créditos no Rio). Mas então as espiãs se juntam em um campo vazio, esperando por sua treinadora, e a coisa toda termina em… um abraço.

”Eu exigi que tivesse abraços no filme,” diz a roteirista e diretora do filme Elizabeth Banks, 45 anos, que também interpreta a Bosley que administra o abraço em questão. ”É isso que diferencia As Panteras de James Bond, Jason Bourne, Missão: Impossível. É isso que você faz na versão feminina desse filme que te atrai porque parece real. É real. Eu choro no trabalho.”

Banks está na sessão de fotos da EW em Los Angeles, sentada em um sofá ao lado de suas três estrelas: Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska. No que provavelmente foi um movimento totalmente inócuo, mas de alguma forma completamente significativo, ela permanece vestida toda de branco com a roupa que a estilista escolheu para ela enquanto as outras se transformaram para várias formas de confortável. Ela é assustadoramente impressionante – seu conhecimento do cânone de As Panteras é nada menos que enciclopédico – e também claramente o coração desse projeto. Por um breve segundo, é possível acreditar que isso pode se tornar uma sessão de terapia em grupo (”Eu choro no trabalho também!”) antes de lembrarmos que temos um trabalho a fazer.

Nessa instalação da franquia, onde Banks explica que começou em 1976 como um Filme da Semana de duas horas antes de receber o sinal verde para uma série de televisão da ABC por cinco temporada, estamos entre um reboot e uma sequência. A ideia apareceu de um item no set de um episódio: uma placa nos escritórios da Agência Townsend que listava escritórios satélites no Havaí e em outros lugares. Quando Banks começou a pesquisa para o roteiro, ela se perguntou sobre essas bases (”Eles filmaram alguma parte da série no Havaí, o que eu acredito que foi só para colocá-las em biquínis,” ela brinca) e como seria uma Agência Townsend internacional 40 anos depois. Sua versão em 2019 responde a pergunta.

É claro no trailer: Esse é um suspense de espiões global. Naomi Scott é Elena, uma programadora no comando de lançar uma nova fonte de energia sustentável que pode virar uma arma se colocada nas mãos erradas. As Panteras Sabina (Kristen Stewart) e Jane (Ella Balinska) recebem a tarefa de protegê-la enquanto ela tenta delatar as Indústrias Brok, e a recebem como Pantera quando o caso fica muito mais complicado. É ambientado no mesmo universo das outras instalações, e usa muitos dos mesmos temas (”Bom dia, Charlie!”), mas Banks também sabia que ela teria que deixar alguns elementos para trás. Em vez das cenas de abertura na versão de 2000 de McG que servia como biografias para Natalie, Dylan e Alex (interpretadas por Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu, respectivamente), o filme inteiro é uma história de origem.

”Eu sentia que aqueles começos eram uma forma de pedir desculpa pelo fato de que essas mulheres estavam fazendo um trabalho que você não estava acostumado a vê-las fazendo,” ela diz. ”18 anos depois, eu não preciso explicar como ela conseguiu suas habilidades. Como público, nós aceitamos que mulheres podem fazer qualquer coisa.”

Cinco anos atrás, dentro dos escritórios corporativos da Sony Pictures, os executivos perceberam que a indústria estava se transformando para um modelo de franquia – vamos reconhecer e passar rápido pelas claras questões existenciais que isso apresenta para a indústria do cinema – e avaliou seu próprio catálogo de marcas amadas para minerar para uso futuro. As Panteras foi um vencedor claro de acordo com Doug Belgrad, um dos produtores do filme que era presidente do Sony Pictures Motion Picture Group na época. Também ficou clara a necessidade da franquia ser liderada por mulheres, finalmente. Banks foi a primeira escolha, uma decisão feita em parte por seu trabalho em A Escolha Perfeita 2, diz a produtora Elizabeth Cantillon: ”Ela traz a experiência de alguém que criou um cinema de destino sobre mulheres.”

Banks escreveu o papel de Sabina para Kristen Stewart, sabendo que sua personagem seria A Engraçada – ela também sabia que teria que emprestar sua experiência na comédia para ajudá-la a chegar lá. Depois veio Jane, a mais treinada das espiãs (a personagem é ex MI6), interpretada por Balinska, uma novata na atuação mas a lutadora com mais experiência do elenco.

”Jane sempre seria a mulher heterossexual dessa dupla,” Banks explica, antes de Stewart adicionar ”literalmente!” com uma risada. (Talvez o timing de comédia não tenha vindo de sua diretora no final de tudo.)

Scott explica que Elena está experimentando as idiossincrasias da Agência Townsend e sua nave espionagem pela primeira vez – útil considerando que grande parte da Geração Z não conhece a franquia da mesma forma que a geração do milênio – e também serve como substituta para o público, reagindo à trama da maneira que todos nós. (”É como ter alguém em um filme terror que não vai para o andar de cima quando estão sendo perseguidos pelo assassino,” adiciona Stewart). Scott interpretou a Princesa Jasmine no sucesso de 1 bilhão de dólares da Disney, Aladdin, mas quando estavam procurando elenco para As Panteras, o remake ainda não tinha chegado aos cinemas. Banks convenceu um amigo a mostrar Aladdin antes para ela, e então trouxe pequenas amostras de sua performance para convencer a Sony a colocar Scott no papel. (”É assim sempre,” diz Scott pacientemente.)

Em comparação com os filmes de 2000, esse é muito maior – a tecnologia (a comunicação vem em forma de tatuagens muito avançadas), o armamento (existem armas dessa vez), a moda (muito brilho), a Agência – exceto pela ausência óbvia de Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu. Os fãs refletiram sobre a aparente discrepância entre o uso de A-listers e a versão de 2019 contratando novatas (ou, no caso de Scott, relativamente novata.) Também se parece mais com a Hollywood igualitária que tantas pessoas gostariam de ver.

”Os filmes que foram feitos na Sony 20 anos atrás são uma grande sombra,” reconhece Belgrad. ”Você tinha três grandes atrizes, duas das maiores do mundo. Nós amamos nosso elenco e achamos que elas são frescas e animadas e todas as três possuem um grande poder – o estúdio precisou apostas.”

De volta para a sala de entrevista, o elenco parece ter estabelecido um relacionamento de irmãs – o tipo de dinâmica de família que você pode sentir imediatamente. Stewart é a líder: claramente entusiasmada e apaixonada por esse filme, rápida para responder pelo grupo como se (sendo a veterana que é) já estivesse antecipado as perguntas que vai receber. Balinska é quieta e pensativa, Scott é bem humorada e calorosa. Elas possuem o hábito de se intrometer na frase da outra para elogiar ou encorajar (”É incrivelmente adorável”, Stewart diz sobre a reação facial de Scott em um ponto) e possuem prática em irritar uma a outra enquanto Banks permanece sem preocupação. Chega um momento em que Stewart e Scott começam a brigar – uma briga verbal bem humorada sobre quem teve a ideia de colocar Ariana Grande cantando o tema do filme primeiro que se torna uma briga física bem humorada – enquanto sua diretora continua a analisar a trilha sonora de Pantera Negra por cima de gritos de ”Eu vou te matar!” Ela claramente já fez isso antes.

Banks queria que seu filme apresentasse três mulheres desconhecidas e, em seguida, levasse o público à medida que, ao final, elas se tornassem uma equipe. ”Quando você ganha, você pode sentir a satisfação de ficar próxima de alguém,” adiciona Stewart. ”A melhor coisa do mundo quando eu conheço alguém é a primeira vez que eu digo, ‘Você é meu.’”

Ela também pretendia fazer, inerentemente, um filme de mulher. Não um filme para mulher, mas usando seus pontos fortes femininos para criar um projeto que somente uma mulher poderia. Ela menciona, com sarcasmo óbvio, roteiros masculinos que mudam de gênero, escalam uma estrela feminina e chamam de empoderamento (“Você chegou no final, ou só colocou a Angelina Jolie para interpretar esse papel que o Tom Cruise não queria?”).

Há também a questão gritante do olhar masculino.

Esse olhar é inerente na história de As Panteras. A franquia chama por mulheres bonitas vestindo roupas bonitas, e a Agência Townsend extrai a feminilidade pelo poder contra homens maus que se comportam mal. O ponto principal é que as mulheres são observadas – mas enquanto os homens observam, as espiãs estão se reunindo. Com esse fato, a versão filmada por uma mulher sempre será diferente de uma versão filmada por um homem. As diferenças entre as versões dos anos 2000 e a de 2019 são sutis, mas podemos ver rapidamente a diminuição de cenas focando nas bundas. É como se a versão de 2019 dissesse para a câmera de 2000: ”Hey, meus olhos estão aqui em cima.”

”Eu sinto que as pessoas não querem mais ver isso,” diz Balinska. ”O que as pessoas querem ver são mulheres inteligente, treinadas, emotivas, poderosas, fortes e engraçadas que ganham, perdem, riem, falham, e entendem das coisas.”

É fácil olhar com uma visão atual para as cenas nuas de Drew Barrymore ou a ocasião onde a câmera vai de cima a baixo na cueca de Cameron Diaz, quase como se estivesse tentando filmar sua genitália. Mas essa equipe que as estrelas estavam a bordo da ideia o tempo todo – que elas foram empoderadas no filme e naquelas imagens. ”A Drew produziu aqueles filmes e elas estão confiantes e felizes nos papéis,” discute Stewart. ”É contagiante. Você as assiste e pensa, ‘Oh, sim, vou dançar de calcinha.’”

Quando As Panteras chegar aos cinema, estará contra The Report, com Adam Driver no papel principal e queridinho da temporada de premiações sobre a investigação de tortura do Comitê de Inteligência do Senado, e Ford v Ferrarri, um filme de corrida de prestígio muito masculina, estrelado por Matt Damon e Christian Fardo. Não importa o quanto sejamos otimistas sobre a trajetória da mulher em Hollywood, a história desse fim de semana de abertura será focado na bilheteria no final. Cinco anos atrás, o futuro de cada diretora ficava na balança com cada filme liderado por mulheres. Hoje, não é tão extremo, mas ainda existe a pressão em Banks para entregar uma boa bilheteria, sem mencionar a pressão nos jornalistas para perguntar sobre a pressão para entregar uma boa bilheteria.

”Aqui está como me sinto: Sinto que não existe um bom jeito de responder essa pergunta,” ela diz. ”Esse filme é a solução para um problema, mas nós não somos o problema. E se você quer investigar o problema, você deveria perguntar para o problema. Então ligue para todos aqueles homens e pergunte para eles, ‘Por que vocês não nos deixam fazer esses filmes e por que vocês não nos dão dinheiro o bastante?’ Eu adoraria saber a resposta.”

É retórica? Talvez. Mas nós também adoraríamos saber a resposta. Nós adoraríamos saber o motivo pelo qual apenas 12 dias depois que As Panteras estrear, Melina Matsoukas estará estreando somente seu primeiro filme (Queen & Slim) apesar de já ter dirigido para a Beyoncé várias vezes. Ou por qual motivo Greta Gerwig é somente a quinta mulher na história do Oscar a ser indicada a Melhor Diretora.

“As mulheres ainda têm tanto escrutínio,” adverte Cantillon. “O escrutínio é muito maior, as oportunidades são limitadas [comparadas aos homens]. Há muita conversa sobre isso e espero que isso esteja nos movendo na direção certa, mas ainda não estamos lá. Temos um grande filme comercial dirigido por uma mulher, produzido por uma mulher e alguns grandes caras, e estrelando mulheres, e espero que tenha sucesso.”

De qualquer maneira, o que é notável é que As Panteras vai finalizar um ano marcado por Capitã Marvel, Booksmart e Hustlers – filmes que não apenas evitam escrever mulheres da maneira que você escreveria homens… todos são melhores precisamente porque só poderiam ser sobre mulheres.

O que nos leva de volta para aquele abraço, e para a cena chave no meio do filme que deixa uma das principais chorando também. Isso torna óbvio o quão emocionalmente reprimidos são os filmes de espião masculinos em comparação. É tanto que precisamos pensar se é possível ser um bom agente secreto quando você não pode falar sobre seus sentimentos.

”De jeito nenhum somos mais fortes não reconhecendo nossas emoções,” diz Stewart. ”Isso é uma fraqueza.”

Afinal, James Bond só consegue encontrar seus alvos depois de se encontrar.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil