Kristen é capa da revista francesa Les Inrockuptibles e conversou com eles sobre Underwater, The Chronology of Water e mais! Confira:

Você afirmou repetidamente que não gosta de nadar e não fica confortável na água. Ainda assim, você concordou em estrelar em um filme que se passa totalmente no fundo do mar. Essa é uma maneira de superar seu medo?
Estranhamente, não estar confortável na água provavelmente me levou a ser uma boa – pelo menos não tão ruim – nadadora. Posso sair rápido da água se precisar! [Risos] Mas, sim, brincadeiras à parte, eu tenho medo da água, do seu peso, da escuridão, da dificuldade de se mover lá dentro, seja você um bom nadador ou ruim. Eu sou controladora, e na água eu perco o controle.

Mais especificamente, foi a jornada da personagem que me interessou. O fato de que começo de roupas íntimas, escovando os dentes, alheia ao perigo iminente – resumindo, começar com uma personagem virgem, que sabemos quase nada, e que continuaremos sem saber por um bom tempo. É algo que eu gosto.

É uma mudança dos cenários clássicos, onde após dez páginas você precisa aprender isso e aquilo. Estamos lidando com uma pessoa que tem dificuldade de existir, que parece inacessível, inexpressiva, solitária, dura…

Como se ela fosse uma caricatura do homem herói. Então, Nora vai ficar mais forte, nós vamos entender que ela está de luto, que ela se protege do mundo. Mas quando o mundo a ataca pra valer e sua vida é ameaçada, ela vai perceber que ainda vale a pena viver.

Também é seu filme mais comercial em um bom tempo. Houve alguma atração em particular nisso, para voltar aos trilhos da indústria em Hollywood?
Realmente, eu não aceitava um filme assim há um bom tempo, e eu senti a pressão. Não do jeito que alguém me dizia, ”Você precisa fazer esse filme,” mas simplesmente porque era uma necessidade. Para continuar a fazer o que eu quero fazer, preciso estar visível. É assim que funciona.

Então eu olhei o que estava disponível no mercado e encontrei esse cenário, que me seduziu imediatamente por sua simplicidade. Não está tentando fazer muita coisa. Foca somente em uma ideia: sobreviver e reviver. Hoje, no sistema de estúdios, é quase impossível fazer coisas complicadas. Estamos em perigo de perder em todos aspectos, então é melhor ter uma ideia simples com execução perfeita.

Em adição ao lado comercial, Underwater também é um filme de ação. Com As Panteras, você fez dois seguidos, mesmo sendo um gênero que você não tocou muito até agora. Você acha que é agradável? Diria que é empoderador?
Na verdade, eu não fiz um atrás do outro, mas você entende o quão loucas essas datas de lançamento podem ser… Entre eles, eu filmei Seberg, e eu até tive bastante tempo livre, o que me permitiu escrever um projeto pessoal.

Eu nunca fiz uma escolha de carreira baseada na percepção das pessoas sobre mim. Eu vou por instinto. Para As Panteras, eu queria me sentir livre, confortável e apoiar mulheres que me apoiaram em troca. E realmente havia algo empoderador, especialmente porque estávamos rindo constantemente no set.

Underwater, como eu disse, eu fiz para superar meu medo de água, espaços pequenos e filmes comerciais [risos]. E o diretor, William Eubank, conseguiu me convencer.

Ele é um cara jovem, quase uma criança, que só fez um filme antes que é super criativo e com poucos significados, O Sinal – Frequência do Medo. Eu não me via fazendo um suspense com um diretor experiente e confiante. Me diverti muito mais tentando uma aventura, um risco.

Underwater é bem claro quanto aos filmes de James Cameron, incluindo O Segredo do Abismo e Alien, e sua personagem é bem parecida com a Ripley de Sigourney Weaver. Isso foi uma inspiração? Foi algo que você discutiu com o diretor?
Eu não assisti esses filmes especificamente, mas é inegável que foi parte da inspiração geral. Nós dois amamos esses filmes e nosso filme também os ama.

A comparação com Ripley não parece inocente para mim, já que em Underwater, como na saga Alien, estamos lidando com uma personagem feminina que vale mais do que seus atributos sexuais. Agora, você disse que está cansada de Hollywood retratando mulheres sistematicamente como objetos sexuais…
Não foi bem isso. O que eu disse foi que Hollywood precisava começar a retratar mulheres como seres sexuais, no sentido de sujeitos em controle de suas sexualidades. Eu não sou contra sexualidade no cinema, desde que seja honesto e completo, desde que não esteja lá para satisfazer algum tipo podre de status social atual, ou para excitar o espectador americano típico.

Politicamente, parece interessante para mim poder contar histórias não sexuais com mulheres, ok. Mas eu gosto de histórias com pessoas que estão vivas – ou, nesse caso, que voltam para a vida – pessoas que às vezes fazem escolhas ruins, mas estão vivendo. Nora é alguém que se afastou de tudo, incluindo de sua sexualidade.

Ela literalmente se enterrou. E ainda é um problema, não é? Quando você olha para ela, você pensa, ”Onde você está? O que você está fazendo?” Há algo triste sobre sua falta de sexualidade, um sinal de rompimento com o mundo.

Você já viu Retrato de uma Garota em Chamas da Celine Sciamma?
Sim! Que filme! Eu amei! Eu já vi todos os filmes da Celine Sciamma, ela é muito boa. E os da Adele Haenel também, eu gosto muito dela.

Você leu os comentários recentes de Adèle Haenel para a imprensa francesa sobre abusos que ela alegou ter sido vítima do diretor Christophe Ruggia?
Eu acho que nunca ouvi sobre isso, não… [Contamos brevemente] Uau! Olha, eu concordo cem vezes com elas. Denunciar um sistema em vez de dar mais poder para um monstro parece a abordagem certa. Nós somos todos fodidos de uma maneira… Qual seria uma palavra melhor que fodidos? Digamos, perdidos. Os impulsos, essas coisas estranhas que são consideradas ilegais… Todos fazemos.

O desafio é saber como medi-las, e sobretudo, garantir que elas não sejam impostas a outras pessoas para arruinar com suas vidas ou reduzir sua liberdade. Mantenha suas neuroses para si mesmo, caramba! Então, atacar um sistema e não os indivíduos, por mais perdidos que eles possam ser, é o caminho certo a seguir. Adele está certa.

Mais e mais atrizes estão indo para atrás das câmeras: Greta Gerwig, Elizabeth Banks, Clea DuVall… Você também tem um projeto em curso. Isso é um jeito de ganhar poder?
Eu só posso falar por mim mesma, mas sempre quis contar histórias desde que era criança. Eu quero deixar algo que pertence somente a mim. Eu acho que isso é comum para muitos atores, mas para me sentir legítima, tiveram que me mostrar o caminho. Eu precisei me revelar para mim mesma.

Quando você está nesse caminho, o desejo de revelar outras pessoas para elas mesmas aparece muito rápido. É como se tivessem aberto a minha torneira e agora eu quero abrir todas as torneiras da casa!

Qual o estágio do seu projeto, The Chronology of Water?
Eu prometi a mim mesma que faria em 2020. É uma autobiografia da Lidia Yuknavitch que é muito complicada de adaptar porque é fluida e estranha. É como água, difícil de pegar. Eu preciso achar a atriz perfeita para o papel principal (para ser uma nadadora profissional, bisexual e viciada em sexo, que se torna uma artista). A história acontece em quarenta anos, então, na verdade, preciso de mais de uma atriz…

Ou de um efeito de envelhecer…
Oh, não! [Risos] Antes de chegar nisso, preciso filmar o filme da Clea DuVall e o filme do Ben Foster. Mas estarei livre no final da primavera. Se nos vermos novamente em um ano e se eu ainda não estiver filmado, vou estar super frustrada!

Voltando para a metáfora da torneira aberta, você acha que o Olivier Assayas fez isso por você?
Sim. Como uma futura diretora, ele me desbloqueou, claramente. Como atriz, é diferente, eu só preciso segui-lo. Tudo o que eu preciso fazer é ser humana, me misturar com o molde que ele cria. É incrivelmente natural e eu amo. O Olivier é muito engraçado, sabia? Porque ele nunca leva o crédito. Ele diz coisas como [ela começa a imitá-lo]: ”Eu não sei o que aconteceu, eu só escrevi umas coisas, filmei e foi isso.”

O que ele me ensinou é que quando você tem algo em você, isso flui naturalmente; e se não fluir, não faça. Não que fazer filmes seja fácil, mas o desejo precisa ser compulsivo.

Olivier é como meu irmão mais velho. Sempre que o vejo é mais do que alegria, é um alívio. Eu enviei para ele meu roteiro para descobrir o que ele achava. E ele disse, ”Você ainda não chegou lá, mas o fato que você está fazendo um filme atrás do outro é bom. Você está no caminho certo.”

Tenho muita sorte de ter um mentor assim! Ainda tenho chance, não tenho?

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen compareceu à noite de estreia de Ameaça Profunda (Underwater) em Los Angeles, ontem (07). Depois do filme, o elenco e o diretor do filme participaram de um Q&A que foi exibido no Twitter. Confira:

EVENTOS > PREMIERES > PREMIERES 2020 > (07/01) PREMIERE DE AMEAÇA PROFUNDA EM LOS ANGELES

EVENTOS > PREMIERES > PREMIERES 2020 > (07/01) PREMIERE DE AMEAÇA PROFUNDA EM LOS ANGELES [Q&A]

Vincent Cassel: “Kristen Stewart é unica.”
07, jan
postado por KSBR Staff

Colega de elenco de Kristen em Ameaça Profunda, o ator Vincent Cassel conversou com a mídia francesa sobre como foi trabalhar com a atriz no filme e suas percepções dela. Confira:

Como foi seu relacionamento com Kristen Stewart? Você a acha subestimada? Para muitos ela permanece sendo a garota de Crepúsculo.
Ela é uma atriz incrível. Quando você é jovem, começar com filmes para jovens não é uma desonra. É fantástico. Eu não sou muito fã de Crepúsculo, mas eu vejo o impacto que teve nos meus filhos e nessa geração inteira. Ela estava certa em fazer esses filmes e ela está muito boa neles. O que eu gosto é que ela é fisicamente especial. Ela tem essa beleza que pertence somente à ela, a torna única. Ela não é padrão que nem muitas outras atrizes. Em qualquer país, existe um estilo de atriz e ela escapa disso. Ela é única.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

De passagem por Veneza para o Festival na cidade em setembro do ano passado, Kristen conversou com o The Guardian sobre sua carreira, infância e seus novos projetos como Seberg e As Panteras. Confira:

As cortinas se abrem e Kristen Stewart entra, um rastro de palidez e loiro platinado emoldurado com um luxuoso vermelho. A atriz de 29 anos acaba de entrar em uma biblioteca de um palácio veneziano do século 18, vestida em jeans desbotados, um sutiã preto, e um blazer destruído que parece que ainda não foi terminado. Ela se encaixa no ambiente como David Bowie na era Let’s Dance em uma sala do trono marrom – o que não diz nada, mas também é perfeito.

Uma década atrás, poucas pessoas viam a heroína da saga de romance de vampiros Crepúsculo como a rainha dos festivais de filmes em ascensão. Ainda assim, na noite antes de nos encontrarmos, no tapete vermelho de seu filme mais recente, ela tem a recepção geralmente reservada para pessoas como Catherine Deneuve e Isabelle Huppert. Stewart é incomum perto de seus colegas por ter convertido o sucesso em uma franquia de Hollywood para a arte de classe européia: o único outro ator da geração dela a fazer o mesmo foi Robert Pattinson, seu colega de elenco em Crepúsculo e ex-namorado. O afeto vai longe. Ela é a única atriz americana a ganhar um César, o Oscar francês. Por que ela acha que a conexão entre ela e a Europa aconteceu? ”Provavelmente pelas mesmas razões pelas quais me recusaram em todos os testes para comerciais quando criança,” ela ri.

Stewart está em Veneza com Seberg, um drama baseado em fatos reais sobre a atriz Jean Seberg perseguida pelo FBI no final dos anos 60 e início dos anos 70. Seberg mal tinha 30 anos na época, e era mais conhecida por estrelar no clássico Breathless. Mas em resposta ao seu apoio vocal e financeiro para grupos de direitos humanos, incluindo os Panteras Negras, o governo dos Estados Unidos juraram arruiná-la, brutalmente e publicamente. Ela era vigiada constantemente. Seus telefones eram grampeados. Falsas histórias foram plantadas sobre a paternidade questionável de seu filho não nascido, que morreu após Seberg consequentemente entrar em parto prematuro. Em 1979, aos 40 anos, ela cometeu suicídio; seu segundo marido, Romain Gary, culpou sua morte à década de assédio pelo FBI. O filme, dirigido por Benedict Andrews, apresente tudo isso em forma de um suspense paranóico, com Jack O’Connell e Vince Vaughn como dois dos agentes com a tarefa de arruiná-la, e Stewart como a própria Seberg.

A ideia de interpretar outra atriz deixou Stewart nervosa. ”Tudo que você possa pesquisar no Google é intimidante,” ela explica. ”Porque as pessoas podem fazer aquela coisa de colocar lado a lado.” Mas Andrews a buscou para o papel especificamente pelos paralelos nas vidas das duas. Como ele notou em Veneza: ”As duas foram lançadas ao olhar público bem jovens, e as duas conseguiram sobreviver à intensa atenção da mídia.”

Stewart se encolhe um pouco com a comparação, mas admite o ponto mais amplo. ”Obviamente existe uma escuridão e intensidade na história da Jean que a minha vida não chegou perto,” ela diz. ”Mas eu estou muito ciente do fato de que as pessoas estão me encarando constantemente. Então, esse não foi um trabalho que precisou de uma imaginação enorme.” Para capturar a paranóia crescente de Seberg, Stewart diz que ela precisou se permitir ”cair nesses buracos – os mesmos que eu tento pular na minha própria vida. Eu posso estar sentada em um restaurante e ver pessoas tentando escutar as coisas. Mas eu desisti de me preocupar com isso. Abandonei qualquer reivindicação de que minha vida seja outra coisa.”

A franqueza é o registro padrão de Stewart: é o que você esperaria de uma dama de Hollywood com nada a perder, em vez de uma atriz que ainda nem chegou nos 30 anos. No ano passado, ela disse que, depois de se assumir bisexual em 2017, ela foi aconselhada a não ser fotografada segurando a mão de mulheres em público porque manter uma imagem mais convencional ”daria um filme da Marvel à ela.” Ela não aceitou o conselho, e foi fotografada com namoradas desde então, incluindo a cantora St. Vincent, a modelo Stella Maxwell, e, atualmente, a roteirista Dylan Meyer.

Essas imagens completamente não-escandalosas ajudaram a normalizar a ideia, ainda polêmica mesmo cinco anos atrás, que uma estrela de cinema jovem e de sucesso pode ser abertamente gay. E enquanto o filme da Marvel não se tornou realidade, ela recentemente estrelou em um reboot de As Panteras, que não foi um sucesso de bilheteria (quase não conseguiu o orçamento de volta) mas todavia uma mudança de ritmo.

Quando conversamos, ainda faltavam uns meses para o lançamento de As Panteras, e Stewart parecia um pouco perplexa que era um filme que ela realmente fez. Elizabeth Banks, escritora e diretora do filme, disse para Stewart: ”’Eu me divirto tanto com você. Por que você não é assim nos filmes?’” Stewart lembra. ”Ela pensou que as pessoas precisavam ver aquilo, o que foi muito doce da parte dela. Então é um filme divertido e bobo, mas é porque meninas são divertidas e bobas. E a ideia de que ajudaria as pessoas a verem que eu não sou tão séria era realmente atraente.”

Seberg a desafiou a trazer isso para fora de si, também. Stewart acredita que parte da razão pela qual o apoio da atriz aos direitos humanos era visto como muito perigoso era pelo tamanho de sua fama: ela podia conquistar um lugar somente ao entrar nele. ”Havia uma facilidade com a qual Jean vivia sua vida, mesmo em uma idade tão jovem, que demorou muito para que eu conseguisse entender,” ela diz. ”Eu tenho quase 30 anos. Ela tinha isso aos 15. Quando eu tinha 15 anos, eu estava sentada na porra de um canto.”

Ainda assim, ela atribui seus últimos dias – incluindo a saída do armário, que ela fez em ao vivo na televisão – ao clima polarizado atual dos Estados Unidos e de todo o mundo. ”O fator nós-e-eles é um pouco reconfortante,” ela diz. ”Eu não tenho medo de dizer as coisas que eu acredito porque, no momento, eu sinto que as pessoas que pensam igual são mais inclinadas a ficarem juntas. Eu me sinto segura com isso.”

Vale a pena mencionar que a adolescente de 15 anos sentada em um canto já tinha estrelado ao lado de Jodie Foster em O Quarto do Pânico de David Fincher três anos antes: para uma criança tímida, Stewart escolheu uma linha de trabalho incomum. Nascida em Los Angeles e filha de John, um gerente de palco, e Jules, supervisora de roteiro, ela lembra de assistir seus pais ”estarem muito, muito ocupados o tempo todo – eles eram da classe trabalhadora demais. E tudo o que eu mais queria era fazer parte daquele circo.” Aos 8 anos, ela disse para a mãe que queria se tornar atriz, ”porque eu queria tanto estar nos sets, e quando você é criança, isso é a única coisa que você pode fazer. Então, ela ficou chocada, mas foi legal o bastante de me levar para todos os cantos da cidade, fazendo um milhão de testes por um ano e meio.”

Os papéis que ela conseguiu eram em sua maioria em comerciais, apesar de ter aparecido como uma menina das cavernas jogando anéis em Os Flintstones em Viva Rock Vegas por dois segundos de tela, de costas para a câmera. ”Foram centenas de papéis pequenos, onde você só deve ficar sorrindo com covinhas,” ela diz. Aos 9 anos, ela estava pronta para desistir quando ordenaram que ela dançasse no set de um comercial: ”E não havia música tocando ou nada assim, e todas essas crianças ao me redor estavam dançando. Eu estava tipo, ‘Isso não é para mim. Não posso fazer isso’.” Sua mãe a fez tentar uma última audição para um filme independente, Encontros do Destino, dirigido por Rose Troche. O papel era da filha moleca de um casal divorciado com o hábito de fumar mesmo sendo menor de idade. Ela conseguiu o papel.

”Se minha mãe não tivesse dito, ‘Você marcou um compromisso então você deveria fazer o que você disse que ia fazer,’ eu não estaria aqui agora,” ela diz. O que ela estaria fazendo em vez disso? ”Eu não sei que porra eu estaria fazendo. Eu era uma criança estranha. A atuação foi um impulso incomum para mim, considerando o tipo de criança que eu era. Mas eu encontrei meu grupo. Graças a Deus.”

Durante metade da década seguinte, em filmes como O Quarto do Pânico, Garganta do Diabo e Na Natureza Selvagem, ela era aquela adolescente que podia ser intensa. Mas foi ao ser escalada para Crepúsculo ao lado de Robert Pattinson em 2007 que transformou o par em Bogie e Bacall da era jovem adulta. A importância cultural dos cinco filmes de Crepúsculo, que renderam 3.3 bilhões de dólares ao redor do mundo sendo uma fração disso, não é exagerada. Hollywood esteve cortejando obsessivamente meninos adolescentes desde os anos 80, mas isso foi prova de que histórias centradas em meninas e jovens mulheres também poderiam ser blockbusters. Crepúsculo abriu o caminho para a franquia Jogos Vorazes, os novos filmes liderados por uma mulher de Star Wars, um Ghostbusters só de mulheres e Capitã Marvel.

É um legado sobre qual Stewart é ambivalente; enquanto ela reconhece, ela mantém que ninguém que trabalhou em Crepúsculo os viam como pioneiros. ”Crepúsculo não fazia ideia do que era até que se tornou o que era,” ela diz. ”Foi uma mudança que deu um pontapé na coisa toda.”

Hoje, com esse pensamento, parte dela acha ”muito legal. Mas outra parte pensa que as pessoas pegaram esse modelo, que não foi desenhado para ser um modelo, e ficaram tipo, ‘Vou fazer muito dinheiro e conseguir muita atenção,’ e então fizeram filmes de merda, mas eu acho que é fácil fazer coisas que são cheias de nada. Alguns dos filmes que temos muita dificuldade de fazer, e fazemos com as melhores das intenções, e que ninguém assiste, são os mais bonitos.”

Após Crepúsculo, os filmes que as pessoas dizem para ela que mais significam para eles são os dois que ela fez com o diretor francês Olivier Assayas: o drama de mistério Acima das Nuvens, pelo qual ela ganhou o César, e Personal Shopper, uma história de fantasma estilo Hitchcock, e um dos melhores filmes da década de 2010.

Isso é o que ela mais ama agora; possivelmente o que a chamou aos 8 anos, a criança no canto para quem as covinhas e sorrisos não eram um ponto forte. ”Estar mais perto das pessoas através de pequenas histórias estranhas é o Sol em que minha Terra gira,” ela diz. ”É literalmente a minha coisa favorita, escavar e meditar um assunto com poucas pessoas que se importam, e o resto não. E somos apenas nós juntos. É o melhor sentimento do mundo.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart entrará na nova década com mais duas campanhas da Chanel em seu bolso. Ela estampa a campanha de maquiagem Rouge Allure Camelia e a coleção Primavera-Verão 2020 da grife. Confira:

CHANEL > ROUGE ALLURE CAMELIA > CAMPANHA

CHANEL > SPRING/SUMMER > CAMPANHA

“As roupas parecem muito ajustadas. Você deve fazer algo nelas, não apenas sentar e ficar bonita,” Kristen Stewart diz sobre a coleção primavera-verão da Chanel. E então ela subiu em um trampolim para o fotógrafo Jean-Baptiste Mondino, que a capturou no ar para a mais recente campanha de publicidade da marca, programada para estrear em 1º de janeiro em títulos europeus.

“”Gosto de seu lado cintilante de moleca,” entusiasmou Mondino, que também fez campanhas de fragrâncias para Chanel, estrelando Gaspard Ulliel e Vanessa Paradis.

Embaixadora da marca desde 2015, e rosto do perfume Gabrielle Chanel e da maquiagem Noir et Blanc, Stewart atualmente aparece na biografia Seberg, de Benedict Andrews, sobre a atriz Jean Seberg, que a designer da Chanel, Virginie Viard citou como inspiração para sua proposta de primavera, mostrada em um cenário de telhados de Paris.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen conversou por telefone com o site The Playlist e falou sobre seu novo filme, Seberg, que está com estreia limitada nos cinemas americanos nessa sexta-feira (13). Ela também falou sobre como se sente com os números baixos da bilheteria de As Panteras. Confira:

Conversando com Kristen Stewart inúmeras vezes ao longo dos anos, sua paixão por seu trabalho está sempre à frente. Por isso não foi surpresa que após uma campanha publicitária incrivelmente longa para As Panteras nessa primavera, ela esteve disposta a conversar por telefone sobre Seberg. Quando Stewart acredita em um projeto como no filme de Benedict Andrews, ela apoia imensamente, não importa o quê. Esse é um dos motivos pelo qual sua resposta para a bilheteria desastrosa de Panteras não é surpresa.

”Bem, para ser honesta com você, eu acho que se eu tivesse feito um filme que não fosse bom e um que eu não tivesse orgulho e muitas pessoas vissem, eu ficaria devastada,” Stewart diz. ”Felizmente, não estão me sentindo desapontada porque estou muito orgulhosa do filme. E eu acho que a época em que estamos vivendo agora é polarizada, estranha e difícil de promover um filme assim. Acho que tentar ter conversas realmente complicadas, muito polarizadas e feministas em uma entrevista de cinco minutos na televisão sobre As Panteras é… Fico tipo, ‘Cara, só queríamos nos divertir.’”

Ela continua, ”Estou chateada que provavelmente não faremos outro, mas ao mesmo tempo estou realmente orgulhosa do filme e tão feliz que ele existe e vive no mundo. Porque para muitas pessoas ainda é meio importante mesmo que de um jeito não muito sério.”

O que fez você se comprometer em contar a história da Jean?
Eu sabia quem ela era somente através de Breathless. Eu não tinha visto nenhum de seus outros trabalhos e obviamente não era familiar com seu trabalho como ativista e o relacionamento completamente violento que ela tinha com o FBI e com a vigilância. A idéia que era uma história amplamente perpetuada era que essa atriz excêntrica se mudou para Paris porque ela sempre amou mais lá e mergulhou no esquecimento é uma idéia que está muito errada. Não é nem um pouco verdade. E uma narrativa tão familiar que é tão enlouquecedora, que é que uma senhora esquisita que estava apenas incomodando as pessoas com suas opiniões basicamente precisava ser exilada e chamada de louca. E na realidade, ela era apenas alguém que acreditava na igualdade em um tempo onde isso era uma noção violenta ou muito ameaçadora. Então sim, eu não apenas achei que o roteiro era completamente bem escrito, estava um pouco preocupado em contar um aspecto de sua história e fez isso muito bem. Não estava tentando ser uma biografia. Estava apenas muito preocupado em revelar esse aspecto pouco conhecido de sua história e em validar sua luta. E ela sempre me marcou como uma pessoa que era capaz e realmente desenfreada e instintiva. E, de vez em quando, definitivamente inocente e fora de lugar, mas seu coração estava sempre na direção certa. Tudo o que já foi dito sobre ela era que ela tinha aspirações puramente altruístas que não eram impulsionadas apenas pelo que poderia ser esse tipo de pessoa, mas realmente se colocava em perigo de fazer a coisa certa. E eu achei que era uma história muito legal para contar atualmente.

Durante sua pesquisa, o que você tirou dela como pessoa? Houve algo inesperado que talvez você não sabia sobre ela?
Ela era sempre inesperada. Tudo sobre ela era imprevisível. Tudo sobre ela como atriz, uma artista em uma época onde a atuação não era mais tão performativa, ela sempre pareceu realmente natural, presente, disponível e honesta. E isso realmente ficou comigo. Eu acho que isso que impressionou mais os cineastas europeus. Então eu acho que aquela energia, essa natureza contagiosa, essa flutuabilidade, ela trazia para todos os aspectos de sua vida. Entende? Como se ela tivesse essa curiosidade voraz e esse desejo muito inocente e positivo de se conectar com as pessoas, quantas fossem possíveis, e preencher esses espaços. Você pode sentir isso no seu trabalho como atriz. Ouvindo o jeito que ela falava sobre as coisas que importavam para ela, sua carreira, sua família, sua política. Ela parecia alguém que era muito protetora de suas ideias, mas ao mesmo tempo um pouco desastrada no jeito que ela queria que as coisas acontecessem. Ela definitivamente era alguém que não tinha medo. E eu sinto isso em sua arte e sua política.

Se você assistir seus filmes, ela está tão disponível, presente, honesta e meio que iluminada e há essa luz inegável que sai dela no começo de sua carreira. Todas essas coisas que aconteceram com o FBI meio que ajudaram a diminuir essa luz. Conforme os anos passam, você pode ver essa luz literalmente indo embora em seus filmes. E então eu queria realmente conseguir acertar em cheio com ela, o lado divertido dela, acertar o lado que é maravilhoso, o lado que é tão atraente e chama atenção de todo mundo. E então, de uma maneira curta e redutiva considerando que sua vida é muito longa, mostrar que no filme, no começo, ela era imparável e no final ela parece um pouco mais remota, um pouco menos com vida e mais abatida.

Quando você recebe um roteiro assim, você faz anotações ou avalia a performance para saber onde você está em seu arco? Ou é algo que você sente que sabe no momento por causa da cena?
É algo que você sabe no momento e obviamente trabalhando com um bom diretor, isso é algo que eles são responsáveis pelo temperamento. Então você pode perder um pouco o controle com isso, sabendo que é algo que vai ser medido. Eu acho que foi uma história bem definida antes de eu chegar a ela.

Parece que você assistiu uma boa quantidade de entrevistas dela e outros filmes. Houve algum fato específico sobre a história que você descobriu que ajudou com a sua interpretação ou que você ficou realmente surpresa?
Eu acho que se você ler o arquivo do FBI, a coisa mais desarmante e impressionante do material de referência é a percepção estranha dela da perspectiva deles, as anotações inconsequentes revelando detalhes íntimos. Certas coisas aparecem de um jeito por fora, mas se você está vivendo naquelas condições, você entenderia. Foram todos detalhes íntimos e não contextuais que eram tão ofensivos. Se fossem sobre você e se você os lesse, você se sentiria completamente roubada. E eu estou curiosa sobre certas coisas que não fazem sentido no arquivo. Você fica tipo, ‘Deus, eles não estão contando tudo aqui, obviamente.’ Então isso foi interessante.

E então, eu penso, Las Vegas não é pequena. É como se Romain Gary [ex-marido de Jean] também tirou sua própria vida no mesmo dia que a Jean. E ele disse, estou parafraseando, ”Eu sei que todo mundo vai fazer suposições de que isso é relacionado à Jean e não é.” E então termina, tudo termina. Eu fiquei, ”Uau.” É como gritar que não é sobre isso, mas é. Foi louco para mim pensar na coincidência disso. E ao ler alguns dos trabalhos dele e alguns de seus outros amantes e saber quem eles eram e como funcionavam na vida dela, e meio que o quão transitória era sua vida. Eu sempre fiquei tipo, ”Uau, amo que as pessoas não estão focando nela sendo promíscua, mas realmente no que ela estava fazendo.” E eu pensei que só isso a tornava uma mulher realmente moderna. Existia algo em sua energia que era tipo, ”Eu sou minha própria mulher e tenho permissão para isso.” Ela realmente era uma mulher moderna muito subversiva, progressiva e realmente impressionante.

Mas, por outro lado, ela ainda foi banida para Paris de certo modo por causa desse escândalo, que não era real de nenhum jeito. Ela ainda foi jogada de lado, o que é loucamente frustrante.
E você sabe, tudo o que estou falando provavelmente está envolvido nisso. Ela não era muito apreciada pelos tradicionalistas “normais” entre aspas da época. Pessoas que estavam no poder, homens que davam ordens eram total e completamente ameaçados por uma mulher assim. E tiveram que fazer isso ilegalmente, porque ela não estava violando a lei por ter sua própria opinião, meio que tirá-la da vanguarda da atenção contemporânea, porque eles tinham filhas e não queriam que o mundo fosse na direção que ela queria ver. E então eles tiveram que se livrar dela.

Sinto que há paralelos na história dela e no que algumas figuras públicas enfrentam hoje. Esse aspecto contemporâneo surgiu em sua mente enquanto você lia o roteiro? Ou era apenas a história única dela?
Não, eu acho que a ideia toda de verdade pela percepção, o que isso significa, e viver em uma época onde não há um lugar para receber informações verdadeiras e de confiança que o façam sentir confortável de qualquer modo para ter um opinião. Se tudo passa pelo porta-voz de alguém, um poder opressor, então sempre vai haver dúvida e questionamento sobre o que é a verdade. E eu acho que apenas isso, essa dificuldade, saber de fato que algo é de certo jeito e ter as pessoas que supostamente deveriam tomar conta de você dizendo que você está louca, e você sabendo de fato que não está, isso é obviamente um tipo de história incrivelmente urgente. E essa, considerando que não é inventada, é real, é algo que não podemos saber sobre ela, entende? Como uma figura na história, precisamos entender que ela encaixa nessa narrativa.

Benedict é um diretor de palco aclamado, mas esse é apenas o segundo filme que ele dirigiu. O que você tirou de trabalhar com ele?
Benedict é um diretor realmente brilhante. Eu posso dizer o quanto tive confiança de que ele iria me proteger nesse filme e iria proteger a Jean. Eu senti que ele realmente se importava com ela. Eu falei com algumas pessoas que trabalharam com ele no teatro e atores que eu confio dizerem que ele era como alguém que sabia contar uma história que realmente ficaria unida e analisar tudo. Nós dois éramos como servos humildes da Jean nesse caso. Eu acho que ele é um cara brilhante. Ele é muito inteligente. Jantar com ele é sempre uma experiência. Ele é um filho da p*ta muito inteligente.

Recentemente muitos atores mencionaram seus relacionamentos com os diretores de fotografia. O quão importante é o diretor de fotografia em termos de sua performance e como foi trabalhar com Rachel Morrison nesse relacionamento?
Quem está olhando para você importa. A energia entre quem está assistindo e o artista é crucial. Existe uma certa balança e um relacionamento distinto único. Alguns realmente gostam de saber o que a câmera está fazendo e outros esquecem completamente. Eu realmente gosto de dançar com um operador enquanto ela opera seus filmes. Mesmo se você não for o operador ou o diretor de fotografia e você é apenas o puxador de foco, você está no set segurando uma vara de microfone, é importante quem está no lugar com você. Isso afeta a temperatura do lugar. Isso afeta todos os jeitos em que a cena se desenrola. Essas pessoas estão presentes. Uma coisa que eu posso dizer sobre a Rachel é que eu sei que ela não está perdendo nada. Às vezes você não é um ator que é incrivelmente aberto ou alguém que está atuando para a câmera. Ela consegue ficar embaixo de uma sombra que, algumas vezes, eu acho, os melhores atores fazem. E então você sabe que talvez se você estiver fazendo algo muito pequeno, ela está ciente disso. Sua câmera é realmente penetrante e também é um olhar que não é invasivo de nenhum jeito. Então ela é alguém com quem desejo trabalhar. Ela se tornou uma boa amiga. Eu acho que ela é ótima no que ela faz. Ela também conseguiu fazer essa diferença muito legal e extrema no filme entre o meu mundo e o de Jack [O’Connell] e o FBI. Eu acho que uma é muito fria e objetiva e parece revoltante enquanto a outra é muito saturada e tem essa perspectiva romântica. A que lembra o mundo da Jean é realmente vívida e um pouco inocente. Então eu acho que o filme vai e volta para super estilizado ou exagerado e auto-consciente. Na verdade, eu acho que ela fez um trabalho muito bonito nesse filme.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

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