Kristen Stewart conversou com o Los Angeles Times junto com Mackenzie Davis e a diretora/roteirista Clea DuVall e elas falaram sobre a importância do filme para a comunidade LGBTQ+. Confira:

Que o amor verdadeiro prevalece é uma tradição conhecida em comédias românticas, então não é spoiler ou segredo que Happiest Season tem um final feliz.

O casal nessa comédia romântica natalina é Abby, uma estudante em busca de um doutorado em história interpretada por Kristen Stewart, e Harper, de Mackenzie Davis, uma jornalista. Harper pode ser a mais animada do casal para o Natal, mas é Abby que planeja um pedido de casamento após concordar em voltar para casa com ela para visitar seus pais.

O que Harper não mencionou até estarem na estrada é que sua família não faz ideia de que ela tem uma namorada – ou que ela seja lésbica. E com seu pai no meio de uma campanha política, o plano de Harper é que Abby finja ser sua colega de quarto hétero. É a receita perfeita para brincadeiras, mágoa e eventualmente um final feliz.

”Existe algo tão legal sobre assistir uma comédia romântica natalina e saber que termina tudo bem,” diz Davis. ”Estou bem em ir nessa jornada, e posso ficar um pouco assustada quando elas brigam e um pouco triste nesse momento, posso rir, mas no final, há uma certeza que isso está concluído e é muito legal saber que tudo vai ficar bem no final.”

Dirigido por Clea DuVall, Happiest Season nasceu do desejo dela de ver um filme natalino que refletisse sua própria experiência.

”Sempre fui fã de filmes de Natal, mas… se existia algum personagem LGBTQ+ nesses filmes, eles estavam sempre no fundo ou apenas jogados para diversificar uma família ‘normal’,” diz DuVall. ”Uma vez que comecei a escrever e dirigir, percebi que eu poderia ser a pessoa que faz esse filme, e foi um momento muito poderoso e inspirador.”

Happiest Season é o segundo filme dirigido pela atriz veterana que escreveu, dirigiu e estrelou em A Intervenção de 2016. E apesar de ter começado a conceituar os personagens e trabalhar em um rascunho sozinha, o progresso parou enquanto os projetos como atriz manteram DuVall ocupada. Não foi até conhecer a co-escritora Mary Holland (que também aparece no filme como a irmã de Harper, Jane) enquanto trabalhavam em Veep que um roteiro apareceu.

”Nós nos conectamos como seres humanos, e ela era muito engraçada e acolhedora,” disse DuVall. ”Escrever é uma experiência muito solitária que pensei que seria mais divertido trabalhar em uma comédia com alguém, especialmente alguém que me faz rir.”

Depois de mandar um rascunho do roteiro para Isaac Klausner, da Temple Hill, quem se juntou ao projeto como produtor, eles eventualmente escolheram trabalhar com a TriStar Pictures, da Sony, um de vários estúdios onde foi surpreendentemente bem recebido.

Surpreendentemente porque chega sem precedentes. Happiest Season foi planejado para chegar aos cinemas como a primeira comédia romântica natalina lésbica lançada por um grande estúdio, mas os planos tiveram que mudar conforme a pandemia do COVID-19 mudou as normas como assistir qualquer coisa dentro de um cinema.

”Antes de mudarmos para o Hulu, as pessoas me perguntavam sobre o filme e me aproximar de um momento onde eu teria que encorajar as pessoas a ir para um cinema começou a parece muito errado para mim, e em nível moral, não era algo que eu estava disposta a fazer,” disse DuVall, que sente que o serviço de streaming é uma ótima casa para seu filme apesar das circunstâncias. ”É mais significativo para mim que as pessoas assistam na segurança de suas casas com suas famílias, e talvez pessoas que não teriam ido assistir no cinema agora irão assistir e tirar algo disso que elas não sabiam que precisavam.”

Apesar desse pequeno contratempo, Happiest Season permanece revolucionário por colocar um casal queer no centro de um gênero popular que é sinônimo de heteronormatividade. É significativo mesmo em uma ano em que os maiores canais de televisão que produzem comédias românticas natalinas, incluindo Hallmark e Lifetime, também adicionaram ofertas inclusivas em seus catálogos. Esse filme é uma grande produção de estúdio dirigido por uma cineasta assumida, apresentando uma atriz queer premiada e outros atores LGBTQ conhecidos em papéis de apoio.

”Foi um grande alívio e prazer trabalhar com outra mulher queer em um filme assim porque já passamos dessa fase,” Stewart disse sobre trabalhar com DuVall. ”Foi tão bom lembrar juntas de coisas engraçadas sobre como era se sentir mais desconfortável. Eu não conseguiria fazer isso com alguém que não tivesse passado pela mesma situação.”

Enquanto Stewart defende a importância de elevar as vozes subrepresentadas, ela não acredita em regras rápidas que limitam quem pode contar essas histórias.

”Não acho que você precisa ser gay para contar uma história gay,” disse Stewart. ”Mackenzie é uma mulher hétero. Ela é uma das pessoas mais presentes, abertas, conscientes e honestas. Eu sei que nos sentimos do mesmo jeito sobre amar outros seres humanos. Então eu sabia que ela era a parceira para mim nesse filme.”

A história de amor queer de Happiest Season também se destaca porque apesar de terem mais cineastas LGBTQ produzindo filmes LGBTQ recentemente, esses filmes são geralmente independentes e poucos são os que possuem finais felizes.

”Geralmente com uma história queer, minha experiência assistindo esses filmes é que você está sempre nervosa se perguntando, ‘Elus vão ficar bem?’” disse Stewart. ”Porque isso realmente reflete a experiência real. Então foi legal ver algo onde você sabe que vai ficar tudo bem. Essas pessoas precisam passar por isso, mas elas estão claramente apaixonadas e vão ficar juntas.”

Para DuVall, seguir todas as regras dos filmes de Natal e comédias românticas foi fundamental porque o público merece assistir histórias LGBTQ autênticas com finais felizes. ”Conseguir esse tom foi muito importante para a história, para que pudéssemos fazer a transição para o que o filme realmente se trata, que é algo muito real,” disse DuVall.

Mas ambas Davis e Stewart, que são mais conhecidas por seus trabalhos dramáticos, explicaram que elas possuem a tendência de se afastar desse tom em suas performances.

”Clea precisava nos lembrar constantemente do gênero do filme que estávamos fazendo,” disse Davis. ”Eu só queria realmente honrar essa história porque seria pessoal para tantas pessoas que vão assistir ao filme e muitas que estão no filme, então coloquei muita pressão em mim mesma. Era muito importante para mim. Mas eu também fui muito fundo na tragédia da situação e a Clea aparecia nas cenas e ficava tipo, ‘Para. Não é esse filme. É uma comédia.’ Tê-la nos recalibrando foi essencial.”

”Eu sempre me afasto de coisas que sinto que podem ser clichê ou banais,” disse Stewart. ”E sempre a Clea dizia, ‘Olha, você precisa ficar na ponta dos pés e beijá-la.’ Você precisa fazer. Você tem que dar o que as pessoas querer.”

Basicamente, Happiest Season pode ser resumido como uma história de revelação com todos os enfeites de Natal. Mas é um tipo de história que é raramente refletida na tela porque Harper é confiante de sua identidade fora da casa de seus pais e porque é uma comédia.

”Essa é uma mulher autorrealizada,” diz Stewart. ”Quando você conhece a Harper no começo, ela é até mais segura do que eu. Ela é mais confiante, como se ela realmente se conhecesse.”

”Histórias de revelação são sempre tão carregadas e dramáticas,” disse DuVall. ”Conseguir ver uma no contexto da comédia, enquanto ainda estamos honrando a experiência, foi muito importante para mim. Nós todos tempos elementos em nós mesmos que estamos tentando entender, e para Harper é ser ela mesma com sua família, o que é algo que penso que muitas pessoas podem entender.”

Para o público que já está mais acostumado com a representação LGBTQ crescente nas telas (particularmente na televisão) e vendo histórias queer além da experiência da revelação, a história da Harper pode ser um pouco antiga. Mas Stewart nota que a normalidade e conforto que uns percebem ao se assumir em 2020 é apenas uma perspectiva.

E DuVall aponta como ”a suposição de que você é heterossexual está em todos os lugares, e só isso já é uma leve homofobia que está enraizada no nosso mundo” e nos lembra que se assumir é uma grande coisa para muitas pessoas.

Ela também aponta as ações do governo ao promulgar legislação anti-LGBTQ, em particular aquelas focando na comunidade transgênero, assim como o poder dos tribunais conservadores de revogar direitos que foram tão disputados.

”A homofobia não foi embora,” disse DuVall. ”As agressões contra a comunidade LGBTQ+ não foi embora. Então para todo mundo dizendo ‘Não passamos dessa fase de se assumir?’ Não. É uma grande coisa. Ainda existem pessoas que estão no armário e estão apavoradas… Então, poder contar uma história sobre alguém se assumindo que não é uma tragédia, é uma comédia acolhedora, alegre e esperançosa com um final feliz, é importante.”

Mas DuVall e Stewart estão ansiosas por um dia onde as coisas irão mudar.

”Acho legal não fingir que não é fácil se assumir para algumas pessoas mesmo que para outras isso tenha se tornado realmente normal,” disse Stewart. ”Os filmes estão sempre um pouco atrás. Estamos sempre tentando recuperar o atraso pro alguns anos.”

”Estou realmente animada para ver histórias de revelação, histórias queer, de uma perspectiva muito jovem e como isso vai mudar. Como é ser uma pessoa jovem que não entende que seria estranho não se assumir quando você tinha 10 anos ou dizer que você soube que era gay?”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

No último dia 24, Kristen Stewart participou do talk show Jimmy Kimmel Live! e falou sobre Happiest Season, sua preparação para viver a princesa Diana em Spencer e até compartilhou fotos das comidas que andou preparando na quarentena. Confira o vídeo legendado por nossa equipe:

Kristen Stewart e Mackenzie Davis, estrelas de Happiest Season, conversaram com o Pride Source sobre o filme, o fetichismo da mídia em relacionamentos entre mulheres, irem em bares gays e mais. Confira:

Kristen Stewart está balançando uma coisa que parece ser um baseado. Até sua colega de elenco de Happiest Season, Mackenzie Davis, que está no Zoom com Stewart, não sabe exatamente o que Stewart acendeu. ”Meu Deus,” Davis diz. ”Eu pensei que era um baseado.”

Na verdade, é Palo Santo, uma árvore da América do Sul que a tradução é ”madeira sagrada.” Mas por um momento, Stewart brinca e finge que seu palito de madeira é um baseado de verdade, colocando na frente da boca como se ela fosse fumar. As duas soltam gargalhadas só de pensar em Stewart talvez ficando chapada durante nossa entrevista. ”Só estou limpando a energia!” Stewart garante.

Depois de seus anos em Crepúsculo, um reboot de As Panteras e vários filmes independentes, o mais recente de Stewart, Happiest Season, parece que pegou um sopro de Palo Santo – um limpador de energia. Por 102 minutos festivos, ele restaura alguma parte da energia de 2020 com conforto, alegria e a promessa de um fim de ano tão gay que faz sentido que Clea DuVall, a atriz abertamente lésbica que estrelou no clássico queer de 1999 Nunca Fui Santa, dirigiu e co-escreveu.

Durante nossa chamada recente no Zoom, Stewart e Davis falaram sobre se afastar do fetichismo com relacionamentos lésbicos, porque elas amam bares gays e como Stewart planeja continuar a usar seu poder de A-List para radicalizar gêneros convencionais com queerness.

Quando crianças, vocês poderiam ter imaginado um mundo em que um filme assim existisse?
Kristen Stewart:
Sim! Por isso que parece um pouco atrasado agora. Mas nós temos várias histórias legais de filmes independentes que cresceram comigo e não faltavam alegria e esplendor, até mesmo o filme da Clea que amo tanto, ‘Nunca Fui Santa’. Elas estão juntas, felizes e vão ao encontro do pôr do sol. Mas esse é um filme pequeno que nem todo mundo assistiu, então é muito legal pensar que as pessoas não precisarão procurar por esse filme. É convidativo, afetuoso, aberto. E sim, útil!

Eu gostava de filmes estranhos quando era pequena, isso não é muito normal, entende? ‘Nunca Fui Santa’ é influente e icônico, mas queria que fosse maior e esse é, então é legal.

Esse é um grande ano. Vocês são parte de um movimento de filmes natalinos queer. Lifetime, Hulu, Hallmark, todos estão fazendo. Vários estão para estrear.
Mackenzie Davis:
O Hallmark está fazendo um filme de natal queer?
Stewart: Ohh… sério? Mas queremos ser as únicas!
Davis: Não, não, não. Somos as primeiras. Não. Só estou chocada que o Hallmark está fazendo isso. Eles são historicamente não progressivos, digamos assim. Ha! Isso é legal.
Stewart: Sabe o que é legal? Agora eles precisam ser, senão ficam para trás! Ha!

Kristen, esse filme é grande coisa para muitas pessoas LGBTQ. Mas para você, o que significa ser uma atriz A-List abertamente queer interpretando uma personagem queer em um grande filme de estúdio?
Stewart:
É muito divertido. Amo interpretar personagens que mais distantes de quem sou naturalmente porque gosto de expandir meus horizontes e explorar um território desconhecido dentro de mim que existe, mas pode não ser óbvio.

O que é ótimo é apoiar-se completamente no que é fácil, óbvio e confortável quando é reconhecido e amado. Eu nunca tive isso em um filme grande onde pessoas estavam dispostas a colocar tanto dinheiro. Porque é um grande risco! E o fato de que pessoas estão se arriscando para… bom, olha, não é um grande risco. É que a época pede por isso e existe um grande desejo. E isso é algo que eu sinto porque vivo nesse mundo.

Então, o fato de que eu pude interpretar esse papel depois de estar em tantos grandes filmes onde nunca senti que não estava sendo eu mesma ou tentando passar algo do tipo, mas eu sinto que sou ambiciosa sobre alcançar marcas que as pessoas acham que eu não consigo alcançar. Então, esse não foi assim, foi o oposto. Foi tipo, não, não, não; eu posso ser a estrela de um grande filme e também ser essa pessoa? Foi incrível.

Com The Runaways, eu lembro que muitos falavam sobre seu beijo com Dakota Fanning. Parece antiquado falar de um beijo entre mulheres nesse momento. Obviamente vocês duas se beijam nesse filme, mas com Happiest Season, vocês tiveram a impressão de que as pessoas e a imprensa estão menos ‘Um beijo gay! Como foi?’ e isso é um alívio?
Stewart:
Sim, ninguém perguntou disso.
Davis: Oh, Deus. Não veio à tona. A cultura mudou tão rápido depois de não mudar por muito tempo [risos]. Mas nos últimos 10 anos parece que muita coisa mudou.
Stewart: Não, ninguém fetichizou dessa maneira. Eu tenho experiência com isso do tipo, ”Então, me conta sobre…”, especialmente dependendo de quem está perguntando. Você senta com algum jornalista homem que está nisso há 50 anos…
Davis:Ha!
Stewart:… E você fica tipo, ”Não me pergunta isso.” É muito estranho. Me sinto muito estranha. Pois é, não tivemos isso.
Davis: Eu queria tanto mudar de assunto quando Matt Lauer perguntou para Anne Hathaway sobre quando ela não estava usando nenhuma roupa íntima. Foi um dos piores momentos que já testemunhei.

Mesmo que o filme seja baseado na história de Clea, muitas pessoas queer, incluindo eu mesmo, irão se relacionar. Quais partes da dinâmica entre a Abby e a Harper sobre se assumir e autoaceitação vocês mais se identificaram?
Stewart:
Olha, fazer coisas que são realmente normais e naturais para você fisicamente e então ter que controlar esses instintos ao redor das pessoas porque você não quer deixa-las desconfortáveis, então você se torna desconfortável para o bem de outras pessoas, é algo que eu já fiz e provavelmente ainda faço.

Eu tentei viajar de barco recentemente e foi no norte da Califórnia, perto de Tahoe. É uma área Trumpiana e eu fiquei tipo, ”Temos que dar o fora daqui.” Eu estava segurando a mão da minha namorada, apenas andando. Não estou dizendo que todas as pessoas… Nem sei mais o que estou dizendo. Mas eu não me senti segura. Não quero sugerir que sei onde isso teria chegado, mas mesmo só emocionalmente, foi uma experiência violenta.

No filme, é realmente legal conseguir rir de alguns sentimentos que são mais pesados porque quando você retoma e libera esse sentimento, você se sente bem e triunfante, como se tivesse ganhado algo de volta. Há coisas no filme – apenas pequenos momentos – onde temos que largar a mão uma da outra ou, mesmo mentindo por um breve período, a mentira machuca e eu nunca fui para casa com alguém e tive que mentir.

Nunca tive que me manter no armário especificamente com uma pessoa, mas tudo isso, como alguém que cresceu sendo queer – sem querer colocar limites na minha própria sexualidade – eu lidei com isso desde sempre. E isso é um gatilho. Mas, especificamente, somente a experiência geral de ser gay e pensar que talvez as pessoas pensem que você é nojenta ou estranha é algo que é bom dar risada nesse ambiente.

No filme, você está em um bar gay e as participantes de RuPaul’s Drag Race, BenDeLaCreme e Jinkx Monsoon, estão performando. Vocês já se divertiram em um bar gay?
Stewart:
Mesmo antes de saber que eu era gay – até antes de ter uma namorada! – eu ficava tipo, ”Meu Deus, esse é o máximo que já me diverti em um bar! Por que vocês são as melhores pessoas?!”
Davis: Sim, ser mulher e ter experiências com homens em bares e estar em um espaço onde você pode…
Stewart: Dançar!
Davis: … Estar completamente livre e não se preocupar com ninguém te tocando, abordando ou vindo por trás de você é especialmente – quando eu era mais nova era um sentimento incrível e seguro. Era ótimo. Também não se preocupar com a aparência porque ninguém quer transar com você.
Stewart: Ha! Eu sei! Você nunca quer pegar um espaço onde você não pertence, mas tipicamente não é um grupo alienante, não generalizando, e é um sentimento tão bom estar em um bar queer e ficar tipo, ”Não importa, tanto faz, ninguém vai vir atrás de mim.”

Kristen, depois de interpretar uma personagem queer em As Panteras e agora em Happiest Season, você planeja continuar a radicalizar os gêneros com queerness? Basicamente, você vai continuar a tentar tornar Hollywood mais gay?
Stewart:
Sim! Sim, naturalmente. Mas é engraçado quando você começa a aplicar regras restritivas em quem pode ter certa perspectiva. Eu ainda quero interpretar personagens héteros algumas vezes, se estiver tudo bem! Ha! Mas digo que, primeiramente, é muito importante para mim realmente pegar e escolher essas oportunidades e não ter como uma coisa padrão que alguém seja hétero em um filme em que talvez não seja um romance.

Se não é sobre o romance, então por que estou interpretando alguém hétero? Porque é normal? Bom, essa é uma ideia ridícula. Em ‘As Panteras’, eu não tinha um interesse romântico. Não tinha ninguém no filme. Mas achei importante deixar uma dica e ser tipo, ”Não, isso não significa que vocês podem me ter, garotos.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart e Mackenzie Davis conversaram com o The Wrap sobre a comédia romântica natalina Happiest Season. Kristen também comenta sobre suas expectativas para a produção de Spencer durante a pandemia. Confira:

Apesar de estrelar em um dos relacionamentos heterossexuais mais populares do cinema (Crepúsculo), a atriz abertamente bissexual Kristen Stewart disse que sentiu a necessidade de ser parte do primeiro filme natalino LGBTQ lançado por um grande estúdio, chamado Happiest Season.

”Não só é muito, muito engraçado, mas parece muito vivido e reflete algo realmente familiar para mim e para muitas pessoas que não foram destaque em uma comédia romântica do tipo comercial,” Stewart disse ao The Wrap. ”O filme realmente transmite como todas as histórias de revelação são individuais, e há tantas versões dessa história. Nós progredimos muito – muitas pessoas não vivem com medo e ansiedade – mas muitas vivem. Se esse filme faz com que elas riam dessas coisas que normalmente são muito dolorosas, é um sentimento bom. E também, é um convite para qualquer pessoa que talvez ainda tenha um julgamento perceber que o amor é o mesmo em todos nós quando é verdadeiro e vem de um lugar real.”

A colega de elenco de Kristen Stewart, Mackenzie Davis, ficou intrigada em trabalhar com a c-escritora/diretora Clea DuVall e Stewart, assim como ”uma equipe de mulheres queer.”

”Ambas pessoas que eu sabia que estavam envolvidas – que era Clea, quem eu amo, e Kristen, quem eu ainda não havia conhecido mas realmente admirava – eu fiquei tipo, ‘Oh, sim. Claro que quero fazer esse filme com ela,’” Davis disse. ”E apenas essa visão para a produção do filme que Clea tinha, essa equipe de mulheres queer e muitas pessoas adoráveis em volta. Parecia a versão ideal de uma produção.”

Como vocês se envolveram no filme? Quem assinou primeiro?
Kristen Stewart:
Clea me mandou o roteiro primeiro porque, nesse caso, eu sou a estrela do filme? O roteiro é muito é muito bonito. Clea escreveu com Mary Holland então é das duas – suas naturezas expressivas. Não só é muito, muito engraçado, mas parece muito vivido e reflete algo realmente familiar para mim e para muitas pessoas que não foram destaque em uma comédia romântica do tipo comercial. E é tão balanceado e construído de forma tão inteligente. Eu fiquei tipo, meu Deus, eu sei que terei um tempo legal, adorável, acolhedor e provavelmente transformador no set desse filme, e foi todas essas coisas. Estou muito feliz que pude conhecer todo mundo. Foi o melhor grupo e a melhor experiência.
Mackenzie Davis: Kristen me escolheu, e foi ótimo ser convidada [risos]. Eu li o roteiro e tinha acabado de filmar algo muito rigoroso e difícil. E esse filme parecia a coisa mais legal que você poderia fazer – ambas pessoas que eu sabia que estavam envolvidas – que era Clea, quem eu amo, e Kristen, quem eu ainda não havia conhecido mas realmente admirava – eu fiquei tipo, ‘Oh, sim. Claro que quero fazer esse filme com ela.’ E apenas essa visão para a produção do filme que Clea tinha, essa equipe de mulheres queer e muitas pessoas adoráveis em volta. Parecia a versão ideal de uma produção.

Esse é o primeiro filme natalino LGBT de um grande estúdio – como vocês se sentem sobre ele ser “inovador” nesse caso?
Stewart:
Penso que sou alguém que gosta de conforto e liberdade para ser eu mesma e gosto disso com as pessoas que mais amo, não só romanticamente. Acho muito importante perceber como isso é superficial e não é normal para todo mundo. O filme realmente transmite como todas as histórias de revelação são individuais, e há tantas versões dessa história. Nós progredimos muito – muitas pessoas não vivem com medo e ansiedade – mas muitas vivem. Se esse filme faz com que elas riam dessas coisas que normalmente são muito dolorosas, é um sentimento bom. E é um convite para qualquer pessoa que talvez ainda tenha um julgamento perceber que o amor é o mesmo em todos nós quando é verdadeiro e vem de um lugar real.
Davis: Uma conversa que tive várias vezes na minha carreira divulgando filmes é, ’Como se sente sendo uma personagem feminina forte? É disso que o mundo precisa? Estamos cansados dos outros personagens? E você é uma mulher forte!’ E eu sempre me irrito com essa conversa. Fico tipo, podemos parar com essa conversa e apenas aceitar que estou no filme e não precisamos falar sobre isso o tempo todo? Mas a verdade é, esse é o lugar onde a cultura está e você precisa passar por essa limiar estranha onde você está dizendo o que é o tempo todo. E esse filme merece ser celebrado como o primeiro lançamento de um grande estúdio sobre uma história de amor queer. Mas eu sempre sinto que quando você fala sobre estar atrasado, onde é emocionante ser o primeiro e você ficar, ’Ok, agora vamos ser o primeiro de muitos e então nunca mais vamos falar sobre isso novamente.’ É a coisa mais normal do mundo porque falar sobre ele de uma forma o faz ser mais estranho do que apenas, ’não fale sobre isso.’ Ele só existe.
Stewart: Bom, é como quando as pessoas dizem, ’O gênero está sumindo. Em algum momento não vamos nem precisar nos assumir.’ E isso é meio tipo, não, mas é uma coisa útil para alguém.

Existem filmes e séries de TV sobre casais homossexuais. Mackenzie, você interpretou uma lésbica em Black Mirror, por exemplo. Como esse filme representa casais homossexuais de forma diferente?
Davis:
Acho que existe um conforto incorporado em uma comédia romântica. É um gênero muito seguro porque você sabe que tudo vai terminar bem no final. E colocar duas mulheres no centro disso ou qualquer casal queer que historicamente na mídia a representação desses relacionamentos seja – digo, Clea disse tão lindamente que a melhor versão que temos na maior parte do tempo é de duas pessoas possuem vidas reprimidas e conseguem ser a versão completa de si mesmos e então dão um beijo de adeus e nunca se falam novamente. E essa é uma das representações mais positivas que temos do amor queer. Existem outras histórias de amor torturadoras ou verdadeiramente trágicas ou apenas sobre a existência deles. Então, pegar essa coisa que tem sido injustamente carregada com tragédia e colocar nesse gênero, você fica, ”Oh, eu sei que vou ficar um pouco assustada que elas não terminem juntas, mas elas vão terminar porque é o filme,” é uma coisa legal e segura de fazer.
Stewart: Nós temos vários filmes independentes realmente honestos que exploram a turbulência e medo que pode surgir em ser gay. Mas também é muito engraçado e alegre namorar su melhor amigue e passar o Natal com elus. Mas essa não é toda a experiência. Não é só um alívio – também é verdade. Não é como se todo mundo fosse sempre honesto e medroso.

É uma comédia romântica, mas há momentos muito pesados. Como foi ir e voltar entre esses momentos?
Stewart:
Foi sempre muito fácil porque eu nunca queria parar de rir com meus novos amigos que eu amava tanto, e então a próxima cena seria triste ou difícil, e realmente machucava se afastar da alegria, sabe. Mas é isso, é a vida. É tudo balanceado. Eu estava tão feliz que quando estava triste, era realmente doloroso.
Davis: Também, é meio verdade sobre passar o fim de ano com a família… As coisas estão lindas e fofas e vocês estão se divertindo porque estão juntos novamente. E no próximo minuto todo mundo está em um quarto separado chorando porque alguém passou a água de um jeito rude.

Kristen, você mencionou antes que não conseguia parar de rir em alguns momentos? Qual foi sua cena favorita?
Stewart:
Bom, Mackenzie e eu não conseguíamos parar de rir sobre coisas que não estavam no filme, eu realmente chorava e fazia xixi. Ela disse algo enquanto estávamos filmando a cena do final onde a personagem de Mary Holland está fazendo uma leitura do seu livro. Então estamos na plateia quietas. Nós fizemos pouca coisa naquele dia e o resto do filme era só peso pesado para a gente, então nesse dia éramos apenas membros da plateia. Eu me perdi um pouco. Estávamos conversando e ela disse algo muito sujo e nojento! Eu não posso contar tudo. É muito pessoal e não é minha história. Eu honestamente fiquei chocada e geralmente não fico. Foi tão visceral. Também, qualquer cena que Mary Steenburgen ou Mary Holland estão, especialmente as que elas estão juntas, eu não conseguia ficar perto também porque não parava de rir. Eu não era a única, a Mary Steenburgen também não conseguia parar de rir. Acho que constantemente tínhamos que respirar para nos conter.

O filme terminou antes do COVID – muitos outros projetos pararam. Como a pandemia afetou seus outros projetos? Kristen, você vai interpretar a Diana em breve em Spencer.
Stewart:
Com sorte, é um filme tão contido que nossa quarentena vai ser muito particular e vamos ter uma pequena bolha. Não vamos filmar até o fim de janeiro. As coisas mudam tão rapidamente hoje em dia. Realmente espero que nada entre no nosso caminho e bagunce isso porque estou muito ansiosa para começar. Não de um jeito ruim, mas estou tipo, ’Cara, não posso esperar outro mês!’ Realmente quero comer e tirar o prato. Quero que isso fique atrás de mim, embora eu não possa esperar para ver o que vai acontecer. Mas sim, essa foi uma experiência legal de ter antes de entrarmos em quarentena porque foi uma experiência tão junta e divertida e meio que reforça a ideia de que você deve sempre cultivar suas experiências porque quando você ficar mais velho, você pode escolher com quem você quer passar um tempo e ter certeza de que não vai trabalhar com idiotas que você não gosta. O COVID, a quarentena e apenas o medo constante, ansiedade e incerteza definitivamente levaram para a criação de muitos limites e fazer a escolha certa com esse filme realmente me ajudou com isso. E fico tipo, ’Cara, se eu não sinto essa ligação com as pessoas com quem estou trabalhando, não há razão para fazer.’
Davis: Eu tive um adiamento de produção… Vou filmar aquela série que foi adiada durante o verão, que é sobre uma pandemia, em Toronto. É muito emocionante trabalhar… entre cada trabalho, sinto que eu esqueço como é estar no set e ser atriz. E já faz muito tempo. Então sempre fico ansiosa para saber como serão os primeiros dias. Mas estou muito, muito animada para começar e ser útil novamente. Não que quando você está no set como atriz, você fica sempre ’Isso é útil, você é bom para o meu talento.’ Eu fui tão desnecessária durante o ano todo, então vai ser legal me sentir necessária.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Em entrevista para o The Hollywood Reporter, o elenco de Happiest Season comentou sobre a animação do público para o lançamento do trailer do filme e eventualmente sobre a recepção positiva que recebeu em sua estreia. Confira:

Happiest Season é sobre mais do que comemorar o fim de ano! O filme do Hulu da diretora/escritora Clea DuVall é uma comédia romântica natalina de aquecer o coração com uma história de amor LGBTQ+ em foco.

Happiest Season estrela Kristen Stewart (Abby) e Mackenzie Davis (Harper) como um jovem casal que volta para casa para passar o fim de ano com a família de Harper e o caos que se instala quando Abby percebe que Harper ainda não se assumiu para sua família conservadora. O filme também conta com um elenco de estrelas, incluindo Dan Levy, Alison Brie, Victor Garber, Aubrey Plaza, Mary Holland e Mary Steenburgen.

O elenco do filme se abriu com o The Hollywood Reporter sobre a recepção dos fãs com o filme, a importância de abraças histórias de amor LGBTQ+ nas telas e também sobre trabalhar com um grupo de estrelas.

Para a escritora e diretora DuVall, foi emocionante ver o amor jorrando pela comédia romântica.

David Rooney, do The Hollywood Reporter, escreveu em sua crítica do filme: ”O toque leve de Clea DuVall com a comédia e o drama é essencial para o que torna Happiest Season tão cativante. A natureza convencional do filme se torna uma virtude, estabelecendo uma reivindicação queer em uma tradição de Natal americana onde personagens LGBTQ foram há muito tempo rebaixados para segundo plano.”

Dizendo que o filme é seu bebê, DuVall disse, ”Você não sabe se as pessoas vão tomar conta ou machucar, e ver o apoio e amor por ele realmente me deixou emocionada e grata.”

Adicionou Stewart, ”A ideia de que as pessoas estavam animadas apenas para o trailer estrear me deixa muito feliz porque eu estaria fazendo o mesmo; se eu não estivesse nesse filme, definitivamente iria querer estar.”

O elenco também reconheceu a relevância de destacar uma história de amor queer relacionável nas telas.

”Eu definitivamente me relaciono com a experiência de ir para a casa da sua família e se encontrar preso em qualquer idade que você tinha quando saiu de lá pela primeira vez,” disse Davis, ”quer isso envolva não revelar as maneiras que você mudou de formas mais gentis ou em casos mais sérios como é no filme.”

Steenburgen, que interpreta a mãe de Harper no filme, adicionou, ”Acho que apenas fala sobre o que tantas pessoas passam porque muitos se assumem para a família durante o fim de ano porque é quando estão todos juntos e há muitas cenas comoventes sobre esse assunto.”

No que diz respeito a montar um elenco cheio de estrelas, DuVall disse que foi importante encontrar pessoas que não eram apenas atores fenomenais.

”Nós realmente juntamos esse grupo de pessoas que são atores incríveis, mas também seres humanos fenomenais que eu iria querer ficar presa em uma ilha deserta com qualquer um deles.”

De acordo com Stewart, o elenco se deu tão bem que era difícil conseguir fazer as coisas no set. ”Algumas vezes era tipo, ‘calem a boca.’”

Brie, que interpreta Sloane, irmã de Harper, adicionou: ”Alguns projetos terminam e parecem que possuem mágica neles e esse filme definitivamente teve aquele espírito natalino onde todo mundo se amava.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart, Mackenzie Davis, Mary Holland e a diretora Clea DuVall conversaram com o The New York Times via Zoom para falar sobre a comédia romântica natalina, Happiest Season. Confira:

Ninguém imagina que uma comédia romântica natalina pode ser renegada. E ainda assim, Happiest Season, sobre um casal interpretado por Kristen Stewart e Mackenzie Davis, consegue ser convencional de modo profundo e caloroso e ao mesmo tempo surpreendentemente radical apenas por focar em duas mulheres.

”Eu queria que fosse muito, muito relacionável – mas também algo completamente novo,” disse Clea DuVall, a diretora e co-roteirista com Mary Holland, que também estrela como a irmã esquisita.

DuVall, que também é atriz (Veep), disse que seu próprio papel na comédia Nunca Fui Santa nos anos 2000, onde ela interpretou uma adolescente gay enviada para um acampamento de conversão, a ajudou a sair do armário. Ela se assumiu para sua mãe no Natal e modelou a personagem de Stewart, Abby, inspirada em si mesma. A produção inclui outras estrelas LGBTQ, com Dan Levy sendo o melhor amigo de Abby que rouba cenas e uma trilha sonora, cortesia do produtor Justin Tranter, performada por artistas queer.

Eles filmaram no frio de Pittsburgh – DuVall queria a luz do inverno – e terminaram apenas duas semanas antes das suspensões pelo COVID-19. Em uma entrevista por video recentemente, DuVall, Stewart, Davis e Holland – de locais diferentes, com os cães de Stewart ocasionalmente latindo no fundo – falaram sobre sentir saudades umas das outras e de algum modo ainda não se entendendo com o Zoom. (”Ontem eu estava no Modo Galeria, mas estava olhando para meu próprio rosto o tempo todo,” Davis admitiu.)

Happiest Season foi o ultimo grande projeto de todas elas – uma cápsula do tempo e um feriado juntos. ”Filmes natalinos são tão específicos e eles se tornam parte de nossas vidas de um jeito que outros filmas não conseguem,” DuVall. ”Nenhuma de nós fazia ideia o quanto iríamos precisar desse conforto quando o filme estreasse.”

Kristen e Mackenzie, suas personagens possuem um relacionamento tão fofo e uma química verdadeira. Vocês criaram uma história anterior para elas para criar intimidade?
STEWART:
Antes de começarmos a filmar, nós tivemos algumas conversas. Nos conhecemos na faculdade? Você é mais velha?
DAVIS: Nós falamos muito sobre nossos próprios relacionamentos passados, o que gostamos, coisas que eram muito específicas da nossa vida. Para mim, isso é mais relevante do que a lista do ‘Ok, nos conhecemos naquela época, como eram os grupos de amigos quando isso aconteceu?’ Essas coisas são importantes até certo ponto, mas não aparece do mesmo jeito como quando –
STEWART: Quando você encontra o olhar da outra pessoa.
DAVIS: Exatamente.
STEWART: Sempre senti que enquanto estivéssemos seguras, nós poderíamos ser um casal autoconfiante e ambicioso de um jeito que acabe com qualquer tipo de desconforto e homofobia internalizada que é inegavelmente aplicado os casais homossexuais em projetos comerciais. Tipo, nós parecíamos lésbicas? Ou éramos apenas duas mulheres apaixonadas, e então fizemos um filme natalino?

Me contem mais sobre caracterizar personagens queer para as telas vs. o que tem sido historicamente representado.
STEWART:
Eu tenho muita experiência em confundir as pessoas e isso era mal interpretado como se a confusão fosse minha. Tipo, desculpa, você precisa se atualizar. Algumas vezes, eu não usava salto alto quando era mais nova [e isso era muito comentado]. Cada vez ficou mais evidente que aparências realmente importam, minhas escolhas de roupa foram usadas violentamente contra mim.

Sabe, a palavra “lésbica” tem uma conotação negativa para mim que agora tentei tirar porque eu cresci dizendo ’Oh, não sou lésbica’ porque não tinha namorado meninas ainda. Mas, tipo, aquilo era violento. Em retrospecto – só porque eu tenho todos os outros tipos de privilégio – isso não significa que não tenho que reconhecer que aquilo era ruim e parecia físico.

Então foi importante para mim reconhecer isso no filme e ficar tipo, ’Hey, vou te convidar gentilmente a vir até mim, em vez de parecer que estou te alimentando com uma alienação que fui sugada durante toda minha vida.’

DUVALL: Acho que as pessoas não entendem o quanto a homofobia é descontrolada e casual. E que isso realmente tem um impacto duradouro.

Eu gostei de fazer esse filme com a Kristen porque senti que ela podia entender de um jeito que muitas pessoas não podem. Eu tive muita sorte na minha carreira de estar em ‘Nunca Fui Santa’ e interpretar uma personagem que parecia comigo pela primeira vez e vendo isso pela primeira vez [na tela] – foi enorme. Criar a Abby foi realmente querer trazer esse tipo de especificidade de volta para os filmes.

Mary, você e Clea foram colegas de elenco em Veep. Como foram disso para escrever uma comédia romântica natalina juntas?
HOLLAND:
Nossas personagens em ‘Veep’ nunca tiveram cenas juntas, então nós nunca estávamos juntas no set. Mas eu ia para as mesas de leitura do elenco e nós tivemos essa conexão e química de primeira. Ela me contou sobre essa ideia e eu estava 100% a bordo. Clea realmente deu um tiro no escuro comigo. Nós éramos estranhas quando ela me pediu para escrever com ela.

Vocês tinham uma lista de elementos natalinos imperdíveis em filmes, como aquela imagem de uma porta com uma guirlanda gigante de abertura, que parece ser a marca registrada de todos os filmes natalinos?
STEWART: Eu já vi o filme três vezes – [brincando] porque eu sou obcecada comigo mesma. Mas quando a porta abre, parece que o filme engata e começa a andar. E você fica tipo, ’Meu Deus, espera, eu tenho que andar com você? Amei.’
DUVALL: Nós não assistimos nada na hora de escrever – construímos nosso próprio mundo. Mas quando comecei a trabalhar com a nossa designer de produção, Theresa Guleserian, e nosso diretor de fotografia, John Guleserian, foi quando começamos a criar essas imagens icônicas e fazer parecer Natal sem colocar várias luzes e enfeites.

A trilha sonora é totalmente natalina. Mas por que não tem Mariah?
DUVALL: Porque a música de Natal da Mariah é muito cara.

Kristen e Mackenzie, como vocês encontram o equilíbrio em serem engraçadas com o arco emocionante do filme?
DAVIS:
Clea nos dizia isso toda vez – não tentem fazer algo que não é. Não se afastem do grande romance, da comédia e dos grandes momentos emocionantes, porque todas essas coisas juntas são parte desse gênero. Então mesmo que seu instinto como atriz seja deixar um pouco mais leve, tudo isso prospera se você investir o máximo em cada elemento.
STEWART: Ir e voltar da comédia para a emoção ou angústia foi traumático para mim. Eu ficava com raiva da Mackenzie de manhã.

Dan Levy tem uma cena memorável falando sobre o processo de se assumir. Como isso se desenvolveu?
DUVALL:
O discurso dele foi quase uma ideia tardia. Eu estava precisando criar cenas nos testes para saber se os atores podiam fazer drama.

E então quando cheguei nela fiquei tipo, ’Oh, talvez essa seja a parte mais importante do filme.’ E foi algo que não articulei para mim mesma porque quando me assumi, acho que apenas deixei passar. Então quando pensei, isso apareceu – ele entregou de forma tão bonita, eu assistia na tenda e chorava.
STEWART: Sobre o Dan, eu estava tão nervosa. Ele é tão engraçado. Eu não o conhecia antes. Eu pensei, ’Cara, ele vai me achar uma perdedora idiota? Vamos gostar um do outro?’ Porque já tive experiências com comediantes que de primeira você pensa que vai ser muito divertido e então você se sente mais burra perto dessa pessoa. E existe essa coisa única que só pessoas engraçadas possuem.

Dan é tão caloroso e receptivo e uma pessoa realmente observadora e engraçada, sem humilhar ninguém ou ser estranho e negativo. Eu pensei, ’Vai ser muito fácil amar esse cara.’

Esse filme me fez perceber que existe uma certa quantidade de tensão e liberação que pode ser boa, mas você realmente faz o seu melhor trabalho quando é apoiado e se sente visto em vez de lutar para sentir isso – o que eu também amei fazer, mas estou ficando cansada. Eu não tenho energia para isso.

É muito bom assistir um filme em que as piadas são tão familiares para mim e meus amigos, com relacionamentos entre duas garotas. É incrível zoar coisas que machucam porque isso significa que você pode se libertar.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

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