Kristen recentemente conversou com a revista Marie Claire da Itália e falou sobre Seberg, A Cronologia da Água e mais. Confira:

Estar no centro das atenções começou a ser uma preocupação de Kristen Stewart e, ela diz, a fez entender o drama de Jean Seberg, que foi espionada por anos pelo FBI e também pela mídia: ”Eu também sou atacada frequentemente, mesmo que mais leve. Mas em um certo ponto, eu percebi que ao lidar com isso, eu projetava minhas inseguranças em outras pessoas. Se eu falasse com um amigo sobre ser um desastre, ele me dizia: por que você acha isso? E eu dizia: Porque todo mundo diz isso! Eu tinha ficado histérica, mas agora eu não dou mais atenção para certas coisas.” Além do que, não é fácil sobreviver quando sua vida pessoal e suas escolhas mais íntimas estão sempre nos holofotes: de primeira, todos queriam saber sobre seu amor por Robert Pattinson (”Somos amigos, falamos um com o outro frequentemente,” ela diz. ”Ele é uma pessoa especial e estou muito orgulhosa de seu próximo papel como o Batman.”). Agora o foco está na nova namorada, a roteirista Dylan Meyer, com quem ela mantém um relacionamento desde agosto e que, em novembro, revelou o desejo de se casar. Com o olhar mórbido que os outros possuem em sua sexualidade fluida, após se assumir em 2017, ela diz que se reconciliou recentemente: ”O problema é que, quando somos crianças, nos ensinam com quem é certo ou errado ir para a cama, e então, ao crescer, você precisa desaprender isso. Ao interpretar Jean Seberg e pensar sobre sua liberdade sexual igualmente comentada, eu finalmente parei com o julgamento moral sobre mim mesma. O escândalo é que todo mundo fala sobre isso somente quando é uma mulher e não um homem no meio.”

Não é coincidência que ela foi criticada amargamente no Twitter quando terminou com Pattinson por Donald Trump, a personificação do homem branco retrógado: ”Todos sabem o que eu penso dele,” diz Kristen, ”mas, felizmente, graças às redes sociais, as pessoas rasgaram o véu da conformidade. Por outro lado, Jean Seberg viveu em uma época onde as estrelas precisavam tranquilizar o público com seus estilos de vida.” Como a atriz de Breathless, que ajudou os Panteras Negras, Kristen não tem medo de se expor politicamente. ”Infelizmente, a América nunca esteve tão dividida quanto hoje,” ela diz, ”por causa da desigualdade sistemática. Estamos em um ponto de ruptura e eu espero que os Democratas vençam a eleição, mas eu sei que mesmo se vencerem, o país ainda vai estar destruído.” E se ela fosse candidata, em quais pontos focaria? ”Desigualdade, problemais raciais e mudanças climáticas.”

Enquanto ela fala, eu noto suas tatuagens. ”Minha mãe e meu irmão possuem seus braços completamente tatuados, mas eu sou atriz e tenho que ter moderação, por isso as mantenho apenas nos meus braços. Eu escolhi os cromossomos para celebrar minhas origens, mas foi um impulso. É por isso que elas são uma merda, mesmo que eu goste delas. Por exemplo, essa seta com Swim foi para comemorar meu primeiro curta como diretora, Come Swim.” Agora, ela está se preparando para sua estreia em um longa com A Cronologia da Água, baseado no livro autobiográfico de Lidia Yuknavitch, que, depois de ser estuprada, tentou carreira como uma nadadora antes de se render ao álcool como sua mãe. ”É a história de uma mulher que tenta lidar com a dor e a vergonha, e vive seu corpo de um jeito bizarro. Foi incrível para mim ler e encontrar o que eu realmente sou,” Stewart comenta. O tema da água retorna novamente, como no curta e em seu recente filme como atriz, Ameaça Profunda, o qual ela queria abordar porque ela diz ter muito medo. ”Coisas incríveis acontecem somente quando se está com medo e você descobre coisas sobre si mesmo que você ainda não sabia. É ridículo pensar que todo mundo está interessado nos detalhes da minha vida pessoal porque meus filmes são o bastante para me verem nua: minhas emoções mais verdadeiras são encontradas lá, porque para mim não diferença entre a vida e o cinema.” No final da conversa, eu pergunto de onde vem o desejo de ir para atrás das câmeras. Ela reflete, procura por palavras, e então me diz: ”Eu quero entrar por baixo da pele das pessoas, porque eu tentei do outro lado, e é um sentimento fantástico.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Em entrevista com Yo Dona, Kristen Stewart conversa sobre rótulos,ser o centro de atenções e a importância de sua postura, como figura pública, entre outros assuntos.

Nomeada a atriz da década pela associação de críticos de Hollywood, a protagonista da saga Crepúsculo acumula prêmios e está a ponto de dar o próximo passo: Ficar atrás das câmeras com uma história sobre uma mulher incompreendida. Como abordará? “Com força e delicadeza,” assegura.

Yo dona: Você se identifica com os exemplos trágicos de pessoas que falham em superar a pressão dos rótulos?
Eu nunca me senti rotulada. Eles me jogaram na linha de frente quando eu ainda era bem jovem, meu relacionamento com o mundo era mais imaturo que agora. Mas eu nunca fui umas dessas pessoas que diz “É culpa das pessoas, ninguém me entende.” Na verdade, a opinião que as pessoas têm sobre mim não têm que estar errada. Afinal, essas ideais são resultados de informações que, conscientemente ou inconscientemente, eu transmite a eles. Jean Seberg entendeu muito rápido que tudo que aconteceu com ela estava além do seu controle, havia estruturas estabelecidas que ela teve que se adaptar. Eu sinto o mesmo. Sobre rótulos, eu acho que é um assunto interessante, especialmente quando eu penso sobre a revolução sexual que nós estamos vivendo atualmente. Hoje é bem mais fácil falar sobre isso que há alguns anos, hoje as coisas não são só branco ou preto.

Você faz. É graças ao empoderamento feminino e ao #Metoo?
Eu sou orgulhosa de ser parte disso. Francamente, eu não entendo como não aconteceu antes.

Sua decisão de dirigir The Cronology of Water tem algo a ver com a grande liberdade, quando se trata de falar sobre sexualidade e gênero?
Cem por cento. O filme fala sobre uma mulher que tem a voz presa em um corpo que foi vítima de abuso. Até ela decidir reviver a dor para olhar para dentro de si. E ela encontra uma poderosa voz, primeiramente no papel e depois no mundo, sem nenhum pingo de vergonha. Há poucas histórias de autoajuda sobre mulheres que não estão propensas aceitar o mecanismo estabelecido e proposto várias vezes pela sociedade e tradição. A história de Lidia Yuknavitch é suja e primitiva. Quando eu li, eu tive a mesma impressão que senti quando li Ham on Rye, de Charles Bukowski.

Bukowski com uma perspectiva feminina? É quase aterrorizante.
Sim, vergonhoso em dobro. Pela violência sofrida e pela vergonha. O sentimento que eles não nos entende e não aceitam como nós somos.

Um projeto emocionante, como você planeja abordá-lo?
Com força e delicadeza.

Como você começa essa nova fase da sua vida e carreira? Em Ameaça Profunda você está com a cabeça raspada, numa versão submarina de Alien e no novo remake de As Panteras você luta com suas mãos e faz um pouco de comédia.
No novo filme As panteras nós vamos além do clichê de três mulheres com habilidades extraordinárias que trabalham para um filantropo misterioso. Isso já é uma história bonita, mas nesses filme há algo além, algo que é típico do nosso tempo. O mundo está cheio de mulheres com habilidades excepcionais, agora nó estamos cientes disso. Sem falar de super heroínas. O que eu gosto mais é que não é um filme de ação, no qual elas fazem as mesmas coisas que os homens fazem. Não é um “nós podemos fazer também”, mas “olhe os resultados que a força feminina consegue obter.”

Há momentos em sua vida, fora dos filmes, quando você sente que está usando sua força?
Quando eu voto. Todos nós nascemos e somo criados em uma família, classe social, grupo de amigos e nós geralmente consideramos eles pares que vão durar para sempre, mas não é assim. Nessas questões nós também podemos exercitar nosso direito de decidir, nós podemos nos cercar de pequenos ou grandes mundos que nos definem, o que amplifica nossa força. Procure força em outras pessoas e entenda que a força deles multiplica a sua: Isso foi uma grande descoberta para mim. Quando você (ela pula na cadeira com entusiasmo) “Nós fizemos, nós estamos alinhados, e alguém responde: Sim!”

Entretanto parece que nessa nova fase da história, novas formas de atrocidades do machismo estão surgindo.
Sim, há um tipo de homem que não irá desaparecer. A verdade é que algumas pessoas que são bastante queridas por mim são homens brancos mais velhos. Nós não podemos generalizar.

Eu posso ter o nome de algum desses homens?
Você está brincando comigo, né?

Muitas figuras públicas querem e ao mesmo tempo tem medo de ser o centro das atenções. Você conseguiu evitar essa paranoia?
De acordo com uma história bastante popular na America do Norte, alguns indivíduos, só por serem o centro de atenções, deixam de ser pessoas e se tornam desenhos, criaturas bidimensionais. E há muito dinheiro que cerca isso, muitas pessoas pegam um pedaço do bolo. Para entender que você é uma parte de uma máquina e que você é uma engrenagem, permite que você se concentre apenas nas opiniões das pessoas que são importantes para você e ignore o resto. Antes esse assunto me deixava louca, mas agora eu vejo a força que há por trás.

Em Seberg, um personagem diz: “A revolução precisa de estrelas do cinema”. Eu acho que você pensa o mesmo.
Em certas situações, nós podemos ajudar na mudança, estou convicta. É difícil fazer a revolução estando numa *caixa de fruta* e gritando por um megafone. De certa forma é mais sutil e requer mais tempo. Influenciar ou não influenciar na política depende bastante da suas companhias. Se eu posso ajudar alguém a não ficar envergonhado deles mesmos ou de suas decisões, eu ficarei feliz por fazer isso. E se o preço que tenho que pagar é ser fotografada enquanto faço minhas compras no mercado. Eu aceito. Deixá-los olharem dá um grande senso de poder. É importante não tentar controlar o que o mundo acha de você. Francamente, eu não dou a mínima.

Fonte | Tradução:Maria Clara Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart conversou com um jornal de São Francisco enquanto visitava a cidade para receber um prêmio no Mill Valley Film Festival, em outubro do ano passado. Ela falou sobre sua carreira agora que se aproxima dos 30 anos e sobre The Chronology of Water, seu próximo trabalho por trás das câmeras como diretora. Confira:

Quem melhor para interpretar Jean Seberg, a atriz americana que se tornou ícone da New Wave francesa, do que Kristen Stewart, uma estrela de Hollywood que se tornou a primeira atriz americana a ganhar um César por atuar em um filme francês?

As similaridades não terminam aí. A carreira de Seberg foi ”muito parecida com uma amarelinha. Assim como a minha,” Stewart disse.

E ambas tiveram mais do que um número justo de confrontos com a mídia, Seberg durante o começo difícil de sua carreira em Hollywood e então, mais famosamente, enquanto enfrentou escrutínio intenso após se envolver com os Panteras Negras no final dos anos 60. Esse período é o assunto do novo filme, Seberg Contra Todos.

Enquanto isso, Stewart experienciou a fama meteórica como estrela da saga Crepúsculo e ganhou uma fã base que a segue a cada movimento. E, justo ou não, cada filme que ela estrelou desde a conclusão da saga em 2012 foi escrutinizado por seu sucesso na bilheteria – ou falta dele – e também pelo o que ela trouxe para o filme artisticamente.

”Eu consigo me relacionar totalmente com isso – essa plataforma que se virou tão violentamente contra ela é algo que eu provei superficialmente, então esse sentimento de estar fora de controle disso me fez compreender mais essa situação em particular,” Stewart disse durante uma visita a São Francisco em outubro, em uma tarde antes de receber um prêmio no Mill Valley Film Festival. ”Apenas em termos de crescer e conseguir um certo nível de reconhecimento que requer que você interaja com a imprensa e com o público em massa, há momentos em que as coisas não parecem ser verdadeiras, não importa quantas vezes você tenta se convencer.”

”Apenas ter mentiras escritas sobre você e pessoas como cão de guarda em cima de você… mas obviamente, eu nunca fui atacada do jeito que ela foi.”

Seberg é o terceiro filme estrelando Stewart que estreia desde novembro – após As Panteras e Ameaça Profunda. É ambientado em sua maior parte na Califórnia e em Paris durante o final dos anos 60, quase uma década após Acossado, quando Seberg estava sendo vigiada pelo FBI por estar envolvida com os Panteras Negras, operando em Oakland e Los Angeles. É dirigido por Benedict Andrews e co-estrelado por Anthony Mackie, Zazie Beetz, Vince Vaughn e Margaret Qualley.

É também um exemplo sobre a parte subestimada da carreira de Stewart: sua preferência por fazer filmes independentes interessantes, desde Joan Jett em The Runaways a estrelar dois filmes na França com o famoso diretor Olivier Assayas: Acima das Nuvens e Personal Shopper. Também recomendado: Lizzie de 2018.

”Eu amo filmes independentes mais do que tudo,” Stewart disse. ”Eu amo! Mas não é uma situação ‘um para mim, um para eles.’ Eu honestamente fiquei atraída pelos filmes maiores que me envolvi, e então eu fico tipo, ‘Oh, ok, preciso mudar um pouco.’ Mesmo durante todos os filmes de Crepúsculo – fizemos cinco deles – eu fiz um ou dois filmes independentes. Eu sempre tive sorte o bastante para encontrar coisas que me estimulam e pessoas com quero me alinhar em ambientes diferentes.”

Se alguém parece bem equipada para navegar nos altos e baixos de Hollywood, é Stewart. Nascida em uma família do show business, ela se tornou atriz mirim, mais reconhecida como a filha de Jodie Foster em O Quarto do Pânico, de David Fincher. Mesmo com apenas 29 anos – ela fará 30 em abril – Stewart está na indústria há duas décadas.

Então, naturalmente, ela quer dirigir.

”Oh, claro que sim!” ela diz com uma risada. ”Eu quero dirigir desde que era pequena… Ser tão jovem e trabalhar com Fincher foi interessante porque eu não sabia como mais ninguém trabalhava. Então seu jeito radical, meio feroz e imersivo de trabalhar foi instilado em mim em uma idade jovem. Eu pensei que era divertido porque todos estavam no limite de sua inteligência. Isso dá um sentimento incrível ao set, como se a única coisa que vale a pena fazer é algo que realmente te motiva. E eu amei isso. Eu amei fazer 60 tomadas e ter 10 anos de idade e ficar ‘Sim, vamos continuar!’”

Stewart, que dirigiu o curta chamado Come Swim para, uh, ver como estava a água, está preparando para sua estreia com um longa com The Chronology of Water, uma adaptação da biografia da escritora Lidia Yuknavitch Ela espera começar a filmar nesse ano.

”Honestamente, não é arrogância, porque leva um grupo maior de pessoas para montar um filme,” Stewart disse, sorrindo. ”Mas o compromisso com uma visão singular é um comportamento bem maluco. É uma afirmação perigosa ficar tipo, ‘Eu vou dirigir a porra de um filme. Vou fazer isso sozinha.’ Literalmente, todas as decisões cabem a mim.”

Ela diz que aprende com cada director com quem trabalha, desde Fincher até Assayas (”Alguém como Olivier é muito mais meditativo, quieto, mas ainda tem esse sentimento de que você está fazendo a coisa mais importante do mundo”), Sean Penn (Na Natureza Selvagem), Walter Salles (Na Estrada), Woody Allen (Café Society) e Ang Lee (A Longa Caminhada de Billy Lynn).

Mas ultimamente ela tem assistido filmes dirigidos por mulheres para inspiração, também. Sua atual diretora favorita é a escocesa Lynne Ramsay, quem Stewart chama de ”uma de minhas heroínas.”

”Eu assisto seus filmes, e realmente sinto que, de certos modos, minha perspectiva ou maneiras impressionistas transitórias de fazer um filme são tão substanciadas por seu trabalho e o quão impactante e completamente conciso ele é, além de ser muito amplo. Então, ela é minha favorita. Eu a amo muito. Estou muito apegada à ela agora.”

Dirigir também é um jeito para Stewart moldar mais uma carreira que ela admite ter sido aleatória. ”Quando eu era mais jovem, nunca senti que minhas escolhas foram super táticas,” ela disse. Agora, completando 30 anos, a autoproclamada workaholic diz que ela não sente que uma janela está se fechando, mas que novas estão se abrindo.

”Se eu pudesse ficar no caminho que estive até agora, eu estaria feliz,” Stewart disse. ”Nunca fiquei entediada na minha vida. De algum modo, encontrei coisas contínuas que não foram só compensadoras, mas maravilhosamente enlouquecedoras. Eu nunca não estou trabalhando obsessivamente. Se eu pudesse manter isso, estaria muito feliz, e provavelmente viveria por um longo tempo.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart explica sua decisão de aceitar o papel no suspense Ameaça Profunda e por que a mudança climática não deveria nos impedir de ter filhos

A bolsa da Kristen Stewart está em cima da mesa de café. Na verdade, é mais uma caixa de papelão com uma alça, o que parece ser uma estranha decisão fashion para uma atriz A-list em Beverly Hills, cercada por mulheres imaculadamente arrumadas em designer gear. De repente, a bolsa começa a mexer.

“Ele é um caranguejo-eremita,” explica Stewart, entusiasticamente. Como transparece, ela veio de uma aparição na TV, onde ela foi orientada a identificar a criatura, estando com os olhos vendados, em uma ação promocional para promover seu novo terror no oceano, Ameaça Profunda. Ela não confiou na equipe da TV para leva-lo com segurança para o pet shop depois, então ela o trouxe. Ela está construindo um terrário em casa.

Em Ameaça Profunda, Stewart interpreta uma engenheira de mineração do alto mar, Norah, um dos poucos membros da equipe que sobrevive quando a plataforma é destruída durante um terremoto, forçando-os a fugir de ataques de criaturas aterrorizantes no fundo do oceano. Como Norah, “Inacessível e emocionalmente distante”, sua performance lembra Sigourney Weaver como Ripley nos filmes Alien.

Ameaça Profunda, dirigido por William Eubank, deve um débito a obra de arte de Ridley Scott. “É bastante influenciado por Alien”, diz Stewart. “Minha aparência, a aparência do Alien, até nossa plataforma, como é estruturada de forma aleatória, o fato de que as pessoas que vivem nessas plataforma não são soldados, são pessoas com fotos dos deus amigos e coisas bestas que estão penduradas em suas estações.”

Esse papel foi um desafio para Stewart. “É ridículo que eu cheguei a fazer esse filme,” ela diz, com a fala caracteristicamente rápida. “Eu nem gosto de nadar, quanto mais mergulhar. Nós não pertencemos a aquele lugar! Eu me senti bastante claustrofóbica e sufocada o tempo todo.”

Durante a filmagem, ela teve que usar uma “horrível” roupa de mergulho de 45kg, que a fez se sentir asfixiada. “Eu queria confrontar fobias que eu tenho e eu sabia que se eu mergulhasse de cabeça em algo que me assustasse, seria perceptível,” ela diz. “Eu não tinha feito um filme comercial em muito tempo e eu certamente não tinha feito um filme de ação, então eu pensei que era uma boa ideia fazer algo que não era muito intelectual e puramente físico… Até você perceber que essas coisas andam de mãos dadas.”

Gravado em um estúdio de som, em New Orleans, o filme usou uma técnica de efeito especial “Molhado para seco”, o que limitou o tempo que ela tinha que ficar submersa. Mas não havia escapatória da roupa de mergulho. “Não era divertido e eu estava assustada o tempo todo,” diz Stewart. “Sempre que íamos para embaixo d’água, eu estava chorando. Eu sou o tipo de pessoa que, se você me abraçar muito apertado, eu fico tipo ‘argh’. Suas mãos abraçam seu corpo. “Eu odeio ser pressionada.”

Stewart cresceu em Los Angeles, fazendo seu dever de casa nos sets dos shows dos seus pais, enquanto seu pai era um gerente de palco, sua mãe supervisionava roteiros. “Meus pais era realmente da classe trabalhadora,” ela diz. “Ela faziam filmes. Eu sempre me inspirei neles e sempre quis fazer filmes e fazer parte daquilo. Eu não seu o que estaria fazendo se não fosse uma atriz.”

Ela começou a atuar aos nove anos de idade e seu primeiro papel de destaque veio alguns anos depois quando ela interpretou a filha de Jodie Foster no suspense O Quarto do Pânico. “Eu achava que era uma adulta quando eu tinha 12 anos,” ela diz, para explicar sua preocupação. “Eu não sei porque. Eu nunca fui complacente. Não fui criada para ser.”

Foi aos 18 anos de idade, em 2008, que ela ascendeu ao estrelato, interpretando Bella Swan na franquia de vampiros Crepúsculo. Estrelando a série de cinco filmes, que arrecadaram mais que 3,3 bilhões de dólares e sua vida pessoal se tornaram objeto de fãs e obsessão, mais intensificado pelo seus relacionamento com seu co-star, Robert Pattinson.
Todo dia era um frenesi da mídia (ela foi fotografada traindo ela com o diretor de filme britânico Rupert Sanders). Ela precisava de guarda-costas, assistentes e enormes SUVS pretas com manobras táticas para evitar perseguições implacáveis. Nada disso parece perturbá-la agora, apesar – e ela resiste a ser cínica sobre sua fama enquanto jovem, olhando para trás. “Considerando que eu pude trabalhar ainda tão jovem, eu fui privada de uma abundância de coisas boas.”

Com exceção de Branca de neve e o Caçador e o recentemente rejeitado As Panteras, desde Crepúsculo, Stewart escolheu filmes menores, independentes como Anestesia, American Ultra, Para Sempre Alice e Seberg Contra Todos, pelo qual ela recebeu aclamação por sua performance no papel de Seberg. Ela insiste que esse caminho não foi uma decisão consciente. “Em nenhuma das maneiras que eu funciono criativamente são táticas. Eu não estou tentando planejar uma trajetória programada.”

Agora com 29 anos, Stewart aprendeu a viver com sendo observada. Há 3 anos, ela se descreveu como “tão gay” enquanto apresentava o SNL, mais tarde esclarecendo que ela era bissexual (Ela namorou a cantora francesa Soko, a modelo Stella Maxwell e a música St Vincent.) Ela é regularmente flagrada por paparazzi carregando compras do mercado no carro com sua namorada roteirista Dylan Meyer, e isso não parece incomodá-la.

Primeiramente,” ela diz, “Eu acordo feliz. Eu genuinamente acordo. Mesmo se as coisas estão uma merda, eu acordo energizada indo ‘tudo bem, vamos lá.’ Eu sou grata por isso e eu sei que é uma coisa química; algo que você é sortudo por nascer com isso.”

“Eu tenho muitos amigos que são brilhantemente inteligentes e engajados com o mundo que acordam assustados e tristes,” ela continua. “Obviamente nós vivemos em um período assustador e polarizado, todos os dias acordando um pouco incerto, mas ao mesmo tempo, eu sou verdadeiramente sortuda e feliz por ser alguém que é geralmente feliz… Eu sei que isso não foi o que você perguntou, mas eu sou sortuda por ser dosada com bons elementos químicos.”

E há muitas coisas para se preocupar – aquecimento global, escassez de água e falta de comida são as preocupações no topo de sua lista. Ela vai fazer 30 anos em abril e questões sobre o futuro começam a surgir.

“Qualquer um que queria ter uma criança, você fica: ‘Sério? Você tem certeza? O que você acha que vai acontecer com eles? Eu tive alguns amigos que disseram recentemente: ‘Eu sempre achei que quisesse ter filhos, mas talvez agora não sei…’ E eu fico tipo, olha, as coisas vão ser difíceis, mesmo que nós pensássemos fatalisticamente: ‘foda-se, eles só vão ter 10 ou 15 anos, ou talvez eles tenham 80’. Vale a pena.”

“Eu digo aos meus amigos: ‘Faça! Que diabos. Talvez haverá uma saída, se não, nós não podemos simplesmente parar. Nós temos que continuar. Até não conseguimos mais.”

Ela espera que o tema ambiental e os avisos não fiquem perdidos entre os efeitos especiais. “Como uma subtrama para um suspense existencial, que é bem assustador e com explosões, fica entrelinhas o fato que nós não devemos tocar coisas que não devemos tocar. E, se nós tocarmos… então o monstro virá atrás de nós.”

Fonte | Tradução: Maria Clara Equipe Kristen Stewart Brasil

Fomos convidadas pela distribuidora CineColor do Brasil para assistir com antecedência ao filme Seberg Contra Todos, que conta com Kristen Stewart no papel de Jean Seberg. Contamos abaixo tudo o que você precisa saber sobre o filme e o que achamos da obra! O filme estreia em todo o Brasil no dia 5/3

ATENÇÃO: Pode conter spoiler.

O filme Seberg Contra Todos (2019), dirigido pelo australiano Benedict Andrews, conta a história da célebre atriz americana Jean Seberg, interpretada por Kristen Stewart, com foco em três anos específicos de sua carreira. O início da trama é em 1968, época na qual Seberg estava em seu segundo casamento, com um filho e morando na França. A atriz ascendeu ao estrelato, especialmente entre os franceses, após protagonizar o icônico filme de Jean-Luc Godard, Acossado.

O propósito da produção é mostrar como a investigação secreta intitulada COINTELPRO do FBI manipulou informações e inventou mentiras sobre Jean, além de sua relação com a mídia e com movimentos sociais americanos. A perseguição a atriz ocorreu porque ela ajudava financeiramente e demonstrava publicamente apoio aos Panteras Negras (movimento negro americano que lutava em prol dos direitos dos negros na sociedade americana) e suas atividades.

Por meio dessa investigação, o FBI destruiu a vida e a carreira de Jean, pois, em virtude da perseguição e vigilância constante, o grampeamento de seus telefones e casa, ela acabou definhando e ficando paranoica aos poucos. Nesse período, se divorciou de seu então marido, Romain Gary, teve um parto prematuro o que causou o falecimento de sua filha, Nina, com apenas três dias de vida.

Todos esses pontos são retratados no filmes exatamente porque fazem parte da janela de tempo que eles almejaram alcançar e aí talvez esteja o grande problema: a construção da narrativa não aborda tudo o que é necessário para compreender completamente a história, principalmente, se o espectador não conhecer minimamente os acontecimentos, o período em que tudo aconteceu e quem era Jean Seberg – e sua relevância para a indústria cinematográfica.

Mas, vamos lá, primeiramente, é importante ressaltar que as intenções do filme parecem boas e a história é muito intrigante, principalmente, porque foi um assunto muito pouco falado e que muitas pessoas não conhecem. Em segundo lugar, as atuações são incríveis. A Kristen está em um de seus melhores papeis, sem dúvidas.

Como o filme mostra esses anos da vida de Seberg, é possível ver a sua mudança de estado de espírito: ela vai da felicidade à solidão em pouco tempo, após sua vida ser completamente virada de cabeça para baixo, e a Kristen é espetacular em todos esses momentos. Há cenas sem diálogos, apenas ela e a câmera e você consegue sentir toda a angústia pela qual Jean está passando, é de cortar o coração.

O elenco, como um todo, que conta com Jack O’Connell (como o investigador Jack Solomon), Anthony Mackie (como Hakim Jamal), Margaret Qualley (como Linette, esposa de Jack), Zazie Beetz (como Dorothy Jamal, esposa de Hakim), entre outros, também estão ótimos. São atuações excelentes em cima de um roteiro raso que não constrói bem os personagens e nem suas histórias.

Para um melhor aproveitamento de toda essa trama, o roteiro deveria apresentar a história de Jean alguns anos antes para que seja possível compreender melhor o motivo dela se envolver com os movimentos sociais, sua relação com a mídia e como tudo a afetou. Do jeito que é conduzido, dá a sensação de que ela ficou paranoica por quase nada, falta muita explicação para suas motivações e angústias. Essa questão incomoda bastante enquanto se assiste o filme porque em alguns momentos parece que construíram o roteiro com base em uma página do Wikipedia e informações avulsas da internet pela falta de conexão mais profunda e complexa entre os períodos e situações.

Apesar dos problemas no roteiro, o filme tem uma atmosfera bem pesada e densa que te deixa reflexivo acerca de tudo o que o governo causou, sobre como muitas vidas foram afetadas por esse projeto e como a Jean foi perdendo muito do seu brilho, especialmente após a morte de sua filha, situação da qual ela nunca se recuperou.

Outros aspectos muito bons no filme são a fotografia, sob responsabilidade da Rachel Morrison, que capta brilhantemente o sentimento da personagens, seus anseios, os lugares por onde passa e a forma como vive sua vida, e o figurino, pensando por Michael Wilkinson, que é extremamente bonito e orna com a ambientação, época e estilo da Jean, além de remeter às roupas realmente usadas por ela.

Dessa forma, Seberg Contra Todos é um filme que vale a pena ver para conhecer melhor a história dessa icônica atriz e também para apreciar o trabalho da Kristen, que realmente se supera, carrega e consegue driblar os problemas encontrados no roteiro, sendo, portanto, a melhor parte de todo a película.

Com distribuição da Cinecolor, o filme estreia amanhã (05) em todos os cinemas do País.

Escrito por: Jackelyne Amaral – Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart e Benedict Andrews falam sobre Jean Seberg e sua vida em entrevista com The Age.

A maioria das pessoas se lembram de Jean Seberg como uma mulher astuciosa com um ousado corte de cabelo raspado, vendendo o Herald Tribune em Breathless, o filme revolucionário da década de 1960 de Jean-Luc Godards, sobre um romance entre um Gangster e uma Americana ingênua. Isso era tudo que Kristen Stewart sabia sobre Jean, ela admite, antes de receber o roteiro de Seberg. Foi assim que ela soube que Seberg era uma ativista – mais importante, uma apoiadora dos Black Panthers – que foi perseguida, investigada e teve sua carreira destruída por operações secretas do FBI.

“Descobrindo a história real dela, eu fiquei surpresa pelo fato de que não é comumente conhecida,” diz Stewart. “Mas eu não acho que minha visão dela seja redutiva, pois eu não estava surpresa pela maneira que ela levava sua vida. É perceptível quando ela está em cena que seus olhos estão abertos. Ela não é uma atriz performática, ela é instintiva e muito presente.” O filme começa em 1989, com a atriz desembarcando em Los Angeles para a audição de Paint Your Wagon. Paris, onde a atriz morava com o romeno Gary, seu segundo marido, havia explodido em uma revolução. Nos Estados Unidos, o movimento de direitos civis estava cada vez mais militante. Claro que alguém como Seberg, inspirada pelo espírito do período, iria se posicionar politicamente.

Benedict Andrews, o diretor australiano, diz que ele pensou em Stewart para o papel assim que ele leu o roteiro de Joe Shrapnel e Anna Waterhouse. “A partir daquele momento, eu não conseguia imaginar fazer o filme semm ela.” Há paralelos em suas biografias – ambas tiveram papeis de destaque durante a adolescência, ambas foram vilanificadas nos Estados Unidos e encontraram uma nova liberdade no cinema Europeu – que era interessante, sem ser crucial. Quem fosse interpretar Jean tinha que “parecer como um dos ícones do cinema do século 20” mas isso não era difícil “Uma modelo pode ter um corte de cabelo daqueles”. A parte crucial era menos tangível.

“Jean tinha um tipo de abertura radical, um tipo de qualidade luminosa e eu não queria alguém tentando representar isso,” diz Andrew. Representações podem funcionar em um filme biográfico, ele diz, mas ele não estava procurando isso. “Eu queria um tipo de verdade bruta. Eu acho que Jean possuía isso e que a Kristen possui isso também; Em maneira diferentes, elas têm uma essência que você não consegue representar.” Ele queria que Stewart encarnasse Seberg e permanecesse ela mesma. “Isso é o que eu acho que grandes atores fazem. Eles fazem ambas as coisas ou só é apenas uma imitação. E ela faz os dois. Ela é Jean e Kristen simultaneamente.”

O fato que Seberg estava tendo um caso com um líder do movimento negro, aqui chamado de Hakim Jamal (Anthony Mackie) era especialmente incendiário. Entretanto, o relacionamento central em Seberg é entre Seberg e seu perseguidor Jack (Jack O’Connell), um recruta recente da agência, que foi designado para vigiá-la e se torna obcecado por ela. Ela sabe de sua presença, porém ninguém acredita nela; ela é levada ao ponto da paranoia tanto pela sensação de estar sendo vigiada quanto pelo fato de ninguém mais acreditar na situação.

Andrews, cuja carreira tem sido majoritariamente no teatro, diz que essa perspectiva de dualidade é algo que só o cinema consegue oferecer. “Eu não consigo fazer isso no Teatro. E eu amo como isso funcionar em um nível emocional, essa conexão paralela com as duas delas. Isso é unicamente cinemático.” De certo modo, ele diz que o filme todo é sobre o relacionamento entre a câmera e o objeto. “Jack está filmando Kean com uma câmera, nós estamos filmando a Kristen com uma câmera. As técnicas de vigilância, são as mesmas técnicas do cinema. Nós vemos essas técnicas serem usada para criar imagens lindas e icônicas dela como Jean e também como um artifício de mentiras.”

O filme recebeu críticas mistas, tanto em Cannes (O filme participou do festival de Veneza e não em Cannes) e desde que estreou na Europa – do Telegraph “ágil e interessante” ao Indiewire que classificou com uma bagunça do início ao fim – mas os crítico ficaram unanimemente pela performance compromissada de Stewart. Jean/Kristen como Seberg é ansiosa, vulnerável, inteligente, bem intencionada e impulsiva; como uma das críticas coloca, ela brinca com o fogo, incluindo chamas que a própria criou. “Eu acho que ela tinha essa fome voraz por experiências, mas eu acho que mais do que isso, ela no fundo era uma humanitária,” diz Stewart. “Havia entrevista de pessoas que cresceram com ela em Nebraska onde eles lembram que ela consistentemente lutava pelos mais fracos. Então eu acho que seu ativismo iniciou precocemente.”

Se os atores deveriam se tornar garotos propagandas de causas políticas permanece sendo uma pergunta enfadonha, debatida mais vigorosamente durante o período do Oscar, quando as estrelas tem seus dois minutos no pódio. Alguns acreditam que com a fama vem a responsabilidade de se posicionar; outros acham que atores devem se prender apenas ao trabalho. Stewart não acha que atores são obrigados a defender uma causa. “Assim que você se sente coagido, se você sente que as pessoas estão extraindo coisas de você, é artificial. Ninguém tem direito sobre suas opiniões”. Atualmente, ela está mais confortável em ficar quieta se ela não tem algo específico a dizer. “Eu acho que é bem claro com o que eu concordo. Eu acho que seria bem chocante se eu fosse uma republicana fiel. Isso seria bastante chocante.”

As pessoas podem escolher ser um artista, ela diz. “Você não precisa ser alguém que represente suas ideias. Há um escapismo que é lindo e você pode fazer parte disso, com certeza.” Por outro lado, diz ela, qualquer pessoa que se identifique como artista é intrinsecamente política. “Não há maneira que sua arte não irá refletir a maneira como você vê o mundo em que vive. Pessoas que são compulsivamente artísticas usam sua política naturalmente. Mesmo sem saber que estão fazendo declarações, estão fazendo isso inadvertidamente. Se você não vive com medo de sua carreira fracassar e deseja se envolver no mundo ao seu redor, isso é um ato político.”

Fonte | Tradução: Maria Clara Equipe Kristen Stewart Brasil

12345