Arquivo de 'Seberg'



Vídeo Legendado: Nova cena de Seberg
10, jan
postado por KSBR Staff

Foi liberada uma cena inédita de Seberg com o lançamento se aproximando no Reino Unido. Confira com legendas feitas por nossa equipe:

De passagem por Veneza para o Festival na cidade em setembro do ano passado, Kristen conversou com o The Guardian sobre sua carreira, infância e seus novos projetos como Seberg e As Panteras. Confira:

As cortinas se abrem e Kristen Stewart entra, um rastro de palidez e loiro platinado emoldurado com um luxuoso vermelho. A atriz de 29 anos acaba de entrar em uma biblioteca de um palácio veneziano do século 18, vestida em jeans desbotados, um sutiã preto, e um blazer destruído que parece que ainda não foi terminado. Ela se encaixa no ambiente como David Bowie na era Let’s Dance em uma sala do trono marrom – o que não diz nada, mas também é perfeito.

Uma década atrás, poucas pessoas viam a heroína da saga de romance de vampiros Crepúsculo como a rainha dos festivais de filmes em ascensão. Ainda assim, na noite antes de nos encontrarmos, no tapete vermelho de seu filme mais recente, ela tem a recepção geralmente reservada para pessoas como Catherine Deneuve e Isabelle Huppert. Stewart é incomum perto de seus colegas por ter convertido o sucesso em uma franquia de Hollywood para a arte de classe européia: o único outro ator da geração dela a fazer o mesmo foi Robert Pattinson, seu colega de elenco em Crepúsculo e ex-namorado. O afeto vai longe. Ela é a única atriz americana a ganhar um César, o Oscar francês. Por que ela acha que a conexão entre ela e a Europa aconteceu? ”Provavelmente pelas mesmas razões pelas quais me recusaram em todos os testes para comerciais quando criança,” ela ri.

Stewart está em Veneza com Seberg, um drama baseado em fatos reais sobre a atriz Jean Seberg perseguida pelo FBI no final dos anos 60 e início dos anos 70. Seberg mal tinha 30 anos na época, e era mais conhecida por estrelar no clássico Breathless. Mas em resposta ao seu apoio vocal e financeiro para grupos de direitos humanos, incluindo os Panteras Negras, o governo dos Estados Unidos juraram arruiná-la, brutalmente e publicamente. Ela era vigiada constantemente. Seus telefones eram grampeados. Falsas histórias foram plantadas sobre a paternidade questionável de seu filho não nascido, que morreu após Seberg consequentemente entrar em parto prematuro. Em 1979, aos 40 anos, ela cometeu suicídio; seu segundo marido, Romain Gary, culpou sua morte à década de assédio pelo FBI. O filme, dirigido por Benedict Andrews, apresente tudo isso em forma de um suspense paranóico, com Jack O’Connell e Vince Vaughn como dois dos agentes com a tarefa de arruiná-la, e Stewart como a própria Seberg.

A ideia de interpretar outra atriz deixou Stewart nervosa. ”Tudo que você possa pesquisar no Google é intimidante,” ela explica. ”Porque as pessoas podem fazer aquela coisa de colocar lado a lado.” Mas Andrews a buscou para o papel especificamente pelos paralelos nas vidas das duas. Como ele notou em Veneza: ”As duas foram lançadas ao olhar público bem jovens, e as duas conseguiram sobreviver à intensa atenção da mídia.”

Stewart se encolhe um pouco com a comparação, mas admite o ponto mais amplo. ”Obviamente existe uma escuridão e intensidade na história da Jean que a minha vida não chegou perto,” ela diz. ”Mas eu estou muito ciente do fato de que as pessoas estão me encarando constantemente. Então, esse não foi um trabalho que precisou de uma imaginação enorme.” Para capturar a paranóia crescente de Seberg, Stewart diz que ela precisou se permitir ”cair nesses buracos – os mesmos que eu tento pular na minha própria vida. Eu posso estar sentada em um restaurante e ver pessoas tentando escutar as coisas. Mas eu desisti de me preocupar com isso. Abandonei qualquer reivindicação de que minha vida seja outra coisa.”

A franqueza é o registro padrão de Stewart: é o que você esperaria de uma dama de Hollywood com nada a perder, em vez de uma atriz que ainda nem chegou nos 30 anos. No ano passado, ela disse que, depois de se assumir bisexual em 2017, ela foi aconselhada a não ser fotografada segurando a mão de mulheres em público porque manter uma imagem mais convencional ”daria um filme da Marvel à ela.” Ela não aceitou o conselho, e foi fotografada com namoradas desde então, incluindo a cantora St. Vincent, a modelo Stella Maxwell, e, atualmente, a roteirista Dylan Meyer.

Essas imagens completamente não-escandalosas ajudaram a normalizar a ideia, ainda polêmica mesmo cinco anos atrás, que uma estrela de cinema jovem e de sucesso pode ser abertamente gay. E enquanto o filme da Marvel não se tornou realidade, ela recentemente estrelou em um reboot de As Panteras, que não foi um sucesso de bilheteria (quase não conseguiu o orçamento de volta) mas todavia uma mudança de ritmo.

Quando conversamos, ainda faltavam uns meses para o lançamento de As Panteras, e Stewart parecia um pouco perplexa que era um filme que ela realmente fez. Elizabeth Banks, escritora e diretora do filme, disse para Stewart: ”’Eu me divirto tanto com você. Por que você não é assim nos filmes?’” Stewart lembra. ”Ela pensou que as pessoas precisavam ver aquilo, o que foi muito doce da parte dela. Então é um filme divertido e bobo, mas é porque meninas são divertidas e bobas. E a ideia de que ajudaria as pessoas a verem que eu não sou tão séria era realmente atraente.”

Seberg a desafiou a trazer isso para fora de si, também. Stewart acredita que parte da razão pela qual o apoio da atriz aos direitos humanos era visto como muito perigoso era pelo tamanho de sua fama: ela podia conquistar um lugar somente ao entrar nele. ”Havia uma facilidade com a qual Jean vivia sua vida, mesmo em uma idade tão jovem, que demorou muito para que eu conseguisse entender,” ela diz. ”Eu tenho quase 30 anos. Ela tinha isso aos 15. Quando eu tinha 15 anos, eu estava sentada na porra de um canto.”

Ainda assim, ela atribui seus últimos dias – incluindo a saída do armário, que ela fez em ao vivo na televisão – ao clima polarizado atual dos Estados Unidos e de todo o mundo. ”O fator nós-e-eles é um pouco reconfortante,” ela diz. ”Eu não tenho medo de dizer as coisas que eu acredito porque, no momento, eu sinto que as pessoas que pensam igual são mais inclinadas a ficarem juntas. Eu me sinto segura com isso.”

Vale a pena mencionar que a adolescente de 15 anos sentada em um canto já tinha estrelado ao lado de Jodie Foster em O Quarto do Pânico de David Fincher três anos antes: para uma criança tímida, Stewart escolheu uma linha de trabalho incomum. Nascida em Los Angeles e filha de John, um gerente de palco, e Jules, supervisora de roteiro, ela lembra de assistir seus pais ”estarem muito, muito ocupados o tempo todo – eles eram da classe trabalhadora demais. E tudo o que eu mais queria era fazer parte daquele circo.” Aos 8 anos, ela disse para a mãe que queria se tornar atriz, ”porque eu queria tanto estar nos sets, e quando você é criança, isso é a única coisa que você pode fazer. Então, ela ficou chocada, mas foi legal o bastante de me levar para todos os cantos da cidade, fazendo um milhão de testes por um ano e meio.”

Os papéis que ela conseguiu eram em sua maioria em comerciais, apesar de ter aparecido como uma menina das cavernas jogando anéis em Os Flintstones em Viva Rock Vegas por dois segundos de tela, de costas para a câmera. ”Foram centenas de papéis pequenos, onde você só deve ficar sorrindo com covinhas,” ela diz. Aos 9 anos, ela estava pronta para desistir quando ordenaram que ela dançasse no set de um comercial: ”E não havia música tocando ou nada assim, e todas essas crianças ao me redor estavam dançando. Eu estava tipo, ‘Isso não é para mim. Não posso fazer isso’.” Sua mãe a fez tentar uma última audição para um filme independente, Encontros do Destino, dirigido por Rose Troche. O papel era da filha moleca de um casal divorciado com o hábito de fumar mesmo sendo menor de idade. Ela conseguiu o papel.

”Se minha mãe não tivesse dito, ‘Você marcou um compromisso então você deveria fazer o que você disse que ia fazer,’ eu não estaria aqui agora,” ela diz. O que ela estaria fazendo em vez disso? ”Eu não sei que porra eu estaria fazendo. Eu era uma criança estranha. A atuação foi um impulso incomum para mim, considerando o tipo de criança que eu era. Mas eu encontrei meu grupo. Graças a Deus.”

Durante metade da década seguinte, em filmes como O Quarto do Pânico, Garganta do Diabo e Na Natureza Selvagem, ela era aquela adolescente que podia ser intensa. Mas foi ao ser escalada para Crepúsculo ao lado de Robert Pattinson em 2007 que transformou o par em Bogie e Bacall da era jovem adulta. A importância cultural dos cinco filmes de Crepúsculo, que renderam 3.3 bilhões de dólares ao redor do mundo sendo uma fração disso, não é exagerada. Hollywood esteve cortejando obsessivamente meninos adolescentes desde os anos 80, mas isso foi prova de que histórias centradas em meninas e jovens mulheres também poderiam ser blockbusters. Crepúsculo abriu o caminho para a franquia Jogos Vorazes, os novos filmes liderados por uma mulher de Star Wars, um Ghostbusters só de mulheres e Capitã Marvel.

É um legado sobre qual Stewart é ambivalente; enquanto ela reconhece, ela mantém que ninguém que trabalhou em Crepúsculo os viam como pioneiros. ”Crepúsculo não fazia ideia do que era até que se tornou o que era,” ela diz. ”Foi uma mudança que deu um pontapé na coisa toda.”

Hoje, com esse pensamento, parte dela acha ”muito legal. Mas outra parte pensa que as pessoas pegaram esse modelo, que não foi desenhado para ser um modelo, e ficaram tipo, ‘Vou fazer muito dinheiro e conseguir muita atenção,’ e então fizeram filmes de merda, mas eu acho que é fácil fazer coisas que são cheias de nada. Alguns dos filmes que temos muita dificuldade de fazer, e fazemos com as melhores das intenções, e que ninguém assiste, são os mais bonitos.”

Após Crepúsculo, os filmes que as pessoas dizem para ela que mais significam para eles são os dois que ela fez com o diretor francês Olivier Assayas: o drama de mistério Acima das Nuvens, pelo qual ela ganhou o César, e Personal Shopper, uma história de fantasma estilo Hitchcock, e um dos melhores filmes da década de 2010.

Isso é o que ela mais ama agora; possivelmente o que a chamou aos 8 anos, a criança no canto para quem as covinhas e sorrisos não eram um ponto forte. ”Estar mais perto das pessoas através de pequenas histórias estranhas é o Sol em que minha Terra gira,” ela diz. ”É literalmente a minha coisa favorita, escavar e meditar um assunto com poucas pessoas que se importam, e o resto não. E somos apenas nós juntos. É o melhor sentimento do mundo.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen conversou por telefone com o site The Playlist e falou sobre seu novo filme, Seberg, que está com estreia limitada nos cinemas americanos nessa sexta-feira (13). Ela também falou sobre como se sente com os números baixos da bilheteria de As Panteras. Confira:

Conversando com Kristen Stewart inúmeras vezes ao longo dos anos, sua paixão por seu trabalho está sempre à frente. Por isso não foi surpresa que após uma campanha publicitária incrivelmente longa para As Panteras nessa primavera, ela esteve disposta a conversar por telefone sobre Seberg. Quando Stewart acredita em um projeto como no filme de Benedict Andrews, ela apoia imensamente, não importa o quê. Esse é um dos motivos pelo qual sua resposta para a bilheteria desastrosa de Panteras não é surpresa.

”Bem, para ser honesta com você, eu acho que se eu tivesse feito um filme que não fosse bom e um que eu não tivesse orgulho e muitas pessoas vissem, eu ficaria devastada,” Stewart diz. ”Felizmente, não estão me sentindo desapontada porque estou muito orgulhosa do filme. E eu acho que a época em que estamos vivendo agora é polarizada, estranha e difícil de promover um filme assim. Acho que tentar ter conversas realmente complicadas, muito polarizadas e feministas em uma entrevista de cinco minutos na televisão sobre As Panteras é… Fico tipo, ‘Cara, só queríamos nos divertir.’”

Ela continua, ”Estou chateada que provavelmente não faremos outro, mas ao mesmo tempo estou realmente orgulhosa do filme e tão feliz que ele existe e vive no mundo. Porque para muitas pessoas ainda é meio importante mesmo que de um jeito não muito sério.”

O que fez você se comprometer em contar a história da Jean?
Eu sabia quem ela era somente através de Breathless. Eu não tinha visto nenhum de seus outros trabalhos e obviamente não era familiar com seu trabalho como ativista e o relacionamento completamente violento que ela tinha com o FBI e com a vigilância. A idéia que era uma história amplamente perpetuada era que essa atriz excêntrica se mudou para Paris porque ela sempre amou mais lá e mergulhou no esquecimento é uma idéia que está muito errada. Não é nem um pouco verdade. E uma narrativa tão familiar que é tão enlouquecedora, que é que uma senhora esquisita que estava apenas incomodando as pessoas com suas opiniões basicamente precisava ser exilada e chamada de louca. E na realidade, ela era apenas alguém que acreditava na igualdade em um tempo onde isso era uma noção violenta ou muito ameaçadora. Então sim, eu não apenas achei que o roteiro era completamente bem escrito, estava um pouco preocupado em contar um aspecto de sua história e fez isso muito bem. Não estava tentando ser uma biografia. Estava apenas muito preocupado em revelar esse aspecto pouco conhecido de sua história e em validar sua luta. E ela sempre me marcou como uma pessoa que era capaz e realmente desenfreada e instintiva. E, de vez em quando, definitivamente inocente e fora de lugar, mas seu coração estava sempre na direção certa. Tudo o que já foi dito sobre ela era que ela tinha aspirações puramente altruístas que não eram impulsionadas apenas pelo que poderia ser esse tipo de pessoa, mas realmente se colocava em perigo de fazer a coisa certa. E eu achei que era uma história muito legal para contar atualmente.

Durante sua pesquisa, o que você tirou dela como pessoa? Houve algo inesperado que talvez você não sabia sobre ela?
Ela era sempre inesperada. Tudo sobre ela era imprevisível. Tudo sobre ela como atriz, uma artista em uma época onde a atuação não era mais tão performativa, ela sempre pareceu realmente natural, presente, disponível e honesta. E isso realmente ficou comigo. Eu acho que isso que impressionou mais os cineastas europeus. Então eu acho que aquela energia, essa natureza contagiosa, essa flutuabilidade, ela trazia para todos os aspectos de sua vida. Entende? Como se ela tivesse essa curiosidade voraz e esse desejo muito inocente e positivo de se conectar com as pessoas, quantas fossem possíveis, e preencher esses espaços. Você pode sentir isso no seu trabalho como atriz. Ouvindo o jeito que ela falava sobre as coisas que importavam para ela, sua carreira, sua família, sua política. Ela parecia alguém que era muito protetora de suas ideias, mas ao mesmo tempo um pouco desastrada no jeito que ela queria que as coisas acontecessem. Ela definitivamente era alguém que não tinha medo. E eu sinto isso em sua arte e sua política.

Se você assistir seus filmes, ela está tão disponível, presente, honesta e meio que iluminada e há essa luz inegável que sai dela no começo de sua carreira. Todas essas coisas que aconteceram com o FBI meio que ajudaram a diminuir essa luz. Conforme os anos passam, você pode ver essa luz literalmente indo embora em seus filmes. E então eu queria realmente conseguir acertar em cheio com ela, o lado divertido dela, acertar o lado que é maravilhoso, o lado que é tão atraente e chama atenção de todo mundo. E então, de uma maneira curta e redutiva considerando que sua vida é muito longa, mostrar que no filme, no começo, ela era imparável e no final ela parece um pouco mais remota, um pouco menos com vida e mais abatida.

Quando você recebe um roteiro assim, você faz anotações ou avalia a performance para saber onde você está em seu arco? Ou é algo que você sente que sabe no momento por causa da cena?
É algo que você sabe no momento e obviamente trabalhando com um bom diretor, isso é algo que eles são responsáveis pelo temperamento. Então você pode perder um pouco o controle com isso, sabendo que é algo que vai ser medido. Eu acho que foi uma história bem definida antes de eu chegar a ela.

Parece que você assistiu uma boa quantidade de entrevistas dela e outros filmes. Houve algum fato específico sobre a história que você descobriu que ajudou com a sua interpretação ou que você ficou realmente surpresa?
Eu acho que se você ler o arquivo do FBI, a coisa mais desarmante e impressionante do material de referência é a percepção estranha dela da perspectiva deles, as anotações inconsequentes revelando detalhes íntimos. Certas coisas aparecem de um jeito por fora, mas se você está vivendo naquelas condições, você entenderia. Foram todos detalhes íntimos e não contextuais que eram tão ofensivos. Se fossem sobre você e se você os lesse, você se sentiria completamente roubada. E eu estou curiosa sobre certas coisas que não fazem sentido no arquivo. Você fica tipo, ‘Deus, eles não estão contando tudo aqui, obviamente.’ Então isso foi interessante.

E então, eu penso, Las Vegas não é pequena. É como se Romain Gary [ex-marido de Jean] também tirou sua própria vida no mesmo dia que a Jean. E ele disse, estou parafraseando, ”Eu sei que todo mundo vai fazer suposições de que isso é relacionado à Jean e não é.” E então termina, tudo termina. Eu fiquei, ”Uau.” É como gritar que não é sobre isso, mas é. Foi louco para mim pensar na coincidência disso. E ao ler alguns dos trabalhos dele e alguns de seus outros amantes e saber quem eles eram e como funcionavam na vida dela, e meio que o quão transitória era sua vida. Eu sempre fiquei tipo, ”Uau, amo que as pessoas não estão focando nela sendo promíscua, mas realmente no que ela estava fazendo.” E eu pensei que só isso a tornava uma mulher realmente moderna. Existia algo em sua energia que era tipo, ”Eu sou minha própria mulher e tenho permissão para isso.” Ela realmente era uma mulher moderna muito subversiva, progressiva e realmente impressionante.

Mas, por outro lado, ela ainda foi banida para Paris de certo modo por causa desse escândalo, que não era real de nenhum jeito. Ela ainda foi jogada de lado, o que é loucamente frustrante.
E você sabe, tudo o que estou falando provavelmente está envolvido nisso. Ela não era muito apreciada pelos tradicionalistas “normais” entre aspas da época. Pessoas que estavam no poder, homens que davam ordens eram total e completamente ameaçados por uma mulher assim. E tiveram que fazer isso ilegalmente, porque ela não estava violando a lei por ter sua própria opinião, meio que tirá-la da vanguarda da atenção contemporânea, porque eles tinham filhas e não queriam que o mundo fosse na direção que ela queria ver. E então eles tiveram que se livrar dela.

Sinto que há paralelos na história dela e no que algumas figuras públicas enfrentam hoje. Esse aspecto contemporâneo surgiu em sua mente enquanto você lia o roteiro? Ou era apenas a história única dela?
Não, eu acho que a ideia toda de verdade pela percepção, o que isso significa, e viver em uma época onde não há um lugar para receber informações verdadeiras e de confiança que o façam sentir confortável de qualquer modo para ter um opinião. Se tudo passa pelo porta-voz de alguém, um poder opressor, então sempre vai haver dúvida e questionamento sobre o que é a verdade. E eu acho que apenas isso, essa dificuldade, saber de fato que algo é de certo jeito e ter as pessoas que supostamente deveriam tomar conta de você dizendo que você está louca, e você sabendo de fato que não está, isso é obviamente um tipo de história incrivelmente urgente. E essa, considerando que não é inventada, é real, é algo que não podemos saber sobre ela, entende? Como uma figura na história, precisamos entender que ela encaixa nessa narrativa.

Benedict é um diretor de palco aclamado, mas esse é apenas o segundo filme que ele dirigiu. O que você tirou de trabalhar com ele?
Benedict é um diretor realmente brilhante. Eu posso dizer o quanto tive confiança de que ele iria me proteger nesse filme e iria proteger a Jean. Eu senti que ele realmente se importava com ela. Eu falei com algumas pessoas que trabalharam com ele no teatro e atores que eu confio dizerem que ele era como alguém que sabia contar uma história que realmente ficaria unida e analisar tudo. Nós dois éramos como servos humildes da Jean nesse caso. Eu acho que ele é um cara brilhante. Ele é muito inteligente. Jantar com ele é sempre uma experiência. Ele é um filho da p*ta muito inteligente.

Recentemente muitos atores mencionaram seus relacionamentos com os diretores de fotografia. O quão importante é o diretor de fotografia em termos de sua performance e como foi trabalhar com Rachel Morrison nesse relacionamento?
Quem está olhando para você importa. A energia entre quem está assistindo e o artista é crucial. Existe uma certa balança e um relacionamento distinto único. Alguns realmente gostam de saber o que a câmera está fazendo e outros esquecem completamente. Eu realmente gosto de dançar com um operador enquanto ela opera seus filmes. Mesmo se você não for o operador ou o diretor de fotografia e você é apenas o puxador de foco, você está no set segurando uma vara de microfone, é importante quem está no lugar com você. Isso afeta a temperatura do lugar. Isso afeta todos os jeitos em que a cena se desenrola. Essas pessoas estão presentes. Uma coisa que eu posso dizer sobre a Rachel é que eu sei que ela não está perdendo nada. Às vezes você não é um ator que é incrivelmente aberto ou alguém que está atuando para a câmera. Ela consegue ficar embaixo de uma sombra que, algumas vezes, eu acho, os melhores atores fazem. E então você sabe que talvez se você estiver fazendo algo muito pequeno, ela está ciente disso. Sua câmera é realmente penetrante e também é um olhar que não é invasivo de nenhum jeito. Então ela é alguém com quem desejo trabalhar. Ela se tornou uma boa amiga. Eu acho que ela é ótima no que ela faz. Ela também conseguiu fazer essa diferença muito legal e extrema no filme entre o meu mundo e o de Jack [O’Connell] e o FBI. Eu acho que uma é muito fria e objetiva e parece revoltante enquanto a outra é muito saturada e tem essa perspectiva romântica. A que lembra o mundo da Jean é realmente vívida e um pouco inocente. Então eu acho que o filme vai e volta para super estilizado ou exagerado e auto-consciente. Na verdade, eu acho que ela fez um trabalho muito bonito nesse filme.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen conversou com o site Awards Watch em uma entrevista onde ela fala sobre Seberg, The Chronology of Water e um projeto secreto para 2020. Confira abaixo:

Eu amei sua performance neste filme. Você continua a mostrar sua capacidade. Com As Panteras mais cedo nesse ano, o qual eu realmente gostei, falando nisso, e agora Seberg, você continua a encontrar essas novas armas e ferramentas no seu arsenal. Você também parece destemida. Você disse que quando era mais nova, você parecia a última pessoa que se tornaria atriz, mas agora parece que nada te assusta. Alguma coisa te assusta, profissionalmente, nesse ponto?
Sim, absolutamente. Eu sempre considero que, a menos que haja um sentimento distinto de terror adjacente, não há realmente nenhuma razão para avançar com um projeto. Então, sim. Mas, ao mesmo tempo, eu não estou em um lugar onde o medo me limita. É algo que é muito atraente porque significa novidade e descoberta. Eu acho que a única coisa que foi muito assustadora, quando eu era criança tentando interagir com o público em massa, foi que a fama era meio confusa – o escopo disso era algo que eu não conseguia entender e assim que percebi que você pode jogar isso pela janela e conversar com si mesma um pouco enquanto está tentando divulgar um filme, e perceber, também, que isso não importa e o que realmente importa é o trabalho que você faz, eu meio que consegui quase ficar ansiosa para cair com a cara no chão, porque é mais interessante do que empacotar e entregar uma ideia de merda, entende? Então eu entendi, em algum ponto – isso não era algo que eu estava ciente porque é estranho pensar nisso a não ser que você esteja fora de si – eu fiquei muito mais confortável. Literalmente é se tornar adulta. Então sim, eu me sinto mais confortável com o medo, completamente.

Então você está procurando por novos jeitos de empurrar esse envelope para você? Como ir para a direção ou roteiro ou, você mencionou na sua conversa com o Shia, que você nunca fez um filme que precisasse de muita preparação. Isso é algo que você está procurando fazer?
Engraçado você mencionar isso. Há um filme sobre o qual não posso falar ainda que é exatamente isso. Eu acredito que vou filmar no ano que vem, por volta de dezembro, então há muito tempo para isso se tornar uma conversa. Mas sim, isso é algo que estou procurando fazer – estou quase podendo falar sobre isso, mas não quero deixar ninguém com raiva de mim. É isso, bastante. E também há A Cronologia da Água, que é uma adaptação complicada e é algo que eu quero do jeito correto, pelo o que é, e eu realmente quero solidificar essa perspectiva, a minha pessoalmente, do livro no papel e quero a pessoa certa para estrelar e não quero acelerar o processo. Também estou fazendo esse filme em janeiro para um amigo meu. Então esse, A Cronologia da Água, e o projeto que eu não posso falar ainda – os dois são preocupantes, mas eu não quero fazer nada a não ser que eu me sinta desse jeito, apenas sinto que não teria razão. Eu quero olhar para a minha vida e imaginar que todos esses momentos foram definitivamente usados, ao menos com a intenção de encontrar novidade, algum valor para o fato de ser assustador.

Indo para Seberg, você disse que se sentiu muito protetora com a Jean, e que isso é parcialmente o motivo pelo qual você queria contar a história dela. O que você quis dizer com isso?
Bem, eu tinha essa perspectiva geral dela que coincidia com a perspectiva ampla, que é ”a menina de Breathless dos anos 60, que se tornou um pouco excêntrica, se mudou para Paris e nunca quis voltar, bebeu até se esquecer de tudo e deu um fim em sua vida.” É uma trama absurda para o que realmente aconteceu na vida da Jean e eu acho que sua história é um pouco urgente, considerando a subjugação da verdade e esse relacionamento insano que temos com a verdade na mídia e a ideia de que uma perspectiva que parecia ameaçadora para o governo em geral. Ela foi exilada ilegalmente, não por infringir a lei, mas somente por ter uma opinião que não coincidia com a deles. Somente esse fato é assustador, de que nós realmente pensamos, em um sentido amplo, que ela era apenas uma atriz excêntrica que se mudou e bebeu até morrer. Digo, essa mulher realmente passou por muita coisa e foi muito violento, e eu acho que essa é a história que vale a pena contar.

E também, eu me senti pessoalmente protetora dela porque ela tem essa qualidade tonal preciosa. Como artista, ela é completamente instintiva, presente e disponível e no começo tinha essa flutuabilidade e essa energia que pareciam inegáveis e infecciosas. Parecia inocente, mas muito bem intencionada e honesta. E então, enquanto você assiste seus filmes progredirem, essa luz diminui e agora que eu sei mais detalhes de sua vida e o que aconteceu com ela e seu relacionamento com o FBI e a própria vigilância, tudo faz sentido. Não indicava fraqueza, era mais algo que aconteceu com ela, uma verdadeira ofensa para ela. Eu me senti realmente protetora de quem essa pessoa era.

É realmente interessante você falar disso porque eu ia perguntar sobre o fato de que vocês duas tem um paralelo de certo modo. Vocês duas são atrizes americanas que ganharam o coração dos franceses, o que é uma coisa muito difícil de fazer. Eu acho que os franceses não gostam de fingimento e eles apreciam artistas que são autênticos. Você acha que o fato de que vocês duas escolherem levar uma vida muito autêntica a ajudou a interpretar Jean e ser mais protetora disso porque você vive de um certo jeito que ela não conseguiu? Ou que você está se apropriando disso muito mais do que ela era capaz?
Honestamente, eu acho que uma das histórias mais frustrantes com as quais todos temos que viver em muitas capacidades diferentes é o abuso psicológico. Quando você sabe que algo é verdadeiro, mas algo ao seu lado, que é surpreendentemente inautêntico, é aquele que de alguma forma convence as pessoas da verdade – o que quer que isso seja, o que quer que signifique para você, não é uma coisa em preto e branco. Mas essa história é tão frustrante e obviamente super urgente. De uma forma que é superficial e pessoal, eu tive o gostinho desse relacionamento com o público ou com a mídia, ter as coisas sendo tiradas do seu controle e sendo distorcidas ou qualquer coisa assim. Isso tudo não importa, é como ser escalada para uma história em quadrinhos que é razoavelmente irrelevante, mas para ela, tudo estava envolvido em suas visões políticas e como essas visões eram realmente devastadoras e impactantes e feitas através do ar da verdade e enlouquecedor para quem adora autenticidade e aversão a coisas que parecem falsas. Então é claro que ninguém acreditava nela, porque ela era tão verdadeira e isso ameaçava eles. Isso realmente me impressionou bastante.

Você se considera uma ativista?
Não. Digo, eu falo com firmeza sobre as coisas que faço, mas não fiz nenhum trabalho público em nenhuma dessas direções. Nas histórias que eu escolho contar, com as pessoas que me relaciono e o jeito que eu voto, estou distintamente de um lado específico, mas eu não me chamaria de “ativista”. Ainda não. Mas, talvez em algumas das histórias que escolhi contar, com certeza talvez sejam um pouco subversivas, em termos de status quo.

E a vida que você leva. Falando como uma mulher gay, tenho que dizer que somente em se levantar e ser quem você é, ser o nível de celebridade que você, somente isso já é algo. Voltando para a Jean, foi feita uma referência que ela só queria atenção, e é isso que sempre foi mal interpretado, certo?
Essa ideia foi usada como uma arma para desvalorizá-la e difama-la, o que é apenas uma manipulação, e é ridículo. E é tão comum! Isso é o que todo mundo diz sobre mulheres que se sentem ameaçadas. Digo, essa é uma narrativa em que nossa história está completamente imersa: ela pediu por isso ou ela só quer atenção. Não, ela só está dizendo coisas que você não quer ouvir, e isso é óbvio.

Eu sei que você é uma pessoa colaboradora, você ama isso e se alimenta disso. Conte-me um pouco sobre o processo colaborativo deste filme.
Bem, o roteiro já estava muito bem formado. Quando eu li pela primeira vez, realmente parecia algo que eu precisava criar ao invés de desenvolver com o diretor. Benedict já tinha trabalhado muito no roteiro com os roteiristas originals. Eu entrei relativamente tarde, então eu consumi o material de referência que estava disponível, com o diretor, e assisti vários filmes dela. Há poucas entrevistas, para ser honesta, somente uma filmada. Eu não queria fazer uma imitação precisa porque é meio difícil de fazer porque ela nunca era a mesma. O jeito que ela fazia entrevistas era diferente do jeito que ela se apresentava nos filmes com suas diferentes personagens, e quem sabe como ela era por trás das portas fechadas. Nós nunca iremos saber, mesmo que o FBI pensava que sabia, o que é muito estranho e um pouco o assunto do filme. Mas eu quis mostrar, no começo – e isso é algo que Benedict e eu colaboramos imensamente – era meio que medir a luz decrescente. Mesmo que a história se passe em apenas três anos de sua vida, o que tem muitas camadas e é muito interessante, eu queria mostrar que, no começo de sua vida e carreira, na sua juventude, havia essa energia presente, disponível e contagiante que entrava em cada cômodo que ela entrava e dominava. Enquanto eu sinto que habito o espaço de um jeito muito diferente e uma coisa que Benedict realmente queria medir e levar em consideração era que estávamos contando a história de somente três anos, mas era uma oportunidade de contar a história da sua vida, não de um jeito biográfico, mas a sua história de vida em essência. Então, no começo do filme, eu quis ter certeza de que tinha essa flutuabilidade, que eu tinha essa energia inegável que se projetava muito longe. Então, no final, você sente isso se apagando e ela estava se perdendo e você sente saudade dela. No final, você se pergunta onde está aquela garota que apareceu no começo. Mesmo que fosse necessário um filme diferente para contar essa história completa, eu ainda queria um gostinho disso. Então isso era uma coisa que estava mais evidente no roteiro, mas Benedict e eu realmente queria me aprofundar mais nisso.

Perto do final, quando ela está caindo, perdendo a sanidade, você precisa interpretá-la no limite. Como você faz isso e como você fica no controle?
Eu tive sorte de trabalhar com pessoas incríveis, como a cineasta Rachel Morrison, que fez a fotografia do filme, ela vê tudo. Ela é alguém que eu conheço de fato que, mesmo que eu tenho algo bem escondido, que quase não dá pra ver, eu sei que não preciso me preocupar porque alguém está capturando, não preciso transmitir ou contar para alguém para ter certeza de que eles vão ter essa cena que eu faço essa coisa única. Sempre me permitiram sair do controle nesse ambiente que foi criado pelo Benedict. Ele contratou pessoas realmente incríveis, e uma delas foi a Rachel. Eu sinto que Rachel, Benedict e eu tivemos essa uma alquimia muito legal. Benedict estava sempre tendo certeza de que eu não estava esquecendo as coisas, que eu estava onde deveria estar naquela hora e que eu tinha tudo o que precisava para fazer o melhor que podia, e Rachel tinha esse olhar atento, então eu consegui desvendar de uma maneira realística.

Eu sei que você nasceu em Los Angeles e que seus pais estavam na indústria. Você teve um mentor quando era mais nova e começando?
Minha família inteira trabalha com filmes. Eu cresci sendo tão incrivelmente apaixonada pelo processo de fazer filmes. Não a parte dos negócios e o aspecto Hollywood disso, mas realmente o processo. E como é difícil e estranho, como você se aproxima dos seus amigos e o quão consumidor é para mim. A menos que você realmente ame, é um trabalho ingrato. E é um trabalho que eu sinto que é só o que minha família faz. Então a maior influência que eu tive foi de alguns atores que eu senti que coincidiram com isso e reforçaram essa verdade e meio que, sabe, viveram isso e me deram um exemplo que era realmente possível e esses instintos sobre o que eu quero realmente vai para algum lugar. Mas eu acho que definitivamente começou com a minha família.

Com suas participações no Saturday Night Live e As Panteras, estamos vendo mais da sua habilidade cômica que é uma novidade para nós. Você vai explorar mais isso?
Sim, eu adoraria! Como alguém que está ficando mais velha a cada dia que passa, todos podem se relacionar com a facilidade que a idade te dá. É esse maravilhoso revestimento prateado. Se temos que ficar mais velhos, pelo menos que seja mais fácil e mais confortável estar vivos. Eu estou para fazer esse filme chamado The Happiest Season, que é praticamente o primeiro filme comercial de estúdio de comédia romântica gay sobre o Natal. Então eu vou fazer um filme de Natal gay, eu não sei o que pode ser mais divertido do que isso. Ou o que poderia mais leve, então estou definitivamente disposta a começar a explorar esse aspecto de estar viva, rindo em vez de ser tão intensa o tempo todo!

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

O SAG-AFTRA fez uma exibição especial de Seberg na última terça-feira (10) para os membros da instituição e Kristen compareceu ao evento junto com a produção do filme. Confira fotos:

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