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Jeremiah Terminator Leroy foi o filme escolhido para fechar o Toronto International Film Festival, mas a imprensa já teve acesso ao filme e postaram suas críticas. Confira algumas traduzidas abaixo:

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!

IndieWire:

Baseado na biografia de Savannah Knoop, o ás do filme é Kristen Stewart como sua protagonista, habitando a personagem genderqueer com uma timidez crível e curiosidade que encaixa nos pontos fortes da atriz; ela é complementada com uma enérgica Laura Dern como aliada. Enquanto a dramatização fiel de Justin Kelly não oferece novos detalhes, e apaga no final, o filme continua sendo um retrato envolvente de duas mulheres lutando com suas personalidades privadas e públicas até ela colidirem.

Kelly o encaixe natural para esse material. Sua estreia subestimada I Am Michael focada em na história real de um gay ativista que virou pastor Michael Glatze, e Jeremiah Terminator LeRoy foca em um caso similar de pessoas desconfortáveis em sua própria pele. Quando Knoop aparece na vida de Laura Albert, ela já está bem fundo na sua vida de escritora como JT Leroy, com seu marido músico Geoff (um bom e discreto Jim Strugess) sendo parte do esquema a contragosto. Albert reconhece que ela limita o potencial de JT ao manter o personagem como uma voz no telefone e convence Knoop a se juntar ao esquema com facilidade.

Suas primeiras tentativas de trazer JT para o mundo real são convincentes, pois esses atores são excelentes em habitar seus papéis em diversos níveis de uma só vez. “Eu sou muito boa em fingir ser uma criança feroz de rua de 19 anos,” Knoop diz para Albert, que interpreta a exuberante agente britânica de JT quando as duas vão para uma sessão de fotos. “Isso não é estranho, não é?”

É claro, tudo sobre a situação é exatamente isso – desde a animação de Albert sobre a expensão de um plano arriscado para a estranha peruca que Knoop usa quando está em personagem. Knoop vai de estar em custódia da criação de Albert a desenvolver seu próprio senso de propriedade. Por um tempo, Kelly gera um notável grau de intriga com a trilha sonora de Tim Kvavnosky que entra no cenário com um toque de mistério. O filme, que abre com a frase de Oscar Wilde dizendo “a verdade nunca é pura e raramente simples,” explora essa noção enquanto as duas mulheres percebem que criaram um personagem real preso entre dois recipientes. Stewart permanece uma presença convincente e enigmática, mas ela está bem acompanhada de sua co-star veterana. Enquanto, tecnicamente, uma atriz coadjuvante, Dern frequentemente rouba a cena, aproveitando a oportunidade de mudar entre um trio de personalidades para efeito cômico. É apropriado para um filme sobre os perigos de buscar atenção.

O drama se torna menos envolvente à medida que a história fica mais movimentada, com Diane Kruger aparecendo como Eva, uma interpretação não tão sutil de Asia Argento. A atriz/diretora está focada em convencer JT a lhe dar os direitos de adaptação de The Heart is Deceitful Above All Things, o que Argento conseguiu pouco antes de um artigo da New York Magazine desmascarar Albert e o plano acabar. (O timing de Jeremiah Terminator tem a infeliz chegada após as notícias de que a estrela de “Heart”, Jimmy Bennett, supostamente dormiu com Argento enquanto era menor de idade; Argento negou as acusações.)

Ao apostar nesse cenário e reduzir a exposição jornalistica para os minutos finais, Jeremiah Terminator LeRoy reduz o traumático impacto da atenção da mídia para ambas Albert e Knoop para uma conclusão. Como resultado, a história tem uma qualidade desigual, perdendo-se em cenas redundantes de Knoop interpretando JT – enquanto Albert fica com inveja – e diminuindo a queda dramática para todos os envolvidos.

No entanto, Stewart é cativante em um papel desafiador que exige que ela faça malabarismo com diversas identidades de uma vez. Enquanto desenvolve um romance com um homem que ela conheceu no seu trabalho (a revelação de It Comes at Night, Kelvin Harrison Jr.), Knoop também se apaixona por Eva, inadvertidamente construindo um triângulo amoroso que coloca sua sexualidade fluida em um teste complicado. As qualidades de assistir Stewart enfrentar isso enquanto ela se afasta mais ainda dos papéis héteros que definiram sua carreira antes de se assumir ficam bem em um filme sobre esse processo controverso. (As qualidades do filmes se estendem para a escalação de Courtney Love, que foi enganada pela própria Albert, em um papel coadjuvante.) O roteiro de Kelly é especialmente hábil em investir nos desejos novos de Knoop descobre no meio de seu disfarce, e por que ela tem dificuldades de se soltar. Discutindo com seu namorado sobre por que ela deveria continuar com o jogo, ele diz, “Você parece uma viciada.” Na melhor das hipóteses, Jeremiah Terminator LeRoy amplia o impulso por trás dessa tendência obsessiva de abraçar uma personalidade além da sua.

O filme culmina com uma viagem para o Festival de Cannes de 2004, onde aconteceu a premiere de Heart meses antes da exposição de Albert e Knoop. Kelly traz para a história uma conclusão arrumada, mas ainda consegue deixar em aberto se Albert – agora uma celebridade por si própria – conseguiu o que queria apesar de tudo. Mas ao dar o holofote para Knoop, o final misterioso é pouco relevante. “Author” continua sendo a crônica superior sobre a história de JT LeRoy, mas Jeremiah Terminator LeRoy contém a sugestão tentadora de que não era a história de Albert desde o começo.

The Wrap

“Jeremiah Terminator LeRoy”, o filme de Justin Kelly que irá fechar o 2018 Toronto International Film Festival, ocupa uma posição complicada no festival. Os filmes que tipicamente fecham o festival não são para o comércio ou sucesso de crítica.

Mas há boas e más notícias para “Jeremiah Terminator LeRoy”, que estrela Laura Dern e Kristen Stewart e teve seu primeiro screening nesta segunda antes da noite de fechamento no sábado.

A boa notícia é que eventos atuais podem conspirar e talvez trazer mais atenção para o filme, mais do que qualquer filme que já fechou o TIFF. A má notícia é que a atenção provavelmente não é o tipo que os cineastas queriam.

O filme conta a história de Laura Albert (Dern), que publicou uma série de livros com o nome JT LeRoy e fez sua cunhada de 25 anos, Savannah Knoop (Stewart) para posar como andrógino LeRoy em aparições públicas. Quando tudo foi descoberto, Albert foi processada por fraude.

Stewart é, sem dúvidas a escolha certa para Knoop – uma jovem mulher que parece distante e rabugenta, mas intrigada com a bagunça em que se encontra. O papel apenas requer uma certa presença, e Stewart tem isso, mas o personagem contribui para uma figura central frustrantemente inativa, apesar de poucos momentos emocionais quando Eva e seu interesse sexual por ela diminui quando os direitos do filme são garantidos.

Kelly, seus filmes anteriores sendo “I Am Michael”, 2015 e “King Cobra” de 2016, é conhecido por explorar sexualidade de uma forma controversa. Mas “Jeremiah Terminator LeRoy” é uma examinação morna do que poderia ter sido um tópico quente – e isso significa que se arrisca a ser ofuscado pela novela da vida real em torno dele.

The Hollywood Reporter

O merecidamente esquecido filme de 2004 The Heart is Deceitful Above All Things tem estado nas notícias recentemente como resultado das acusações de abuso sexual contra a diretora e estrela Asia Argento, anos depois do fim das filmagens, com seu parceiro de cena ainda menor de idade Jimmy Bennett. O desenvolvimento e produção desse projeto, junto com uma representação inflada da premiere em Cannes, são o centro de Jeremiah Terminator LeRoy, com Diane Kruger como a deliciosamente oportunista atriz e diretora, aqui chamada de Eva. Essa conexão lasciva com as manchetes recentes devem dar à versão de Justin Kelly sobre a farsa literária por trás disso um falatório extra. Mas essa mentira é sem coração, no mínimo.

Na verdade, muito mais do que o coração falta no roteiro lento e psicologicamente anêmico que Kelly co-escreveu com Savannah Knoop, baseado na biografia sobre ser atraída pelo escândalo que enganou críticos e leitores no começo dos anos 2000. Para um filme sobre o que está acontecendo sob a superfície elaboradamente encenada, é praticamente só a superfície, até suas observações superficiais sobre fluidez de gênero, identidade queer e liberdade criativa da persona alternativa. Após a premiere como o filme de encerramento em Toronto, esse parece estar indo rapidamente para o exílio do streaming.

A fraqueza do filme não é culpa de Kristen Stewart, que é sempre assistível, e se torna em sua mística andrógina Savannah, mesmo antes de começar a usar a peruca platinada, os óculos escuros e o osso de pênis de guaxinim amarrado em um cordão no pescoço do fictício autor JT Leroy. O filme apresenta um caso ligeiramente convincente de que Knoop foi arrastada para a viagem em um momento vulnerável onde ela estava descobrindo quem queria ser, estando muito fundo antes de ter tempo para contemplar os efeitos colaterais. Mas isso não faz de Savannah a protagonista legítima dessa história, essa seria Laura Albert (Laura Dern), a esposa do irmão músico de Savannah, Geoff (Jim Sturgess).

Laura Albert, como escrita aqui, é seriamente manipuladora, insensível às necessidades de qualquer pessoa e propensa a ressentir-se quando Savannah entra no papel de JT e o mundo começa a clamar por mais dela/dele. Ambas Laura e Speedie, outra personalidade que ela inventa para interpretar a agente britânica e amiga de JT, são insuportáveis. O que é mais problemático, apesar de tudo, é que Laura é posta de lado na maior parte do filme que deveria ser sobre sua história.

Ao invés disso, temos um relato hesitante das contrariedades emocionais de Savannah enquanto ela se envolve romanticamente com Sean (Kelvin Harrison Jr.) em São Francisco e com Eva em Paris durante uma viagem de divulgação organizada pelo editor francês de JT. Mas a dura Eva está mais interessada em conseguir os direitos do livro Sarah de JT do que estabelecer uma conexão duradoura.

Quando Geoff e Savannah deixam claro que a enganação do público foi longe demais, e que JT precisa voltar para as sombras, Laura finge concordar. Mas a notoriedade é difícil para ela desistir, mesmo que venha com o ciúme de ser uma espectadora, e sua exposição é inevitável.

O turbilhão da mídia com a constante ameaça de ser desmascarada deveria trazer algum tipo de tensão para o drama. Mas o filme de Kelly curiosamente falta estrutura, e um pouco repetitivo, já que Savannah tenta colocar limites e então continua a entendê-los novamente. Uma presença tão sedutora como de Stewart, ela não pode respirar muita dimensão na personagem passiva, não convincente e empacotada ou trazer comoção para a busca de Savannah por seu eu completo. O roteiro também falha em cavar mais fundo na apetite do público – assim como Hollywood e o mundo literário – por histórias de reinvenção. Courtney Love, que esteve envolvida no círculo de JT LeRoy, aparece brevemente em um papel inconsequente, mas não há nada interessante sobre o culto à celebridades.

Kelly e Knoop parecem querer fazer o caso que nenhuma das duas mulheres mergulharam na farsa elaborada puramente por fama ou ganho financeiro, mas um jeito de escapar das caixas da identidade feminina. Pode ser, mas há pouco nesse filme sem graça que acompanhe esse ponto de vista feminista. Basicamente, parece apenas um trote que saiu do controle, o que não faz uma história muito envolvente.

The Guardian

Dos atores anunciados para estrelar em Jeremiah Terminator LeRoy quando Justin Kelly fez os motores da produção girarem em 2016, somente Kristen Stewart ficou até as filmagens. Ela interpreta Savannah Knoop, uma jovem mulher que posou como a personalidade literária inventada JT LeRoy no começo dos anos 2000, e graças aos deuses do cinema que ela ficou. Uma sinergia fascinante corre entre Stewart e a estranha história da fama de LeRoy no mundo editorial. A vida intensivamente documentada da atriz adiciona mais uma camada em um filme que já possui muito o que falar sobre celebridades, identidade construída, gênero e autenticidade.

Ambos Stewart e LeRoy, um garoto de rua de 19 anos criado pela cunhada de Knoop, Laura Albert (Laura Dern), como um avatar para seus livros, pareceram desconfortáveis com sua fama. Cada um resistiu a atenção amontoada neles, o que só fez o público ficar mais faminto pro detalhes. Eles brincaram com o andrógino, usando cortes de cabelo curtos e soltos, roupas largas. E cada um, de seu próprio jeito, fizeram uma carreira fingindo. Stewart se descreveu como uma péssima mentirosa em entrevistas, sugerindo que honestidade abre o caminho para uma performance mais verdadeira. Laura e Savannah estão unidas na crença de que uma mentira feita com coração pode ser mais real que a realidade empurrada a elas pelo destino. A diferença principal é que Laura e Savannah foram mais livres e rápidas com suas éticas.

Dern interpreta Laura como uma grande manipuladora, que pode convencer qualquer um a fazer qualquer coisa com uma mistura de novos clichês. (“Eu sinto o JT deixar o meu corpo e entrar no seu!” ela diz, convincente o bastante para a satisfação de Savannah.) Quando seu marido/colega de banda Geoff (Jim Sturgess) a apresenta para sua irmã, Laura imediatamente reconhece a colaboradora ideal em Savannah, um pedaço de barro que ela pode moldar em uma imagem incompatível com a sua.

Ela ganha a confiança da menina ao compartilhar momentos de seu passado – o trabalho em uma linha de sexo que a ensinou como ser outra pessoa e o período onde ela tinha 45kg a mais – e assume sua posição como mestre de fantoche. Começa muito inocente, com Savannah colocando uma peruca e óculos escuros para uma foto do autor para acompanhar o artigo, mas o assunto sai de controle. Laura manteve o olhar em seu alter ego posando como a agente britânica de LeRoy, Speeding, alimentando as respostas de Savannah para o inquérito. Mas na época que Asia Argento disfarçada como Ava (Diane Kruger) lançou uma adaptação multi milionária do livro de LeRoy, Laura e Savannah já estavam além de suas mentes.

Enquanto estava no modo LeRoy, Savannah se comporta não muito diferente de como Stewart era durante as turnês de divulgação de Crepúsculo quando um enxame de jornalistas tentavam entrar em sua vida pessoal. Somente quando ela começa a cortar as cordas de marionete, fazendo declarações que não eram pré aprovadas por Albert e começando um romance com Ava, que o frágil sucesso começa a desmoronar. Seus argumentos e a exposição que segue dão lugar aos fragmentos mais intelectuais do filme – debates sobre os limites que qualquer um pode remodelar seu senso de identidade. A história de vida da Laura tem menos valor dependendo de quem conta? Um bem incidental, expressado por um menino anônimo que diz que seu trabalho salvou sua vida, valida uma mentira contada para ganho pessoa? A piada estava realmente naqueles que tropeçaram em si mesmos para elogiar uma imagem? O diretor Justin Kelly não entra em nenhum desses assuntos, reconhecendo que há poucas respostas claras.

As histórias de Savannah e Laura tiveram finais felizes. Cada uma transformou sua notoriedade em carreira, a ironia sendo que elas tiveram que forjar uma história de vida para fazer as suas próprias histórias interessantes para a literatura. Todas elas falam sobre o assunto no coração do emaranhado teórico de Kelly: nossa falta de vontade, incapacidade, ou simplesmente falta de interesse em ver o artista independente da arte. JT LeRoy pode ter sido uma fraude elaborada, mas Kelly consegue achar um pouco de sabedoria na teia de mentiras.

Screendaily:

Não há nada sobre essa dramatização assistível, porém trabalhosa, da fraude literária por trás do autor JT LeRoy que seja tão extrema quanto a história real em que foi baseada. Mas as escolhas discretas de Justin Kelly permitem as duas ótimas performances centrais ficarem no meio do palco. Kristen Stewart (interpretando Savannah Knoop/JT LeRoy) é tipicamente sutil; Laura Dern (interpretando Laura Albert/Speedie/a voz e palavras de JT) é um furacão de entusiasmo, maneirismo e carências agonizantes e nuas. Temas intrigantes sobre identidade, fantasia e propriedade criativa são exploradas em um filme onde, de certos modos, forma um triângulo amoroso, embora uma das partes seja fictícia.

A curiosa história do garoto que cresceu em uma parada de caminhões e virou um autor de grande sucesso já foi explorada no documentário Author: The JT LeRoy Story, de Jeff Feuerzeig. Você deve pensar que LeRoy, o alter ego ou avatar literário de Laura Albert, já ficou mais tempo do que devia na área pública, mas o elenco sagaz de Kristen Stewart em um papel gender fluid que é feito sob medida para suas habilidades. Stewart será a chave para a venda do filme, assim como o tem brincalhão e flashes de humor que devem gerar um falatório positivo.

Stewart incorpora Savannah, saída do ônibus e nova na cidade, com uma fragilidade e maleabilidade. Ela mal cresceu, uma criança abandonada, com admiração por seu irmão mais velho Geoffrey (Jim Sturgess) e sua namorada Laura. Ela elogia tudo – o apartamento, a banda de rock Twist and Scream média e medíore de Greoffrey e Laura. E Laura, claramente fã de afirmação de qualquer forma, abraça Savannah como uma irmã perdida, bombardeando-a com amor, atenção e segredos não solicitados em troca da apreciação de Savannah.

Quando Savannah está visivelmente emocionada com o novo livro publicado por JT LeRoy, secretamente escrito por Laura, uma ideia surge. A andrógina Savannah veste uma peruca loira e posa como JT, seu desconforto com a mentira trabalhando a seu favor. Laura, enquanto isso, veste uma peruca vermelha e um sotaque britânico não convincente para interpretar outro de seus alter egos, a amiga de JT, agente e porta-voz, Speedie.

Mas é a atriz e diretora Eva (Diane Kruger), baseada em Asia Argento, que se torna o ponto de conflito. Savannah como JT tem um encontro sexual com Eva; Laura, que fala com a atriz diariamente no telefone, a voz disfarçada com um sotaque sulista, tem o cuidado de apontar que são as palavras de JT, não o corpo de Savannah, que Eva deseja. A relação entre Laura e Savannah se torna uma briga pela posse de JT e de Eva.

Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Depois da exibição de Sils Maria em Cannes, várias críticas estão surgindo sobre o filme e seus envolvidos. Agora foi a vez do site britânico The Guardian explicar um pouco mais da história, e falar sobre o que achou do desempenho do longa e um pouco de Kristen. Confira abaixo:

(O texto contém pequenos SPOILERS sobre o filme.)

Cannes 2014 review: Clouds of Sils Maria

O melodrama de Olivier Assayas aplica o bálsamo ao final do 67° Festival de Cinema de Cannes. Nos últimos 10 dias, os dignatários foram submetidos a cenas de alcoolismo e tortura, incesto e lutas religiosas. Clouds of Sils Maria, no entanto, não está aqui para desapontar e reafirmar os princípios fundamentais. Ele diz aos convidados que a grande arte vale a pena o esforço e que os atores são uma raça nobre, um corte acima da maioria. Não é de se admirar que eles viram a coisa toda ser aplaudida com uma salva de palmas.

Se o filme de Assayas não é uma grande arte por si só, é, no mínimo, generosamente encenado com convicção. Juliette Binoche protagozina como Maria Enders, um talento luminoso de meia-idade que ganhou a fama interpretando Sigrid, uma lésbica de 18 anos em um drama. Agora um novo diretor quer mudar a peça, dessa vez lançando Maria no papel de Helena, a amarga e frágil amante mais velha. Maria está relutante, mas o diretor insiste. “Sigrid e Helena são a mesma pessoa,” ele explica. “E porque você foi a Sigrid, só você pode interpretar a Helena.”

Maria recebe uma jovem rival na forma de Jo-Ann (Chloe Grace Moretz), a infernizante aspirante a estrela de Hollywood, recém-saída da rehab. No entanto, Assayas é mais interessado na dinâmica entre Maria e Val (Kristen Stewart), a assistente pessoal da atriz, que usa seu Iphone em uma mão e o BlackBerry na outra. O relacionamento aqui é muito bem desenhado, com Stewart novamente demonstrando a atriz fantástica que ela pode ser longe da sombra de Crepúsculo. Ela é afiada e ágil; ela combina com Binoche. Sentando-se para jantar, em uma cena reveladora, Val dá sua chefe como esnobe e afirma que as fantasias de grande sucesso também podem ser válidas, à sua maneira. Maria arqueia delicadamente sua sobrancelha. Mais uma vez, ela não está convencida.

É imediatamente evidente que as duas mulheres são próximas, na fronteira da claustrofobia. Maria e Val se amam e vivem juntas, mas a amizade delas nunca esteve num pé de igualdade. Passando e repassando um cigarro, elas passam a ensaiar a velha peça até o ponto em que as tensões que ocorrem entre elas são destacadas e definidas. Nós percebemos que Val é a verdadeira Sigrid nesse filme.

Assayas é um diretor flexível, brincalhão e confiante cuja eletricidade do trabalho tem abraçado a sátira mercurial (“Irma Vep”), um drama de época (“Sentimental Destinies”) e um thriller terrorista (“Carlos”). Ele é um homem de sucesso e demonstra isso aqui, de uma maneira boa e ruim. No seu pior, Clouds of Sils Maria se parece com um processo de se fazer um filme incorporado. É o estudo da elite artística. O filme nos dá “All About Eve” sem a mordida, e “Bergman’s Persona” sem a angústia. Mas compensa com o seu calor, compaixão e autoridade própria.

Assayas sabe o que está fazendo; é profissional. O script foi polido e, os atores, ensaiados. O palco está pronto para uma obra que vai do festival para o restante das pessoas. O diretor fecha as cortinas com um farfalhar satisfatório.

Fonte | Tradução: Carol Pimentel – Equipe Kristen Stewart Brasil

Clouds of Sils Maria foi finalmente exibido no Festival de Cannes e aplaudido de pé, concorrendo amanhã à Palma de Ouro, prêmio máximo do festival. Confira abaixo partes das críticas de alguns sites sobre o filme e a atuação de Kristen como Valentine:

Yahoo News:
Interpretando uma assistente de uma atriz famosa. Kristen Stewart deu ao Cannes Film Festival uma performance auto-referencial e imediatamente aclamada no último dia do festival. “Clouds of Sils Maria”, de Olivier Assayas, estreou nesta sexta-feira em Cannes, revelando uma nova dimensão de Stewart, atuando em uma produção europeia ao lado de Juliette Binoche. Como a assistente acorrentada-ao-celular de uma veterana atriz internacional reverenciada chamada Maria Enders (interpretada por Binoche), a personagem de Kristen é cheia de ironias.

Telegraph:
Kristen Stewart brilha em seu melhor papel até o momento, no destemidamente drama inteligente Clouds of Sils Maria, de Olivier Assayas, exibido em Cannes 2014, diz Robbie Collin.

(…)

Mas é Stewart quem realmente brilha aqui. Valentine é provavelmente seu melhor papel até o momento: ela é afiada e sutil, conhecível e depois de repente distante, e uma última, surpreendente reviravolta é tratada com uma leveza de toque brilhante.

Irish Times:
O filme é duradouro digno pela performance de K-Stew e J-Bo. Elas são as únicas coisas autênticas num mar de artifícios e má fé.

Little White Lies:
(…) Para ajudá-la através deste metafisicamente tempo ensaiando, está a assistente Valentine, interpretada por Kristen Stewart, que entrega uma performance de imensa estabilidade e textura, preservando bom humor na face de um cargo 24 horas, que envolve estar presa na mentalidade profissional de outra mulher. Sua personagem repleta de tatuagens no antebraço, camisetas vintage de bandas e óculos de armação preta e grossa, é alguém que inicialmente parece com uma satírica arquétipo da despreocupada “boneca das Relações Públicas”, e ainda Stewart transmite um ar de pensativa solenidade, raramente explodindo grandiosamente, tentando bastante teatralidades.

Assayas usa as mulheres como um condutor através do qual discutiremos os paradoxos de interpretar papéis que (emocionalmente) podem representar uma situação real na vida do ator, e sua comunicação é complexa, vivida e também frustrada com a suave correnteza de encanto romântico. O diretor também está usando essa mulheres como um tipo de justaposição de gerações; literalmente em seus interesses culturais, gostos e conexões humanas, mas também através de seus estilos de atuação, com Binoche o fazendo de coração, de forma expressiva e apaixonada(aquela risada!) e Stewart mais segura, estudada e relutante em se abrir para a personagem de Binoche, sua chefe piegas. Juntamente com um sub-trama envolvendo a tumultuosa vida de uma jovem entusiasmada estrela de Hollywood e queridinha dos paparazzi(Chloë Grace Moretz), Assayas está fazendo também uma astuta conexão a personalidade de Stewart fora das telas de cinema assim como os papéis em Crepúsculo que a arremessaram pela estratosfera.

(mais…)

CAPRICHO: Como usar – preto e branco
30, maio
postado por Mari

Como todos sabemos, o site oficial da famosa revista teen Capricho sempre trás para seus visitantes novidades sobre moda e mais. E claro, Kristen é citada diversas vezes! Nessa vez a matéria fala sobre roupas pretas e brancas. Leia a seguir:

Inspire-se nas famosas para usar essa tendência de diferentes jeitos: com listras, quadriculado, estampas fofas… O preto e branco está bombando! Basta você reparar nas vitrines e araras das lojas da próxima vez que você for ao shopping. Inspire-se nas famosas para tirar o melhor proveito dessa tendência.

Preto e branco + quadriculado
Já falamos bastante dessa tendência por aqui! Ela ganhou as passarelas e um cantinho especial no closet das famosas com a grife Louis Vuitton, como esses macaquinhos fofos de Kristen Stewart e Hailee Steinfeld. Demi Lovato deixou seu look mais romântico ao misturar a camisa quadriculada com saia floral de cintura alta e Miley Cyrus foi ao Billboard Music Awards com um macacão incrível da grife Balenciaga.

Preto e branco + liso
Aqui, essa combinação de cores volta a seu estado mais básico! Mas é claro que dá para brincar com as peças: Demi Lovato usa um corpete de renda por baixo da camisa branca, que fica desabotoada de propósito; Kristen Stewart entra na tendência cropped com peças de alfaiataria; Emma Stone usa uma camiseta embaixo do vestido Lanvin e Phoebe Tonkin misturou tricô com shorts de paetês!

(mais…)

O ator James Gandolfini fez uma rápida análise sobre a atuação de Kristen no filme “On the Road” e postou no site Variety. Confira:

As únicas pessoas que importam para mim são as loucas.” – Jack Kerouac

Kristen Stewart é uma das loucas. Mas louca de uma maneira linda. E ela está determinada a tornar as pessoas loucas. Para mostrar a eles que ela é mais do que Bella em “Twilight”. Para mostrar a eles que ela queima, arde, e quer mais de sua carreira e de sua vida. E ela faz arder.

Assim que ela entra no filme “On the Road”, você não consegue tirar os olhos dela. Como Marylou, sempre que ela fixa o olhar, você vê alguém que vai o quão longe puder, e vai o mais louca que puder, para viver e se sentir viva. E é sexy e assustadora, imprudente e inteligente. Ela pode desempenhar todas estas coisas. Ela tem todos em seus dedos. Ela está apenas começando. Ela é destemida. E isso pode ser muito bom, e pode ser muito ruim. Mas ela é inteligente o suficiente para lidar com isso.

Fique por aí meus amigos, e vai ter muito, muito mais por vir. Pensando nisso, eu já estou sorrindo.

Fonte | Tradução: Carol Pimentel – Equipe Kristen Stewart Brasil

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