Arquivo de 'Entrevista'



Kristen esteve no Festival de Deauville para a premiere de Seberg e para receber o Talent Award, prêmio que homenageia estrelas do cinema por suas carreiras, e participou de uma conferência de imprensa pela manhã para falar sobre seus filmes. Confira:

Como a única atriz a ganhar um César Award, o equivalente da frança ao Oscar, Kristen Stewart se sentiu em casa ao trazer seu mais recente filme, Seberg, para o Festival de Deauville após sua passagem por Veneza e Toronto.

Falando na conferência de imprensa, Stewart elogiou o reboot de As Panteras, escrito e dirigido por Elizabeth Banks, por sua camaradagem feminina. Ela cresceu com a versão de Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu e disse que sempre quis ser amiga delas.

”Eu queria fazer parte da equipe. É cafona e divertido, e há uma coisa de poder em números de apoio que é realmente reconfortante e calorosa,” ela disse. O reboot não ficará deslocado no mundo pós-#MeToo. ”É uma época legal para contar uma história feminina e boba, mas também muito fundamentada de uma maneira que pareça unida.”

É um girl power com um grupo para te apoiar, ela diz. ”Eu posso não te vencer na queda de braço sozinha, mas se eu estiver com meus amigos você está ferrado.”

Ainda assim, a estrela disse que enquanto o movimento #MeToo mudou Hollywood praticamente da noite para o dia, nós devemos reconhecer as diferenças entre os gêneros e criar novas oportunidades. ”Essa coisa toda de, se todos somos iguais por que não podemos ser sinceros sobre tudo? Porque não somos os mesmos – homens e mulheres não são os mesmos, como no jeito que nos comunicamos, nossas forças são diferentes – então não reconhecer essa diferença de acordo, mutuamente, um com o outro, só faz o trabalho ser ruim.”

Mas ela olha porto para aqueles que dizem que andou muito, muito rápido. ”É muito claro quando as pessoas se recusam a participar do movimento porque eles provavelmente fizeram algo que estão se sentindo culpados,” ela avisa.

Stewart, que disse ter sido avisada por executivos de estúdios para manter seus relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo em segredo no passado para que pudesse conseguir papéis maiores, disse que ela ”veste suas causas,” contando a igualdade de gêneros entre elas. ”Mas não estou exatamente em uma saboneteira gritando sobre isso,” ela disse, preferindo dar o exemplo.

Ela comparou seu ativismo silencioso com a estrela do cinema dos anos 60 Jean Seberg, quem ela interpreta em seu mais recente filme. Stewart disse que ela se sentiu obrigada a contar a história de como ela trabalhou com grupos de direitos humanos e por isso foi vigiada e assediada pelo FBI de J. Edgar Hoover.

”Ela era realmente impulsiva, idealista e inocente algumas vezes, mas sempre bem intencionada,” Stewart disse sobre o envolvimento de Seberg com os Panteras Negras. ”Eu senti como se a estivesse vingando e dando validação para ela.”

Na cerimônia da noite, Olivier Assayas, que dirigiu Stewart em sua performance ganhadora do César em Acima das Nuvens, a elogiou em um discurso crítico contra Hollywood. Estrelas de cinema, ele disse, ”existem sob o microscópio da mídia, sofrem com a pressão insuportável diária da máquina de Hollywood, de seu cinismo, seu sentimentalismo tolo, a brutalidade de suas relações de poder e dinheiro.”

O diretor disse que Stewart foi capaz de criar seu próprio caminho de acordo com sua vontade. ”Ela nunca fez uma escolha convencional, nunca procurou outra coisa além de preservar sua independência em sua vida, em suas atitudes e em sua arte.”

Uma Stewart nervosa subiu ao palco e disse que ama falar sobre filmes ”como uma pessoa louca” mas se sente em casa na França cinéfila. ”É uma raridade achar seu pessoal,” ela disse. ”Em um ambiente assim onde filmes importam, eu me sinto certa em soar louca.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen foi entrevistada com seu colega de elenco Anthony Mackie e o diretor de seu novo filme, Seberg, Benedic Andrews durante o Festival de Toronto no estúdio do IMDb. Eles falaram sobre o filme e Jean Seberg, seu próximo filme, As Panteras, e Kristen revela qual série de televisão está viciada no momento.

Kristen Stewart é capa e recheio da revista Harper’s Bazaar do Reino Unido. Em photoshoot e entrevista feitos em Paris, a atriz reflete sobre sua vida, sexualidade e sua carreira. Confira:

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Em um grande salão de festas no hotel Shangri-La em Paris, eu consigo ouvir Kristen Stewart antes de vê-la, se trocando atrás de uma tela estampada em um canto distante. Sua voz é tão distinta – esse sotaque californiano baixo e fácil, onde todas as palavras saem juntas, e ela soa como se nada pudesse surpreendê-la.

Quando ela finalmente aparece para tirar sua foto em uma varanda com a Torre Eiffel no fundo, ela está em contraste perfeito com o ambiente delicado e dourado. Seu cabelo preto e loiro cai em sua testa, e ela está usando um vestido longo e preto, com uma gravata borboleta em sua garganta, condizente com seu status de embaixadora da Chanel. Ela passa por mim, um andar ousado e com ginga, e sorri. ”Sim,” ela diz, vendo meu rosto. ”É intenso. É um look e tanto.”

Logo, ela está de volta, e com outra roupa. Jeans rasgado, blusa branca e descalça: seu estado mais natural. Nós conversamos em um terraço quente, de pernas cruzadas no sofá. Eu não sei por que esperava que ela fosse relutante ou tímida, mas provavelmente porque é sempre assim que supõem que ela é, ou como ela se apresenta em fotografias, quando sua expressão algumas vezes parece impassível, relutante em contar qualquer coisa. Ou talvez seja como todos nós lembramos dela da época de Crepúsculo como a permanentemente torturada e doente de amor, Bella Swan. ”Eu tento evitar a palavra ‘estranha’,” Stewart diz, lembrando daquela época. ”Eu quero recuperar essa palavra, porque foi usada de modo tão violento contra mim.”

Hoje, Stewart é tudo menos estranha. Ela está relaxada, aberta, falante e expressiva, seus braços gesticulando enquanto ela fala, sua voz clara e confiante. Tome, por exemplo, como ela descreve encontrar Elizabeth Banks pela primeira vez (Banks dirigiu As Panteras, que estreia em novembro, com Stewart sendo uma das principais). As duas estavam na mesma festa no Festival de Veneza anos atrás. Stewart estava dançando, mas um pouco constrangida. ”Não me sentia tão sólida quanto agora,” ela diz. Banks, em contraste, estava se divertindo muito. Ela foi até Stewart, disse para ela que era uma fã e perguntou se ela estava se divertindo. ”E então ela disse a coisa mais irritante do mundo se fosse dita por outra pessoa,” disse Stewart, ”que foi, ‘Você tem que se divertir com isso.’” Stewart ri da memória. ”Eu fiquei tipo, ‘Não brinca! Estou tentando.’”

É assim que Stewart fala – franca, espontânea e com muitos palavrões. Ela parece totalmente certa e sem medo de dizer o que pensa. É como se algo tivesse ido embora: cuidado, certamente, mas também sua antiga antipatia com o todo o jogo publicitário que a assombrou em uma escala global desde o sucesso extraordinário de Crepúsculo. ”A cada dia que fico mais velha, a vida fica mais fácil,” ela diz, sorrindo amplamente.

Stewart tinha apenas 18 anos quando o primeiro Crepúsculo estreou. Como filha de uma supervisora de roteiros e de um assistente de palco, ela passou um tempo em sets quando era criança, e atua em filmes desde que tinha 10 anos de idade (seu primeiro foi Encontros do Destino, rapidamente seguido por O Quarto do Pânico com Jodie Foster). Mas foi a franquia Crepúsculo que a fez ser amada internacionalmente. Ela e seu parceiro de cena e namorado na época, Robert Pattinson, sentavam em conferências de imprensa com uma expressão traumatizada de horror em seus rostos. Eles se recusavam a discutir seu relacionamento, e em entrevistas geralmente havia um senso de que as paredes estavam de pé e se fechando. Na maioria das vezes, Stewart parecia que queria sair correndo.

”Quando eu e Rob estávamos juntos, não tínhamos um exemplo a seguir,” ela lembra. ”Tanta coisa foi tirada de nós que, ao tentar controlar um aspecto, ficamos tipo, ‘Não, não vamos falar sobre isso. Nunca. Porque é nosso.’”

Após o lançamento do último filme de Crepúsculo, a saída de Stewart do mainstream foi pronunciada. Ela atuou com Juliette Binoche em Acima das Nuvens, um papel pelo qual ela foi a primeira americana a ganhar um prêmio César. Suas escolhas foram variadas e inesperadas: ela interpretou uma médium em Personal Shopper e fez um filme sobre se apaixonar em uma sociedade sem emoções (Equals). Sua carreira se tornou, como ela descreve, ”o jogo mais aleatório de amarelinha.” Ela escolheu trabalhar com amigos ao invés de grandes nomes e não se importou em fazer o que ela chama de ”erros estranhos e arriscados.”

Mas agora, em outra reviravolta, existe As Panteras, seu filme mais mainstream em anos. A internet perdeu coletivamente suas cabeças quando o trailer estreou – Kristen Stewart, a garota mais legal do mundo, fazendo cenas de ação e comédia. ”Eu fiz As Panteras porque eu sou uma grande fã da Liz Banks e eu sempre senti que ela me dava segurança,” ela explica. ”Eu sempre senti que, tipo, ela não pensa que eu sou uma doida.” Ainda foi um ato de amizade, mas um que permitiu que Stewart mostrasse seu lado pateta pouco conhecido e suas habilidades excepcionais de luta. Quando seus amigos assistiram ao trailer, eles disseram para ela: ”Cara, é você. Finalmente!”

A ideia de Stewart como uma pateta parece improvável, e então tranquilizada: ela ainda consegue ser intensa. Olhando para esses anos passados, e a estranha sensação de ser um objeto de fascinação em sua adolescência, a faz refletir. Há vários aspectos de sua fama que ela acha assustador, mas o que a confundiu foi o senso de que seu público sentia que a conhecia e que eram donos dela, e então foram decepcionados quando ela não era o que eles achavam.

Foi como se ela se tornasse uma personagem, eu sugiro. ”Totalmente,” diz Stewart. ”Eu tentei dizer isso antes, e eu acho que nunca articulei direito… mas as pessoas ficam com raiva de você porque você está em uma posição tão alta, então se você não consegue segurar, você não merece. Eu nunca dei valor para a fama tanto quanto para as experiências que eu tive enquanto trabalhava, e isso me deixava tão perplexa… Algumas pessoas ficavam tipo, ‘Sua babaca ingrata!’ e eu ficava, ‘Sim, completamente, eu não quero ser famosa, quero fazer meu trabalho!’”

Hoje em dia, Stewart está mais tranquila. Ela sabe que sempre haverá expectativas, mas ela também não precisa alcançá-las. Quando ela olha para atores mais jovens e como eles lidam com sua posição – o ativismo no Instagram, o zelo pelo protesto, a habilidade de comunicar diretamente e honestamente com seus fãs – ela fica impressionada. ”Eles possuem essa influência insana,” ela diz. ”E a confiança! É desnorteante! Eu fico tipo, ‘como você é tão confiante? Você é tão jovem!” Algumas vezes, ela é cética: a sinalização da virtude pode ser um pouco forçada, um pouco no ponto demais. Ela não cita nomes, obviamente, mas descreve, de forma tentadora, ”algumas pessoas que são ativistas de verdade, realmente o rosto do progresso, e eu fico tipo, ‘Você é uma fraude deplorável! E tudo o que você se importa é com as pessoas olhando para você.’” Como eu disse, ela não tem medo.

Mas ela é grata, também. E é parcialmente graças a próxima geração, sua abertura e coragem, que ela encontrou sua voz, e não parece mais se importar com as consequências de usá-la. ”Eu costumava sentar em entrevistas e ficar, ‘Deus, o que será que eles vão me perguntar?’ Mas agora, literalmente, você pode me perguntar qualquer coisa!” Então eu acredito nela, e pergunto como é constantemente discutir sua sexualidade, agora que parece ter virado um assunto aberto para debate.

”Bom,” ela diz. ”Eu só queria aproveitar a minha vida. E isso se tornou uma prioridade maior do que proteger a minha vida, porque ao protegê-la, eu estava a arruinando.” De que jeito, eu pergunto. ”Tipo, você não pode sair com quem você está namorando? Você não pode falar disso em uma entrevista? Eu fui informada por uma mentalidade antiquada, que foi – você quer proteger sua carreira, seu sucesso e sua produtividade, e existem pessoas no mundo que não gostam de você, e eles não gostam que você namora garotas, e eles não gostam que você não se identifica como “lésbica”, mas que você também não se identifica como “heterosexual”. E as pessoas gostam de saber dessas coisas, então que porra você é?’”

A percepção de Stewart, que ela dá créditos para a geração mais jovem que deu confiança para ela, foi que ela não precisa responder essa pergunta. Ela não tem resposta. Ela não se identifica como bissexual, ela não se identifica como lésbica, ela não gosta de rótulos. Ela é uma pessoa diferente todo dia que acorda e gosta disso. ”Eu acho que estamos todos chegando em um lugar onde – eu não sei, evolução é uma coisa doida – estamos todos se tornando incrivelmente ambíguos,” ela explica. ”E isso é uma coisa linda.”

Ela aceita que ela que se tornou uma representante para essa ambiguidade. Mas ela não se importa. Se ela pode tornar a conversa sobre sexualidade mais fácil para qualquer pessoa, ela está feliz. Ela também não poderia ligar menos sobre o impacto que isso tem em sua carreira. No passado, ela diz, ”Já me disseram, ‘Se você fizer um favor para si mesma, e não sair segurando a mão da sua namorada, você pode conseguir um filme da Marvel.’” Ela parece quase entretida com a memória. ”Eu não quero trabalhar com gente assim.” Agora, em contraste, as pessoas se aproximam dela, atraídos por essa sexualidade indefinida, querendo fazer filmes sobre isso. Stewart balança sua cabeça em falso desespero. ”Literalmente, a vida é uma grande competição de popularidade.”

Pelos próximos anos – quem quer que ela esteja namorando – Stewart estará mais ocupada do que nunca. Voltando para quando ela era criança, no set com seus pais, ela disse para sua mãe que seria a pessoa mais jovem do mundo a dirigir um filme, e ela faria isso antes dos 18 anos. ”Ainda bem que não fiz isso,” ela diz agora. Mas irá finalmente acontecer ano que vem, quando ela se aproxima do seu 30º aniversário. Somente lendo 40 páginas da autobiografia, The Chronology of Water, sobre uma jovem nadadora lidando com vício, ela enviou um email para a autora Lidia Yuknavitch. ”Eu fiquei tipo, ‘Eu vou ler o seu livro até morrer,’” lembra Stewart. Ela comprou os direitos e passou anos escrevendo o roteiro, o qual ela leu em voz alta para Yuknavitch. ””Foi um banquete muito, muito gratificante, de uma experiência intimidadora,” diz Stewart. ”Eu gosto de ficar intimidada, então tudo bem.”

O roteiro não está finalizado – ela quer mantê-lo fluido, aberto para interpretação. Ela tem uma noção de como quer fazer isso, mas também entende a responsabilidade que é ficar responsável por um elenco e equipe. ”Eu sei como é precioso, eu já fiz isso antes,” ela diz. ”Eu mal posso esperar para ter certeza de que não vou estragar a chance de alguém de ser incrível.”

Ela não consegue acreditar em sua sorte: ela pode passar horas, anos, pensando e falando sobre seu livro favorito para tornar isso em algo novo. E esse é só o começo, ela espera. Existe uma dúzia de outros projetos que ela está interessada em fazer. Enquanto isso, ela não vai parar de atuar. De qualquer forma, dirigir é apenas uma extensão natural do processo – uma que ela espera que a tornará uma atriz melhor. Mas também existe uma atração, inevitável, para alguém que foi assunto de um olhar coletivo por tanto tempo, ao trocar de posição e ir para trás das câmeras. Em seu novo estado, se sentindo livre e compulsivamente honesta, talvez seja um lugar mais natural de estar.

E como ela coloca, antes de voltar para o salão descalça: ”A coisa que está realmente me incendiando é a ideia de colocar a bola para rolar – e não ser a bola.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil

Kristen Stewart fala sobre Seberg com a HFPA
01, set
postado por KSBR Staff

Kristen Stewart esteve em Veneza para a estreia mundial de seu mais novo filme, Seberg, e conversou com a HFPA sobre o longa. Confira:

Kristen Stewart estrela como a atriz americana Jean Seberg, cuja vida foi tragicamente destruída quando ela se tornou alvo do programa COINTELPRO do FBI. A atriz, que era queridinha da nova onda francesa e mais conhecida por Breathless de Jean-Luc Godard, era uma ativista política que apoiava os Panteras Negras e por isso foi colocada na lista de pessoas do FBI para serem “neutralizadas”. O filme de Benedict Andrews mostra como os grampos telefônicos e o assédio levaram a atriz para sua ruína e sua morte aos 40 anos em 1979.

O filme começa com uma cena de Saint Joan onde Jean Seberg é queimada na fogueira, como uma bruxa. Isso é simbólico para o que aconteceu com a atriz na vida real, também?
Sim, mas em um jeito muito menos transparente, o que torna isso tudo mais doloroso. Ela é alguém que está tão disposta a se sacrificar. Havia uma natureza muito altruísta e aberta em seu humanitarismo e não era egoísta de nenhum modo. Eu não atribuo o martírio a ela, mas ela foi cruelmente crucificada não somente pelo jeito que ela pensava, mas pelo jeito que ela queria alcançar as pessoas. A imagem poderosa que o filme começa te coloca no ritmo certo. O coração dessa pessoa definitivamente estava no lugar certo.

Você acha que o jeito que eles a perseguiram por seu apoio aos Panteras Negras tinha algo a ver com o fato de que ela era uma mulher branca?
Na verdade, eu acho. Eu acho que qualquer coisa que ameaçasse o status desses homens brancos egoístas e poderosos motivados pelo racismo sistêmico e fundacional teria sido removida.

A maioria das pessoas conhecem Jean Seberg como um ícone ou a queridinha da nova onda no cinema francês. Você ficou surpresa com a história?
Eu conhecia Breathless. Eu fiquei surpresa que não é mais conhecida. Eu entendo o por que não foi divulgado na época mas é realmente louco como essa história caiu no esquecimento. É uma pena. É difícil celebrar uma tragédia assim mas a oportunidade de dar dignidade para ela e validá-la é tão bonita e eu queria que ela estivesse aqui para ver.

Como você se relaciona com ela? Você é uma atriz também, você é famosa e também é muito aberta politicamente. Havia muitas semelhanças?
Eu acho que somos muito diferentes no tom, então foi um pouco difícil interpretar alguém que era tão leve. Havia um certo ar sobre ela. Não de uma maneira insolente, mas literalmente ela habita um espaço de um jeito tão leve. Quando você assiste suas entrevistas ou seus filmes, ela habita um espaço de modo bem diferente de mim, então o maior desafio foi essa flutuabilidade que ela tinha. Ela era confiante mas com elegância e facilidade, e ela conseguiu viver a vida assim o que era muito contagiante. Há uma abertura e uma vontade de se envolver. Ela tinha uma energia muito bonita e ver essa pessoa precisar se proteger, fugir e recuar é muito triste. Assistindo seus últimos filmes, você pode ver que ela já não está mais conosco e saber as razões disso é muito interessante.

Como você se relaciona com isso como atriz, no entanto?
Eu sou completamente comprometida com a ideia de que se você funciona de um lugar de honestidade, você pode se assegurar. Você não pode ter controle de como as coisas funcionam ou como as pessoas veem você. Mas enquanto você estiver funcionando de um lugar realmente honesto, você pode colocar os pés pelas mãos e cometer erros, você pode se sentir bem com o que está colocando para fora e eu acho que existia essa ingenuidade nela, um impulso e talvez uma natureza simples, mas era sempre bem intencionada e tão honesta que era impossível não achar isso adorável ao invés de achar bobo ou estúpido.

Você viu o filme com o público na estreia aqui em Veneza. Como foi essa experiência? Como você sentiu que o público reagiu ao filme?
Eu não sei. Eu não consegui ter uma boa avaliação do cinema. Eu só vi o filme uma outra vez. Eu estava sentada perto do Benedict Andrews, que dirigiu o filme e Anthony Mackie, que interpreta Hakim Jamal, e eu estava avaliando os dois. Existe essa coisa cósmica estranha e mística sobre a história dela que parece que ela está presente dessa maneira que eu poderia estar inventando. Era o 40º aniversário de sua morte e foi uma coincidência total que a estreia foi nesse mesmo dia. Quando eu estava assistindo o filme eu pensei que a maioria das pessoas não conheciam sua história e se fizemos ou não um “bom trabalho”, sabemos que nossas intenções eram bem claras.

Quando você termina o filme, você fica bem emocionada, porque não acredita no que aconteceu com ela.
Sim. O filme termina em um ponto muito obscuro.

Kristen concedeu uma pequena entrevista para a revista ELLE Itália que, durante o Festival de Veneza, suas edições estão sendo publicadas diariamente. A atriz falou sobre Seberg e seu futuro como diretora, confira:

O corpo de Jean Seberg foi encontrado no dia 8 de setembro de 1979 na rua Général-Appert em Paris, nu e enrolado em um cobertor, aconchegado no chão de um Renault branco, ao lado de uma garrafa de água e muitos frascos de barbiturato. Suicídio ou não, algumas dúvidas permaneceram. E hoje a deslumbrante e infeliz vida da atriz, um ícone de estilo e rebelião, uma das primeiras estrelas ativistas, é revivida por Kristen Stewart no filme Seberg de Benedict Andrews, fora da competição no Festival e centrado particularmente nos tumultuados anos 70.

As doações de Seberg para vários grupos antagonistas e minorias, e seu relacionamento com os Panteras Negras, a transformou em um alvo especial do FBI, a levando para baixo da ladeira da depressão. Em abril de 1970, a seção especial do programa de contrainteligência sugeriu mandar a informação para a imprensa de fofoca que a atriz não estaria grávida de seu esposo, Roman Gary, mas sim de um dos membros dos Panteras Negras, para diminuir a imagem da estrela na opinião pública.

Um sinal do destino que trouxe de volta a vida para Jean é precisamente Stewart, a antiga beleza de Crepúsculo, que negava o sucesso e a fofoca e escolheu seu caminho sem esconder sua própria sexualidade fluida. Em resumo, uma rebelde.

Stewart dá uma prévia de seu encontro com o ícone perdido para a ELLE Daily.

Você sabia da história de Jean Seberg, a perseguição do FBI?
Não, não fazia ideia, descobri tudo quando abordei o filme. Mas eu conhecia a atriz, ela era uma grande inspiração para mim. Além dos filmes, o que sempre me interessou sobre ela foi a extrema forma de compaixão, a necessidade de ajudar os marginalizados. Uma responsabilidade humana que nunca a abandonou pela qual ela foi demonizada. Para muitos isso era loucura, mas na realidade ela tinha a ideia mais simples e política: para ela, a revolução era estar no lado que está perdendo. No final, todos a traíram.

Os filmes são mencionados em Seberg e é ela que os interpreta.
Pareceu certo começar com a cena da Joana d’Arc queimando no filme Saint Joan de Otto Premingers, sua estreia. O espectador não sabe se é verdade ou uma visão, mas interpreta a caça às bruxas e ela era a vítima.

Foi mais emocionante ou difícil refazer uma das cenas mais icônicas do cinema, o final de Breathless?
Desafiador. Nós trabalhamos nos detalhes, sabíamos que estávamos lidando com um ícone, queríamos delicadeza extrema. E o que o filme conta não é mais a menina da camisa no filme de Godard, mas uma atriz que vê seu momento de graça desaparecer. Tentamos capturá-la em sua sensitividade extrema e energia vital, tudo com um orçamento pequeno.

Essa história que entrelaça o racismo e o papel da mulher ainda parece relevante para você?
Meu Deus, mais do que nunca, mas em particular é importante porque fala sobre a falsa informação: aqueles que estão no controle podem mudar a vida de uma pessoa e isso é o que me assusta. Hoje em dia, tudo se torna mais complicado. Também é um filme que fala muito sobre o meu país hoje.

Depois de seu papel brilhante em Charlie’s Angels, você foi anunciada como diretora de The Cronology of Water, adaptação do livro de Lidia Yuknavitch, uma ex-nadadora que fala sobre gênero e sexualidade. Como estão as coisas?
Filmo ano que vem, ainda tenho que terminar alguns projetos como atriz que me interessam. Já tenho um lindo roteiro, preciso me comprometer com a parte visual, que é a mais difícil e o verdadeiro desafio.

O seu futuro será como atriz ou diretora?
Certamente em um ponto no meio dos dois. No momento só sei que quero me desligar da minha carreira de atriz e estudar seriamente para me tornar uma diretora.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil