As estrelas de Happiest Season, Kristen Stewart e Mackenzie Davis, com a diretora Clea DuVall foram entrevistadas pela revista Total Film para falar um pouco mais sobre a comédia romântica natalina. Confira abaixo a tradução:

”Sou uma grande fã de filmes natalinos. No entanto, sinto que me tornei imune a eles agora. Venho assistido a este filme natalino pelos últimos nove meses…” a escritora e diretora Clea DuVall brinca com a Total Film sobre estar presa com o espírito natalino com a comédia romântica Happiest Season – e isso apenas olhando por cima da produção rápida, também. Acontece que o projeto pessoal foi apenas uma luz nos olhos de DuVall por alguns anos antes de finalmente sentar e escrever o roteiro em 2017 com sua colega de elenco de Veep, Mary Holland.

”Eu tive a ideia há um tempo e escrevi um rascunho para ela, mas estava trabalhando como atriz e fiquei super ocupada.” DuVall, cujo filmes favoritos de festas incluem Os Fantasmas Contra Atacam, Esqueceram de Mim e Férias Frustradas de Natal, conta para a Total Film: ”Conheci Mary e nos demos muito bem. Escrever pode ser uma coisa tão solitária… Com a comédia, é legal ter alguém por perto para equilibrar as coisas. Perguntei se ela queria terminar o roteiro comigo, e foi divertido.”

Inspirada por títulos como Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, Feitiço do Tempo e Sintonia de Amor como ”não existia nenhum filme natalino que parecia com o nosso,” Happiest Season segue Abby (Kristen Stewart), que está pronta para propor casamento para sua namorada Harper (Mackenzie Davis) durante uma hospedagem na casa de seus pais conservadores, Ted e Tipper (Victor Garber e Mary Steenburgen) no feriado de inverno. No entanto, pouco tempo depois que elas chegam, fica claro que a família de Harper não faz ideia de que ela não é hétero e que ela e Abby são um casal. Os planos de Abby? Afundados. Constrangimento? Inevitável.

”Eu amo o gênero, um que foca no romance, mas nunca vi minha experiência representada,” continua DuVall, que sabe o valor de ser vista na tela, tendo anteriormente falado sobre como histórias de alto-aceitação que ela recebeu de fãs pelo seu papel na comédia lésbica Nunca Fui Santa (1999) a ajudaram a se assumir. ”Se existe um personagem LGBTQ+, ele está sempre bem no fundo, então senti que essa era uma ótima oportunidade para eu contar essa história universal de uma perspectiva nova.”

DuVall também traz experiência pessoal para o filme. ”Eu já estive em ambos os lados [da situação apresentada no filme] e acho que conseguir trazer essa autenticidade para ele e dar o respeito que ele merece permite que você traga um humor que não seja tirando sarro.”

Apesar de DuVall não ser contra estrelar em seus próprios filmes, estando ao lado de Natasha Lyonne e Cobie Smulders em sua estreia como diretora em 2016 com A Intervenção, ela sabia que queria ficar por trás da câmera dessa vez, admitindo: ”Eu nunca quero dirigir e atuar novamente. Bom, eu digo ‘nunca’, mas provavelmente vou. É muita coisa para fazer.” Então, em 2018, ela viajou para a Alemanha para conhecer Stewart enquanto ela estava filmando As Panteras, esperando que ela assinasse para estrelar o filme.

”Eu precisava ter certeza de que eu realmente queria passar um tempo com ela,” lembra Stewart. ”Eu aprendi a me proteger ao longo dos anos. Pensei tipo, ‘Cara, eu só quero fazer esse filme particular se formos realmente amigas.’” Felizmente, elas se deram bem, e assim que leu o roteiro, a estrela de Crepúsculo sabia que precisava estar envolvida.

”Realmente me fez rir e totalmente refletia, para mim, o sentimento de voltar para casa e se reunir com a família após passar pelas coisas e mudar,” ela explica. ”Parecia absurdo e assustador, mas também muito afetuoso. Eu confiei na Clea, sendo sobre duas mulheres, e a equipe inteira que ela estava juntando era muito legal… Se tornou algo que tinha seu próprio coração e eu sabia que eu ficaria enciumada se outra pessoa estivesse no filme. Sinto isso sobre a maioria das coisas que eu faço, mas esse foi diferente. Fiquei orgulhosa, tipo ‘Legal! Eu estou nesse filme.’”

”Como a maioria das minhas decisões, foi puro egoísmo onde eu pensei que a Kristen e a Clea eram muito legais e eu pensei, ‘Além disso, vai me fazer ficar bem,’ brinca a colega de elenco Davis, antes de ficar mais pensativa enquanto me explica o motivo pelo qual queria fazer parte do filme. ”Não, o roteiro realmente me emocionou. É legal fazer uma coisa que não é excessivamente política, mas você ainda fica orgulhosa do material que você está colocando no mundo. Eu não quero ter uma carreira que pareça propaganda, mas eu penso que as escolhas que você faz, e o que você se liga ou apoia implicitamente, são importantes. Eu apoio essa mensagem, com certeza.”

Assim que as duas principais estavam garantidas, DuVall procurou os personagens secundários e conseguiu um grupo de atores ”inacreditavelmente talentosos,” desde Aubrey Plaza, de Parks and Recreation, e Dan Levy, de Schitt’s Creek, até Alison Brie, de GLOW, como a irmã rígida e bem-sucedida de Harper, Sloane.

”Ainda não acredito que consegui eles!” exclama DuVall. ”No mundo atual, não existe uma oportunidade enorme de fazer um filme sobre esse assunto nesse nível, então a quantidade tremenda de entusiasmo e apoio do elenco foi muito estimulantes. O elenco inteiro se deu muito bem e se divertiram muito. Foi mágico, e você não consegue planejar isso. Ou você tem, ou não tem.”

Durante suas carreiras, Stewart e Davis fizeram comédias, mas não é pelo que as duas são mais conhecidas. Então, elas tiveram dificuldade de manter os rostos sérios enquanto atuavam ao lado de alguns dos principais talentos cômicos atuais?

”Mary Holland é a pessoa mais engraçada e a melhor atriz que já assisti,” diz Davis. ”Ela é tão criativa e absolutamente hilária. Ela é a melhor parte desse filme e mal posso esperar para as pessoas a assistirem por uma hora e meia.”

”Quando descobri que Mary Steenburgen estava no filme, fiquei tão animada,” Stewart diz com alegria. ”Eu cresci assistindo Quase Irmãos e rindo com os idiotas dos meus irmãos, e ela fez tantas comédias boas. Geralmente, eu fico ‘Não, eu não ri no set o tempo todo. Não houve pegadinhas e não, eu não tive dificuldade em ‘não sair do personagem’ Tipo, tanto faz. Nesse caso, realmente foi a primeira vez. Eu tinha que esconder o rosto no meu casaco para não arruinar a cena para ela. Ela é muito, muito engraçada e ela fazia esses trajetos…”

Enquanto o filme foi evidentemente uma alegria de se fazer – Davis fala de maneira expressiva sobre uma noite que ela passou brincando de charadas de casamentos com Steenburgen e o marido Ted Danson – DuVall nos garante que Happiest Season não irá se afastar das realidades de esconder uma parte de si das pessoas que você ama, e os impactos negativos que isso pode ter em relacionamentos. Em resumo, ao contrário de muitas histórias de amor natalinas, que tendem em focar em como duas pessoas ficam juntas, essa é mais sobre como duas pessoas permanecem juntas.

”Há coisas que acontecem durante o filme que são complicadas e seria difícil superar como ambas as personagens,” diz Stewart. ”O que acontece não é deplorável – são coisas fáceis de sentir empatia – mas podem ser o suficiente para mexer com um relacionamento existente.”

Para Stewart, foi importante que o relacionamento parecesse real. ”A única coisa que eu queria ter certeza sobre esse casal era que parecesse muito forte, porque quando as coisas começam a se tornar traiçoeiras, você quer acreditar que elas aguentam. Você não quer ficar ‘É claro que elas vão voltar, elas precisam porque é uma comédia romântica.’ Entende? Por isso eu não queria trabalhar com uma “atriz”. Mackenzie é uma pessoa tão real. Alguns atores não são.”

”Como escritora, eu realmente amo tocar nessa linha entre o humor e emoções sérias porque é assim que eu tenho experiência com as coisas, mesmo quando estou muito chateada,” DuVall adiciona. ”Penso que porque todos os personagens que estão ao redor desse casal sejam tão bobos, isso mantém as coisas mais leves.”

DuVall foi exigente para que não houvesse vilões nesse filme, já que ela não acredita que ”ninguém deveria ser difamado por não se sentir confortável ou confortável o bastante para se assumir, mas as pessoas ao redor também podem não saber como lidar com isso imediatamente. É um processo. Eu quero que as pessoas consigam rir e se conectar com esses sentimentos de lar, família, amigos e amor. Todas as coisas que nós precisamos agora.” E o filme pode acabar sendo extremamente poderoso para todas as pessoas que precisem dele. ”Eu adoraria que o filme desse coragem para as pessoas que estão com dificuldade de se assumir, ou apenas fazer com que se sintam menos sozinhos durante a descoberta,” DuVall diz.

Afinal, se você faz um bom filme natalino, pode acabar sendo exibido repetidamente ano após ano. ”Acho que todos esperamos que entre no panteão de filmes natalinos que você assiste porque são ótimos e se tornam referência para sua família,” diz Davis. ”Esse é definitivamente o espírito que fez Clea fazer esse filme. Não querendo apagar ser sobre um casal queer, acho isso muito importante, mas nós esperamos que todo mundo se conecte com esse filme e possa coloca-lo nas tradições que você faz todo ano.” Contanto que não assistamos todos os dias por nove meses, aparentemente, pode ser que sim.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil