Divulgando seu novo filme, Kristen Stewart foi fotografada para a revista americana InStyle para a capa e recheio da edição de novembro. Em uma entrevista descontraída, Kristen fala sobre a vida na quarentena, sobre se encontrar e, claro, Happiest Season. A entrevista foi feita pela diretora do filme, Clea DuVall, através do Zoom. Além da sessão de fotos e entrevista, Kristen também participou de um vídeo respondendo perguntas de fãs. Confira tudo isso abaixo:

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Clea DuVall: Sinto que estou encontrando um membro da família que não vejo há muito tempo. Estou tipo, “Olha o seu cabelo. Você está tão saudável.”
Kristen Stewart: Amo que estamos fazendo desse jeito, também. Essa é a minha terceira chamada no Zoom desde sempre.
CD: Eu ligaria para você no Zoom o tempo todo, mas acho que todo mundo odeia o Zoom agora.
KS: Eu gosto. É legal porque o artigo não vai ser ”Nós fomos até um café na vizinhança dela e ela pediu uma bebida. Há uma tensão. Ela quer estar aqui?” [Risos]
CD: Foi algo que eu disse? [Risos] Você completou 30 anos durante a quarentena. Como foi ter um grande aniversário nessa época?
KS: Eu acordei naquele dia [9 de abril] e fiquei tipo, ”Você precisa se recompor.” Eu estava bebendo muito no começo da pandemia, então eu parei de beber e fumar. Estou envergonhada porque soa muito cliché, mas é a verdade.
CD: Como você tem passado seu tempo na quarentena?
KS: Eu estive escrevendo Chronology [adaptação do livro Chronology of Water, de Lidia Yuknavitch, que Stewart também está dirigindo] por um bom tempo. Já está feito. E eu tenho três outros projetos que estive pensando, mas nunca toquei. Pela primeira vez eles tiveram um grande avanço.
CD: Como é um dia normal para você agora?
KS: Eu passeio com os meus cachorros e saio com pessoas. Me sinto horrível sobre o estado do mundo, então estou doando dinheiro – mas não estou indo em protestos, e me sinto estranha com isso. Sou uma otimista frustrada. Estou sempre pensando, ”Não pode ficar pior que isso.”
CD: Nós fizemos Happiest Season antes da pandemia. Mary Holland e eu escrevemos essa história porque eu queria algo que representasse uma experiência que eu não tinha visto, que era algo próximo à minha própria. O que você pensou quando leu o roteiro?
KS: Ele lida com coisas muito comoventes que, para mim, são extremamente emocionantes e que dão gatilho – apesar de agora a palavra “gatilho” me dar mais gatilho do que qualquer coisa no mundo [risos]. Mas o filme é tão engraçado e fofo, e eu amei o casal. Me senti protetora com as duas de jeitos diferentes porque já estive de ambos os lados dessa dinâmica onde uma está tendo dificuldade em reconhecer quem ela é e a outra pessoa é mais tolerante consigo mesma. Eu cheguei nos aspectos mais complicados de mim mesma um pouco depois. Nunca senti uma vergonha imensa, mas também não sou muito distante da história, então devo tê-la de uma forma escondida.
CD: Sim.
KS: Não quero engrandecer minha própria dor, porque eu sei que a dor de outros tem sido muito maior. Há coisas que machucam constantemente vivendo nesse mundo como uma pessoa queer. De qualquer forma, eu li o roteiro e não acreditei que um estúdio estava fazendo isso.
CD: Foi sua própria experiência que te levou ao filme?
KS: Sim. Na primeira vez em que namorei uma menina, me perguntaram imediatamente se eu era lésbica. E é tipo, ”Meu Deus, eu tenho 21 anos.” Sinto que talvez algumas coisas machucaram pessoas com quem me relacionei. Não porque me senti envergonhada de ser abertamente gay mas porque eu não gostava de me exibir para o público, de certo modo. Parecia um roubo. Era uma época onde eu estava cautelosa. Mesmo nos meus relacionamentos anteriores, que eram héteros, nós fazíamos tudo o que podíamos para não sermos fotografados fazendo coisas – coisas que não se tornariam mais nossas. Então, acho que adicionou a pressão de representar um grupo de pessoas, de representar essa queerness, que era algo que eu não entendia na época. Só agora consigo ver. Olhando em retrospecto, eu posso dizer que tenho experiência com essa história. Mas naquela época eu teria ficado, ”Não, estou bem. Meus pais estão bem com isso. Tudo está bem.” É mentira. Tem sido difícil. Tem sido estranho. É desse jeito para todo mundo.
CD: E com 21 anos, você tinha pessoas escrevendo artigos sobre você, te seguindo, e tentando te conhecer quando nem você conseguiu completamente ainda. Posso imaginar que isso fazia você subir todos os muros que pudesse.
KS: Sim. E isso afeta minha família e outras pessoas. E eles possuem suas próprias experiências que adicionam na conversa.
CD: Alguma coisa se destaca como algo que você realmente gostou fazendo esse filme? Além de trabalhar comigo, obviamente. [Risos]
KS: Eu não poderia ter pedido uma parceira melhor do que a Mackenzie. Esse casal precisava ser duas pessoas que você realmente gostasse e se inspirasse. Então, tínhamos que ter certeza disso – mesmo que seja um filme sobre alguém que está se aceitando. Tínhamos a responsabilidade de não ser fofinhas. É tipo, ”Não, sabemos o que estamos fazendo e tudo bem. E agora, por favor, todos fiquem confortáveis com isso.”
CD: Sendo uma pessoa queer e interpretando uma personagem gay, você sente que existe uma expectativa para ser uma porta-voz para a comunidade?
KS: Sentia mais quando era mais nova, quando estava sendo encurralada para me rotular. Eu não tinha nenhuma reserva em mostrar que meu era. Estava saindo todo dia sabendo que eu seria fotografada enquanto estivesse sendo carinhosa com a minha namorada, mas eu não queria falar sobre isso. Eu sentia uma enorme pressão, mas não era posta em mim pela comunidade LGBTQ+. As pessoas estavam vendo as fotos e lendo artigos e falando, ”Oh, bom, preciso me exibir.” Eu era uma criança e me sentir pessoalmente afrontada. Agora eu gosto disso. Amo a ideia de que qualquer coisa que eu faço com facilidade passa para alguém que está com dificuldades. Isso é muito legal! Quando vejo uma criança pequena se sentindo de um jeito que eu não teria me sentido na minha infância, fico com vontade de pular.
CD: Esse é um ano de eleição. O quão ativa politicamente é você? Você falou mais cedo sobre fazer doações e o relacionamento complicado com como ser engajada. As pessoas precisam votar.
KS: As pessoas precisam votar.
CD: O quanto você lê as notícias?
KS: Eu leio as notícias todos os dias, mas não fico fixada nisso. Eu tenho amigos que não param e isso é tudo o que eles falam. Não estou dizendo que não quero confrontar essas coisas. Mas em termos do quão envolvida estou, nunca fui o rosto de nada. Eu nem tenho um Instagram público. Realmente gosto de apoiar pessoas que já estão fazendo isso há anos.
CD: Foi uma escolha consciente ficar fora das redes sociais?
KS: É tão natural para mim. Nunca foi uma questão. Nunca fiquei tipo, ”Eu deveria criar um?” Sempre foi, “ “Não, meu Deus.” [Risos]
CD: Como alguém que se tornou uma estrela tão jovem, você sente que cresceu consigo mesma?
KS: Agora estamos tendo essa conversa muito boa porque eu não estou pensando no fato de que estou falando com milhões de pessoas. Mas quando eu era mais nova, eu não conseguia superar essa ideia. Eu estava tão atolada com tudo que eu não conseguia nem apresentar uma versão honesta de mim mesma. Isso me frustrava porque continuava a ficar no meu caminho. Agora que sou mais velha, não tenho tanto medo de errar.
CD: Posso imaginar que a pressão de carregar uma franquia enorme como Crepúsculo quando você era tão jovem possa ter sido extremamente intensa.
KS: Eu era uma criança. Definitivamente nunca fiquei, ”OK, eu tenho essa franquia enorme nas minhas costas.” Essa é uma perspectiva de quem está de fora, que é uma que só posso compartilhar com você agora. Na época, eu não fazia ideia.
CD: E como atriz?
KS: Eu sou uma artista muito confessional. Definitivamente gosto do meu trabalho o mais pessoal possível. Nas primeiras vezes em que interpretei personagens queer, eu não era abertamente queer ainda. Sou atraída por histórias e pessoas por uma razão e acho que, por isso, eu represento o que defendo. Eu penso que é importante assumirmos papéis diferentes e nos colocarmos no lugar de outras pessoas para podermos realmente nos expandir, embora nunca ocupar o espaço das pessoas que deveriam estar contando suas próprias histórias.
CD: Você já está se preparando para interpretar a Princesa Diana?
KS: Nós não vamos começar a filmar até metade de janeiro. O sotaque é muito intimidador porque as pessoas conhecem aquela voz, e é tão, tão distinta e particular. Estou trabalhando nisso agora e já tenho meu professor de dialeto. Em termos de pesquisa, já li duas biografias e meia, e estou terminando todo o material antes de realmente começar o filme. É uma das histórias mais tristes que existem, e eu não quero somente interpretar a Diana – quero conhecê-la completamente. Falando nisso, não estive tão animada por um papel há um bom tempo.
CD: Vou mudar um pouco o assunto porque essa é uma revista de moda e você sabe que eu sou um cabideiro. Você sente falta de se arrumar para o trabalho e aparecer em tapetes vermelhos?
KS: Foi muito divertido fotografar para essa capa, na verdade. Eu não via minha equipe há tanto tempo e gosto muito da fotógrafa Olivia Malone. Realmente me lembrou do quanto eu amo isso. Acho que é fácil confundir certas coisas que eu tenho aversão, como por exemplo, ”Oh, ela não gosta de tirar foto o tempo todo.” Tipo, ”Sim, não constantemente.” Mas amo fazer arte com meus amigos. Isso definitivamente me dá energia. É divertido. Mas sobre me arrumar e sair, a pressão disso pode ser boba. Eu fico nervosa antes de sair, não porque fico com medo mas porque é tipo, ”Oh Deus, o que mais pode estar na moda?”
CD: Se arrumar para tapetes vermelhos parece tão difícil – há sempre um relógio e muitas pessoas em volta. Você tem alguma roupa pronta no seu guarda roupa?
KS: Geralmente, eu sou uma pessoa muito uniforme. Por algumas semanas, eu estava me vestindo todas as manhãs como se eu tivesse algum lugar para ir. Me fazia me sentir melhor. Houve um período que eu só queria usar coisas que combinavam. Tenho um terno de estampa de leopardo que é realmente divertido de usar em casa. Então, usamos conjuntos e ternos. E então esses robes de seda. Meu pai costumava usar um robe pela casa e era muito grande. Eu sou pequena, então se eu usar um robe bufante, parece muito sem graça. A razão pela qual eu não gostava de robes era que eu me sentia boba e pequena, e eu não gosto de me sentir boba e pequena.
CD: Eu sei disso sobre você.
KS: Basicamente, tenho evitado usar jeans e camisetas. Dentro dos limites da minha própria casa, é claro.
CD: Você é o rosto da Chanel, então presumo que você tenha muitas peças no seu guarda roupa.
KS: Realmente, eu tenho. Eu mantenho todas as minhas coisas da Chanel juntas. Algumas vezes passo por lá. Minha jaqueta preta está lá. Tenho algumas bolsas que são realmente clássicas. Mas eu tenho muitas coisas que uma pessoa mais ousada e descolada usaria. Talvez, se eu tiver filhos, eles digam ”Por que você não está usando essa coisa incrível?” Talvez alguém apareça e use meu guarda roupa.
CD: Então, fizemos um filme de Natal, como você sabe. Você tem alguma ideia do que vai fazer no fim desse ano?
KS: Eu geralmente vou para casa e fico com a minha família. Na manhã de Natal, eu como comida tailandesa porque moro perto de Thai Town, é o único lugar aberto e é incrível. Comida tailandesa de manhã é realmente divertido antes de tudo começar. Você fica tipo, ”Hoje vai ser um espetáculo de merda. Vai ser realmente irritante.” Eu amo minha família e amo o Natal, mas obviamente é demais. Então eu criei essa pequena tradição para mim. Acho que não vou conseguir ir para casa nesse ano. Vou estar na Europa me preparando para Spencer.
CD: Já que o título do nosso filme é Happiest Season, quem ou o que te faz mais feliz agora?
KS: Eu realmente acordo feliz. Me sinto muito abençoada. Eu amo meus amigos e minha família. Sou uma filha da puta feliz.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil