Kristen Stewart explica sua decisão de aceitar o papel no suspense Ameaça Profunda e por que a mudança climática não deveria nos impedir de ter filhos

A bolsa da Kristen Stewart está em cima da mesa de café. Na verdade, é mais uma caixa de papelão com uma alça, o que parece ser uma estranha decisão fashion para uma atriz A-list em Beverly Hills, cercada por mulheres imaculadamente arrumadas em designer gear. De repente, a bolsa começa a mexer.

“Ele é um caranguejo-eremita,” explica Stewart, entusiasticamente. Como transparece, ela veio de uma aparição na TV, onde ela foi orientada a identificar a criatura, estando com os olhos vendados, em uma ação promocional para promover seu novo terror no oceano, Ameaça Profunda. Ela não confiou na equipe da TV para leva-lo com segurança para o pet shop depois, então ela o trouxe. Ela está construindo um terrário em casa.

Em Ameaça Profunda, Stewart interpreta uma engenheira de mineração do alto mar, Norah, um dos poucos membros da equipe que sobrevive quando a plataforma é destruída durante um terremoto, forçando-os a fugir de ataques de criaturas aterrorizantes no fundo do oceano. Como Norah, “Inacessível e emocionalmente distante”, sua performance lembra Sigourney Weaver como Ripley nos filmes Alien.

Ameaça Profunda, dirigido por William Eubank, deve um débito a obra de arte de Ridley Scott. “É bastante influenciado por Alien”, diz Stewart. “Minha aparência, a aparência do Alien, até nossa plataforma, como é estruturada de forma aleatória, o fato de que as pessoas que vivem nessas plataforma não são soldados, são pessoas com fotos dos deus amigos e coisas bestas que estão penduradas em suas estações.”

Esse papel foi um desafio para Stewart. “É ridículo que eu cheguei a fazer esse filme,” ela diz, com a fala caracteristicamente rápida. “Eu nem gosto de nadar, quanto mais mergulhar. Nós não pertencemos a aquele lugar! Eu me senti bastante claustrofóbica e sufocada o tempo todo.”

Durante a filmagem, ela teve que usar uma “horrível” roupa de mergulho de 45kg, que a fez se sentir asfixiada. “Eu queria confrontar fobias que eu tenho e eu sabia que se eu mergulhasse de cabeça em algo que me assustasse, seria perceptível,” ela diz. “Eu não tinha feito um filme comercial em muito tempo e eu certamente não tinha feito um filme de ação, então eu pensei que era uma boa ideia fazer algo que não era muito intelectual e puramente físico… Até você perceber que essas coisas andam de mãos dadas.”

Gravado em um estúdio de som, em New Orleans, o filme usou uma técnica de efeito especial “Molhado para seco”, o que limitou o tempo que ela tinha que ficar submersa. Mas não havia escapatória da roupa de mergulho. “Não era divertido e eu estava assustada o tempo todo,” diz Stewart. “Sempre que íamos para embaixo d’água, eu estava chorando. Eu sou o tipo de pessoa que, se você me abraçar muito apertado, eu fico tipo ‘argh’. Suas mãos abraçam seu corpo. “Eu odeio ser pressionada.”

Stewart cresceu em Los Angeles, fazendo seu dever de casa nos sets dos shows dos seus pais, enquanto seu pai era um gerente de palco, sua mãe supervisionava roteiros. “Meus pais era realmente da classe trabalhadora,” ela diz. “Ela faziam filmes. Eu sempre me inspirei neles e sempre quis fazer filmes e fazer parte daquilo. Eu não seu o que estaria fazendo se não fosse uma atriz.”

Ela começou a atuar aos nove anos de idade e seu primeiro papel de destaque veio alguns anos depois quando ela interpretou a filha de Jodie Foster no suspense O Quarto do Pânico. “Eu achava que era uma adulta quando eu tinha 12 anos,” ela diz, para explicar sua preocupação. “Eu não sei porque. Eu nunca fui complacente. Não fui criada para ser.”

Foi aos 18 anos de idade, em 2008, que ela ascendeu ao estrelato, interpretando Bella Swan na franquia de vampiros Crepúsculo. Estrelando a série de cinco filmes, que arrecadaram mais que 3,3 bilhões de dólares e sua vida pessoal se tornaram objeto de fãs e obsessão, mais intensificado pelo seus relacionamento com seu co-star, Robert Pattinson.
Todo dia era um frenesi da mídia (ela foi fotografada traindo ela com o diretor de filme britânico Rupert Sanders). Ela precisava de guarda-costas, assistentes e enormes SUVS pretas com manobras táticas para evitar perseguições implacáveis. Nada disso parece perturbá-la agora, apesar – e ela resiste a ser cínica sobre sua fama enquanto jovem, olhando para trás. “Considerando que eu pude trabalhar ainda tão jovem, eu fui privada de uma abundância de coisas boas.”

Com exceção de Branca de neve e o Caçador e o recentemente rejeitado As Panteras, desde Crepúsculo, Stewart escolheu filmes menores, independentes como Anestesia, American Ultra, Para Sempre Alice e Seberg Contra Todos, pelo qual ela recebeu aclamação por sua performance no papel de Seberg. Ela insiste que esse caminho não foi uma decisão consciente. “Em nenhuma das maneiras que eu funciono criativamente são táticas. Eu não estou tentando planejar uma trajetória programada.”

Agora com 29 anos, Stewart aprendeu a viver com sendo observada. Há 3 anos, ela se descreveu como “tão gay” enquanto apresentava o SNL, mais tarde esclarecendo que ela era bissexual (Ela namorou a cantora francesa Soko, a modelo Stella Maxwell e a música St Vincent.) Ela é regularmente flagrada por paparazzi carregando compras do mercado no carro com sua namorada roteirista Dylan Meyer, e isso não parece incomodá-la.

Primeiramente,” ela diz, “Eu acordo feliz. Eu genuinamente acordo. Mesmo se as coisas estão uma merda, eu acordo energizada indo ‘tudo bem, vamos lá.’ Eu sou grata por isso e eu sei que é uma coisa química; algo que você é sortudo por nascer com isso.”

“Eu tenho muitos amigos que são brilhantemente inteligentes e engajados com o mundo que acordam assustados e tristes,” ela continua. “Obviamente nós vivemos em um período assustador e polarizado, todos os dias acordando um pouco incerto, mas ao mesmo tempo, eu sou verdadeiramente sortuda e feliz por ser alguém que é geralmente feliz… Eu sei que isso não foi o que você perguntou, mas eu sou sortuda por ser dosada com bons elementos químicos.”

E há muitas coisas para se preocupar – aquecimento global, escassez de água e falta de comida são as preocupações no topo de sua lista. Ela vai fazer 30 anos em abril e questões sobre o futuro começam a surgir.

“Qualquer um que queria ter uma criança, você fica: ‘Sério? Você tem certeza? O que você acha que vai acontecer com eles? Eu tive alguns amigos que disseram recentemente: ‘Eu sempre achei que quisesse ter filhos, mas talvez agora não sei…’ E eu fico tipo, olha, as coisas vão ser difíceis, mesmo que nós pensássemos fatalisticamente: ‘foda-se, eles só vão ter 10 ou 15 anos, ou talvez eles tenham 80’. Vale a pena.”

“Eu digo aos meus amigos: ‘Faça! Que diabos. Talvez haverá uma saída, se não, nós não podemos simplesmente parar. Nós temos que continuar. Até não conseguimos mais.”

Ela espera que o tema ambiental e os avisos não fiquem perdidos entre os efeitos especiais. “Como uma subtrama para um suspense existencial, que é bem assustador e com explosões, fica entrelinhas o fato que nós não devemos tocar coisas que não devemos tocar. E, se nós tocarmos… então o monstro virá atrás de nós.”

Fonte | Tradução: Maria Clara Equipe Kristen Stewart Brasil