Fomos convidadas pela distribuidora CineColor do Brasil para assistir com antecedência ao filme Seberg Contra Todos, que conta com Kristen Stewart no papel de Jean Seberg. Contamos abaixo tudo o que você precisa saber sobre o filme e o que achamos da obra! O filme estreia em todo o Brasil no dia 5/3

ATENÇÃO: Pode conter spoiler.

O filme Seberg Contra Todos (2019), dirigido pelo australiano Benedict Andrews, conta a história da célebre atriz americana Jean Seberg, interpretada por Kristen Stewart, com foco em três anos específicos de sua carreira. O início da trama é em 1968, época na qual Seberg estava em seu segundo casamento, com um filho e morando na França. A atriz ascendeu ao estrelato, especialmente entre os franceses, após protagonizar o icônico filme de Jean-Luc Godard, Acossado.

O propósito da produção é mostrar como a investigação secreta intitulada COINTELPRO do FBI manipulou informações e inventou mentiras sobre Jean, além de sua relação com a mídia e com movimentos sociais americanos. A perseguição a atriz ocorreu porque ela ajudava financeiramente e demonstrava publicamente apoio aos Panteras Negras (movimento negro americano que lutava em prol dos direitos dos negros na sociedade americana) e suas atividades.

Por meio dessa investigação, o FBI destruiu a vida e a carreira de Jean, pois, em virtude da perseguição e vigilância constante, o grampeamento de seus telefones e casa, ela acabou definhando e ficando paranoica aos poucos. Nesse período, se divorciou de seu então marido, Romain Gary, teve um parto prematuro o que causou o falecimento de sua filha, Nina, com apenas três dias de vida.

Todos esses pontos são retratados no filmes exatamente porque fazem parte da janela de tempo que eles almejaram alcançar e aí talvez esteja o grande problema: a construção da narrativa não aborda tudo o que é necessário para compreender completamente a história, principalmente, se o espectador não conhecer minimamente os acontecimentos, o período em que tudo aconteceu e quem era Jean Seberg – e sua relevância para a indústria cinematográfica.

Mas, vamos lá, primeiramente, é importante ressaltar que as intenções do filme parecem boas e a história é muito intrigante, principalmente, porque foi um assunto muito pouco falado e que muitas pessoas não conhecem. Em segundo lugar, as atuações são incríveis. A Kristen está em um de seus melhores papeis, sem dúvidas.

Como o filme mostra esses anos da vida de Seberg, é possível ver a sua mudança de estado de espírito: ela vai da felicidade à solidão em pouco tempo, após sua vida ser completamente virada de cabeça para baixo, e a Kristen é espetacular em todos esses momentos. Há cenas sem diálogos, apenas ela e a câmera e você consegue sentir toda a angústia pela qual Jean está passando, é de cortar o coração.

O elenco, como um todo, que conta com Jack O’Connell (como o investigador Jack Solomon), Anthony Mackie (como Hakim Jamal), Margaret Qualley (como Linette, esposa de Jack), Zazie Beetz (como Dorothy Jamal, esposa de Hakim), entre outros, também estão ótimos. São atuações excelentes em cima de um roteiro raso que não constrói bem os personagens e nem suas histórias.

Para um melhor aproveitamento de toda essa trama, o roteiro deveria apresentar a história de Jean alguns anos antes para que seja possível compreender melhor o motivo dela se envolver com os movimentos sociais, sua relação com a mídia e como tudo a afetou. Do jeito que é conduzido, dá a sensação de que ela ficou paranoica por quase nada, falta muita explicação para suas motivações e angústias. Essa questão incomoda bastante enquanto se assiste o filme porque em alguns momentos parece que construíram o roteiro com base em uma página do Wikipedia e informações avulsas da internet pela falta de conexão mais profunda e complexa entre os períodos e situações.

Apesar dos problemas no roteiro, o filme tem uma atmosfera bem pesada e densa que te deixa reflexivo acerca de tudo o que o governo causou, sobre como muitas vidas foram afetadas por esse projeto e como a Jean foi perdendo muito do seu brilho, especialmente após a morte de sua filha, situação da qual ela nunca se recuperou.

Outros aspectos muito bons no filme são a fotografia, sob responsabilidade da Rachel Morrison, que capta brilhantemente o sentimento da personagens, seus anseios, os lugares por onde passa e a forma como vive sua vida, e o figurino, pensando por Michael Wilkinson, que é extremamente bonito e orna com a ambientação, época e estilo da Jean, além de remeter às roupas realmente usadas por ela.

Dessa forma, Seberg Contra Todos é um filme que vale a pena ver para conhecer melhor a história dessa icônica atriz e também para apreciar o trabalho da Kristen, que realmente se supera, carrega e consegue driblar os problemas encontrados no roteiro, sendo, portanto, a melhor parte de todo a película.

Com distribuição da Cinecolor, o filme estreia amanhã (05) em todos os cinemas do País.

Escrito por: Jackelyne Amaral – Equipe Kristen Stewart Brasil