Participando da conferência de imprensa de seu novo filme Seberg no Festival de San Sebastián, na Espanha, Kristen Stewart falou sobre o projeto e as questões políticas levantadas com ele. Confira:

Há um momento em Seberg em que um dos personagens diz para Jean Seberg: ”A revolução também precisa das estrelas de cinema.” Uma declaração que parece adaptada a Kristen Stewart, a atriz que entra na pele de um dos ícones da Nouvelle Vague. “O poder da minha voz é imenso, estou ciente disso e defendo o tipo de pessoa que sou, mesmo que não fale em voz alta,” continua.

Tendo conhecido seu compromisso político, nas últimas semanas ela reiterou que quer interpretar uma super-heroína gay, Stewart reitera sua defesa da igualdade e sua adesão a causas humanitárias. Mas há dois temas centrais em sua luta. “Eu uso o feminismo como minha segunda pele e é óbvio que a diversidade sexual também.”

A estrela americana está interessada em todos os papéis que mudam a visão das mulheres no cinema. É por isso que ele acredita que hoje em dia “a coisa mais difícil é escolher bem.” E desta vez foi para enfrentar um personagem real e com muitas arestas. “Ela tem pontos conflitantes, era um ícone, mas eu a abordei de uma maneira pura. É uma responsabilidade,” explica ela. E ela diz o que procura em cada filme: “Uma coisa maravilhosa de ser artista é entrar e se perder em um personagem. É um negócio arriscado, mas você precisa se submeter, é o único caminho para que algo único, singular e honesto aconteça.”

O filme foca nos anos em que Seberg se interessou pelos membros dos Panteras Negras no final dos anos 1960. Ela apoiou sua causa política e fez doações em favor de sua luta pela perseguição de negros. “Eu carrego a política em mim. Existem muitas causas para se defender. Mudança climática, controle de armas… são coisas que me machucam.” Seu compromisso custou ao FBI que a vigiasse, a assediasse e a colocasse sob pressão da mídia que a levou de volta à França atormentada e paranóica. Ele tentou cometer suicídio e morreu depois de dez dias desaparecida. Seu corpo foi encontrado em um carro. Na aparência, um suicídio. Mas seu fim sempre foi um mistério. “Há alguma especulação sobre as circunstâncias da morte, se foi um suicídio ou não. Ela sofre por seu idealismo político, sofre uma perseguição política e uma pressão que a levou a tentar cometer suicídio,” responde o diretor.

Todas essas questões ecoam hoje, reflete Benedict Andrews. “A América está em guerra consigo mesma. O filme tem uma influência, uma analogia, a cultura da vigilância, microfones, está no DNA de quem somos hoje. Essa informação é uma arma política contra o ativismo.” Portanto, ele vê seu filme como uma exploração dos efeitos de entrar na vida de alguém, o poder das celebridades e um mundo vigiado a serviço do poder e das grandes corporações.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil