No final da semana, Kristen irá receber o prêmio Talent Award no Festival de Deauville das mãos do diretor Olivier Assayas, e em entrevista para o Le Journal de Demain, ele não poupou elogios. Confira:

O diretor permitiu a atriz americana de sair das amarras hollywoodianas. Ele conta.

Olivier Assayas estará em Deauville para apresentar seu próxima longa-metragem, Wasp Network (com a Penélope Cruz e Edgar Ramirez), no encerramento do festival de filme americano, no dia 14 de setembro. No dia anterior, o diretor entregará o Talent Award à Kristen Stewart, uma espécie e homenagem à carreira da jovem atriz de 29 anos que ele conhece bem.

Uma reunião: eu descobri a Kristen por intermédio do produtor Charles Gilbert. Ele a conheceu durante as gravações de “Na Estrada” [2012], de Walter Salles, que ele coproduziu. Ele também encontrou o parceiro dela, Robert Pattinson. Charles era apaixonado por esses dois atores talentosos afetados pelo sistema hollywoodiano, mas que tinham desejo de coisas ambiciosas. Inicialmente, eu propus um papel ao Robert em um filme que nunca foi feito. Com o passar do tempo com ele, eu encontrei a Kristen. Eu havia visto e amado o primeiro Crepúsculo [2008] e também Na Natureza Selvagem [2007], no qual ela estourou a tela em um papel pequeno. Mas eu sempre preciso encontrar os atores por saber. Ali, imediatamente compreendi. Eu me encantei por ela.

Um tempo depois, quando decidia escrever Acima das Nuvens [2014] em inglês eu pensei na Kristen para a personagem da assistente de Maria, interpretada pela Juliette Binoche. Ela estava em um outro projeto, mas foi liberada. Minha maneira de trabalhar – nem um pouco intervencionista, sem repetições – de primeiro a surpreendeu porque ela estava acostumada com os métodos do cinema americano, mais calibrado e onde os atores têm menos espaço. Mas ela gostou. Kristen também aprendeu muito com a Juliette, quem ela admira muito. Ela viu como a teve sucesso em proteger sua liberdade de movimento entre o cinema independente e a indústria.

Um ferimento: nós fizemos um segundo filme juntos, Personal Shopper (2016), que eu escrevi para ela, conscientemente ou não. Nós temos vontade de trabalharmos juntos uma terceira vez para completar a trilogia. Em uma gravação, a Kristen está muito presente, ela não fica à distância em seu camarim. Ela é inteligente, animada e alegre, mas nós sentimos uma seriedade, uma ferida. Ela se protege. É reconhecida na rua e está sob a lupa midiática permanentemente, principalmente dos tabloides, e isso não a faz feliz. Ela tem problemas com esse aspecto do cinema. Ela deseja que a deixem viver sua vida. Eu tive a chance de ser o diretor que a permitiu sair do sistema hollywoodiano, de a tranquilizar sobre suas aspirações e sua maneira de trabalhar. Eu posso tê-la ajudado a assumir uma forma de liberdade que ela mesma teria encontrado.

Uma artista completa: com Kristen, nós não fazemos chamadas para saber as novidades, nós não jantamos juntos para contas de nossas vidas. Nós temos uma relação estritamente profissional, mas em um sentido muito bom do termo, além da colaboração: afinidades artísticas, uma alquimia focada em um filme e algo telepático na maneira como trabalhamos.

Tenho muita vontade de vê-la como Jean Seberg, no filme que será projetado em Deauville. Não sei como seguirá sua carreira de atriz, mas ela será cineasta. Ela tem um grande desejo e tem uma relação com a câmera que mostra que jogar não é aborrecimento para ela. É uma artista completa que escreve e desenha. O cinema é seu modo de expressão. Ela já fez um curta-metragem, com verdadeiro talento. Ela está pronta para a direção.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil