Kristen Stewart fala sobre Seberg com a HFPA
01, set
postado por KSBR Staff

Kristen Stewart esteve em Veneza para a estreia mundial de seu mais novo filme, Seberg, e conversou com a HFPA sobre o longa. Confira:

Kristen Stewart estrela como a atriz americana Jean Seberg, cuja vida foi tragicamente destruída quando ela se tornou alvo do programa COINTELPRO do FBI. A atriz, que era queridinha da nova onda francesa e mais conhecida por Breathless de Jean-Luc Godard, era uma ativista política que apoiava os Panteras Negras e por isso foi colocada na lista de pessoas do FBI para serem “neutralizadas”. O filme de Benedict Andrews mostra como os grampos telefônicos e o assédio levaram a atriz para sua ruína e sua morte aos 40 anos em 1979.

O filme começa com uma cena de Saint Joan onde Jean Seberg é queimada na fogueira, como uma bruxa. Isso é simbólico para o que aconteceu com a atriz na vida real, também?
Sim, mas em um jeito muito menos transparente, o que torna isso tudo mais doloroso. Ela é alguém que está tão disposta a se sacrificar. Havia uma natureza muito altruísta e aberta em seu humanitarismo e não era egoísta de nenhum modo. Eu não atribuo o martírio a ela, mas ela foi cruelmente crucificada não somente pelo jeito que ela pensava, mas pelo jeito que ela queria alcançar as pessoas. A imagem poderosa que o filme começa te coloca no ritmo certo. O coração dessa pessoa definitivamente estava no lugar certo.

Você acha que o jeito que eles a perseguiram por seu apoio aos Panteras Negras tinha algo a ver com o fato de que ela era uma mulher branca?
Na verdade, eu acho. Eu acho que qualquer coisa que ameaçasse o status desses homens brancos egoístas e poderosos motivados pelo racismo sistêmico e fundacional teria sido removida.

A maioria das pessoas conhecem Jean Seberg como um ícone ou a queridinha da nova onda no cinema francês. Você ficou surpresa com a história?
Eu conhecia Breathless. Eu fiquei surpresa que não é mais conhecida. Eu entendo o por que não foi divulgado na época mas é realmente louco como essa história caiu no esquecimento. É uma pena. É difícil celebrar uma tragédia assim mas a oportunidade de dar dignidade para ela e validá-la é tão bonita e eu queria que ela estivesse aqui para ver.

Como você se relaciona com ela? Você é uma atriz também, você é famosa e também é muito aberta politicamente. Havia muitas semelhanças?
Eu acho que somos muito diferentes no tom, então foi um pouco difícil interpretar alguém que era tão leve. Havia um certo ar sobre ela. Não de uma maneira insolente, mas literalmente ela habita um espaço de um jeito tão leve. Quando você assiste suas entrevistas ou seus filmes, ela habita um espaço de modo bem diferente de mim, então o maior desafio foi essa flutuabilidade que ela tinha. Ela era confiante mas com elegância e facilidade, e ela conseguiu viver a vida assim o que era muito contagiante. Há uma abertura e uma vontade de se envolver. Ela tinha uma energia muito bonita e ver essa pessoa precisar se proteger, fugir e recuar é muito triste. Assistindo seus últimos filmes, você pode ver que ela já não está mais conosco e saber as razões disso é muito interessante.

Como você se relaciona com isso como atriz, no entanto?
Eu sou completamente comprometida com a ideia de que se você funciona de um lugar de honestidade, você pode se assegurar. Você não pode ter controle de como as coisas funcionam ou como as pessoas veem você. Mas enquanto você estiver funcionando de um lugar realmente honesto, você pode colocar os pés pelas mãos e cometer erros, você pode se sentir bem com o que está colocando para fora e eu acho que existia essa ingenuidade nela, um impulso e talvez uma natureza simples, mas era sempre bem intencionada e tão honesta que era impossível não achar isso adorável ao invés de achar bobo ou estúpido.

Você viu o filme com o público na estreia aqui em Veneza. Como foi essa experiência? Como você sentiu que o público reagiu ao filme?
Eu não sei. Eu não consegui ter uma boa avaliação do cinema. Eu só vi o filme uma outra vez. Eu estava sentada perto do Benedict Andrews, que dirigiu o filme e Anthony Mackie, que interpreta Hakim Jamal, e eu estava avaliando os dois. Existe essa coisa cósmica estranha e mística sobre a história dela que parece que ela está presente dessa maneira que eu poderia estar inventando. Era o 40º aniversário de sua morte e foi uma coincidência total que a estreia foi nesse mesmo dia. Quando eu estava assistindo o filme eu pensei que a maioria das pessoas não conheciam sua história e se fizemos ou não um “bom trabalho”, sabemos que nossas intenções eram bem claras.

Quando você termina o filme, você fica bem emocionada, porque não acredita no que aconteceu com ela.
Sim. O filme termina em um ponto muito obscuro.