A primeira exibição de Seberg para o público aconteceu ontem (30) durante o Festival de Veneza e agora podemos ver o que a crítica especializada achou do filme. Em uma matéria resumindo a opinião de todos sobre o filme, o Entertainment Weekly separou o que os principais veículos comentaram, confira:

A transformação física e emocional de Kristen Stewart na atriz malfadada Jean Seberg conseguiu algumas das melhor críticas da carreira da estrela de Crepúsculo, mesmo que os críticos não estejam completamente vendidos pelo filme que constrói sua performance.

A atriz de 29 anos está na frente do suspense político do diretor Benedict Andrews, Seberg, que conta a vida turbulenta da estrela da French New Wave na mira do programa de vigilância COINTELPRO, do FBI, que acompanhou o apoio da estrela de Breathless ao movimento Pantera Negra e seu relacionamento com o ativista dos direitos humanos (e primo de Malcolm X), Hakim Jamal, no final dos anos 60.

Críticas iniciais do projeto – que estreou na sexta feira no Festival de Veneza – elogiaram imensamente a humanidade que Stewart trouxe para a personalidade da atriz, com Stephanie Zacharek, da TIME, observando que Stewart e Seberg ”se misturam em uma presença vibrante” no ”filme potente e envolvente.”

”Stewart é fora do comum, apesar disso não ser uma surpresa. Ela está entre as melhores atrizes atualmente, apesar de que chamá-la de “ótima” é um deserviço com sua sutileza – talvez seja melhor chamá-la de mestre dos pequenos gestos,” ela escreve. ”O piscar de seus olhos já é um dialeto próprio.”

Escrevendo para o The Daily Beast, Marlow Stern elogia Stewart no papel, apesar de sentir que o material em sua disposição não está no mesmo nível de seu talento – especialmente quando é enquadrada em Solomon, por Jack O’Connell, um agente da COINTELPRO, continuando que as ”a ótica está nublada o bastante, como uma atriz branca e rica de Hollywood terminou como uma vítima trágica da COINTELPRO – quando um filme de estúdio ou minissérie sobre os verdadeiros Panteras Negras ainda está para ser produzido.”

Ainda assim, ele observa: ”Stewart habilmente captura o dano psicológico crescente, essa figura glamurosa com corte de cabelo pixie reduzida a violentos paroxismos de paranóia e suspeita. Poucas atrizes conseguem comandar um close-up como Stewart, cuja vulnerabilidade quase explode na tela.”

Xan Brooks do The Guardian e Guy Lodge da Variety concordam.

”Stewart é uma atriz fabulosa, como foi demonstrado em Personal Shopper, Certain Women, e muitos outros, e ela interpreta esse papel com uma determinação sombria que é admirável por si só. O que a decepciona é o enredo numeroso, junto com o diálogo meio raso que poderia ter sido retirado de uma matéria de uma revista para adolescentes. Ela diz, ‘Eu quero fazer a diferença,’ e ‘Eu corro dessa menina minha vida inteira.’’ Ela diz, ‘Estou financiando os Pantera Negra só para termos absoluta certeza de que estamos no mesmo caminho,’” escreve Brooks, enquanto Lodge adiciona: ”A performance sutil e enigmática de Stewart como a estrela malfadada merece um roteiro mais espinhoso do que o que esse drama leve de biografia com espionagem proporciona.”

Sobre fazer o filme, Stewart anteriormente contou ao EW que sentiu a presença da falecida atriz – que se suicidou em 1979 após uma longa luta contra a depressão – no set do filme.

”Sempre que você faz um filme sobre uma pessoa real – especialmente se ela não está mais vida – parece que existe essa coisa onde, se alguém morre, você se pergunta se eles conseguem ver você cutucar o nariz ou algo assim… Você se pergunta: Eles estão assistindo? Eu acabei de interpretar Jean Seberg, e eu sentia toda vez que um gato ia pular na cena!” Stewart disse sobre o ambiente da produção. ”Eu sempre me perguntava se estávamos fazendo as coisas certas… Nesse mundo estranho de fantasia, eu me tornei tão próxima dela enquanto fiz esse filme. Se ela pudesse entrar em algum lugar agora, eu me sentiria como uma irmã, ou se alguém falasse uma palavra ruim sobre ela, eu iria defendê-la tipo, “Ei! Ela existiu!” como se eu a tivesse conhecido. Tudo o que acontecia no set que era um pouco misterioso, eu sempre atribuía a ela.”

Seberg – que viaja para o Toronto International Film Festival em seguida – é esperado nos cinemas no fim do ano, apesar de não ter ainda um data definida. Leia mais críticas retiradas do Festival de Veneza:

David Ehrlich (IndieWire)
“Algumas vezes hábil, geralmente desastrado e sempre negando Kristen Stewart o espaço para respirar nova vida na titular do filme, Seberg parece fora de ritmo quase que desde o começo. Um pequeno prólogo, começando no dia em que Seberg quase foi queimada viva enquanto filmava Saint Joan, lança uma sombra nos eventos que estão por vir, mas o roteiro cansativo de Joe Shrapnel e Anna Waterhouse força a cena a ser muito pesada. O resto do filme toma tempo o bastante para Seberg jogar indireta em Paint Your Wagon e lamentar a irrelevância relativa de seu próprio trabalho, mas esses poucos segundos – onde Seberg quase é morta por fingir ser um mártir real – providenciam uma evidência significativa de que ela queria mais da vida… Tudo parece inautêntico, a ponto de Seberg apenas ganhar vida quando se comprometer com a teatralidade completa. Andrews é um diretor de palco talentoso cujo Una foi uma master class em de coreografia arrebatadora em claustrofobia sustentada, e há alguns flashes em Seberg – um momento tenso na casa Solomon; um pouco de pique esconde entre Seberg e Jamal – quando o bloqueio expressa uma vitalidade que a escrita nunca tem. Mas Andrews está perdido no mar quando sempre que as coisas engrandecem, e seu olhar aguçado não consegue salvar esse filme de sua própria deformidade. Bonjour tristesse, realmente.”

David Rooney (The Hollywood Reporter)
“Uma nota de rodapé fascinante traçando a interseção entre o final dos anos 60 em Hollywood e o maldoso e intrometido governo americano é explorado no envolvente segundo filme do diretor Benedict Andrews, Seberg. Esse suspense elegante e agradável relata os esforços contínuos do FBI para neutralizar a atriz Jean Seberg quando ela se tornou apoiadora do movimento Pantera Negra e outros grupos de direitos humanos. O roteiro nem sempre evita frases de efeito e o ritmo poderia ser mais forte. Mas como a menina de corte de cabelo pixie imortalizada no pôster de Breathless de Godard, a luminosa Kristen Stewart o mantém grudado, oferecendo uma performance cativante que se torna cada vez mais pungente à medida que o assunto se desenrola.”

Guy Lodge (Variety)
‘Quem é Jean Seberg? um repórter pergunta para ’a epônima estrela de cinema no meio de Seberg, tentando fechar uma entrevista promocional para Paint Your Wagon com um semblante pessoal. Ela não consegue responder, com o assessor de imprensa de Seberg interrompendo a pergunta: ”Vamos manter as perguntas sobre o filme,” ele orienta. É um dos momentos do retrato escorregadio e desviado de Benedict Andrews onde Seberg é tratada como um produto, um peão ou uma trouxa, tratada por homens para seus próprios interesses e não os dela. E ainda assim, Seberg faz algo um pouco similar a esse assessor protetor: Toda vez que ameaça realmente perfurar a psique de seu assunto, interpretado com inteligência tipicamente intrigante e ilusória por Kristen Stewart, a mecânica mais comum do filme que ela está servindo atrapalha.”

Marlow Stern (The Daily Beast)
“A perseguição implacável do governo com Seberg – pelo mero “crime” de fazer uma doação para os Panteras Negras – eventualmente causa a atriz a desfiar, resultando em tentativas de suicídio e um parto de natimorto. Stewart habilmente captura o dano psicológico crescente, essa figura glamurosa com corte de cabelo pixie reduzida a violentos paroxismos de paranóia e suspeita. Poucas atrizes conseguem comandar um close-up como Stewart, cuja vulnerabilidade quase explode na tela. É uma pena, então, que esse filme de Andrews escolheu ver Seberg pelos olhos de Solomon, um agente da COINTELPRO que vira protetor de sua presa. Solomon – que é um personagem fictício – fornece um contraponto ao Kowalski racista e sem desculpas de Vaughn (um papel que ele nasceu para interpretar, na verdade) e os outros figurões do Bureau que gostam de brincar com a palavra com N para descrever Jamal e os outros Panteras Negras. A ótica está nublada o bastante, como uma atriz branca e rica de Hollywood terminou como uma vítima trágica da COINTELPRO – quando um filme de estúdio ou minissérie sobre os verdadeiros Panteras Negras ainda está para ser produzido – mas, para que um dos cães de ataque de Hoover sirva como substituto “nobre” da platéia, isso é uma ponte longe demais.”

Xan Brooks (The Guardian)
“Não há dúvidas de que há um drama brilhante e trágico para ser feito sobre a vida de Seberg, que falava sobre os direitos humanos, apoiava os Panteras Negras e foi carregada para a lama pelo FBI de J. Edgar Hoover. Mas enfaticamente não é a biografia de Benedict Andrews, um conto sombrio sobre a história dos Estados Unidos que parece maquiada e suspeita e é filmada com uma luz que você encontra normalmente no estúdio de um fotógrafo ou no shopping. Nos conta que Seberg foi prejudicada e que ela ficava ótima de sutiã – e não necessariamente nessa ordem.”

Fionnuala Halligan (Screen Daily)
“O triste desenrolar da icônica atriz socialmente consciente Jean Seberg nas mãos do FBI de Hoover prova uma história silenciosamente envolvente e uma colaboração visualmente interessante entre o diretor Benedict Andrews (Una) e sua estrela Kristen Stewart. Seberg de alguma maneira consegue fazer uma combinação complicada de política radical, sexo inter-racial e tragédia de Hollywood enquanto estiliza Stewart em Chanel. É um ato de equilíbrio e tanto, mas este é um filme em que a história é forte o suficiente para puxar o carrinho pesado.”

Alonso Duralde (The Wrap)
“Embora Seberg raramente seja tão bom quanto sua atriz principal, o filme lança luz sobre um canto trágico da história americana que não é discutido o suficiente – os cidadãos americanos que tiveram suas vidas destruídas pelo secreto COINTELPRO, programa de contra-inteligência de J. Edgar Hoover, vigilância direcionada a qualquer pessoa que o FBI considerasse “subversiva”, sejam eles manifestantes da Guerra do Vietnã, ativistas negros ou indígenas, até ambientalistas… Stewart nunca tenta personificar completamente Jean Seberg – ela evita as vogais lisas do meio-oeste da falecida atriz – mas em certos pontos do filme e em certos ângulos, ela é uma campainha morta. O que Stewart captura, mais importante, é a faísca nos olhos de Seberg; ela também sabe como apagar essa faísca, o que acrescenta mágoa às cenas posteriores de uma Seberg desesperada e suicida.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil