Kristen concedeu uma pequena entrevista para a revista ELLE Itália que, durante o Festival de Veneza, suas edições estão sendo publicadas diariamente. A atriz falou sobre Seberg e seu futuro como diretora, confira:

O corpo de Jean Seberg foi encontrado no dia 8 de setembro de 1979 na rua Général-Appert em Paris, nu e enrolado em um cobertor, aconchegado no chão de um Renault branco, ao lado de uma garrafa de água e muitos frascos de barbiturato. Suicídio ou não, algumas dúvidas permaneceram. E hoje a deslumbrante e infeliz vida da atriz, um ícone de estilo e rebelião, uma das primeiras estrelas ativistas, é revivida por Kristen Stewart no filme Seberg de Benedict Andrews, fora da competição no Festival e centrado particularmente nos tumultuados anos 70.

As doações de Seberg para vários grupos antagonistas e minorias, e seu relacionamento com os Panteras Negras, a transformou em um alvo especial do FBI, a levando para baixo da ladeira da depressão. Em abril de 1970, a seção especial do programa de contrainteligência sugeriu mandar a informação para a imprensa de fofoca que a atriz não estaria grávida de seu esposo, Roman Gary, mas sim de um dos membros dos Panteras Negras, para diminuir a imagem da estrela na opinião pública.

Um sinal do destino que trouxe de volta a vida para Jean é precisamente Stewart, a antiga beleza de Crepúsculo, que negava o sucesso e a fofoca e escolheu seu caminho sem esconder sua própria sexualidade fluida. Em resumo, uma rebelde.

Stewart dá uma prévia de seu encontro com o ícone perdido para a ELLE Daily.

Você sabia da história de Jean Seberg, a perseguição do FBI?
Não, não fazia ideia, descobri tudo quando abordei o filme. Mas eu conhecia a atriz, ela era uma grande inspiração para mim. Além dos filmes, o que sempre me interessou sobre ela foi a extrema forma de compaixão, a necessidade de ajudar os marginalizados. Uma responsabilidade humana que nunca a abandonou pela qual ela foi demonizada. Para muitos isso era loucura, mas na realidade ela tinha a ideia mais simples e política: para ela, a revolução era estar no lado que está perdendo. No final, todos a traíram.

Os filmes são mencionados em Seberg e é ela que os interpreta.
Pareceu certo começar com a cena da Joana d’Arc queimando no filme Saint Joan de Otto Premingers, sua estreia. O espectador não sabe se é verdade ou uma visão, mas interpreta a caça às bruxas e ela era a vítima.

Foi mais emocionante ou difícil refazer uma das cenas mais icônicas do cinema, o final de Breathless?
Desafiador. Nós trabalhamos nos detalhes, sabíamos que estávamos lidando com um ícone, queríamos delicadeza extrema. E o que o filme conta não é mais a menina da camisa no filme de Godard, mas uma atriz que vê seu momento de graça desaparecer. Tentamos capturá-la em sua sensitividade extrema e energia vital, tudo com um orçamento pequeno.

Essa história que entrelaça o racismo e o papel da mulher ainda parece relevante para você?
Meu Deus, mais do que nunca, mas em particular é importante porque fala sobre a falsa informação: aqueles que estão no controle podem mudar a vida de uma pessoa e isso é o que me assusta. Hoje em dia, tudo se torna mais complicado. Também é um filme que fala muito sobre o meu país hoje.

Depois de seu papel brilhante em Charlie’s Angels, você foi anunciada como diretora de The Cronology of Water, adaptação do livro de Lidia Yuknavitch, uma ex-nadadora que fala sobre gênero e sexualidade. Como estão as coisas?
Filmo ano que vem, ainda tenho que terminar alguns projetos como atriz que me interessam. Já tenho um lindo roteiro, preciso me comprometer com a parte visual, que é a mais difícil e o verdadeiro desafio.

O seu futuro será como atriz ou diretora?
Certamente em um ponto no meio dos dois. No momento só sei que quero me desligar da minha carreira de atriz e estudar seriamente para me tornar uma diretora.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil