Kristen estampa a edição de setembro da revista Vanity Fair, onde falou sobre seu relacionamento com Karl Lagerfeld, seu papel como Jean Seberg e muito mais. Confira as fotos e a entrevista traduzida abaixo:

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Kristen Stewart se joga em um banco, no lado oeste da bacia do reservatório em Silver Lake. Ela fica confortável, tirando o cabelo do seu rosto. Um emaranhado loiro curto que combina com suas sobrancelhas, também loiras. Os dois estão crescendo. Estão da cor de grama morta, ainda se prendendo à memória de seu verde.

Uma outra loira aparece em minha mente, uma que Stewart irá interpretar brevemente: Jean Seberg no thriller político do diretor Benedict Andrews, Seberg. Ele narra o falecimento da atriz causado pelo programa de vigilância COINTELPRO, do FBI, que tinha Seberg como alvo e tentou descreditá-la por seu relacionamento com Hakim Jamal e os Panteras Negras. ”Mesmo que ela tenha passado por coisas circunstancialmente trágicas e muito horríveis, havia algo sobre ela que era energicamente inegável,” diz Stewart. ”Ela era tão mal entendida. Não é como se você precisasse adorar uma celebridade como heroína, são apenas pessoas que você admira. O fato de que as pessoas olhavam para ela e focavam nas coisas que não eram reais, eram projeções, foi o que a destruiu no final.”

Stewart se move como uma atriz de um escritor, falando em Morse gestual. Ela faz sinal com sua testa ou com o cabelo bagunçado, transmite apreensão pela energia armazenada em seus ombros ou pela rigidez de seu queixo. Seus olhos verdes estão procurando – eles estão inchados ao redor – sua entrega sonora é discreta e anotativa.

Ela raramente parece desajeitada em movimento porque seu controle se perde. Seja andando de moto na floresta (Crepúsculo: Lua Nova) ou correndo em um Mustang usando jeans cortado (em um vídeo musical da Rolling Stones). Ela sai em disparada por batidas emocionais, desenhando sua própria arquitetura de impaciência: saindo de um carro antes de parar (Personal Shopper), ouvindo exasperadamente a um de seus pais (Para Sempre Alice), esquecendo de tirar os talheres do guardanapo antes de limpar sua boca (Certas Mulheres), pedindo panquecas de mirtilo (nosso café da manhã).

Em novembro, Stewart estreia no reboot de As Panteras muito, muito loira, em uma peruca platinada da Barbie que esconde seu corte assimétrico. Contando a história de uma engenheira de sistemas que é protegida pelas Panteras, a comédia de ação é dirigida por Elizabeth Banks (que também interpreta Bosley) e também estrela Naomi Scott e Ella Balinska. Stewart interpreta Sabina, herdeira da Park Avenue que se tornou espiã internacional. Ela é uma adorável pateta, uma exibicionista com um coração bobo. Ela tem uma fraqueza por perseguir vilões, é propensa a escapar do perigo e ficar calma sob pressão. Ela está sempre comendo. É uma reviravolta cômica para Stewart. ”Eu não sou assim na vida real. [Banks] colocava frases de efeito nas minhas piadas todos os dias. Eu penso demais sobre as coisas, eu faço tudo ficar longo demais. Ela fica, ‘Cara, só fala mais rápido.’”

”Escrevemos muitas piadas para ela,” diz Banks. ”Nós também improvisamos porque eu tenho esse background, voltado até Mais um Verão Americano – você encontra algo no momento.” Stewart, diz Banks, ”faz tantas piadas nesse filme como qualquer outro ator de comédia.” Banks abordou a escrita para Stewart como se fosse fanfic. ”O que eu quero ver Kristen Stewart fazer em um filme? Tipo, a fã em mim quer ver Kristen Stewart fazer isso. E então eu fazia ela fazer.”

Você não vai encontrar Stewart extrapolando. Ela é como quebra de circuito. Na tela, se ela está comendo um sanduíche, ela está comendo um sanduíche. Se ela está experimentando um vestido, ela não está posando. Ela é a imagem e então o corte. Ela é sutil e realmente legal. As palhaçadas repletas de ação de As Panteras (corrida de cavalos em Istambul, tiroteio, Krav Maga) interceptam a comédia. O filme nunca desacelera, celebrando, como a tradição dessa franquia, o desvio da classificação: um número de dança que se torna um confronto, brinquedos espiões, a cor rosa, Noah Centineo.

Esse As Panteras é como se fosse na mesma era que os últimos – os de 20 anos atrás, estrelando Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu. Isso é uma boa coisa. É extremamente leve e prazerosamente fora do ambiente. Esse tipo de atmosfera que sugere que o elenco – colocando de forma evidente – gostou de trabalhar junto. Eu pergunto para Stewart por que ela acha que o tom de As Panteras é eficaz, apesar do tom inicial do filme. Sua resposta é simples. É um filme sobre ”mulheres à vontade.”

Kristen Jaymes Stewart nasceu em 9 de abril de 1990, em Los Angeles. Ela cresceu em San Fernando Valley, com pais que ela chama de ”loucos” como em incríveis. Seus nomes são John e Jules (”Melhor do que Jewels”), e eles trabalham com filmes. John é assistente de palco e Jules é supervisora de roteiros. Seu irmão, Cameron, é contrarregra. Ela também cresceu com uma família estendida de meninos que ela chama de irmãos. ”Meus pais adotavam,” ela diz. ”Meu melhor amigo teve uma infância precária e se tornou parte da família quando ele tinha 13 anos. O amigo do meu irmão vivia com a gente o tempo todo. A mãe dele era melhor amiga da minha mãe. Nós formamos uma família. Teve sempre essa vibe nós e eles, o que é realmente legal e protetor.”

Ela fala sobre Mickey Moore, mentor de sua mãe. Ele era como um padrinho que trabalhou com Cecil B. DeMille em Os Dez Mandamentos e com John Sturges em Gunfight at the O.K. Corral, e fez vários filmes musicais de Elvis Presley. Moore já era muito velho para participar da vida de Stewart, mas sua herança em Hollywood (um porão inteiro de memorabilia) funciona como o folclore pessoal de Stewart. A produção dos filmes – livre do glamour – corre com ela.

”Eu ficava com meus pais no set quando eu era pequena e perguntava para eles se eu podia começar a fazer teste para as coisas porque eu via outra crianças no set. Eu nem queria ser atriz, só queria estar lá,” ela diz. ”Eu corria da vida acadêmica. Ainda assim, fico muito intrigada por isso. Eu admiro. Eu tenho quase 30 anos e me sinto uma criança. Eu não fui para a escola. Eu tenho uma grande lasca nos meus ombros.”

No entanto, ela admira um set tanto quanto isso. Por telefone, o diretor Olivier Assayas – que se refere à Stewart como sua ”irmã de alma” e que trabalhou com ela em Acima das Nuvens (2014), pelo qual Stewart recebeu um prêmio César (a primeira atriz americana a recebê-lo), e o thriller sobrenatural, Personal Shopper (2016) – menciona sua facilidade no set como uma estrela que senta em uma caixa de maçãs e conversa com a equipe.

”Realmente me impressionou um dia. Eu tive um problema: O filme estava longo demais. Em algum momento eu disse, ‘Por que não simplificamos os créditos? Os créditos tem gente demais e ninguém lê,’” lembra Assayas. ”E no mesmo instante, Kristen ficou com raiva de mim. Ela disse, ‘O que você quer dizer com isso? Significa tudo para esse pessoal. É muito importante para eles. Para você, é um segundinho. Para ele, é vital.’”

Quando Stewart tinha 11 anos, ela estrelou ao lado de Jodie Foster, interpretando sua filha em O Quarto do Pânico de David Fincher. É um papel intenso que testa a estamina do público pelo suspense. Tem sucesso porque Stewart, assim como Foster, desenvolveu cedo um talento para ir com calma na sensação. Alarme, raiva, puro medo: Ela os abrevia.

Mais tarde, Stewart se juntou a Jesse Eisenberg em Férias Frustradas de Verão (com quem ela trabalhou novamente em American Ultra e Café Society), o que a levou a se escolhida para Bella Swan em Crepúsculo, a franquia sobre o romance de vampiros que lançou Stewart para a estratosfera – e para o furacão – da fama. Foi graças à geração de “Twi-hard” que nasceram as redes sociais durante esses cinco filmes, o que fez de um esporte a obsessão de seu relacionamento com o colega de elenco Robert Pattinson, e a vida privada de Stewart se desenvolveu em um espetáculo para tablóides. Esse mesmo interesse fervoroso ainda se desenvolve. Em 2017, Stewart foi apresentadora do Saturday Night Live, e em seu monólogo de abertura, enquanto lembrava das 11 vezes separadas que Donald Trump tweetou sobre ela – todas relacionadas ao seu término com Pattinson – ela diz, ”E Donald, se você não gostava de mim naquela época, você provavelmente não vai gostar agora porque estou apresentando o SNL e sou tipo, muuuuito gay, cara.”

Perguntar sobre a vida amorosa de Stewart – ela está novamente com a ex-namorada, a modelo Stella Maxwell, que estava na sessão de fotos com ela – é fútil. Stewart permanece esperta (e engraçada) sobre proteger sua privacidade. Eu pergunto o que ela procura. Ela responde, ”Eu só namoro pessoas que me complementam.”

O impacto desse período de confinamento de sua vida ainda está diminuindo. Foi quando Stewart começou a trabalhar com diretores independentes como Kelly Reichardt e Assayas que seu trabalho se abriu. ”Me deu uma chance de não pesar as coisas. Era muito maior do que eu. Minha bagagem era minúscula comparada às histórias [de Reichardt e Assayas], como cineastas. Eu finalmente tive a oportunidade de ser observada, não como essa coisa dessa cultura obsessiva de celebridades que era tipo, ‘Oh, essa é a menina de Crepúsculo.’”

Ela sente o impacto dessas confusões, ou ela seguiu em frente? ”Eu acho que eu superei, mas eu ficava muito frustrada porque eu não pulei de livre e espontânea vontade para ser o centro das atenções, o que me fazia parecer uma babaca. Eu não sou rebelde. Não sou de contrária de nenhum modo. Eu só quero que as pessoas gostem de mim.”

No ano que vem, Stewart vai embarcar na adaptação para as telas do livro de Lidia Yuknavitch, A Cronologia da Água. A biografia, uma representação sobre gênero, sexualidade, violência e sobre o corpo, foi tão viralizado quanto um livro pode ser depois de sua publicação em 2011, levando consigo leitores cultos e eventualmente encontrando um jeito de ser recomendado pelas sugestões do Kindle de Stewart. Com esse filme, Stewart fará sua estreia como diretora de um longa metragem, com seu curta, Come Swim, estreando em 2017. Ouví-la falar sobre a primeira vez que leu o livro parece sagrado e doutrinador, como se Stewart tivesse injetado as palavras. ”O jeito que Yuknavitch fala sobre ter um corpo e a vergonha de ter isso. O jeito que ela é realmente suja, embaraçosa, estranha, nojenta, uma menina. Era a história de adolescente que eu ainda não vi. Eu cresci vendo aquelas porras de American Pie, esses caras gozando nas próprias meias como se fosse a coisa mais normal de mundo, e era hilário. Imagina uma menina gozando – é tipo, tão assustador e bizarro. Eu sinto que quando comecei a ler suas obras, ela estava articulando coisas que eu fiquei, ‘Cara, eu não tinha palavras para isso, mas obrigada.’”

Ela escreveu um email para Yuknavitch. Sua conexão foi rápida – as duas pintavam como se fossem predestinadas, como alguma corrente subjacente compartilhada. Stewart desde então escreveu e editou um rascunho. Ela leu em voz alta para Yuknavitch e seu marido, ambos choraram e se abraçaram enquanto Stewart jogava sua cópia esfarrapada do livro pela sala. Ela ficou destruída, aliviada.

”É mais difícil para mim ser atriz enquanto vou ficando mais velha. Estou mais confortável com a ideia de fazer algo do começo ao fim, ao invés de me doar inteira para isso. Alguns atores saem de seu estado mental e transitam por sua presença que eles conseguem convencê-los e convencer outras pessoas de qualquer coisa,” ela diz. ”Eu acho difícil para mim fazer isso conforme vou ficando mais velha.”

O que emburra Stewart também a guia, a provoca para que ela fique desconfortável. A Cronologia da Água acessou o que Yuknavitch chama de ”código nômade” de Stewart. A atriz se mudou para Portland por umas semanas e escrevia, ocasionalmente do lado de fora da casa de Yuknavitch e dormia em uma van Sprinter com sua cadela Cole.

Ela me conta que permite que as coisas ou histórias aconteçam em seu tempo, e para o milagre do instinto dê certo. ”Mesmo que haja um pequeno molusco para ser colhido em um mar de merda, mesmo que tenha uma cena ou uma fala, eu preciso ficar mais próxima disso, eu preciso viver isso. Não há uma equação para me apoiar.”

Ela me fala sobre o tipo de filme que a encanta – que possa funcionar, imagino, como seu compasso para quando ela dirigir seu próprio filme. ”Eu amo filmes que não proclamam que sabem de alguma coisa mas literalmente esparramam por todo o lugar e então, de alguma forma, no final, você percebe que a única razão pela qual eles conseguiram fazer isso foi porque alguém os segurou de forma tão preciosa, nesse andaime. Eu amo Cassavetes. Eu amo todas as coisas que nos fizeram pensar que podemos fazer filmes pequenos sobre coisas que não são cheias de enredo, mas são cheias de alma e exploradoras.” Ela fala de filmes não romanticamente, mas como o formato mais inovador para arrumar o que não está finalizado.

Eu nunca conheci alguém tão sincronizadamente calma e agitada, balançando sua perna repetidamente mas falando em rápidas correntes de pensamento. Ela parece profundamente ligada na natureza colateral de sua intuição. Ela está determinada a fazer a coisa certa. Assayas a chama de “uma atriz de um take só.” E Stewart, refletindo sobre sua própria escrita – o roteiro, sua poesia – se anima ao me dizer que não tem nada mais satisfatório do que entrar a palavra certa para descrever um sentimento. “Eu me lembro de ser pequena e ter muita ansiedade pensando que tinha coisas que você nunca poderia expressar.” Essa tensão em particular a qual ela se apega – de ser aberta para o inexplicável mas ainda assim focada em “arrasar” – é essencial para a potência de Stewart.

“Ela não está se adaptando a nada que a indústria queira ou que um agente em plena consciência pediria para ela. Ela vem se protegendo, e ela tem sido capaz de fazer apenas o que ela acha que é certo.” diz Assayas, descrevendo sua coreografia psicológica em Personal Shopper. “Eu estava assustado com os lugares que ela ia.”

Considerando os elementos assustadores do filme, eu pergunto para Stewart: Você acredita em fantasmas?“Eu falo com eles,” ela responde. “Se eu estou em uma cidade estranha, pequena, fazendo um filme, e eu estou em um apartamento estranho, eu literalmente fico ‘Não, por favor, eu não consigo lidar. Qualquer um, mas não pode ser eu.’ Quem sabe o que fantasmas são, mas tem uma energia que eu sou muito sensível. Não só com fantasmas, mas com pessoas também. Pessoas mancham os quartos o tempo todo.”

Dirigindo seu carro – um Porsche Cayenne preto – Stewart navega por estradas apertadas e xinga motoristas como se ela estivesse jogando um vídeo game. “Jesus, porra. Você está vendo isso?” Eu concordo. “Mas que porra? Isso não é normal.” Ela segura o volante com as duas mãos. “Saia daí.” Sua raiva aparece, mas some rapidamente. Nós conversamos sobre o sotaque francês de Jean Seberg.“O sotaque verdadeiro dela é uma merda, mas ela fala as palavras perfeitamente: ‘Tr-au bee-ehn.’” Nós falamos sobre a vibe de L.A e como as “pessoas são atraídas à isso e então desapontadas por isso.” Nós passamos pela casa de sua primeira namorada e enquanto subimos a rua, Stewart se arrepia.

Stewart não tem medo de bater ou explodir, segundo Yuknavitch. “Se algo der errado no processo, ela acha as partes que sobraram no processo e continua. Ela é uma pessoa que é capaz de se reinventar, todo dia. Eu meio que me esforço para isso em minha própria vida. Quando eu a conheci, eu fiquei ‘Oh meu Deus, aí está em movimento. Aí está em uma pessoa.”

Eu sei sobre o que Yuknavitch está falando. Enquanto estive com Stewart no reservatório, se a calmaria fosse atrapalhar a nossa conversa, eu quase senti – não eu desapontando ela, mas que eu tinha esquecido de colocar dinheiro no metro. Que eu tenha sido negligente. Uma ineficácia geral iria tomar conta e eu olharia em volta, esperando que eu cachorro iria aparecer e visitar nosso banco. “Ao trabalhar com ela e conversa com ela,” diz Yuknavitch, “tinha esses momentos de fogo e energia, e pulso, e quando isso não está acontecendo, então qual é o propósito?”

Stewart está queimando com propósitos, apresentados casualmente. Até mesmo a forma em que ela se veste, sintetizando suas raízes Californianas, com um presente para a beleza relaxada, é ao mesmo tempo determinado e despreocupado. Stewart evita ternos normais; ela dominou os ternos sem uma camisa. Ela usa óculos escuros e cropped no LAX, salto alto e Mugler no Tonight Show, sapatilhas com uma calça de latex preta no tapete vermelho de Cannes. Quando nos encontramos, ela estava usando um jeans rasgado com Chuck Taylors preto e uma camiseta esburacada, com um colar prateado de cadeado. Seu boné é branco, ela o usa de trás pra frente.

Tudo isso ilustra como Stewart tem o potencial de alguém que apareceria em uma premiere, tiraria seu salto alto, e andaria descalça (algo que ela faz.) Como embaixadora da Chanel, seu catálogo de looks acrescenta uma competência improvável ao seu luxo. Ela consegue reformular a contenção da Chanel ao combinar um vestido rosa pálido com uma cabeça raspada. Stewart chegou ao Met Gala desse ano com uma calça de lantejoulas brancas da Chanel, um top preto, e um cabelo ombré laranja, trazendo para nossa mente Katherine Hepburn que de alguma forma se chocou com David Bowie em mundo distante.

“Com Chanel, eu nunca me senti como se estivesse contando uma história que não me parecia ser honesta.” Sobre seu relacionamento com Karl Lagerfeld, que faleceu em fevereiro, Stewart fala ternamente. “É engraçado como ele aparenta ser – tão austero e assustador. Mas ele não era,” ela diz. “Ele era incrivelmente convidativo – insanamente, chocantemente despretensioso. Ele gostava do que ele gostava por que ele gostava. Ele era muito chique, mas era verdadeiro para ele. Era como se ele sentisse que era intimidador, então ele era tipo, ‘Não. Ter um coração criativo é assustador, mas vamos fazê-lo bater mais rápido e com mais força.’ Ele estava sempre tocando em você enquanto falava com você. Ele nunca falava para você – se ele estivesse falando com você, ele geralmente segurava sua mão,” ela diz. “Felizmente ele sabia como deixar uma marca. Há apenas um sentimento que ele me deu, um tipo de incentivo que molda você de maneiras realmente profundas.”

Stewart não é uma boa nadadora. “Eu não quero entrar na água, nunca,” diz ela. “Se todo mundo está indo para o oceano, eu fico tipo: Não.” Ela puxa as mãos até o peito e as dobra como patas. “Quando estou na água, eu nado como cachorro.” Eu perguntei para Yuknavitch, cuja vida como nadadora é fundamental para seu livro de memórias e suas metáforas, se ela e Stewart planejam nadar juntas. “Chegamos bem perto,” Yuknavitch me diz. “É um pouco assustador para Kristen, mas quando ela fala sobre isso, ela fica com uma expressão em seus olhos. Então nós meio que temos essa data prolongada como destino. Não é grande coisa, você entra na piscina com alguém e se agita um pouco, mas por causa desse sentimento que eu tenho, que o cosmos enviou essa criatura para mim que iria mudar minha vida, parece uma espécie de batismo secular.”

Há algo vulnerável e completamente sensível sobre o relacionamento inquietante de Stewart com a água. Ela é, no final, tipicamente californiana – inclinada, imagina-se, a pegar uma onda. E ainda, nada como um cachorrinho. É um golpe simples e silencioso. É o que aprendemos primeiro e, estranhamente, combina com Stewart. Um chute limpo, olhos acima da água e vá embora.

Via | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil