Kristen esteve em Seul, na Coréia do Sul, recentemente para assistir a reapresentação do desfile da Chanel na cidade e também fotografou para a capa da Vogue Coréia. As fotos vocês conferem na nossa galeria e a entrevista abaixo:

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PS: Notem que a entrevista foi feita originalmente em inglês, traduzida para coreano, e então traduzida novamente para inglês e português. Algumas frases podem ter se perdido no processo, mas serão corrigidas assim que uma tradução mais precisa em inglês for feita.

Eu assisti ao desfile da Chanel para a coleção Paris-New York em Seongsu-dong. O que te impressionou?
Foi uma grande honra ver o último show de Karl Lagerfeld. Eu me apaixonei mesmo tendo visto online antes. Eu até experimentei algumas roupas, mas eu pude sentir como o tempo era relativo no desfile. Foi um pouco confortante. Se você sente saudade de alguém, você tenta recapturar seu legado e seu passado através das pessoas. Você deve saber que o tempo é sempre relativo e continua passando quando alguém vai embora. Tudo parecia estar se movendo ao mesmo tempo. Foi divertido descobrir o antigo Egito novamente nos tempos modernos, virar de ponta cabeça e reescrever hieróglifos. Houve significado porque foi a última coleção do Karl. Foi muito legal. Foi o melhor momento com a Chanel.

Chanel é a grife mais liberal para mulheres desde o século 20. Você é embaixadora da Chanel desde 2013, e eu amo seu espírito com a marca.
Nem todo mundo me vê como um museu para grifes de luxo. Eu nunca sonhei com essa situação quando era pequena. Francamente, antes de começar a trabalhar com o mundo da moda, achava a moda superficial. Mas nunca senti o peso ao trabalhar com Karl e Virginie ou ter que fingir que estou vendendo algo ou sendo uma outra pessoa. Quando eu trabalho com um artista da Chanel ou quando interajo com a Chanel, fico muito feliz e chocada ao descobrir algo novo em mim assim como quando gravo um filme. Projetos de improvisação autênticos e legais para mim são sagrados. Para mim, arte é uma religião e eu acho que a arte pode nos salvar. Eu amo ir mais além, e acho incrível e uma benção trabalhar com pessoas tão boas. Outra razão pela qual Chanel mantém as coisas preciosas através do seu método de trabalho.

Na segunda metade do ano estreia As Panteras. Em 2000, Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu estrelaram a versão original do filme. As Panteras era um filme representando as mulheres como personagens principais naquela época. É também um trabalho precioso que destacava mulheres independentes e capazes. Você tem alguma memória dos filmes?
Eu nunca vi a série de televisão, mas eu realmente gostava dos filmes originais. Os dois saíram quando eu era criança. A razão pela qual os filmes são tão emocionantes é que você pode ver mulheres trabalhando juntas. Eu me sinto melhor vendo isso. Parece difícil expressar em palavras o grande trabalho que podemos fazer juntas. Mulheres não são fisicamente fortes, mas tudo bem. Isso é porque existem muitos outros tipos de força. Mulheres podem fazer qualquer coisa juntas. Eu não quero generalizar muito porque existem homens legais, mas eu acho que uma força suave é mais atraente do que força física. Eu só tenho irmãos, mas eles me apoiam. É claro, meus irmãos irão lutar para me proteger, mas eu acho que eu tomo conta deles também. A mensagem do filme é muito legal. As personagens principais não são super heroínas e nem tentam parecer com homens. Se você você assiste muitos filmes de ação, você pode mudar o personagem do Bob para a Sue, e mostramos o poder que só as mulheres possuem. Outra razão pela qual As Panteras é um filme legal é que as três principais não são as únicas mulheres fortes. Mulheres de todo o mundo estão conectadas em uma rede para ajudar uma a outra a lutar contra o mal. É um filme muito divertido e caloroso. Enquanto eu estava filmando, eu achava as outras meninas legais, mas fiquei muito mais orgulhosa do filme completo. Você não quer ser amiga das três quando assiste? Quando eu terminei o filme, eu queria ser amiga das outras duas personagens. Se você assistir o filme, vai sentir que nós três somos muito próximas. As meninas irão pensar que podem fazer tudo juntas! É o sentimento que eu tenho quando estou com a minha melhor amiga. Eu precisava dessa mensagem antigamente, mas eu acho que veio em uma boa época.

Seus personagens refletem seus valores nos seus filmes recentes. Eu lembro de personagens com força interna. Qual seu preferido?
É sempre uma pergunta difícil. Eu estou em cada personagem. Eu não consigo me afastar de corpo e alma. Atores superiores agem com empatia mesmo quando interpretam um personagem muito diferente deles mesmo. Mesmo que você não entenda os motivos do personagem. Fazendo isso, os atores e os personagens se aproximam. Mesmo que seja um personagem completamente incompreensível, estamos todos conectados e fundamentalmente não existe uma pessoa ruim. Todos querem ter uma vida boa. Os personagens que me atraem sempre estão procurando por respostas. Na verdade, eu posso ter demonstrado um lado mais forte porque eu queria proteger o personagem que eu escolhi. Os personagens que eu interpretei possuem muitos problemas. Eram fracos e assustados, mas passaram por alguma situação que os fizeram parecer fortes. Eu tenho que gostar do trabalho. Todo mundo quer fazer um filme. Eles copiam um ao outro, mas às vezes são ridículos. Alguns roteiros são como comerciais. Então, algumas vezes eu leio um roteiro que eu preciso tornar em filme. Mesmo que eu não tenha um personagem para interpretar, existe um roteiro que eu acho que precisa ser filmado custe o que custar. Encontrar um trabalho não é difícil, mas nem sempre funciona porque você consegue ver o que é real e o que não é.

Em que posição você está como atriz?
Eu não me controlo quando estou atuando. Talvez eu esteja muito imersa em me encontrar. O que eu aprendi com a atuação é que eu realmente quero dirigir. Se eu não quisesse controlar a situação quando estou atuando, não saberia que iria querer me tornar diretora. Eu não quero ser uma treinadora porque não sou narcisista. Eu acredito que eu gostaria de liderar os atores e equipe em uma jornada juntos. Será uma meditação dos motivos pelos quais estamos na Terra. A diferença entre atuar e dirigir é o controle. É claro que eu gosto dos dois. É bom trocar forças e ficar completamente imerso. Eu não sei o quão longe cheguei como atriz, mas acho que posso ir para trás das câmeras e virar uma diretora. É claro, eu tive boas experiências enquanto atuava. É estranho fingir ser outra pessoa, mas também existe um ditado que para você entender outras pessoas, você deve se colocar no lugar delas. A atuação esteve em mim por bastante tempo. O que eu aprendi atuando é que tudo bem ficar com alguma coisa. Se eu leio um livro e foi bom, eu quero ler de novo, emprestar pro meu amigo, e falar sobre o livro. Então eu quero usar suas roupas e falar como se eu fosse a personagem principal do livro. Um filme é a sequência mais generosa que pode combinar literatura e ideias de qualquer assunto. Fazer filmes é como ir para a escola. Eu não sei o que eu estaria fazendo se não fosse isso. Eu tenho muita sorte.

Você dirigiu o curta Come Swim e irá dirigir o filme The Chronology of Water. Como diretora, como você é diferente da atriz?
Os resultados não são diferentes, mas o caminho sim. Atores e diretores não são diferentes. Os melhores diretores já fizeram esse caminho e passaram para mim. Não há uma grande diferença. Eu posso fazer novas descobertas, eu quero ser atriz e diretora porque eu quero novas descobertas. Eu não quero empacotar nenhuma lição ou ideia. O que eu sei mais do que os outros? A vida de um ator é um processo e coleção de dados. Você pode viver sem a introspecção, sem pensar muito, mas eu quero trabalhar pensar. As Panteras é um filme divertido de entretenimento, não tem um conteúdo profundo, mas possui forte afeição e fé. Eu quero ajudar outras pessoas a terem a mesma experiência que eu tive. O trabalho pode te levar a inércia e estagnação. Se eu me tornar diretora, eu serei uma atriz melhor. Se eu continuar a fazer a mesma coisa, eu vou bater em uma parede, sacudir a poeira e começar de um novo ângulo. Em outras palavras, diretores e atores ajudam um ao outro.

Como você decidiu dirigir The Chronology of Water?
Quando eu gosto de um livro, parece que é a minha história. Não posso ter a mesma experiência como criadora da arte, mas quando projetada, se torna minha. A autobiografia de Lydia Yuknavich, The Chronoly of Water, é um livro que contém tudo o que eu quero dizer. Os sentimentos que eu sentia foram preenchidos com palavras que eu podia expressar e pareceram aprender uma nova linguagem. Levamos dois anos para adaptar do jeito que escrevemos. Pessoas diferentes possuem jeitos diferentes de experienciar algo. Não há nenhuma resposta ou não há um nível em qual os livros são adaptados. Eu amei tanto essa obra que eu queria desenhar do jeito que era. Enquanto li o livro e o roteiro com Lydia, ela falava constantemente sobre os motivos que isso deveria ir aqui e alí. Nós fazemos isso pelo resultado multiplicado do trabalho. Na vida, as coisas acontecem de repente em uma cadeia de encontros. Graças a um projeto, outro projeto nasce. É muito emocionante. Eu vejo desse jeito. Se você passa isso para um ator, o ator irá atuar com seus próprios olhos. O diretor do filme interpreta com seus próprios olhos. Essa multiplicação de visões estreita a distância entre nós e nos salva um pouco da solidão.

Ainda estão falando de quando você tirou os saltos no tapete vermelho de Cannes ano passado. Você também marchou em silêncio para deixar as pessoas cientes que o número de produtoras e diretoras era significantemente baixo. Quais problemas você não se importa de se expressar? Como você quer usar sua influência como atriz?
Eu quero trabalhar muito. Eu respeito e apoio completamente meus colegas e mentores que geralmente são amigos da mesma idade e mentores respeitados. Eu acho que eu posso falar através do meu trabalho. Até agora, eu tenho tido sorte o bastante para falar o que eu quiser através do meu trabalho. Então eu vou continuar a trabalhar muito. Minhas crenças continuarão a serem vistas em meu trabalho.

Toda vez que você se expressa, parece que não é só sobre você, então eu me senti encorajada. O que você acha que é a coisa mais importante para manter sua fé?
Eu agora vivo uma vida livre que nem todo mundo pode gostar. Tenho pessoas ao meu redor com pensamentos similares, pessoas desafiadoras e boas. Essa liberdade foi conquistada por nada, mas sob quaisquer circunstâncias eu fiz o melhor que pude e nunca pensei que tivesse me traído. É claro que já errei. Erros pessoais, relacionados ao trabalho e ao fazer escolhas erradas. Na verdade, não há diferença entre público e privado. Para mim, o trabalho é algo muito pessoal. Eu costumo acreditar no meu coração e sou muito grata por ter liberdade de escolha.

Você pode compartilhar sua inspiração mais recente?
Eu troquei mensagens de texto com meu melhor amigo um tempo atrás. Ele me mandou algo que ouviu na noite passada. Eu não quero dar significados demais, mas é uma frase simples que me conforta. ”Tudo é nada.” A vida depende de mim e eu posso escrever minha história. Meu corpo é uma história e é minha, então eu posso fazê-la. O importante é que se você segurar uma caneta quando me encontrar, você pode escrever qualquer coisa sobre mim que irá se tornar um espelho que irá me refletir.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil