Para o especial de 10 anos de Crepúsculo, trazemos hoje uma matéria feita pela Billboard sobre a trilha sonora do filme, que é tão amada pelos fãs. Em uma entrevista com as mulheres (!) por trás da organização das músicas, saiba mais como tudo foi feito:

4 de novembro de 2008: Barack Obama se torna o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. E, se você é uma adolescente, algo também emocionante acontece: a primeira trilha sonora de Crepúsculo chega às lojas.

Foi um evento que levou muitas fãs jovens – o tipo de fãs que seriam as primeiras na fila para as sessões de meia noite e eventos no shopping – correndo para a Hot Topic mais próxima. Mas a trilha sonora também alcançou os Twihards de todas as idades, e até aqueles que eram indiferentes quanto a franquia, não importa onde estavam.

Graças a contribuições de Linkin Park, Muse, e o próprio Robert Pattinson, a trilha sonora de Crepúsculo estreou em primeiro lugar na Billboard 200, e passou 20 semanas no Top 10. Ela também cimentou Crepúsculo como uma força influenciadora, pavimentando o caminho para não apenas mais quatro trilha sonoras da saga repleta de material original, mas também futuros blockbusters como Jogos Vorazes, que também usaram artistas aclamados similares para ir além do público adolescente.

Uma década após a família Cullen jogar baseball ao som de Supermassive Black Hole do Muse e Bella e Edward dançaram com Flightless Bird, American Mouth do Iron & Wine, a Billboard recorda a trilha sonora – e os artistas cujas carreiras mudaram – com a ajuda de quem fez isso acontecer.

”TUDO FOI ORQUESTRADO POR VÁRIAS MULHERES”

Alexandra Patsavas, supervisora musical e produtora: Na época, eu tinha feito alguns filmes, mas a maioria do meu trabalho era na televisão. Eu lembro de ler o roteiro e ser contratada para o projeto após a entrevista com a diretora Catherine Hardwicke e Summit Entertainment, e então mergulhar nos livros. Nem todos tinham sido publicados naquela época, então eu lembro de ir o mais rápido que pude.

Livia Tortella, antiga executiva vice presidente/diretora geral da Atlantic Records: Alex estava falando conosco [na Atlantic], porque éramos parceiros com sua marca, a Chop Shop Records, falando comigo, ”Eu estou viciada nesses livros, e estou falando com a Summit.” E eu fiquei, ”Meu Deus, eu também amo esses livros!” Sendo uma ex-gótica, você sabe, poder fazer Crepúsculo aos 40? [Risos] Foi insano! Você nunca perde certas coisas na sua vida. Eu fiquei tipo, ”Okay, temos que fazer isso, temos que fazer isso.”

Nancy Kirkpatrick, antiga presidente de marketing mundial na Summit Entertainment: Eu sempre olho para os diferentes jeitos que você pode tocar o público. E quando você está falando sobre jovens mulheres, que era o nosso público alvo, a música que elas escutam é realmente importante. Então, para mim, a trilha sonora tinha que ser não apenas uma extensão do filme, mas precisava criar uma extensão do marketing e do público.

Tortella: Eu não conheci só uma produtora do filme [Gillian Bohrer, mas eu também conheci a presidente de marketing [Nancy] e a supervisora musical [Alex] com meses de antecedência! Então isso faz com que você identifique quais seriam as experiências musicais certas. Tudo foi orquestrado por várias mulheres que eram muito apaixonadas por isso e queriam fazer do jeito certo.

Patsavas: Foi muito interessante mergulhar nos personagens de Stephenie, e o Noroeste Pacífico tinha uma sensação tão exuberante. Durante toda a saga, a paisagem sonora foi muito importante: É assombrosa e um pouco sobrenatural, algumas vezes bruta, algumas vezes suave. Foi realmente tudo sobre o sentimento da música.

Kirkpatrick: Para mim, como uma verdadeira fã, estar no comando de muitas dessas coisas foi super divertido, porque tipo, o que mais eu iria querer?

”A MÚSICA SERIA USADA COMO UM PERSONAGEM”

Tortella: Eu acho que foi muito importante para a Alex representar a visão da Stephenie na música, então tinha bastante Muse, Radiohead, Linkin Park – tudo que Stephenie Meyer amava estava lá.

Patsavas: O processo de limpeza foi incrivelmente específico, então os artistas receberam a descrição de uma cena e um tempo exato, e eles certamente ficam cientes quando dão permissão de exatamente como essa música será usada. O jeito mais fácil de entrar em contato com as bandas foi criar um ambiente onde era de artista para artista. Catherine conseguiu falar com essas bandas, e nós conseguimos mandar as cenas e explicar como a música seria usada como um personagem. Muse era enorme, e foi emocionante conseguir aquela faixa.

Kirkpatrick: Alex mandava para nós essas fitas com, digamos, 30 bandas. Ela estava preparando para Catherine, mas eu podia escutar caso eu ficasse fortemente a favor ou contra algo, tipo, ”Meu Deus, eu poderia fazer o trailer mais incrível com isso, por favor, faça funcionar no filme.”

Patsavas: A faixa do Iron & Wine, Flightless Bird, American Mouth foi um momento icônico no filme.

Sam Ervin Beam, Iron & Wine: A maneira que a música foi escolhida para o filme foi um golpe de sorte. A história que eu ouvi era que eles estavam filmando a cena da formatura, e eu acho que a música que estavam usando não estava funcionando, mas por algum motivo, Kristen Stewart estava ouvindo essa música, e ela sugeriu que eles tocassem no auto-falante para testarem o ritmo. Foi só uma coisa onde eles ouviram tantas vezes naquela cena, que eles não conseguiam imaginar em outro lugar. [Risos]

Patsavas: Kristen sabia o que seria melhor para evocar o sentimento dessa cena. Eu acho que ela apareceu com essa possibilidade antes do filme ser filmado. Não tenho certeza sobre isso, mas na época da pós-produção, essa música já estava no corte.

Kirkpatrick: Flightless Bird era minha música favorita de Crepúsculo.

Beam: Até hoje, as pessoas ainda pedem essa música nos nossos shows. Esse é o maior e mais louco aperto de mão que eu fiz com o público, andar nas costas de um filme gigante.

”PARAMORE ERA COMO UMA VOZ PARA O LEITOR”

Kirkpatrick: Todas as bandas eram incrivelmente legais. Eu era mais legal do que meus filhos por alguns anos porque Alex Patsavas me fazia ouvir músicas incríveis. Alex foi muito fiel ao tom de tudo o que tinha a ver com Crepúsculo. Foi uma colaboração incrível, desde a escolha do primeiro single, que era Decode do Paramore.

Patsavas: Eu lembro das primeiras conversas com Hayley Williams antes dela assistir ao filme.

Tortella: Paramore estava começando naquela época. A Atlantic estava começando a apresentá-los, e eu estava falando com a Hayley quando ela veio ao escritório em algum momento. Eu tinha uma pilha dos livros, porque eu estava basicamente dando eles para qualquer um que entrasse no meu escritório como uma louca. Eu fiquei, ”Hayley, você precisa ler isso. E ela começou a ler naquele dia e a tweetar sobre ele imediatamente.

Patsavas: Hayley veio até o estúdio de corte. Mostramos o filme para ela e para a banda e ela foi para casa e escreveu as músicas [Decode e I Caught Myself]. Essa primeira experiência formou como lidamos com o processo, tendo certeza de que os artistas estavam realmente escrevendo para uma cena ou para o espírito do filme. Durante o percurso dos outros filmes, tínhamos muitos, muitos artistas no estúdio.

Tortella: Paramore foi escolhido porque era o epicentro – a chave demográfica que seria ligada ao filme. Paramore era quase como uma voz para os leitores desse livro, também, porque nós vimos uma reação imediata. Eles estavam surtando. Eles não foram quebrados por nenhuma estratégia. Essa música, aquele filme, isso tudo apenas os deixou animados.

Kirkpatrick: Hayley primeiramente entrou no meu escritório com a mãe dela. Ela era uma garota com um violão. E na época que o filme saiu, você sabe, ela era o Paramore.

”TINHAM, TIPO, 70,000 PESSOAS”

Tortella: Eu disse, ”Sabe, eu queria fazer diferentes capas para o álbum – Bella, Edward – e o foco em uma imagem.” E todo mundo ficou, ”Huh, o que? Você quer fazer uma cópia física? E quer fazer três versões? Eu disse, ”Isso vai ser um item colecionável, e eu prometo, as pessoas vão colecionar.” Eu queria que as pessoas se sentissem parte do fenômeno quando entrassem na Hot Topic, que era um parceiro chave para Crepúsculo.

Kirkpatrick: A parceria com a Hot Topic foi perfeita. Falou tão bem com essa propriedade. Eles faziam esses eventos nos shoppings, acho que algumas bandas até tocavam em alguns. No primeiro evento em um subúrbio de São Francisco, eles tiveram que fechar o shopping porque havia muita gente.

Patsavas: Você podia sentir a presença do filme antes de estrear. Eu fui em alguns eventos de fãs em Los Angeles. Era palpável, a animação pelo filme.

Kirkpatrick: O próximo evento de fãs foi em Dallas, e eu liguei para o representante e disse, ”Isso está fora de controle, precisamos falar disso com sua segurança e a polícia local.” Então, eu liguei para o policial local, e ele disse, ”Não, não, fazemos eventos no shopping o tempo todo,” e eu fiquei, ”Você não faz ideia do que estou falando.” E tinha, tipo, 70,000 pessoas lá. Foi loucura.

Tortella: A trilha sonora de Crepúsculo entrou em #1 na Billboard 200, e muitas pessoas ficaram, ”Caramba! E isso foi antes do filme estrear. Os livros eram muito populares, e eu sempre soube que se fizéssemos do jeito certo e com a música em sincronia, abriria portas para a saga. Eu sabia que ia ser bom.

Kirkpatrick: Nós não sabíamos que seria #1, mas sabíamos que seria uma ótima trilha sonora. Quero dizer, essas músicas são boas! Mesmo se não tivesse nada a ver com Crepúsculo, se fosse uma compilação para algo, ainda teria um bom desempenho.

Tortella: A primeira compilação lançou as bases para Alex colocar material exclusivo em cada uma das trilhas sonoras. Então desse ponto em diantes, quando eu estava falando com Lykke Li para o segundo, já havia um histórico. Alex preparou o palco para os volumes dois, três e quatro serem com materiais exclusivos.

Patsavas: Eu lembro do Bruno Mars assistindo ao primeiro filme. Lembro de receber uma confirmação de que Tom Yorke iria contribuir para Lua Nova. Lembro de ouvir o dueto de Bon Iver e St. Vincent para Lua Nova, e que foi ideia dela ser um dueto. Isso é o que eu lembro, assistir ao diretor colocar essas músicas artisticamente em certos pontos do filme para destacar o drama.

Beam: Mais tarde, Bill Condon, o diretor de Amanhecer – Parte II, me pediu para refazer Flightless Bird, então nós gravamos uma nova versão rapidamente, foi muito divertido. É uma dessas coisas onde, como artista, você coloca o seu trabalho no mundo, e algumas vezes encontra cantos e recantos que você nunca imaginava encontrar. Crepúsculo era apenas um gigante trem incontrolável.

”O CASAMENTO ENTRE A MÚSICA E JOVENS ADULTOS É UMA CONEXÃO TÃO PODEROSA”

Tortella: Dez anos me faz sentir velha. É uma dessas coisas que parece que foi ontem – teve um impacto tão grande.

Patsavas: Foi uma época maravilhosa. Um pouco incomum – eu tinha passado por um corte de TV, e Crepúsculo era a minha vida. Foi uma jornada maravilhosa, é difícil acreditar que faz 10 anos. Parece que acabou de acontecer.

Kirkpatrick: Eu estive na indústria do entretenimento por um bom tempo, mas a trilha sonora de Crepúsculo é de longe a coisa mais legal que eu já pude trabalhar. Era tão especial, porque era uma franquia movida por mulheres, e provou que uma franquia gigante podia ser movida por mulheres. Isso foi emocionante.

Tortella: Crepúsculo lançou um novo fenômeno na cultura jovem adulta. Começou uma nova tendência, o que é muito emocionante. O casamento entre a música e os jovens adultos é uma conexão poderosa. Quando eu estava lendo o livro, eu soube o que era me sentir naquela idade novamente. Apenas lendo o livro, e eu acho que a música pop faz isso muito bem, coloca você em uma posição onde você é jovem de novo e está experimentando todas essas coisas pela primeira vez e com muita intensidade. Isso é o que eu acho tão bonito.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil