A nova edição da Vogue Paris conta com Karl Lagerfeld como editor chefe e sua musa não poderia ficar de fora! Kristen foi fotografada por ele no clássico Hotel Ritz, em Paris, e podemos ver o resultado em um lindo e colorido editorial. A entrevista conta com a atriz ao lado do diretor de Personal Shopper, Olivier Assayas, falando sobre fantasmas, suas famílias e claro, Karl Lagerfeld. Confira:

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Anne Berest: Em Personal Shopper, a personagem de Kristen está em Paris, uma vez que aguarda um “sinal” de seu irmão, que morreu naquela cidade. E você, você acredita em sinais?

Kristen Stewart: Sim, eu acredito em sinais… Por exemplo, quando eu tenho que fazer uma escolha, eu geralmente confio no jogo de detectar um sinal ao meu redor, um sinal que me dará algum tipo de resposta, ou pelo menos uma indicação do que fazer. Quando eu ando na rua ou estou dirigindo, eu sou atenciosa com o que está ao meu redor, onde estão os meus olhos, para poder ler um sinal. Isso é um jogo que eu faço frequentemente, mas cuidado, é apenas um jogo. Eu não sou completamente supersticiosa! E certamente esses sinais são, evidentemente, uma manifestação dos meus desejos inconscientes.

Olivier Assayas: Sim, eu me reconheço nessa contradição. Eu acredito em sinais, eu sou extremamente supersticioso. Ao mesmo tempo, bastante concomitante, eu acho que nós escolhemos, entre todos os sinais possíveis, aquele que corresponde a resposta que você espera.

KS: Definitivamente. No final, a interpretação do sinal é o eco, a tradução da sua própria interpretação. Eu acredito em fantasmas e espíritos. E além disso, não se trata de crença, e sim de observação… Eu noto que eles existem ao nosso redor. Você não?

OA: Eu acredito em fantasmas, mas eu não acho que é o mesmo que você! Eu acredito na medida em que estamos constantemente tendo conversas com ausentes: quem amamos e perdemos. Agora, essas conversas que temos, os tornam muito presentes – elas apagam sua ausência. E então nós podemos falar sobre fantasmas nesse diálogo como fruto da nossa imaginação. Nesse sentido, sim, eu acredito que estamos cercados, acompanhados por presenças.

KS: Eu diria que sou sensível a “energias” – o que quer que se entenda por essa palavra. Mas eu não acredito em fantasmas em sua definição clássica. No entanto, eu diria que sinto coisas que não são concretas, de ordem espiritual. Basicamente, o que é importante não é se fantasmas existem ou não, mas o que você faz com a memória de pessoas ausentes. O que Olivier disse, é a sua mente que os faz “realmente” existir.

AB: Basicamente, você diz como Gabrielle Chanel que “os mortos não estão mortos enquanto você pensa neles.”

OA: Absolutamente, eu tenho conversas diárias com meus amigos falecidos, eu penso neles quase todos os dias, assim como meus pais, que muitas vezes sinto comigo, ao meu lado. Eu me lembro, logo após a morte de minha mãe, eu tive um sonho muito perturbador…

AB: Ah, veja só! Fantasmas falam conosco em nossos sonhos, você sabe!

OA: (Risos) Digamos que sim, essa é a minha crença em fantasmas… Quando eu estava escrevendo, eu me inspirei em uma amiga que vive em São Francisco e é uma médium. Seu trabalho é se comunicar com espíritos.

KS: Oh! Você nunca me contou isso!

OA: Por exemplo, ela visita casas para dizer aos compradores se elas estão “habitadas” ou não. Ela checa se as casas não são assombradas.

AB: Se vocês fossem morrer amanhã, quem vocês gostariam de assombrar?

KS: Minha mãe… Meu amigos? Meus amigos mais próximos! Mas eu não ia querer assustá-los. Na verdade, eu não tenho certeza se iria querer assombrar alguém (risos).

OA: Provavelmente minha filha. Mas ao mesmo tempo, eu seria cuidadoso para não assustá-la com a minha presença. Eu ficaria nas pontas dos pés.

KS: Sim! Se for para assustar as pessoas que amamos quando formos embora, não vale a pena! (Risos)

AB: Olivier, por que escolheu Kristen para incorporar uma personagem relacionada a fenômenos sobrenaturais?

OA: Eu não posso falar por outros cineastas, mas para mim, Kristen é uma pessoa tão centrada, tão “concreta”, que ela consegue fazer coisas irreais se tornarem reais. Com ela, o estranho e o invisível se torna algo simples e natural. Isso me impressiona muito. É um verdadeiro dom. Quando estávamos filmando ‘Sils Maria’, eu já tinha feito essa reflexão. Eu escrevi diálogos bastante abstratos sobre os paradoxos do ator, e eu me perguntei como ela iria se libertar. Mas assim que estava em sua boca, milagrosamente, as palavras se tornaram muito claras. Ela me permite me aventurar em territórios sobrenaturais, porque ela sempre os trará de volta para a realidade, para o concreto, o espectador a segue, ele quer “acreditar” nisso. Novamente, é um dom.

AB: Kristen, como você trabalha nas cenas que tem a ver com o invisível?

KS: Eu conversei muito com Olivier, tivemos longas conversas, particularmente sobre medo. Em algumas cenas eu tive que lidar com emoções que iam além do medo. A pergunta que fizemos era: o que cria o medo? O que podemos imaginar que pode verdadeiramente nos assustar? Nós refletimos em nossos piores pensamentos, nas maiores atrocidades, nas imagens mais medonhas e horríveis que era possível! De repente, Olivier disse para mim: “Pássaros.” Eu não tinha certeza se tinha ouvido corretamente, então perguntei: “Você disse a palavra pássaros?” E então ele me respondeu: “Sim, pássaros é o que mais me assusta em todo o mundo.” (Risos) Perdão Olivier, espero não ter sido indiscreta!

OA: (Risos) Não, não, é verdade, é um fato!

AB: Se vocês tivessem a oportunidade de conhecer um fantasma, por exemplo, um membro da família que vocês não conheceram, quem vocês escolheriam?

OA: Talvez meu avô… Um pintor bem conhecido da Hungria, do estilo pós impressionista. Ele era pai da minha mãe e morreu muito antes de eu nascer.

KS: Minha mãe foi adotada por pessoas extraordinárias que eu considero meus avós. Eu os amo e agradeço por tudo o que eles fizeram por nós. Mas… Eu tenho curiosidade em conhecer meus avós biológicos. Seria interessante, porque minha mãe é uma artista. Eu posso te garantir que, como ser humano, ela realmente me fascina e não só porque é minha mãe! Então eu tenho curiosidade de saber da onde isso vem.

AB: Olivier, sua mãe também era artista em seu próprio jeito, eu acho…

OA: Minha mãe era estilista. Principalmente na Hermès, ela criava as coleções ‘ready-to-wear’. E ela inventou a fivela H nos cintos. E muitas outras coisas, bolsas, vestidos, jóias…

KS: Eu descubro coisas sobre você que não sabia!

OA: Quando eu era criança, ela tinha sua própria grife, as saias de Catherine de Karolyi… Ela tinha seu estúdio nos fundos do nosso apartamento, onde as costureiras trabalhavam, cortando, costurando… Havia sempre agulhas caindo entre as ripas do piso. Ela me dava um ímã para pegar de volta. Eu amava fazer isso. Minha mãe estava sempre desenhando, meus irmão e eu tínhamos que chamá-la o tempo todo. Isso certamente me marcou.

AB: Como Karl Lagerfeld… Kristen, o que você sabe sobre ele que as pessoas não sabem?

KS: Ele é alguém que pode parecer distante para o público, porque ele está sempre usando óculos escuros e tem uma postura retida. Mas na verdade, ele é um homem extremamente atento às pessoas ao seu redor. Ele se preocupa se todos em seu trabalho estão sendo produtivos e felizes. Ele é um homem muito exigente com si mesmo, com os outros, ele quer que todos aprendam, que sejamos alimentados com tudo, que sejamos curiosos e inspirados pelo o que está acontecendo no mundo. Ele tem uma energia ótima, muito mais energia do que a maioria das pessoas da minha idade! Ele é realmente muito legal e eu garanto que todas as pessoas que trabalham para ele o amam imensamente.

AB: E com isso concluímos a entrevista, porque Kristen se juntou a ele para uma sessão de fotos. A jovem atriz é embaixadora da Chanel, além da casa também ter acompanhado o filme, continuando a longa tradição de apoiar os artistas.