Kristen conversou com o  Metro US sobre seu novo filme, Certain Women, da diretora Kelly Reichardt. A atriz contou um pouco sobre sua personagem e também compartilhou um pouco sobre as gravações. Confira a entrevista abaixo:

Kristen Stewart sabia que tinha que trabalhar com Kelly Reichardt. A diretora de “Wendy and Lucy”, fez “Night Moves” estrelando Dakota Fanning e Jesse Eisenberg, dois amigos da atriz. “Os dois ficaram tipo, ‘Faça qualquer coisa com ela!’” ela relembra. Então nós temos Certain Women, que conta a história de três mulheres: Laura Dern interpreta uma advogada que se envolve em uma situação com reféns; Michelle Williams aparece no segundo ato como uma mulher lutando para manter seu casamento. Stewart – a rainha dos filmes independente, como comentamos aqui – aparece no terceiro ato, interpretando uma professora noturna que atrai a atenção de uma mulher solitária (Lily Gladstone). É um filme triste. E Stewart, 26, o ama dessa forma.

Nós poderíamos passar a entrevista toda falando sobre Kelly Reichardt.

Eu a amo pra caralho. Eu tenho sorte de conhecê-la, e eu posso te dizer que seus filmes realmente a refletem. Você assiste um e é um pouco dela. Isso é meio raro. E ela não está copiando ninguém. Ela é capaz de criar esse ambiente que foca nos momentos que acontecem entre os momentos que as pessoas mais focam nos filmes. Tem algo irônico em seus filmes. Eu não acho que você ri, mas você pensa: “Isso é engraçado. Isso é realmente engraçado.” Isso descreve seus filmes para mim.

Eles têm essa qualidade estranha, onde eles são ambos naturalistas e incoerentes . As vezes eles são penas um espaço com musica ambiente.

A maioria das pessoas não fazem filmes que não estão realmente tentando te fazer sentir algo. No caso dela, é criado um senso de meditação, o que é raro. Eu assisto a seus filmes e eu não penso sobre até o final. E eles são lentos. Eles são quietos demais. Há uma série de espaços não preenchidos que te levam para uma espiral de pensamentos. É isso que me absorve.

Seu novo filme é sobre mulheres,  mas não é uma declaração política, ou ele não se deixa ser definido apenas por isso.

Eles são cada um contra algo, mas não de uma forma de auto engrandecimento. Não é como [agita o punho] ‘Eu vou superar essa adversidade!’ Nenhum deles encontra uma solução. Todos eles querem algo que não podem ter. Você tem a personagem da Michelle, que meio que está fodendo com a dinâmica convencional de um casamento. E então você tem a personagem da Laura reconhecendo a natureza ilógica da burocracia, e o fato de que homens não escutam as mulheres. Mas ela não faz nada sobre isso. Não funciona para ela. É agonizante, mas de uma forma tranquila. Elas estão exaustas. Essas mulheres estão cansadas. Eu amo isso.

E sobre a sua personagem?

Minha personagem só quer se sentir importante e ela não vai se sentir assim se continuar fazendo o que está fazendo. E você tem a personagem da Lily, que apenas que uma amiga. Ela tem uma queda por alguém e nem esmo sabe o que é isso. Ela está procurando nos lugares errados. Essas pessoas são solitárias pra caralho. É doloroso. Há um afastamento que parece aprendido, parece protetor. E é triste.

A interação entre os personagens são tão complexas e falam com essa ideia de que nunca conhecemos alguém de verdade. Mas eu gostaria de argumentar que reconhecer que sempre vamos ter a imagem errada das pessoas é meio que um alívio.

Nós somos tão inconscientes um do outro. É louco. Mas sabendo que isso não te liberta nenhum pouco. É estranho. Eu estou constantemente, com cada amizade, cada relacionamento familiar, eu estou tipo ‘Você precisa me conhecer!’ E então você percebe que ninguém conhece ninguém. É um alivio. Há certo alivio nisso. Nós nunca conhecemos um ao outro de verdade. Por outro lado, isso é assustador e isolador.

Eu descobri que quanto mais velho eu fico, mais tranquilo eu fico sobre não ter uma conexão profunda com cada pessoa que conheço. E como resultado eu me sinto mais confiante e relaxado, estranhamente.

Sério. Você só precisa relaxar um pouco. Eu fiz isso enquanto ficava mais velha. Quando eu era mais nova, eu ficava maluca se não houvesse clareza a cada troca. Agora é tipo ‘Tudo bem, tanto faz, eu não me importo.’”

Há um momento engraçado em “Certain Women” na cena do restaurante onde sua personagem pede comida e então come apenas alguns pedaços antes de deixar de lado.

Ela simplesmente não tem tempo para nada. E ela não faz nada que é bom para ela. E foi ruim passar por toda a comida, pois nós filmamos todas as cenas do restaurante em uma noite. Então eu estava comendo um hambúrguer, sanduíche grelhado, sundae e uma sopa. Eu pensei que iria morrer. No final da noite eu estava suando [risos] tipo, ‘Oh meu Deus, eu vou vomitar.’ É tudo que eu teria pedido, mas tudo ao mesmo tempo. Foi complicado.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil