Durante sua estadia em Cannes, Kristen conversou com o Irish Times sobre Café Society e Personal Shopper e também como foi trabalhar com seus respectivos diretores. Confira:

Mais do que alguns críticos dão a impressão de que requer muito esforço para admirar Kristen Stewart. Uma guerra, parece, que ainda está sendo executada com os homens idiotas de 15 anos que insultaram os filmes de ‘Crepúsculo’ porque eram “coisa de menina”. Há uma onda de críticos dando tapinhas em suas costas por suas mentes abertas.

Você não tem essa qualificação na França. Com 26 anos, Stewart já é fiel ao tapete vermelho em Cannes. Ela passou pelo Palais com ‘On the Road’ em 2012 e ‘Clouds of Sils Maria’ em 2014. Em maio de 2016, ela voltou com ‘Café Society’, de Woody Allen, que abriu o evento, e ‘Personal Shopper’, de Olivier Assayas, que levou o prêmio de Melhor Diretor.

Os franceses a amam como amam queijo. O rosto longo e as sobrancelhas arqueadas resumem o jeito “Elvis” legal e americano. Mas a indiferença na tela teria se adaptado bem ao Nouvelle Vague. Em 2015, a Académie des Arts et Techniques du Cinéma a presentou com o César Award de Melhor Atriz Coadjuvante por ‘Clouds of Sils Maria’. Ela é a primeira atriz americana a ganhar o prêmio francês equivalente ao Oscar.

Quando chegamos no Carlton Hotel – o grande estabelecimento na autoritária rua Croisette em Cannes – revistas francesas com sua imagem estão espalhadas em cada almofada enorme.

“Todos os meus diretores favoritos com quem trabalhei nos Estados Unidos são como os diretores europeus. A lista de atores americanos que encontraram seu lugar aqui são pessoas que idolatro. Então é ótimo estar nessa lista. Há um risco aqui que se destaca. Isso não acontece muito nos Estados Unidos. Está óbvio o porquê seria legal.”

Você espera que Stewart seja inteligente. Como seu co-star Robert Pattinson, ela usou o sucesso enorme de ‘Crepúsculo’ para manusear seu caminho em trabalhos interessantes por diretores interessantes. Em 2010, ela estava sendo compatível com James Gandolfini em ‘Welcome to the Rileys’. Ela e Assayas, um dos cineastas mais elegantes da França, parecem ter formado uma parceria dinâmica.

O que você talvez não espere é a quantidade de energia que ela exala. Não há nenhum tipo de introversão criativa que ela tenha explorado em sua carreira. Stewart alcança suas consoantes vigorosamente, enquanto dispara pelas perguntas como se estivesse trabalhando com um prazo.

Então, ela conhece que ela fez uma mudança de vampira adolescente para vampira da arte? “Quando me perguntam coisas desse tipo, eu posso sair de mim mesma e dizer, ‘Sim, eu posso ver o que vocês veem’. Mas eu trouxe a mesma energia para tudo o que fiz. Eu atravessei meus desejos criativos sem pensar.”

“Foi assim que ganhei conhecimento. Quando fui ficando mais velha, percebi o quanto trabalhar com bons diretores fornece boas experiências e bons filmes. Mas eu sinto que algo psíquico acontece entre duas pessoas que são atraídas para fazer algo juntas. Eu tenho muita fé nisso.”

Na verdade, “vampira” não é justo e nem correto. Criada na Califórnia por pais que estavam na indústria, Stewart caiu em papéis juvenis por acidente. Você pode vê-la em vários projetos para a televisão e como a filha de Jodie Foster em ‘Panic Room’. Ainda assim, ela era desconhecida para a maioria dos telespectadores quando ela surgiu como uma garota sombria forçada a esperar pela consumação vampírica em ‘Crepúsculo’.

Woody Allen recentemente a comparou com Elizabeth Taylor jovem, mas, na verdade, nenhum outra estrela feminina possui os mesmos encantos oblíquos e relutantes. “Ele disse isso? Eu acho que é onde seus pontos de referência estão,” ela diz rindo. “Essas são pessoas que ele realmente admira. Foi legal ele dizer isso. É insano, muito legal. Eu sei que ele admirava todas as atrizes da antiga Hollywood. Nós falamos disso e você pode perceber em seus filmes.”

Vestida hoje de branco, Stewart consegue uma combinação improvável de descolada e californiana. Você consegue ver o motivo pelo qual muitos idolatram K-Stew.

Sua carreira parece demonstrar que uma jovem atriz pode triunfar sem ceder ao triunfalismo. Ela também provou que é possível viver a vida nos holofotes sem parecer perseguida ou prisioneira. Ela recentemente confirmou que, após vários relacionamentos com homens, ela está namorando a produtora de efeitos visuais, Alicia Cargile. Poucos deram chilique. Nenhum carro foi destruído.

“Sim, eu não quero ser muito cuidadosa,” ela diz animadamente. “Veja, eu fiquei extremamente famosa com 17 anos. Com essa idade, você não sabe como reagir com mais do que algumas pessoas. Você já está tentando descobrir quais as percepções das pessoas de você sem isso tudo.”

“Eu posso afetar isso? Eu deveria pensar sobre isso? Quando jogam tudo isso em você e essa consideração pertence a massa – não somente por você e as pessoas próximas a você – começa esse processo de pensamentos estranhos e não naturais. Então, eu realmente me fechei e isso não te deixa viver a vida completamente.”

Em ‘Café Society’, Stewart interpreta uma jovem mulher, assistente de um magnata do cinema, que se apaixona por um novato na cidade (seu frequente colaborador, Jesse Eisenberg) em uma versão idealizada de Hollywood em 1930. Os atores trazem avaliações diferenciadas sobre os sets de Allen. Alguns dizem que ele quase não dirige. Outros dizem que ele não dirige nada.

“O roteiro era tão perfeito que a maior parte da direção que tivemos dele foi: ‘Isso é auto explicativo. Continue.’ E era mesmo,” ela diz.

“Tudo é muito bem explicado. Olivier não fala muito comigo, também. Há diretores que são a própria faísca e eles gostam de ver o fogo queimar. Os dois são assim. Eles não gostam de afetar o seu processo de pensamento. O que eles fizeram foi começar esse processo e eles só querem capturar isso. E isso é incrível. Você sente que é uma colaboração verdadeira. Foi chocante para mim.”

Stewart está atualmente se adaptando muito bem ao jogo. ‘Café Society’ foi recebido razoavelmente bem. ‘Personal Shopper’, uma história sobre fantasmas passada em Paris, teve, da perspectiva de um ator, a melhor reação em Cannes: vaias seguidas de fúria. No final do ano, ela aparece em ‘Billy Lynn’s Long Halftime Walk’, de Ang Lee.

Então, ela vai continuar com essa noção de forjar uma “conexão psíquica” com os diretores? “Eu tenho tanta fé nisso. Eu sempre vou seguir isso. Eu definitivamente vou errar algumas coisas e fazer alguns filmes ruins. Vou fazer coisas que não são tão certas. É por isso que eu gosto de fazer filmes com pessoas que possuem intenções imprudentes.”

Isso é o bastante para argumentar que Stewart é um novo tipo de estrela do cinema? Charlotte Rampling foi para a Europa quando ainda era jovem, mas ela nunca teve o seguimento que Stewart mantém.

Esse jeito relaxado com a imprensa também parece novo. “Há modos de interagir com a imprensa e há modos de interagir com o público,” ela diz. “Além disso, há modos de interagir com seres humanos. São coisas diferentes. Eu encontrei o equilíbrio para ignorar o que acho inútil e deixar entrar o que acho humano. Tem a ver com ser honesta e reconhecer o que leva alguém a fazer aquela pergunta.”

Ela se coloca de pé e se prepara para sair.

“Então, vá escrever seu artigo.”

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil