Kristen em entrevista ao site Hoy Cinema
22, ago
postado por Leili

Em sua passagem por Cannes mais cedo esse ano, Kristen concedeu uma entrevista ao site Hoy Cinema, onde falou sobre como foi trabalhar com Woody Allen, Personal Shopper, fantasmas e mais. Confira a tradução:

Com o cabelo loiro e amarrado, e com óculos escuros, seria difícil reconhecer Kristen Stewart, se não fosse pelos seguranças que a escoltam até o restaurante Nikki Beach em frente ao Hotel Carlton em Cannes.

Depois de ter protagonizado um sucesso como Crepúsculo, preciso analizar os seguintes passos de sua carreira?
Honestamente, eu não mostro cada filme que eu faço com a mesma energia e a mesma inversão. Na verdade Crepúsculo começou como algo muito simples. Depois se tornou algo tão grande que terminaram sendo cinco filmes que, obviamente, ocuparam muito do meu tempo, mas em questão de navegar em minha carreira, não reago tanto nesse sentido. Um filme não me empurra para o próximo, a menos que seja algo leviano onde eu quero desfrutar do tempo. Por isso também fiz alguns filmes mais pesados ou me senti bem fazendo um filme de Woody Allen, mas nunca aceito um trabalho pelo o que os outros pensam.

Mas você nunca teve que recusar algum outro filme quando estava em pleno furor de Crepúsculo?
Bom, quando fiz o primeiro filme de Crepúsculo ia ser apenas um filme, e quando fez tanto sucesso nós tivemos a luz verde para fazer os outros. Mas eu também não era obrigada a fazer o segundo. Todos aceitamos voltar porque tínhamos nos divertido no primeiro. E depois tudo se tornou muito intenso. Por sorte, entre cada filme também tive a oportunidade de fazer outros projetos como Welcome to the Rileys, The Runaways, On The Road que eram um pouco diferentes. Mas sim, sempre tive a liberdade de trabalhar no estilo de filme que eu queria.

É verdade que você vai dirigir seu próprio filme?
Sim, finalmente consegui o financiamento do meu primeiro filme como diretora e vou começar com a filmagem a qualquer momento. Decidi que não ia atuar em nenhum outro filme até terminar esse.

Foi um prêmio especial ter a honra de abrir o Festival de Cannes com o filme de Woody Allen?
Não sei… Nas outras vezes em que eu estive ali senti que não estava no mesmo nível. E desta vez foi tudo muito mais fácil. E mesmo que eu já o conheça muito bem, tampouco sei como me comportar em certas situações sem ficar mal. Mas desta vez superou as minhas expectativas pela genuína celebração. Suponho que também tive muito mais confiança.

Quer dizer que não lhe incomodou as más reações em Cannes quando estreou Personal Shopper?
Eu simplesmente senti que se alguém queria sair do normal, fazendo algo muito superficial ou dizendo algo estúpido, não iria me ofender. Ao contrário, eles são os que ficam mal, eu não, porque geralmente é o oposto. Eu me senti incrível, porque todos estávamos lá pelas mesmas razões. As pessoas ruins são facilmente reconhecíveis como insignificantes e superficiais quando querem desmerecer algo positivo.

Você vai ao cinema em Los Angeles como uma pessoa comum?
Eu vivo em Los Feliz, um bairro tranquilo de Los Angeles. E tem alguns bons cinemas perto da minha casa.

Qual foi a última vez que você foi ao cinema?
Eu fui assistir Mogli: O Menino Lobo.

A cena onde aparece o King Louie não parece Apocalipse Now?
E… sim, mas todos os diretores fazem isso. Eu te garanto que o diretor John Favreau, se estivesse sentado conosco te diria que roubou essa cena totalmente de Apocalipse Now.

Woody Allen, em pessoa, me disse que ele rouba também dos melhores…
Se “inspiram”. Essa é a beleza do cinema. Assim é como se faz um filme por algo que vi antes.

Já que no seu caso não pode copiar ninguém… quem você gostaria de ter conhecido na melhor época de Hollywood nos anos 30?
A Katherine Hepburn.

Alguma vez você já se aproximou para conhecer alguém que admira, da mesma forma que os seus fãs?
Eu não me identifico com meus fãs (que querem me conhecer). Nem sequer quero existir perto das pessoas que idolatro. Não quero afetá-los em nada. Quero que continuem sendo como eu imagino, não quero que afetem os meus ideais. Para ser honesta, eu cresci obcecada com uma banda que se chama Rilo Kiley e sempre gostei da Jenny Lewis. Alguns anos atrás eu fui a um show dela e todos meus amigos insistiram para que eu fosse ao camarim, para cumprimentá-la. E eu não quis…

Por que?
É algo que eu teria que analizar com um psicanalista (risos). Não sei. Mas, no final, eu acabei fazendo um clipe com ela. Eu não pude contra o meu gênio.

Qual foi o clipe? Para procurar no Youtube…
Just One of the Guys, ela também o dirigiu (com Anne Hathaway e Brie Larson).

E isso mudou sua percepção depois de conhecer o seu ídolo pessoalmente?
Eu a amo, mas na verdade agora o sentimento é totalmente diferente. Eu continuo gostando da sua música, mas ela está humanizada e às vezes você não gosta de algo assim.

Qual foi o lugar mais estranho do mundo onde você ficou surpresa que as pessoas te conheceram?
Botswana, isso foi muito forte.

Por que?
Eu estava em umas férias ridículas que um estúdio me deu. E eu nunca imaginei que haveria tantos fãs de Crepúsculo em Botswana.

E como foi a experiência em trabalhar com alguém como Woody Allen?
É como quando você escuta uma música sem conhecê-la, mas pode reconhecer quem canta. Basicamente, ele é um artista que é familiar com seus filmes. Ele tem isso de particular.

Você ao menos aproveitou?
Eu aproveitei o trabalho. Minha forma de trabalhar é muito impulsiva e espontânea. E nunca antes tive que sair da minha personalidade natural, mas tive que deixar tudo de lado desde o momento em que começamos a filmar.

Em que momento você se sentiu suficientemente confortável para evitar a pressão de filmar um filme de Woody Allen?
No momento em que entendi a personagem foi tudo muito mais natural, me senti mais confortável com essa versão da minha personalidade. A princípio ia aprender cada palavra exatamente como estava no roteiro. E ainda que ele não ensaie, eu senti que tinha que ir preparada. E eu sou muito ruim nesse aspecto, não funcionou. Felizmente, quando começamos, eu comecei a entender esse o tom familiar e acho que correu muito bem.

Como a escolheram?
Woody viu em mim algo que eu não vi. No momento em que recebi a primeira ligação, foi a melhor sensação do mundo. É o motivo pelo qual continuo fazendo isso. É a melhor relação que eu poderia ter com um diretor, quando me mostram algo que eu não sabia sobre mim. E também passei por uma audição, tive que demonstrar que valia a pena.

E depois de ter feito um filme de fantasmas como Personal Shopper, você acredita que há algo do outro lado da realidade?
Sem entrar no plano religioso, porque sou bastante agnóstica, não sei… Eu sou muito sensível com as energias. Eu realmente acredito que algo que não posso definir me controla, e pelo o que também não posso tomar nenhuma responsabilidade. É algo que me faz sentir que não estamos sozinhos. Personal Shopper é uma história de fantasmas, mas o aspecto sobrenatural te faz questionar se não temos percepções diferentes ou tudo é branco e preto. E viver nessa área cinzenta permite que as pessoas se aproximem também.

Você acredita em fantasmas?
Se eu acredito em fantasmas? Não sei, eu acho que acredito em algo que não posso definir com uma resposta.

Seu medo é bastante convincente nesse filme, como conseguiu?
Simplesmente imaginei que estava realmente recebendo essas mensagens de terror. É muito difícil reagir com algo assim e tampouco quero manipular minhas ideias com nada, mas cada dia de filmagem me surpreendeu com o pânico que esse filme me dava. Quando o li, pensei que estava drogada, pensei que era um sonho existencial, sem soar muito pretenciosa.

E você não teve medo de filmar as cenas de sexo?
Não é algo que me dá medo. Eu estou disposta a tudo. Eu realmente aprecio todos os aspectos do cinema. E a única forma de mostrar a alguém que você não pode ligar os pontos é por mostrar as versões extremas de uma pessoa. E eu queria mostrar a versão atual, pensadora e nua que eu poderia mostrar de mim.

Você acha que seus fãs a conhecem realmente por vê-la no cinema? Quanto de Kristen Stewart há em seus personagens?
O melhor que um ator pode fazer é não ser estereotipado, o bom é surpreender. E a única forma de conseguir isso é realmente se despir por completo e se revelar como pessoa. Eu não quero interpretar personagens onde eu sou apenas um personagem. Eu não sou esse tipo de atriz. Tudo sempre passa por mim. E o que eu mais gosto é quando alguém chega e diz “Eu não sabia que você era tão assim, mas agora que eu vi… deveria destacar mais”. É algo que sempre me surpreende, mas eu sou assim.

Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil