Kristen está na capa da edição de agosto da revista Elle France. Na entrevista, Kristen falou sobre seus novos filmes, sua relação com a fama e sua vontade de formar uma banda. Confira:

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O hotel é todo rosa e azul, no estilo dos anos 50, localizado nos arredores de Los Angeles. Aqui tudo é preservado em sua condição original, nada foi modificado depois da guerra. Tem um restaurante com uma juke-box e mesas vermelhas, o quarto do hotel tem cobertores enfeitados com grandes rosas… Nesse lugar que te transporta para os anos de ouro da América, de repente um barulho: uma grande Hummer, brilhando como um besouro estaciona ao lado de fora. Uma porta se abre, o som extremamente alto de uma musica está vindo do rádio… E Kristen Stewart aparece, seguida de uma amiga. Uma chegada bem rock’n’roll; Apenas o que você esperaria da atriz que interpretou Joan Jett em The Runaways.

Pequena, felina, magra, Kristen Stewart, 26 anos, se move como um gato selvagem. Especialmente com seu olhar penetrante; determinada, cortante, ousada. Intensa, é a palavra que aparece quando você a descreve. Intensa é a forma que ela responde as perguntas, escolhendo cada palavra com cuidado. Intensa, quando ela fala sobre seus princípios, não levando nada a sério. É essa pessoa impressionante que ganhou a atenção de diretores e do público. Após os quatro anos de sucesso da Saga Crepúsculo – o que a fez uma estrela mundial – e seu termino muito comentado na mídia com Robert Pattinson, Kristen Stewart, está de volta aos filmes independentes como “Sils Maria”, dirigido por Olivier Assayas em 2014. Hoje, ela se tornou uma atriz reconhecida e aclamada, que todos querem. A prova? Esse ano, ela atuou em “Café Society” de Woody Allen, apresentado em Cannes, em “Personal Shopper”, novamente dirigido por Olivier Assayas – que será lançado em setembro – e por último, “Billy Lynn Long Half-Time Walk” de Ang Lee.

Com um temperamento forte, em toda sua glória, Kristen Stewart seduziu o mundo da moda. Karl Lagerfeld se apaixonou pelo seu charme, e por três anos, ela é o rosto da Chanel. Depois de impressionar no Grand Palais, no ano passado, onde ela interpretou o papel de Gabrielle Chanel em um filme dirigido por Karl Lagerfeld, ela é o rosto da maquiagem da Chanel, emprestando sua imagem para a “Collection Eyes 2016”. Ela contempla sua carreira acelerada, afiada, conhecedora.

Você é o rosto da nova campanha de maquiagem da Chanel, Collection Eyes 2016. O que parece lógico já que você sempre usou muito delineador e sombra, obtendo o efeito esfumaçado.  Porque você escolheu, alguns anos atrás, fazer a sua maquiagem desse jeito?Eu gravito para looks diferentes. Eu amo não usar nenhuma maquiagem e ter um efeito diferente. Mas quando você acha a maquiagem que é certa, você pode acentuar isso e trazer aquela diferença para a superfície. Eu acho quando a maquiagem pode fazer isso. Adicionando algo escuro você pode conseguir mais luz.

O que há de especial nessa linha de maquiagem?
As cores são tão legais. Vermelho não é tipicamente a cor que você coloca em seus olhos. Mas há algo muito vivo sobre isso. Como se você estivesse nervoso ou carregado. Muitas atrizes de antigamente usaram, mesmo em cenas onde elas não deveriam chorar, quando queriam conseguir uma vantagem. Você pode não notar, mas chama os olhos de todo mundo para os seus olhos.

Você não é conhecida por se importar muito com o que veste ou com sua aparência. O que você gosta sobre trabalhar com a Chanel?
Desde criança, eu sempre gostei de fazer parte de uma história. É como trazer um personagem para vida, ser entendida e passar uma emoção para as outras pessoas. Isso me permite ficar mais próxima deles, o que é a melhor coisa sobre fazer filmes. Com a Chanel, eu tenho o sentimento que estou fazendo algo parecido e ajudando eles a contar uma história. E nós temos um bom relacionamento profissional. Talvez por que Karl Lagerfeld se cerca de pessoas que amam a moda – pode soar cliché, mas é a verdade. Nesse negócio, você pode estar na superfície, mas aqui, há uma profundidade.

Às vezes Karl Lagerfeld passa uma imagem de alguém frio, impressionante. Você pode nos contar sobre sua colaboração com ele?
É verdade que ele passa essa imagem. Tem algo sobre ele muito intocável. Mas quando você trabalha com ele, ele deixa isso de lado. Ele é muito legal, conversa com todo mundo. Eu tenho esse sentimento de que seu desejo é compartilhar informações – ele tem um grande conhecimento. Especialmente com os mais jovens. Toda vez que estou por perto, parece que ele quer ensinar algo. Ele fala sobre artistas, detalhes, fatos que nós não sabíamos. Ele irá dizer: “Você deveria ler esse livro… Você me lembra dessa pessoa.” Não é tudo sobre a moda. Ele é um verdadeiro artista.

Quando você faz uma maquiagem escura, é uma forma de se proteger do mundo?
Claro. Quando eu estou cansada ou me sentindo na defensiva, ou não estou no clima, eu escolho essa opção. Nem sempre você tem vontade de falar: “Hey pessoal, eu vou falar com o mundo todo!” Ter essa vontade é algo louco para mim. Às vezes, quando o red carpet é à tarde, minha maquiadora irá dizer: “Você deveria ir com algo claro hoje, a roupa pede por isso. Vai ser legal.” E eu ficou tipo: “Não, eu não consigo. Eu acho que devemos ir com o olhar de não enche.”“Olhar de não enche? Sério?”“Sim, olhar de não enche.” (Risos)

No filme, Personal Shopper, você trabalha novamente com o diretor francês Olivier Assayas, que também dirigiu “Sils Maria”. Você interpreta uma personal shopper, uma personagem que se parece com seu papel em “Sils Maria”, onde você era assistente de uma atriz. Qual é o problema com Olivier Assayas? Ele sempre quer te colocar no papel de assistente? Ele não quer que você seja uma estrela de cinema?
Eu acho que sim! (Risos) É difícil dizer. Olivier não fala muito sobre seu trabalho. Ele é incrivelmente econômico com suas explicações. Ele realmente ama que você pense por si mesmo. É seu modo de dirigir. Ele mexe em algo e vê o que acontece como se fosse um catalisador para um processo que quer capturar e não controlar.

O filme parece abordar vários assuntos. Você pode nos contar um pouco sobre ele?
O aspecto de Personal Shopper é muito remoto. É uma história de fantasma, sobre uma garota que está sofrendo com a perda de seu irmão em Paris. Você ver como essa meditação sobre a solidão. Mostra como os nossos sentidos de realidade são baseados nas nossas experiências pessoais e como a realidade dos outros é diferente. A personagem também tem problemas de identidade: ela se odeia e odeia o que está fazendo, mas ela se sente atraída pelas roupas. Tem algo que ela acha assustador sobre seu trabalho, mas ela é obcecada. Ela compra para pessoas, mas ela odeia todos. É tipo: “Porque estamos aqui? O que nós apoiamos?”.

Foi interessante fazer essa personagem? Você descobriu algo novo sobre si mesma?
Eu me senti incrivelmente isolada durante as filmagens, pois a personagem é incrivelmente sozinha. Ela também tem o problema de sopro no cardíaco, então ela sempre está perto da morte. Mesmo em cenas pequenas, que não eram muito emocionais, era difícil de gravar. Eu estava exausta, cara. Eu estava acabada, você pode ver isso no meu rosto. Você assiste ao filme e aquela é uma aparência que você não consegue com maquiagem. Eu estou horrível!

Mas isso não parece te incomodar…
Nenhum pouco. Foi divertido ao mesmo tempo. Esse estado extremo é algo que eu estou procurando. Durante a minha carreira, sem querer soar dramática – mas definitivamente sou dramática, eu sou uma atriz no fim das contas (risos) – Eu cai, eu tive alguns baixos. Mas tudo bem por mim. Nada me faz sentir mais viva que isso. Eu não invejo pessoas que me falam: “Oh Deus, você pensa demais, você leva as coisas a sério demais. Você deveria respirar fundo, apenas relaxar…” Não, eu não quero respirar fundo. Eu me sinto mais viva se eu tiver a impressão de que eu vou morrer em um filme ou algo que irá me matar no processo. Se eu não estivesse fazendo filmes, eu iria procurar por esse estado de algum modo. Atuar é difícil, é uma vadia. Às vezes você precisa se perguntar: “Por que eu faço isso comigo mesma?” Mas eu não iria querer isso de outra forma.

Você está novamente em um filme francês, um exemplo típico de “cinéma d’auteur”.  Você se sente próxima da França?
Meu relacionamento profissional mais lucrativo, coincidentemente, foi com franceses. Meu produtor favorito é Charles Gilibert, que conseguiu três dos meus melhores papeis, com Olivier Assayas e Walter Salles. Ele realmente cultiva algo em mim. Ele lê tudo que eu escrevo, mas eu também dou muita coisa para o Oliver ler. E tem o relacionamento com o pessoal da Chanel… Oh, isso soa tão esnobe e parisiense (Risos.) Mas é verdade. Há essa arrogância na França que eu gosto. As pessoas não precisam definir as coisas. Há uma curiosidade sobre a arte que é feita lá. Alguns dos meus atores preferidos são fãs do cinema francês, como Sean Penn ou Jodie Foster.

As pessoas alguma vez já disseram que há um lado francês na sua personalidade?
Sim, na verdade isso acontece muito. Eu estava na França uns dias atrás e um dos meus amigos de lá disse: “Você realmente combina com Paris, e ela combina com você.” Soa totalmente cafona, mas é a verdade. Eu me sinto bem quando estou em Paris e realmente produtiva. Em Los Angeles, eu sou mais sedentária, mas quando vou para Paris eu chego correndo. Eu não quero perder nada. É realmente estimulante.

Esse ano você atuou em filmes de Woody Allen, Olivier Assayas, Ang Lee e muitos outros. Como você se sente sobre a sua carreira? Você tem a impressão de que alcançou o topo?
Eu me sinto sortuda. A maioria das pessoas na minha idade ainda estão tentando descobrir o que gostam e o que vão fazer com suas vidas. Eu tenho muito orgulho de estar associada a esses diretores, pois eles são incríveis. Eu me sinto pressionada e encorajada. E também estou cansada… Os últimos dois anos, eu trabalhei em cinco filmes e todos em um curto período.  Alguns anos atrás, se um desses filmes tivesse aparecido todo ano seria o bastante para me fazer continuar. Agora, meu único problema é diminuir o ritmo e não deixar a circunstancia me guiar. Porque atuar é muito viciante e você não pode parar de trabalhar. Se eu quisesse, eu poderia ter os próximos cinco anos agendados.

Você toca guitarra, você escreve poesia, é uma grande fã do rock’n’roll. Você planeja escrever músicas e ser uma cantora algum dia?
Eu realmente amo tocar guitarra. Eu tenho feito isso por anos durante as gravações, pra matar o tempo. Eu comecei a tocar bateria e eu me atrevo a dizer que sou muito boa nisso! (Risos.) Eu amaria ter uma banda. Mas cantar não é muito atrativo pra mim, eu não gosto de aparecer. O que eu amo é encontrar a palavra certa. Não tem nada melhor do que achar a expressão perfeita. Mas é complicado, especialmente quando você está escrevendo uma música. O problema é que eu não escrevo coisas simples. Coisas que eu encontro são complicadas, expansivas. Quando eu toco guitarra, eu sou tão distraída e desajeitada… Isso vai em todas as direções. Eu quero achar alguém para trabalhar e cantar comigo. Seria divertido.

Você disse que viver com a fama era difícil, especialmente depois do termino com Robert Pattinson e a grande publicidade que isso gerou no mundo todo. Ainda é assim?
Eu me acostumei com isso, mas não é necessariamente mais fácil. Fama é algo que muda sua vida, mas mesmo assim eu não quero parecer estar reclamando. É meio óbvio dizer isso, mas muda drasticamente o modo que você vive sua vida. Mas eu não levo tão pessoalmente como eu fazia antes. Uma vez que você reconhece que todo o lance da fama é uma indústria, um dinheiro, comandado por pessoas com tendências sociopatas, que não se importam com o sentimento das pessoas, é ok…

Você não esconde seu relacionamento ou tenta manter em segredo. Você tem o sentimento que o mundo do cinema e o público aceitam mais fácil do que antes?
Sim. Eu acho que a nossa geração aceita as coisas mais facilmente. É algo novo e realmente legal. E também, eu devo dizer que por não ter medo e ser indiferente a fofocas, faz tudo mais fácil. Não é um problema para mim, então não parece ser um problema para os outros. Isso é bom.  Mas eu não quero que isso comece a me definir. As pessoas projetam tantas coisas em mim. É como se eu fosse parte de um clube do livro. Algumas pessoas acham que sabem tudo sobre as celebridades, mas elas não sabem nada. Ninguém tem ideia do que eu estou fazendo com a minha vida. Eu não escondo, eu sou fotografada constantemente, mas ao mesmo tempo, eu não entrego nada. Eu sou a última pessoa que vai entregar uma mensagem para as pessoas para ser consumida por isso.

Você não quer ser colocada em uma caixa. Você não quer ser adorada como uma grande estrela ou um ícone romântico, como foi durante “Twilight”, mas você também não quer ser vida como uma rebelde ou uma atriz de indie?
Minha posição sobre a fama é muito ambígua. Algumas pessoas são obcecadas com ser famosas, isso é algo que eu não entendo. Mas ao mesmo tempo, eu aprecio o valor de ser famosa e alcançar muitas pessoas. Você fica perto da humanidade em geral, e isso é incrível. Eu definitivamente não iria querer fazer um filme que não fosse visto por todo mundo. A mesma coisa com a atuação. Quando eu atuo, é meu. Eu não estou me escondendo atrás de personagens. Eu realmente quero me mostrar, a porra da minha alma, encontrar os diferentes níveis de mim mesma que eu não conheço e os colocar nos filmes. Mas ao mesmo tempo eu não quero mostrar a minha vida privada. Apenas meus sentimentos.

O que você encontra na atuação? O que há de tão especial nesse trabalho?
Às vezes, quando você lê um bom livro, você tem a impressão de que você poderia ter dito aquilo ou é algo que você tem em você, mas nunca disse em voz alta. É como explorar você mesmo. Atuar é um pouco parecido. Quando você interpreta um personagem, você pode fingir ter as mesmas experiências que ele tem, mesmo que você tenha tido elas. E você aprende com elas de um modo incrível, sem ter que passar por isso de verdade. É como poder viver múltiplas vidas ao mesmo tempo.

Como você descobriu o desejo de ser atriz?
Minha mãe é uma supervisora de roteiros e ela me levava junto nos sets. Sempre havia algumas crianças andando por lá e eu pensava comigo mesma: “Como eles tem autorização de participar e eu não? Eu quero fazer isso!” E eu gostava muito da atmosfera do set. Tem um esforço coletivo para preservar essa natureza. Eu amo fazer parte disso.

Você disse em uma entrevista: “Mulheres podem fazer esse trabalho (atuar) e aprender a dizer não.” O que você quis dizer com isso?
 Encontrar a si mesmo em um ambiente criativo deve sempre ser algo positivo. Eu nunca fui trabalhar me sentindo forçada. Eu sempre digo para as crianças que estão tentando virar atores: “Você não precisa fazer algo que não quer fazer.” Claro, pode ser bom ser pressionado, ter uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo, é seu e você está decidindo fazer isso.