Kristen é capa da edição dessa semana da revista espanhola YO Dona e concedeu uma nova entrevista onde fala sobre as filmagens de Personal Shopper, sobre seus problemas com ansiedade e muito mais. Confira:

Kristen Stewart (Los Angeles, 1990) tem sido destaque nos tablóides por muito tempo, desde a data de seu anúncio como protagonista da Saga Crepúsculo, em novembro de 2007. Desde sua vinculação com esta série de enorme sucesso, sua vida sentimental – ultimamente passeia de mãos dadas com sua namorada – e seus gostos estéticos foram perseguidos pela imprensa. E já se vão nove anos. Ela foi descrita como tímida pelos meios mais condescendentes, e reservada e melancólica em entrevistas, mas ela tem se defendido em termos muito razoáveis: “Qualquer um que me vê como cautelosa será geralmente em contexto de uma entrevista fugaz e superficial, que não significa nada para mim. Mas realmente, estou morrendo o tempo todo para me revelar como atriz e como pessoa, para me descobrir.” Durante a divulgação de seu tortuoso drama, Personal Shopper, em Cannes, ela correspondeu suas palavras com uma exibição de franqueza e eloquência. Quando possui tempo para se expressar e as perguntas não arremetem sua vida privada, a atriz de 26 anos não dá respostas monossilábicas ou evasivas, mas faz uma pausa para refletir cada resposta.

YO DONA: Agora que interpretou uma personal shopper, você mudou seu ponto de vista sobre esse trabalho tão comum em seu círculo?

KRISTEN STEWART: Sei como é o trabalho dos estilistas. Um bom profissional desta área é aquele que você conhece bem e que sabe perfeitamente destacar sua personalidade, dar-lhe força e fazer você se sentir bem. Tenho trabalhado com a mesma estilista (Tara Swennen) desde que tinha 12 anos. Pode parecer frívolo e clichê, mas eu amo a nossa colaboração. Não há nada de errado com isso, eu gosto. Nós, atores, não podemos achar as melhores peças, não temos esse tempo.

Em qual critério você se baseia para suas roupas no tapete vermelho?

Eu escolho as roupas que têm a ver com os filmes, como uma leitura dos personagens, uma continuação da história, uma nota no rodapé da página. Para a estreia do festival de Cannes de Personal Shopper, por exemplo, fui toda de branco porque queria me sentir pura, jovem e exposta. Normalmente não me visto com uma roupa tão carregada, mas como o filme é obscuro, queria colaborar com algo inocente e destacar que estávamos bem, que na realidade o resultado nos deixou feliz.

No começo, as filmagens coincidiram com os atentados terroristas em Paris em novembro do ano passado. De que maneira isso afetou a equipe, que era inteiramente francesa?

Já tínhamos terminado de filmar em Paris e estávamos em Praga. Estávamos tomando umas bebidas e o pessoal começou a receber mensagens e a ficar horrorizado. Acabou sendo muito estranho filmar com essas circunstâncias, mas Olivier nos reuniu para nos animar a continuar, e a verdade é que não sentimos que foi uma motivação egoísta, mas sim que devíamos uma certa perseverança à cidade. Não quero soar pretensiosa, porque seria grotesco, mas me encanta o fato de poder documentar Paris antes do bloqueio que sofreu depois dos ataques. Agora não seríamos capazes de filmar no metrô e nem em muitos lugares que filmamos, e quem sabe quando se poderá a voltar a trabalhar com normalidade, então eu odeio dizer isso, mas tivemos sorte.

Personal Shopper foi vaiado na exibição para a imprensa em Cannes e, ainda assim, Olivier Assayas ganhou o prêmio de melhor diretor. Como encara as críticas ruins?

Não se pode agradar todo mundo, mas prefiro despertar reações de amor e ódio, em vez de a mediocridade de neutralidade ou indiferença.

Estou errado se afirmo que agora você se importa menos com o que pensam de você do que no começo de sua carreira?

Ainda me preocupo, mas percebi que a falta de controle faz com que a percepção do público sobre mim seja mais real. Agora, por exemplo, quando me perguntam algo que desconheço, simplesmente respondo: “Não sei”, ao invés de me sentir obrigada a dar uma resposta que não tenho. Já não sinto medo. Atualmente me esforço para me comunicar melhor, é o que acontece quando se fica mais velha.

Falando de comunicação, o filme possui muito uso de celular. O que significa esse equipamento na sua vida?

Amo enviar mensagens, é algo da minha geração. A maioria das pessoas dizem que há muita falta de comunicação na maneira como nos relacionamos. Várias pessoas me pedem: “Pega o telefone e me liga.” E enquanto esta nova forma de linguagem pode não ser tão apropriada como uma conversa cara a cara, tem suas vantagens e peculiaridades. No meu caso, estou obcecada por cuidar das minhas mensagens, pontuá-las perfeitamente e expressar especificamente o que quero. Gosto de passar um tempo fazendo isso e é algo que não acontece se está na frente de alguém. No entanto, não sou viciada, não tenho redes sociais, com exceção de uma conta privada no Instagram.

Qual seu emoji favorito?

Vamos ver o que aparece primeiro [ela pega seu celular e leva alguns segundos para rever seu Whatsapp]. É um coração partido, uso sempre quando estou sofrendo, mas acima de tudo, sempre que gosto de algo.

Por que a filmagem de Personal Shopper foi tão difícil?

O filme é implacável. Eu tive que recriar a ansiedade debilitante que sofri aos 17 anos. Nessa idade eu sofri minha primeira dose de pensamentos existenciais e comecei a me isolar, mas logo aprendi a encontrar um equilíbrio, a encontrar alegria nas distrações, porque nunca vou ser capaz de responder a pergunta de onde vamos. A mente me pedia para avançar para a personagem de Maureen, porque embora haja pessoas que sofrem essa dor durante anos, sempre veem uma luz no final do túnel e, por experiência própria, é algo muito temporário. Tem que focar em outras coisas e não deixar que essa ansiedade te paralise. É difícil, me identifico, e por mais que pense que não, há sempre uma saída.

Você passou por uma grande quantidade de situações desagradáveis. Como você se desconecta?
Muita gente me sugeriu a meditação, porque não durmo, tenho problemas de insônia e, aparentemente, é de grande ajuda. Tenho que tentar. Mas não sou muito boa em automanipulação. Adoro me sentir sobrecarregada, porque sempre nascem coisas boas dessas situação. Estar relaxada o tempo todo não é a melhor forma de ser criativa.

Em respeito a isso, nos últimos tempos você tem alternado entre as super produções em Hollywood com o cinema europeu. O cinema do Velho Continente alimenta mais a sua criatividade?

Não tenho um plano feito com antecedência. O ponto de viragem foi filmar On the Road (Walter Salles, 2012), porque foi quando conheci o produtor Charles Gillibert. Nele, encontrei meu irmão mais velho nessa indústria. Ele me deu oportunidades incríveis de trabalho, me apresentou a Olivier [Assayas] e foi meu primeiro passo para a noção de que o cinema é para se arriscar. Charles compara sua motivação para fazer filmes com a primeira vez que o homem pisou na Lua, um lugar desconhecido, perigoso… Essa é a razão pela qual é o cinema da Europa. A indústria nos Estados Unidos, no entanto, se recusa a se comprometer com projetos que não possuem garantia de que será um sucesso completo, sempre há alguma expectativa e eu prefiro me sentir insegura. É a posição em que quero explorar minha carreira.

Você se sente menos observada na Europa?

Socialmente, sim, as pessoas normais se interessam pouco em saber quem eu sou. Mas os paparazzi são piores em ocasiões, porque não há tanta presença de celebridades em Paris e Londres, como acontece em Los Angeles e Nova York, então quando estou lá, são mais ferozes.

No entanto, pode ir em algum lugar que passe despercebida?
Em Los Angeles, literalmente, todo mundo está olhando por cima do ombro para ver alguém conhecido, mas em Nova York, as pessoas se movem com muita pressa para reparar em você, ou se faz, está mais preocupada em resolver o que está nas mãos. É diferente em cada cidade, embora eu ainda não tenha encontrado um lugar para passar despercebida.

Fonte | Tradução: Equipe Kristen Stewart Brasil