Kristen concedeu uma entrevista ao site The Hollywood Reporter onde fala sobre sua preparação para viver Nia em Equals, sobre ter dias ruins e mais. Confira:

No romance futurista de Drake Doremus, Equals, todas as emoções foram suprimidas, substituídas por uma curiosidade intelectual que faz uma força de trabalho muito eficiente. Kristen Stewart e Nicholas Hoult interpretam duas pessoas portadoras de SOS, Switched On Syndrome, que permite que eles comecem a possuir sentimentos lentamente.

Rodeados por um população de subordinados, os dois se apaixonam em uma intensidade que parece que são as duas últimas pessoas no mundo. Stewart, que consegue esconder sua “doença” publicamente, tenta suprimir seus sentimentos, sabendo que se descobrirem, os dois serão mandados para uma clínica de reabilitação que termina com suicídio ou morte. O filme possui uma reviravolta inspirada em Shakespeare que nos deixa pensando que o futuro pode não ser tão sombrio, apesar de tudo.

O Hollywood Reporter se encontrou com Stewart para discutir sobre o treinamento da vida real que ela possuiu para desligar suas emoções e como seu primeiro amor foi muito próximo de seu papel. Equals estréia em Toronto no dia 13 de setembro, com as vendas internacionais controladas por Mister Smith Entertainment.

Você constantemente muda no filme entre estar “ligada” e “desligada”. Foi difícil ficar indo e vindo entre esses dois sentimentos?
Só se tornou mais sombrio, horrível… É tão triste. Eu sou a única pessoa no filme que está ativada na maior parte, então mesmo no começo, nós estamos desligados, a emoção é evidentemente exibida e quanto mais cruas são as cenas, o mais incrível foi de fazê-las e mais natural e mais familiar. O que foi realmente doloroso foi não sentir. O que foi realmente exaustivo foi estar morta.

Como você conseguiu suprimir suas emoções para esse papel?
Eu estou interpretando alguém que está constantemente sufocando essa coisas e eu posso me relacionar completamente com isso. Qualquer pessoa que já teve um dia ruim ou talvez só está na TPM ou apenas está sentindo demais em um certo dia onde você tem que ir em algum lugar e marcar presença, eu já passei muito por isso, uma quantidade excepcional. Eu conheço esse sentimento e é muito familiar para mim sentir algo tão forte e ter que ir para o trabalho e dizer ‘Bom dia,’ e não mostrar emoções.

Há algo atraente nesse mundo? Nós temos pílula para desligar emoções negativas como depressão ou ansiedade.
Eu ia dizer, isso é o que as pessoas tentam fazer o tempo todo. Eu acho que esse foi o motivo que Drake concebeu disso desse jeito. Eu quase não tomo Advil quando eu tenho dor de cabeça. Eu realmente gosto de sentir. Você precisa sentir esse balanceamento.

A razão, isso soa realmente óbvio, a única razão pela qual algo parece tão bom, é porque você não conhecia isso antes. Se você se apaixona, é porque isso te prende e te faz perder o controle. Se você não tivesse ansiedade, então você não teria paixão por nada. A razão pela qual temos ansiedade é porque você se importa e você é atencioso. Algumas pessoas trabalham para ter um fim de semana e no fim de semana eles não pensam em mais nada além do fato de que estão no fim de semana deles. Algumas pessoas são assim então talvez algumas pessoas estariam tipo ‘Sim, isso seria ótimo. Leve minha ansiedade embora e me dê uma boa cadeira.’ Mas eu não estaria tão interessada nisso.

Pareceu haver um paralelo no filme com o mundo das celebridades, sobre dizerem o que fazer, comer, usar o tempo todo. É difícil para você fazer a sua própria coisa?
Nunca é difícil para mim fazer isso, mas tem sido difícil as vezes ouvir a resposta das pessoas sobre isso, para coisas que eu acho que são tão insignificantes, tão insignificantes quanto não querer usar salto alto por cinco horas ou mais significante o jeito que as pessoas escolhem viver sua vida. Por que as pessoas se importam? Por que você se importa? Desculpe, eu te desapontei ou algo assim? Você nem me conhece.

Eu acho que a única parte difícil nisso para mim é que eu realmente amo o que eu faço e eu amo as pessoas e eu quero ser boa para as pessoas. Se eu estou em um restaurante e alguém não trata uma garçonete do jeito certo, eu literalmente vou sair. Eu vou deixar de ser sua amiga. Você não é mais meu amigo. A ideia de que eu não me importo ou as pessoas pensarem que eu tenho essa atitude de não me importar com nada é verdadeiramente o oposto, então eu definitivamente me importo que as pessoas pensem isso. Mas eu me importo mais em ser verdadeira comigo mesma.

Como uma atriz, como você lida com a indústria de celebridades?
É estranho. É bizarro. É essa outra forma de entretenimento, que eu entendo. Eu apenas desejo que as pessoas vissem através disso um pouco mais. Não precisa ir embora. É apenas ridiculamente cinza. Eu acho que eu consigo achar um conforto nisso e acho que as pessoas sabem disso. Eu acho que as pessoas entendem isso. É como quando algo ruim acontece com você. Você faz uma entrevista e você estraga, diz algo estúpido, diz algo que você não queria dizer e você apenas pensa que é o fim porque isso te afetou emocionalmente.

Em uma semana, as pessoas irão seguir para a próxima coisa porque é o negócio e é abastecido por dinheiro, logo você não pode levar isso muito a sério. Você sabe por um fato que uma dúzia de artigos não são escritos por causa de alguma escorregada que você deu porque eles se importam. São escritos porque você fará dinheiro para eles e eles vão conseguir cliques em seus sites. Então você fica tipo, ‘Ok, entendi. Faça a porra do seu dinheiro em mim.’ É incrível.

Na cena em Equals, onde seus personagens se tocam pela primeira vez, a audiência soltou um suspiro coletivo. Você foi atraída pelo seu primeiro amor para esse papel?
Totalmente. Uma das razões que eu estava tão intimidada por esse filme é porque eu estava ‘Isso vai doer. Eu não quero pensar sobre isso tudo.’ É bom, é liberador e vale a pena. Eu me sinto bem agora do outro lado disso. Mas no começo eu estava ‘Oh Deus.’ Se nós fizermos isso certo é tão básico, tão fundamental, tão jovem. Obviamente Nick e eu temos 25 anos. Nós fizemos o filme quase há um ano atrás. Nós ainda estamos muito próximos dos nossos primeiros amores. É definitivamente algo que nós dois sabemos muito. Foi um filme doloroso de fazer em cada sentido. Foi exuberante, libertador e ao mesmo tempo quase auto refletivo. Nós íamos para casa e ficávamos ‘Nós precisamos seriamente de uma bebida. Vamos parar de pensar sobre tudo. Não vamos falar. Vamos apenas andar.’

O filme também é uma metáfora para relações de longo tempo. Qual você acha que é o segredo para ter uma relação de sucesso?
Quando você ama algo, você conhece isso. Então você sente a posse e se isso muda, você só ama até onde você conhece porque então você fica ‘O que é isso?’ Eu acho que talvez a chave para ter uma relação longa é realmente apreciar a vida dessa pessoa e não tentar possuir isso. É tipo apenas pare de tentar. Nós todos fazemos isso.

A coisa sobre o fim do filme também é uma metáfora para decadência e fluxo. Há tempos em que você está com alguém por cinco anos e no terceiro ano você está “ehhhh.” E então algo pode acontecer. Talvez vocês tomam um pouco de espaço ou algo assim. De repente tudo volta. Ir embora pode ser uma coisa assustadora. O filme tem um fim aberto mas com esperança. Se você quiser continuar tentando, vale a pena.

Você viu alguma semelhança entre Bella em Crepúsculo e esse papel?
Há uma semelhança óbvia lá, mas é um pouco diferente porque nesse caso eu interpretei alguém pragmático. Eu interpretei uma pessoa que pensou que isso não era certo e que não deveríamos fazer isso. Ele é a pessoa que fica ‘Não, vamos fazer isso.’ Foi um papel reverso. Mas eu amo histórias de amor.

As duas são muito simples e eu acho que foi por isso que eu realmente gostei delas. As duas, você pode criticar cada uma por serem fracas porque elas desistem de tudo por um homem. Mas eu acho que essa é a coisa mais corajosa que você pode fazer. Não há nada fraco em estar sujeito a algo. Na verdade, a fim de se abrir e deixar seus muros baixo e apenas se doar para algo completamente, não importa o que as pessoas pensem, se eles pensam que é o melhor para você ou não, eu apenas amo isso. Eu amo isso para caralho. Isso é muito feminino. É o que as mulheres fazem. Nós temos uma fé em nós mesmas que não é pragmático e em uma na outra que é apenas emocionante e forte. As duas personagens são criticadas por serem fracas, por serem sujeitas a um homem, mas eu acho que isso é realmente corajoso e uma coisa natural que todas nós queremos.

Você se sente estereotipada quando te oferecem esse tipo de papel?
Não, porque eu comecei quando eu era muito jovem, quando criança e eu ainda sinto como se fosse uma criança. Mas muito mais quando eu era mais jovem, eu era atraída por coisas que pareciam muito comigo. Isso era o que me motivava. Eu sei que posso fazer isso, essa sou eu. Eu então sinto que mesmo com essa personagem nova que estou interpretando, eu não iria querer interpretá-la a não ser que eu pense que em algum lugar, ela está lá. Eu não sou uma atriz personagem. Se eu fosse interpretar uma vilã assassina, eu iria justificar o motivo pelo qual ela mata as pessoas. Eu ficaria tipo, ‘Bom, você quer saber? Elas tiveram uma criação terrível.’ Eu teria que entendê-las. Eu nunca posso discordar com as pessoas que interpreto, o que algumas vezes pode ser um problema. Isso poderia me limitar, mas eu não penso assim. Eu acho que isso só me faz melhor no que escolho.

Fonte | Tradução: Mari – Equipe Kristen Stewart Brasil