Kristen é capa da ELLE UK de setembro, como foi anunciado antes, e a atriz conversa com Juliette Lewis em sua matéria de capa. Confira os scans e a entrevista traduzida:


Scans > 2015 > ELLE UK – Setembro

Você já viu Kristen Stewart tirar uma selfie? A resposta para essa pergunta revela muita coisa. Ela é a única A-lister do milênio que construiu uma carreira sendo inteiramente misteriosa, de um modo legal. Em um mar de estrelas acessíveis, Stewart possui a personalidade misteriosa de uma estrela do rock – muito como as Joan Jetts, Kim Gordons e Patti Smiths do mundo.

Com 18 anos, ela se tornou a atriz mais famosa do mundo por interpretar uma adolescente angustiada e mordedora de lábios que se apaixona por um vampiro. Como Bella Swan, o centro da saga Twilight que arrecadou 2,14 bilhões, ela foi para o topo da lista da Forbes de atrizes mais bem pagas em 2012, ganhando 8 milhões por filme (foram cinco).

Para a maioria das atrizes, esse tipo de bilheteria seria uma bênção e uma maldição. Pode ser difícil de escapar de um papel tão definido. E uma atriz inferior teria ficado presa no inferno pré-adolescente para sempre. Não Stewart. Ela quebrou o molde, e então cada regra, para encontrar seu lugar.

Ela escolheu os papéis indies mais parecidos com rebeldes de Hollywood – Joan Jett em The Runaways, a selvagem Marylou na adaptação de Walter Salles de On the Road de Jack Kerouac e a filha emburrada de Julianne Moore no ano passado em Still Alice. E ela trabalhou com as maiores casas da moda, Balenciaga e Chanel. Agora com seus últimos, American Ultra, um thriller de ação centrado em dois drogados, interpretados por Stewart e seu co-star de Adventureland, Jesse Eisenberg.

De muitas maneiras, Juliette Lewis, uma pessoa nativa de Los Angeles que entende o que é crescer no holofote relutantemente, foi a Kristen Stewart de seu tempo. Ela recebeu uma indicação ao Oscar por Cape Fear quando tinha 18 anos, e então ela foi atuar em filmes adorados pela crítica como Natural Born Killers de Oliver Stone e From Dusk till Dawn de Quentin Tarantino. E Lewis também namorou uma grande estrela, Brad Pitt sendo para 1990 o que Robert Pattinson foi para 2010. Mas ela se rebelou e encontrou uma nova vida com sua banda Juliette and the Licks.

Após se conhecerem no set há 13 anos atrás, as duas se reuniram na casa de Lewis em LA para discutir sobre se recusar a se comprometer e o poder de ‘manter as coisas perigosas.’

JULIETTE: Eu apenas irei apresentar meu cachorro, Teddy, nessa fita. Ele está cheirando Kristen. Ele geralmente não chega perto de pessoas que ele não conhece de primeira, mas ele está sendo muito legal com ela.

KRISTEN: Não posso levar crédito por isso. Eu tenho três cachorros.

J: Você é uma pessoa de cachorros ou de gatos?

K: Bom, eu tenho três cachorros (Bear, Bernie e Cole). Eles me fazem me sentir segura. Mas eu amo gatos também. Eu tive um gato por um tempo e eu era realmente obcecada por ele, mas meu pai, John, teve câncer, ele o levou e eu realmente não tive coragem de pegar de volta quando meu pai melhorou. Eles se tornaram muito próximos.

J: Você tem a mesma energia de quando eu trabalhei com você 13 anos atrás (em Cold Creek Manor).

K: Eu te achava tão legal quando eu era criança.

J: Você tem uma voz distinta. Não somente o jeito que você fala, mas na sua natureza – é capacitada. Vou apenas ser boba e dizer que você é a versão feminina de James Dean.

K: Oh, vai se foder.

J: Mas, na verdade, você é um pouco mais forte. Tipo se você e James Dean entrassem em uma briga, sinto que você poderia ganhar. Acho que você é brigona. Você poderia dar um soco.

K: Eu gosto de fazer as pessoas pensarem isso. Eu não sei se eu realmente ia conseguir. Mas se isso acontecesse, e alguém estivesse “Nós vamos fazer isso,” eu sou confiante e iria querer mais. Eu estaria tipo “Você vai perder. Não há chance no inferno que eu vou.”

J: Você e eu temos uma certa coisa em comum e é a nossa força. Muitas pessoas pensam que eu sou muito forte, e falando com você, bom, você parece muito forte. Uma pessoa não ia querer mexer com você. Mas eu acho que as pessoas que são fortes por fora, possuem muita suavidade também.

K: Você parece que está descrevendo Joan Jett. Conhecê-la foi a coisa mais interessante para mim – eu estava completamente intimidada, e totalmente pronta para provar para ela que eu poderia calçar seus sapatos e eu poderia fazer isso. Ela é muito preciosa.

J: The Runaways foi realmente uma virada de jogo para você?

K: Interpretar alguém que você realmente respeita – eu não quero dizer idolatrar, porque é uma palavra muito utilizada – é grande. Há algo fundamental sobre Joan Jett. Ao conhecê-la, ela é uma pessoa muito boa, então eu não poderia pedir por algo maior. Eu estava no meio dos filmes de Twilight e fazer cinco desses foi tão louco que eu queria fazer algo no meio.

J: Os filmes de Twilight foram uma grande parte da sua vida. Eu acho que somos uma boa combinação para falar hoje, porque você também não vai pelo caminho fácil. O caminho fácil para alguém como você seria fazer Twilight, e então outros onde você muda seu visual e faz histórias de amor que fazem todos chorarem. Mas você soube intuitivamente: “Eu tenho que achar o estranho. Eu tenho que crescer. Eu tenho que ter certeza que eu não estou acorrentado a este sistema ou o que ele prevê para mim.” Como isso acontece?

K: Eu cresci em Los Angeles e comecei a fazer audições quando eu tinha nove anos. Minha mãe, Jules, era uma supervisora de roteiro e meu pai fazia TV ao vivo, ele era diretor assistente. Então quando eu comecei a atuar, eu apenas queria estar na equipe. Mas eu acabei fazendo audições e me distanciei de qualquer coisa remotamente comercial. Eu peguei indie atrás de indie – e todas as coisas estranhas e peculiares. E então Twilight apareceu. Nós não sabíamos que íamos fazer mais de um filme, mas Catherine Hardwicke estava dirigindo e eu pensei ‘Isso é legal, na verdade’. Então, se tornou algo completamente diferente. Mas nunca foi decidido: “Certo, eu vou balancear o comercialismo da minha carreira.”

J: Não querendo fazer parecer que somos gêmeas, mas meu pai é um ator e eu também cresci em sets de filmagens. Você acha que agora, com a mídia social e as pessoas criando sua própria arte, é um bom tempo para o filme?

K: É complicado para mim falar sobre o quão difícil é para conseguir que filmes bons sejam feitos porque me pedem para participar das coisas mais legais. Mas eu reconheço totalmente que todos estão obcecados com fazer dinheiro e que ninguém quer fazer um filme a não ser que tenha cifrões absolutamente iguais.

J: E sobre o seu novo filme, American Ultra? Eu quero saber tudo sobre ele.

K: É uma comédia/thriller/romance/ação sobre drogados. É como um filme violento de Bourne, mas comigo e Jesse Eisenberg ficando incrivelmente chapados.

J: Você me pegou com thriller. Que grande choque de gêneros. Soa ambicioso e esse é o único caminho. Há essas pessoas que o trabalho é apenas vender caixas de Raisinets (passas cobertas de chocolate) no cinema.

K: Na verdade, eu acho que nós vamos esgotar os Raisinets com esse filme. Essa é a primeira vez que fiz algo onde fiquei “Não há uma razão pela qual isso não irá fazer muito dinheiro.” Normalmente, quando eu termino um filme eu fico “Oh Deus, e se ninguém quiser ver isso?”

J: Aqui está o que quero dizer para as pessoas que estão lendo isso, e que não viveram isso. Há uma coisa com as mulheres que se tornam famosas e perdem seu anonimato e começam a pensar: “Eu tenho que agradar você?” Eu aprendi agora que nem sempre preciso. Então quando os fotógrafos me abordam no aeroporto às 7 da manhã, estou tipo “Cara, você gostaria que fosse fotografado no aeroporto às 7 da manhã?” Mas direi isso com um sorriso. É uma grande curva de apredizagem, mas você pode dizer não educadamente.

K: Totalmente. Há algo tão natural sobre dizer sim. Eu acho que com as mulheres há uma inclinação natural de querer satisfazer as pessoas.

J: Na verdade, eu não olho nada na imprensa. Para mim é apenas livros, música, pessoas e viver a vida. Eu tive que sair desse lugar de julgamento. Meu mundo da mídia social é onde consigo essa conectividade, e eu acho isso muito bonito.

K: Eu concordo com você. Eu não sou contra mídia social, eu apenas decidir não fazer isso. Eu tenho Instagram para me conectar com meus amigos, mas a ideia de me dirigir a um grupo tão grande na mídia social? Eu quase não consigo fazer uma entrevista na televisão. Eu sei como falar com você agora, e quando eu sento em uma cadeira na frente do Jimmy Kimmel, eu sei como falar com ele. Mas tenho que me concentrar no Jim, porque se eu não sei com quem eu estou falando, não faz sentido nenhum para mim.

J: Eu já li algumas besteiras sobre você na imprensa, onde as pessoas estão te julgando por toda aquela coisa de não sorrir. Você nunca deveria ter que se defender, mas o que amo sobre você é que você tem essa natureza descomprometida, mas você não é uma babaca.

K: Essa coisa toda de não sorrir é estranha porque na verdade eu sorrio muito. Eu literalmente quero estar “Cara, você me acharia legal se me conhecesse!” Mas tantas pessoas conseguem tanto dinheiro desses traços falsos que eles me deram e tantos artigos são escritos todos os dias sobre isso, se eles mudarem essa personagem, não faz sentido.

J: É quase como eles vão tirar fotos que irão alimentar isso. Eu tenho medo de pessoas que são de plástico e são perfeitamente moldadas para essa cultura do público, como políticos. Para mim, é assustador.

K: Eu não sou um político. As pessoas pensam que você precisa fazer isso, como se eles estivessem fornecendo um serviço público. Mas você não precisa, você só precisa fazer seu trabalho.

J: E sobre amigos de infância? Você ainda tem alguns?

K: Tenho muitos, na verdade. Eu tenho cinco ou seis. Há um pequeno grupo de nós que se conhecem desde sempre.

J: Eu acho que a coisa mais difícil é como os outros lidam com a fama. Algumas pessoas querem te proteger. Alguns ficam agitados e outros mostram umas cores estranhas que você não sabia que estavam lá e essa é a reação deles sobre a fama. Houve alguma mudança? Aconteceu alguma mudança na dinâmica do grupo? Eu nunca lidei com esse nível de idolatria, como quando as pessoas vêem você tão firme como algo e você os faz sentir algo e eles colocam toda sua esperança e sonhos em você.

K: Porque eu fiquei muito, muito famosa em literalmente um dia, eu fiquei meio ‘Que porra é essa?’ Todo mundo estava se formando no ensino médio e eu parei de ir para a escola, então eu meio que perdi contato com o grupo. Eu estava só com o meu namorado o tempo todo. Mas então eu fiz um esforço muito consciente de reuni-los e fiquei tipo “Preciso de vocês.” Agora eles são incríveis e muito protetores.

J: Isso é legal. Parece que você sabia que precisava nutrir a amizade ao invés de se isolar. Em vez disso, você foi para perto. Como você desabafa? Você gosta de ir para festas dançar? É como eu gosto de fazer.

K: Eu toco guitarra.

J: Caramba! Você é mais legal do que eu. Eu não conseguia entender o dedilhado. Você aprendeu guitarra por causa de The Runaways?

K: Eu comecei a tocar quando eu era mais nova. Meu pai tocava, então eu tive sorte de aprender os acordes básicos quando eu era pequena, e obviamente eu sento em trailers e tenho tempo para praticar.

J: Você usa isso para relaxar?

K: Eu amo tocar guitarra, mas não me relaxa. Me deixa louca. Eu fico tipo, “Ah, não, não era isso que eu queria tocar.” E eu também não tenho ritmo. Mas eu amo.

J: Qual habilidade você deseja ter? Eu queria aprender a lutar. Eu queria ter continuado com o karatê quando era pequena.

K: Acho que a coisa mais improvável seria se eu pudesse fazer algo como ser uma ótima dançarina.

J: Você está falando sobre hip-hop, street dancing, breakdancing ou ballet?

K: Eu não quero ser uma dançarina profissional. Eu só quero conseguir ir para a pista de dança e ser legal. Eu quero ter a habilidade de permitir meu corpo se mover. Eu quero arrasar naquela porra. Eu também gostaria de falar francês, porque eu tenho muitos amigos franceses e então eu poderia conversar com eles.

J: Bom, a boa notícia é, enquanto estivermos aqui, nós podemos fazer tudo: nós temos tempo. Então, você está usando uma blusa da banda Dwarves. O primeiro guitarrista que tocou na minha banda foi um cara chamado Clint que estava na The Dwarves.

K: Isso é estranho, porque quando olhei para essa blusa esta manhã, eu pensei “Eu não conheço essa banda, então é fodido usar essa blusa?”

J: É uma blusa legal. Você sabe que nós temos que nos arrumar, mas você sente que achou seu próprio estilo? Você tem algum designer que te atrai?

K: Digo, eu trabalho com a Chanel. Mas falando no geral, há alguns designers que eu sempre gostei: Nicolas Ghesquière é alguém que sou fã. Moda pode ser divertido, eu fico inspirada. Eu gosto de estar ao redor de qualquer pessoa que está constantemente fazendo coisas.

J: Quem é sua mentora? A minha é Amy Schumer. Eu a amo. Ela é tipo “Garota, você precisa parar de se desculpar tanto.” Eu estou interpretando uma detetive em uma série chamada Secrets and Lies e ela não diz “Desculpe, eu só preciso de 10 minutos do seu tempo.” Ela não possui nenhuma sutileza social ou qualquer coisa. E eu respeito isso.

K: Eu peço desculpas constantemente, sem parar. Como mentora, eu admiro minha mãe, ela sempre foi trabalhadora.

J: Amo como você diz trabalhadora.

K: As mulheres que eu sempre admirei são aquelas que são incapazes de focar em coisas que não importam porque estão ocupadas com seus interesses e coisas que gostam de criar. Patti Smith é uma amiga minha e toda sua coisa é “Apenas volte ao trabalho.” Encontre a fonte do que está mantendo você e irá focar em você.

J: Como você se tornou amiga dela?

K: Nós estávamos no Boom Boom Room [em Nova York] para a after party de um filme, acho foi de On the Road. Eu estava em um lugar fodido emocionalmente e ela apareceu e disse “Hey, você está bem?” Ela ficou tipo, “Eu só quero que você saiba que seu pessoal se importa com você, que estamos aqui por você, e eu faço parte do seu pessoal.” E nós meio que mantivemos contato. Então, eu fui para Nova York novamente e ela me encontrou em outra after party, havia bastante tempo que nós tínhamos nos falado, e ela disse “É lua cheia esta noite e eu ouvi que você estava na cidade, então eu saí para te encontrar e aqui está você!” E eu fiquei “Você precisa parar de falar as coisas mais legais!”

J: Ela é tipo o seu Yoda, o que é fantástico. Ela é uma das melhores escritoras. Ela é a mais descomprometida, a mais radical, a mais destemida. Ela anda o seu andar e nada influencia isso. Estou tão feliz que temos ela. Então, no espírito de Patti Smith e todos os renegados, eu digo: “Mantenha isso perigoso,” e “Não deixe o medo te consumir.” Essa é a mensagem. Adeus.

Kristen X Juliette

Nascida…
K: 1990, em LA
J: 1973, em LA

Nome dos cachorros:
K: Bear, Bernie and Cole
J: Teddy

Papéis populares:
K: Crepúsculo
J: Cabo do Medo

Escolha de exercício:
K: Nadar
J: Treinamento de pesos

Papéis de alto nível:
K: Branca de Neve em Branca de Neve e o Caçador
J: O amor de Johnny Depp em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador

Habilidade mais desejada:
K: Dançar
J: Karatê

Os arquivos de Kristen

Café da manhã típico: “Eu sou a pessoa menos comum. E eu não sou uma pessoa fã de café da manhã. Eu comecei a fazer pudim de semente de chia, o que soa ridículo mas é legal porque é muito bom.”

Livro favorito: “A Leste do Éden, de John Steinbeck. Eu vou ler isso muitas vezes antes de morrer.”

Pior sonho: “Algumas vezes eu sonho que estou em um lugar grande e ambíguo e estou sozinha. De primeira, estou confortável porque sei que não há ninguém lá, mas quando começo a olhar em volta, eu percebo que eu não sei onde estou e de repente, “Oh, merda!”

Escolha de exercício: Eu tenho uma piscina olímpica no meu quintal. Exercício físico é o melhor jeito de redefinir minha mente.”

Última refeição: “Eu não tenho uma especialidade, mas eu gosto de fazer filé. Eu amo cozinha, mas ninguém me ensinou. Apenas faz sentido para mim. Eu assisto bastante Food Network.

Melhor conselho: “Patti (Smith) me disse para tomar conta dos meus dentes e pulmões.”

Fonte | Tradução: Mari – Equipe Kristen Stewart Brasil